FESTA POLÊMICA: Boate em Salvador é acusada de machismo por movimento feminista; Organizadores rebatem

Fonte: Heloísa Gomes

Crédito da Foto: Arte Nestor Carrera / Aratu Online

A festa “The Choice” — em tradução para o português, a “Escolha” —  sugere em sua descrição que “na entrada todos os homens receberão um cartão, as mulheres terão que ganhar estes cartões dos homens, a mulher que juntar o maior número de cartões na festa ganhará um MEGA KIT da VITÓRIA SECRET´S e além disso entrará grátis em todas as THE CHOICE de 2016!”.

O evento será realizado na boate Pink Elephant, no bairro do Rio Vermelho, em Salvador, neste sábado (19/3) às 15h. É uma matinê para crianças e adolescentes entre 13 e 17 anos promovida pela empresa paulista The Choice Teen há 1 ano e meio em Salvador. “Nós temos autorização da vara da infância, inclusive fazemos a solicitação com antecedência. Nossa próxima festa já está autorizada. No evento existe fiscalização do órgão”, diz empresário Alex Alves.

Segundo Alex, a empresa está há seis anos no mercado e promove matinês em mais 15 cidades pelo Brasil.

Na rede social, Facebook, circula uma nota de repúdio contra a boate em nome do grupo ‘mulheres da sociedade civil’, compartilhada por vários movimentos feministas de Salvador.

VEJA NOTA COMPLETA:

“NOTA DE REPÚDIO A FESTA THE CHOICE – BOATE PINK ELEPHANT
Nós, mulheres da sociedade civil, nos manifestamos contra a Boate Pink Elephant Salvador e a festa The Choice que acontecerá no dia 19 de março de 2016, às 15h na boate ora mencionada.
A The Choice, que conta com edições em Campo Grande, São Paulo, Rio de Janeiro e agora Salvador, se configura em formato de matinê para crianças e adolescentes entre 13 a 17 anos.
Dentre uma série de problemas que identificamos, nos posicionamos contra esse formato de festa, cuja descrição estabelece uma relação de poder desigual e sexista quando é o menino que tem a ficha e as meninas são incitadas a conquista-la. Veja abaixo a descrição original do evento:
“Na entrada todos os homens ganham um cartão, as mulheres terão que ganhar estes cartões dos homens, a mulher que juntar o maior número de cartões na festa ganhará um MEGA KIT da VITÓRIA SECRET´S e além disso entrará grátis em todas as THE CHOICE de 2016!”
Listamos abaixo os problemas identificados e a inadequação deste formato de evento para menores de idade:
1. Adolescentes são descritos como homens e mulheres;
2. Esse tipo de ação promove adultização da (o) adolescente;
3. É um formato de evento sexista, que objetifica a figura feminina e fomenta competitividade entre elas;
4. Incentivo de competitividade e juízo de valor, num concurso de beleza em que os jurados são crianças cheias de hormônios, confusão e interesses próprios;
5. Não é explícita a forma com que as “mulheres” devem ganhar esses cartões;
6. Estimulo da sexualização prematura ao propor às meninas que conquistem as fichas;
7. Impõe às meninas condição de inferioridade quando oferece a ficha apenas para os meninos;
8. Disparidade de idade evidente entre meninas (os) de 13 e meninas (os) de 17 anos;
Pedimos apoio a órgãos governamentais que regem o Estatuto da Criança e do Adolescente, à Redes Feministas, assim como a pais e pessoas que não corroboram com este tipo de conduta que foge do debate extensivo sobre o empoderamento feminino.”

Em contato com o Aratu Online, a direção da boate disse que não tem responsabilidade sobre o evento, mas ainda assim minimizou a polêmica. “Nós não temos nada a ver. Apenas alugamos o espaço para outra empresa. No momento político em que estamos vivendo no país uma pessoa se preocupar com isso é muita falta do que fazer”, responde Nenel Kartum, representante da franquia Pink Elephant.

Já a empresa paulista organizadora informou que “homens e mulheres são diferentes. Todo lugar distingue homens de mulheres. É só uma gincana onde as meninas serão premiadas”.

Questionado sobre outra alternativa de premiar as “mulheres” Alex Alves, promotor do evento, disse que a festa faz parte da estratégia da empresa.

“Cada evento tem um tema. Todos os meses precisamos pensar algo diferente, já fizemos gincana, sorteio, concurso de dança… Na verdade é uma forma de premiar as meninas, apenas. Não há disparidade de idade, afinal são todos adolescentes perante o Estatuto da Criança e do Adolescente e as meninas não são obrigadas a fazer nada que elas não queiram, basta recusar caso algum garoto peça algo em troca”, simplifica.

RESPOSTA

Indignado com a exposição negativa da marca um dos representantes da Pink declara que “festas assim acontecem há anos, eu procurei a empresa responsável para questionar o que estava acontecendo de errado e não tem nada demais. mesmo assim eu não tenho juridicamente nenhum argumento para pedir que ele mude o formato  da matinê. Eu vi a publicação da nota de repúdio no Facebook, afinal as publicações marcaram a página oficial da Pink. Não somos responsáveis pela festa e não posso permitir que fiquem denegrindo a imagem de uma marca séria com mais de vinte casas no Brasil e 200 ao redor do mundo”.

Temeroso por possíveis atos de protesto em frente ao seu estabelecimento, o empresário tomou alguns cuidados, “solicitamos mais segurança, a presença do juizado de menor,  de viaturas da polícia do Rio Vermelho”, diz.