“Vocês estão com a bunda sentada num monte de dinheiro”: Nizan Guanaes só precisa de 1 hora e de 60 anos de vida pra virar o bonde da História

Ele já foi considerado um dos cinco mais influentes brasileiros pelo jornal inglês Financial Times – e isso tem menos de oito anos. Fez uma improvável receita de pipoca com guaraná virar um dos hits da cultura pop nacional (Antarctica, 1991), colocou bichinhos de pelúcia pra beberem leite no gargalo – e isso não é fetiche (Parmalat, 1996), importou a ideia de internet grátis em larga escala para o Brasil – com um cachorrinho branco e felpudo sendo o embaixador (IG, janeiro de 2000). Embalou com charme ou humor todo o tipo de produtos. Hoje, busca vender propósitos. Poucos conterrâneos nossos têm um currículo tão vasto e que emergem simplesmente ao dizer nome e sobrenome: Ruy Barbosa, Castro Alves, Gilberto Gil são alguns deles. Neste verão, o foco de Nizan Guanaes é a Bahia – e isso interessa muito a todos.

Estamos no fim da tarde de sábado, 24 de novembro de 2018, no elegante Fera Palace Hotel, na sala do que leva o nome Pedro Arcanjo, protagonista de Tenda dos Milagres de Jorge Amado,  intelectual do povo inspirado em Manuel Querino. Com jeans e uma blusa preta, minutos depois de descer de um táxi, Nizan Guanaes bebe uma xícara de café antes de encerrar o evento SCREAM. Avisa que está um pouco cansado, dormiu pouco, mas aceita dar uma entrevista não programada em sua concorrida participação.

De microfone na mão, é nítido o interesse que o move a não estar naquele momento em São Paulo, Nova Iorque, Paris, onde poderia estar conversando com o bilionário Jorge Paulo Lehman, o apresentador de televisão Luciano Huck, ou o ex-presidente americano Bill Clinton. “Eu fico muito feliz de ver Salvador se movimentando com o jeito beta que essa cidade sempre teve.”

Clique para assistir a entrevista exclusiva:

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Menos pelo café engolido há alguns minutos e mais pelo assunto, o publicitário fundador do grupo ABC, holding considerada o 18º conglomerado de comunicação do mundo, já está completamente alerta e excitado. Agora, comenta a fundação da Universidade Federal da Bahia, a partir de 1946, sob a liderança do reitor Edgard Santos, que reuniu os luminares da arte e intelectualidade da época: o suiço Anton Walter Smetak, o alemão Hans-Joachim Koellreuter (fundadores da Escola de Música), o pernambucano Eros Martim Gonçalves (Teatro), a italiana Lina Bo Bardi (arquitetura), a polonesa Yanka Rudzka (dança), Walter da Silveira (cinema), o francês Pierre Verger (antropologia e fotografia).

Visionário, pioneiro, vanguardista, Edgard Santos é apontado pelo antropólogo e biógrafo Antonio Risério como um reinventor da Bahia, que “estava inteiramente paralisada”. Percebam como não há coincidências nessa história. “Eu acho que a Bahia tem um potencial imenso. Eu fico muito feliz de a Bahia se articular para pegar de volta esse protagonismo”, exalta, como se regesse uma nova versão de We Are The World of Carnaval. “Salvador precisa ter esse tipo de ambição“.

60 minutos com Nizan

Assim com Andy Warhol profetizou que no futuro todos teriam direito a quinze minutos de fama, no presente, todos deveriam ser premiados com 60 minutos de diálogo com Nizan Guanaes, o homem usina. Dali a alguns minutos, ele irá mencionar o bonde pela primeira vez. E, quando falar pela sexta vez neste bonde, vai sentenciar: “eu sou um fanático”.

Pela etimologia, “fanático” pode ser aquele que demonstra entusiasmo exagerado por uma ideia. Na gramática particular do profissional que, no longínquo 1987, ganhou um Leão de Ouro em Cannes com um comercial para a Folha de São Paulo chamado Hitler, pode ser uma forma de se dizer obstinado, insistente, maluco ou, simplesmente, alguém que está enxergando antes.

Veja bem, em março de 2018, com o ex-presidente Lula livre e liderando pesquisas para uma possível vitória em primeiro turno, Nizan teve a ousadia em forma de prognóstico político. “Bolsonaro vai ganhar porque é o Dorflex do Brasil”. Ficou parecendo campanha antecipada; era análise – de oferta e de procura.

Em dezembro, em entrevista à Veja, Fernando Henrique Cardoso concordaria dizendo que uma eleição é o que o povo precisa de imediato. “Política não é uma escolha de quem é mais competente, quem é melhor. É de quem, naquele momento, bate com o sentimento do eleitor”. Em outras palavras, o ex-presidente estava falando que o povo precisava de um analgésico. Simples de diagnosticar depois das urnas concluírem o mesmo, difícil seria dizer seis meses antes. Coisa de prestidigitador.

Nesta história, siga o bonde para não se perder na viagem de Nizan, que também vai se denominar “psicopata”, pela forma insistente como irá repetir o tema. Na escalada de propósitos, diz querer devolver para a Bahia o pote do tesouro que garimpou com talento e com olhos atentos para onde está o final do arco-íris (ele sempre está migrando de lugar). E não é por bondade. “Não gostaria que vocês pensassem nisso por caridade, mas porque vocês estão sentados com a bunda em cima de um monte de dinheiro”, anuncia, direto do miolo do Centro Histórico da primeira capital, justamente na esquina da primeira rua planejada do país e batizada em homenagem à visita da esquadra de uma nação vizinha: o Chile.

Nizan Guanaes no SCREAM: “não é por caridade, é porque vocês estão sentados com a bunda em um monte de dinheiro”

Corta para Paris dos anos 1970. Uma lenda conta que Pablo Picasso, já idoso, rabiscava um guardanapo num café da Cidade-Luz. Alguns minutos depois, amassou o desenho e ia jogá-lo no lixo quando uma cliente perguntou se poderia ficar com o papel. “Claro”, respondeu Picasso. “É seu por 20 mil dólares”. A mulher ficou espantada. “Mas você não precisou mais que dois minutos para desenhar isto”. “Não, senhora. Foram mais de 60 anos para desenhar isto”.

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Aos 60 anos de idade, o cubista e antropofagista Nizan Guanaes está, em voz alta, rabiscando pensamentos ao microfone – cuidem de ir anotando ou absorvendo as ideias que ele esparge pelo ar como borrifando ventos aromatizados por mudança. Spray de delírios bem fáceis de seduzir. Ele convida para uma viagem de bonde, um vagão com trilhos no passado, resultados no presente e mirando a estação do futuro. “Pense no bonde”

O bonde de Nizan é alegoria e também prática. Tem o realismo fantástico da carruagem de Woody Allen em Meia Noite em Paris, mas também a questão concreta do turismo como o Museu de Jorge Amado. É algo completamente real e que executar se torna apenas um detalhe.

A cidade ainda respira

No nublado primeiro domingo de dezembro em que esse artigo começava a ser escrito, podia-se colocar uma calça justa de poliamida e elastano, percorrer boa parte da orla atlântica pedalando uma bicicleta comunitária laranja (parceria de Itaú e prefeitura), passar por meia dúzia de ciclofaixas delimitadas dos carros por cones e respirar a cidade numa meditação de pernadas, com fone branco wi-fi conectado a uma playlist do youtube, sentindo que a selva de pedra ainda pode ser doce e hospitaleira.

Podia-se, então, chegar até o Parque da Cidade sob alguns pingos de uma chuva passageira, onde a Virada Sustentável reunia estandes de visionários, artesãos alternativos, camisarias adeptas de frases engraçadinhas e enaltecendo o capitalismo consciente, além de outros micro empreendedores adeptos do capitalismo inconsciente mesmo. Podia-se chegar à imagem de um gari interrompendo seu varre-cata com farda ironicamente laranja para registrar dezenas de fotografias do espaço que mais admirou: o de antiguidades. Poesia pura. A cidade respira.

Clique para ver o gari fotografando antiguidades na feira:

O secretário da Cidade Sustentável, André Fraga, que monitorava a feira, participara também, quatro dias antes, da abertura de um Congresso de Jovens Empreendedores do Brasil, habilmente alocado para um resort na praia de Stella Maris. No evento, o prefeito ACM Neto reivindicava o fato de ainda poder ser enquadrado como jovem (não ter 40 anos) e empreendedor, entre outras coisas, por ter aberto o saguão com pé direito alto da vida pública para vários que não eram políticos até então. Poderia estar falando diretamente para o próprio Fraga, ou até para Tiago Correia, vereador e triatleta, criador, em 2017, do projeto de indicação para as ciclofaixas exclusivas nas avenidas de Salvador, aquelas do domingo, da calça colada, do fone branco conectado por wifi.

Ou seria uma tentativa de sinalizar a quase certa virada de casaca do presidente do Bahia, Guilherme Bellintani, se capitalizando para ser candidato a prefeito de Salvador em 2020, com apoio do PT?

ACM Neto também engrossou a voz para salientar que, em 469 anos, jamais a prefeitura tinha lançado um projeto social e estruturante com recursos próprios. O nome adotado foi Salvador 360 e sabe quem idealizara, no recente maio de 2017? O então Secretário de Desenvolvimento Urbano da prefeitura, Guilherme Bellintani, hoje a aposta oculta para rivalizar com o candidato de Neto. Salvador ainda pulsa em suas aparentes contradições.

Neste evento, a cada integrante da mesa anunciado, alguém se encarregava de iniciar uma rápida saudação. Na plateia, o mesmo André Fraga cochichava com este redator: basta o primeiro puxar palmas que o resto aplaude. É isso mesmo, Nizan. Basta que o primeiro puxe as palmas, a plateia vem junto.

Aos aplausos

Então, vamos a elas, as palmas. Agora, estamos na plenária do Fera Palace Hotel, no encerramento do SCREAM, diante de cerca de 250 formadores de opinião, políticos, publicitários, empresários, a platéia sedenta pelas palavras do Homem do Ano de 2014, pela revista brasileira GQ, e uma das 100 pessoas mais criativas do planeta em 2011, pela Fast Company. Com vocês, Nizan Guanaes:

“Eu adoro essa disputa entre o governador (Rui Costa) e o prefeito (ACM Neto) sobre quem faz mais… fico torcendo pelo empate”. Todos riem.

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“Eu advogo fortemente que precisamos ter um centro de convenções no centro histórico, no Palácio do Rio Branco, na Câmara Municipal ou no próprio prédio da prefeitura. O único interesse que eu tenho nessas coisas é que estou vivendo um momento de minha vida de propósito. Aquele momento que você olha e diz agora eu quero devolver pra minha cidade e para o estado que deu tudo”. Está aí uma das definições dele para o que seria a fase de propósito.

“Baianos adoram mudar para Lisboa… mas isso aqui é Lisboa. É só a gente copiar as coisas boas que eles têm feito.” Engraçado Nizan mencionar Lisboa, justamente a capital de nossa matriz Portugal…

O Quixote do Forte de São Marcelo

Corta para 25 de abril de 1831 no Recôncavo Baiano. O juiz de paz e vereador, capitão Bernardo Miguel Guanais Mineiro redige um manifesto junto a alguns moradores de Cachoeira e de São Félix exigindo a deportação de todos os portugueses contrários à Independência, proclamada a 7 de setembro de 1822. Inicia um movimento (guardem essa palavra).

Em 19 de fevereiro de 1932, depois de um discurso inflamado, Capitão Guanais Mineiro ocupa o Convento do Carmo, onde, no dia seguinte, assume a presidência da Câmara de Cachoeira. O governo da província, ao tomar conhecimento da ação “anarquista”, prende Guanais Mineiro e outros líderes da Revolução Federalista. São mandados para o Forte de São Marcelo, incrustado na Baía de Todos os Santos, entre Salvador e Itaparica.

Um ano depois, ele consegue, junto com outros revoltosos, enganar sentinelas, prender o comandante do forte e hastear uma bandeira azul e branca no mastro, com tiros de saudação à flâmula federalista. Este sonhador quixotesco, que enfrentou todo o império com algumas baionetas e umas balas velhas de canhão, foi preso de novo e morreu em 14 de janeiro de 1847. Esse homem com o nome gravado numa placa da antiga praça do Progresso de São Félix é líder e mártir da República Federativa do Brasil. Era um ancestral de Nizan.

“Meu bisavô – pode dar um google aí -, Bernardo Guanais, achava que sozinho poderia derrubar Dom Pedro II. Ficou bombardeando Salvador direto do Forte de São Marcelo”. Essa história é sobre loucos, fanáticos, inconsequentes: também conhecidos como visionários que mudam o mundo.

Não queiram discordar do que o baiano propõe, por mais esdrúxulo que possa parecer. Pode ser uma missão quixotesca, Nizan já tem essa vocação genética.

Domingo nublado na avenida Magalhães Neto em Salvador: ciclistas aproveitam faixa exclusiva

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SCREAM é o acrônimo de Salvador Creative and Media Festival (em inglês mesmo), batismo para o encontro de dois dias organizado pela Saltur e pela Associação Bahiana do Mercado Publicitário, cuja presidente, a empresária Ana Coelho, definiu como uma “ferramenta para estimular e desenvolver a cultura criativa na Bahia”. A curadora, a publicitária Potyra Lavor, disse que “a ideia era fazer uma discussão produtiva, além de conectar a criatividade baiana com a de outros lugares”.

Mais velhos

Para Nizan, só duas ressalvas: transformar de evento em movimento; e convidar também a sabedoria e a contribuição das pessoas idosas. Ele está obcecado por História em sua versão maiúscula. Não à toa, a bíblia em sua cabeceira é o relato empolgante sobre a vida de Leonardo da Vinci, gerado pela pesquisa de Walter Isaacson (biógrafo também de Steve Jobs, Albert Einstein e Benjamin Franklin). Isaacson descreve um personagem de proa, o farol de Florença (e, por consequência, do Iluminismo).

Homossexual assumido e – à época, tão chocante quanto – vegetariano e canhoto, Leonardo di Ser Piero da Vinci desfilava os cabelos loiros encaracolados e as formas musculosas pelas ruas da cidade-estado menos como um flaneur e mais como um pesquisador. Não se sabe se as contribuições de da Vinci foram mais importantes para as belas artes ou para a ciência.

Em listas sobre o que fazer num dia, Leonardo poderia anotar “pedir para um mestre em hidráulica me ensinar a consertar uma eclusa, um canal e um moinho à moda lombarda”, “tirar as medidas de Milão e de seus subúrbios”, questionar “por que os peixes dentro da água são mais ágeis que os pássaros no céu quando deveria ser o contrário, já que a água é mais densa que o ar”, ou se auto-impor a missão de “descrever a língua do pica-pau”.

Arquétipo do Homem da Renascença pode ser a grife para o italiano, mas também poderia ser aplicado ao atual momento do baiano em termos do que visualiza para Salvador:

“Tudo que estou falando não tem nada de inédito, são recortes e coleções que meus olhos viram passeando pelo mundo. Vamos comparar com San Francisco (a única cidade-condado da Califórnia, caracterizada pelos trenzinhos urbanos): se Salvador tem um bonde que sai lá do Mercado Modelo e sobe pela Ladeira da Montanha, faz uma volta até o Terreiro de Jesus, isso aqui vai ser irrigado de turistas. Isso é uma viagem no tempo. Se com tudo isso você volta e cai dentro de um Centro de Convenções, sua convenção vai estar dentro de Jorge Amado, dentro de Caetano Veloso, da música de Gil e de Caymmi. Você pode usar a Rua Chile para o museu Caymmi, o museu Jorge Amado, você pode ter os roof tops, bombar a rua dos antiquários. Já tem muita coisa interessante aqui, basta você dar vida. A irmã Dulce teve o estalo dela e a conversão na Igreja de Santana, onde tem o jazigo da família Caymmi…”

Portas fechadas, mentes abertas

De alguma forma, os sonhos do guru esbarram em inconveniências da atualidade. É como aquele meme de expectativa x realidade. Algumas semanas depois, o Hotel Fasano iniciaria o funcionamento, a poucos metros do auditório em que Nizan inebriava o público lembrando que “não custa caro tocar sino nessa cidade, nem incentivar as pessoas a vestirem branco na sexta”. Em 2015, o investimento anunciado no Fasano de Salvador era superior a R$75 milhões. Essa é a nota positiva…

A negativa é que precisamente seis dias antes de dizer aquelas palavras, o Bahia Othon Palace de Ondina encerrava atividades e levava consigo 184 empregos diretos do turismo. E se tornanva o 30º grande hotel de Salvador a fazer um check-out definitivo nos últimos cinco anos, segundo estatística do Conselho Baiano de Turismo.

Nizan tem mais familiaridade com soluções do que com problemas. Com alguns telefonemas, conseguira reservar data com outros cinco publicitários de renome internacional (Washington Olivetto, José Victor Oliva e os Sérgios: Amado, Valente e Gordilho), obter patrocínio da operadora Claro e colocar no colo da amiga Lícia Fábio o evento Seis Tenores pra ela realizar em Salvador. Ela que justamente tinha promovido feijoadas carnavalescas no Othon.

(Lícia Fábio, sergipana de nascimento, dissera em um painel anterior do mesmo SCREAM que os baianos deveriam perder a vergonha de “puxar o saco da Bahia”, uma forma de mencionar a auto-valorização. Horas antes, para a mesma plateia, o publicitário e um dos criadores do Festival de Verão da Rede Bahia, Maurício Magalhães, baiano emigrante para São Paulo, bradara alguns porras para alertar o quanto é medieval não termos orgulho do Olodum e desprezarmos o slogan Bahia, Terra da Felicidade).

Maurício Magalhães: “a gente deveria ter gente do mundo todo aqui porque entregamos a criatividade que prometemos”

Coelho fora da cartola

Em 20 de novembro, Nizan usava uma artigo na Folha de São Paulo para convocar profissionais e empresas de comunicação a não continuarem “fazendo mais do mesmo”. “A zona de desconforto é a nova zona de conforto. Mas sem desespero (…) vejo muita gente preocupada com as ameaças da era digital. Essa preocupação é muito pertinente. Mas deve ser também estimulante. Esse coelho não volta mais para a cartola. É melhor celebrar a nova era da comunicação do que lamentá-la”.

Estava cobrando que jovens e velhos investissem atenção a uma nova forma de realizar, uma maneira que resista mais tempo do que as tatuagens de tribal no tríceps ou o trecho de oração na costela vão durar antes de perderem sentido na pele flácida e se tornarem apenas uma boa lembrança.

O aviso de Nizan na Folha: uma campanha dele para o jornal abriu o estrelato, em 1997

A foto dele no Wikipedia, registrada em 2017, durante o evento Cidadão Global, onde Barack Obama também foi palestrante, não poderia ser mais emblemática: dá para interpretá-lo gritando ou rindo, a depender do humor de quem veja.

Filho de xangô, dono de uma agência chamada África, inúmeras vezes mencionando a importância de cuidar da espiritualidade, Nizan é entusiasta do candomblé e do Bori, ritual de iniciação ao “alimentar” os orixás pela cabeça. Está tudo na cabeça dele, como dizem que acontecia ao físico sérvio Nikola Tesla, criador, contra todas as apostas do então célebre Thomas Edison, dos sistemas que viabilizam a potência elétrica de corrente elétrica. Antes de morrer, aos 86 anos, em 1943, Tesla já enxergava um novo mundo, com energia livre, abundante e barata. Um mundo novo…

Corta para 24 de novembro, a uma esquina de onde a estátua de Castro Alves aponta ao além: “Salvador não pode ter uma ambição que não seja global, como uma Barcelona”, conclama o motorneiro do bonde. “A Bahia é criativa em comida, em escultura, em cinema, em música, em arquitetura, em publicidade. Lembre: Esta cidade é de 1549 e (o ducado de) Florença é de 1532.”

Assim falou Nizan Guanaes. E nem precisou cobrar os 20 mil dólares de Picasso.

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