ALTERNATIVA: Com ‘sangue bloqueado’, moradores de Feira e região recorrem a redes sociais para conseguir doações

Fonte: Diorgenes Xavier

O dentista Marco Aurélio Tahim, 38 anos, viveu dias de tensão no mês de fevereiro. Com a cirurgia cardíaca de sua mãe agendada para o dia 17, no Hospital Aliança, ele descobriu poucos antes do procedimento que precisaria conseguir 12 doadores de sangue A positivo. O detalhe: eles não poderiam ser do município de Serrinha, na região do Sisal, onde vivem os seus familiares e amigos.

A justificativa para a medida é o alto índice de infecção por zika vírus e chikungunya nestas cidades. Correndo contra o tempo, ele iniciou uma campanha através do seu perfil no twitter para conseguir novos voluntários. “Tive que fazer um apelo através das redes sociais para resolver o problema”.

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Passado o susto, com a sua mãe em casa e passando bem, Tahim manifestou o seu descontentamento com a situação. “É difícil encontrar um local que não tenha casos destas doenças. Excluir só esta região é complicado”.

A medida não vale apenas para a região do Sisal. Em contato com o Aratu Online, a assessoria da Fundação de Hematologia e Hemoterapia da Bahia (Hemoba) esclareceu que a avaliação, mensal, é feita com base em boletim divulgado pela Secretaria de Saúde do Estado da Bahia (Sesab).

O relatório aponta quais as regiões podem ser consideradas endêmicas. Nestes casos, os moradores ou pessoas que passaram por um dos locais nos últimos 30 dias não podem doar sangue que será utilizado em outras cidades.

A assessoria do Hemoba explicou ainda que, ao contrário do que foi noticiado anteriormente, as normas não são estabelecidas pelo órgão, mas pelo Ministério da Saúde. É ele quem define, inclusive, que os residentes em regiões endêmicas só podem doar para pessoas da mesma região.

Uma pessoa que tenha manifestado sintomas da doença pode voltar a se apresentar como voluntária após um mês se estiver recuperada. O alerta é importante porque, de acordo com dados do Hemoba, o nível de doações continua abaixo do mínimo necessário.

Com base nos últimos levantamentos, Salvador precisaria de um mínimo de 250 doadores por dia. No entanto, o órgão tem recebido, em média, entre 100 e 120 candidatos sendo que, destes, nem todos são considerados aptos.