SÉRGIO MORO MINISTRO. CRÍTICAS, ELOGIOS, TUITADAS E A INCRÍVEL PREVISÃO DE ALBORGHETTI

É a notícia mais importante e mais comentada do dia no Brasil e também no exterior. A decisão do juiz federal Sérgio Moro, que aceitou o convite para assumir o Ministério da Justiça no governo Bolsonaro, ficou muitas horas como o assunto número um – disparado! – nos Trend Topics do Twitter mundial.

Sérgio Moro à frente de um “superministério” que une Justiça e Segurança Pública é uma escolha considerada pelo presidente eleito como a mais forte mensagem de que o governo fará um combate tenaz à corrupção e ao crime organizado. A decisão, entretanto, recebeu uma enxurrada de críticas, sobretudo de políticos ligados ao PT, que veem na nomeação a confirmação do caráter político da Lava Jato e a influência da operação nas eleições presidenciais.

O perfil do ex-presidente Lula, no Twitter, relembrou uma reportagem publicada no jornal O Estado de São Paulo, em 2016, quando Moro foi enfático ao dizer que “jamais entraria para a política”.

Os advogados de Lula estão utilizando a situação para fortalecer a narrativa da prisão injusta e motivada por perseguição política.

O cientista polític0 – e recém-eleito deputado estadual pelo Rio Grande do Sul – Fábio Ostermann (NOVO) elogiou a escolha de Moro para o ministério e aproveitou para dar uma “alfinetada” no ex-presidente que quase assumiu a Casa Civil no governo Dilma (o que daria foro especial por prerrogativa de função, tirando o processo do tríplex do Guarujá das mãos de Sérgio Moro).

Uma das razões de Lula não ter virado ministro foi um ato de Moro, que divulgou áudio de uma conversa telefônica entre Dilma e Lula, acertando detalhes a respeito da nomeação e da entrega do documento que garantiria a condição de ministro empossado. Muitos juristas criticaram a divulgação do áudio, por ter sido fora do prazo legal (o próprio Moro chegou a admitir que foi um erro).

Os candidatos da chapa derrotada no segundo turno das eleições presidenciais, Fernando Haddad (PT) e Manuela D´ávila (PCdoB), também se manifestaram em postagens que colocam em dúvida a imparcialidade de Sérgio Moro à frente da maior operação de combate à corrupção do país.

Outro presidenciável que comentou a definição do nome de Sérgio Moro como ministro foi João Amoêdo, que desejou sucesso ao magistrado e parabenizou o presidente pela escolha.

O tucano Geraldo Alckmin não falou sobre o assunto nas redes sociais. Aliás, o presidente do PSDB não publica nada desde terça-feira, porém deve ter visto a reação rápida de seu correligionário (mas cada vez menos aliado) João Dória. Assim que terminou a reunião entre Moro e Bolsonaro, o governador eleito de São Paulo disse que Moro é um “patrimônio moral do Brasil” e o novo cargo “sinaliza um novo caminho de transparência e verdade na política brasileira”. Já há quem ouse prever que os dois podem ser adversários numa eventual disputa pelo Planalto em 2022.

Uma opinião surpreendente para alguns antipetistas desavisados foi a do jornalista Reinaldo Azevedo. O colunista que foi o criador do termo “petralha” e se classifica como um representante da direita liberal já escreveu livros com críticas duríssimas ao PT e a Lula. Esta semana, antes mesmo da confirmação da notícia de que Moro assumiria o MJ, Reinaldo publicou vários artigos desaprovando com veemência a possibilidade e destacou que a decisão comprovava o viés “inegavelmente político” da Lava Jato.

Sérgio Moro não deu entrevista ainda, mas publicou uma nota explicando os motivos de ter aceitado o convite de Bolsonaro.

“Fui convidado pelo Sr. Presidente eleito para ser nomeado Ministro da Justiça e da Segurança Publica na próxima gestão. Apos reunião pessoal na qual foram discutidas politicas para a pasta, aceitei o honrado convite. Fiz com certo pesar pois terei que abandonar 22 anos de magistratura. No entanto, a perspectiva de implementar uma forte agenda anticorrupção e anticrime organizado, com respeito a Constituição, a lei e aos direitos, levaram-me a tomar esta decisão. Na pratica, significa consolidar os avanços contra o crime e a corrupção dos últimos anos e afastar riscos de retrocessos por um bem maior. A Operação Lava Jato seguira em Curitiba com os valorosos juízes locais. De todo modo, para evitar controvérsias desnecessárias, devo desde logo afastar-me de novas audiências. Na próxima semana, concederei entrevista coletiva com maiores detalhes”.

Uma curiosidade é que a notícia mais impactante deste primeiro dia de novembro foi prevista (e muito desejada) há DEZ ANOS pelo apresentador de TV, Luiz Carlos Alborghetti, que já falava em Sérgio Moro muito antes do juiz se tornar conhecido nacionalmente. Alborghetti morreu em 9 de dezembro de 2009, seis anos antes do início da Lava Jato.

 

 

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