CASSINO ROYALE: Via internet, baianos aderem a pôquer e buscam profissionalização

Fonte: Juana Castro

CASSINO ROYALE: Via internet ou em clubes, baianos aderem a pôquer e buscam profissionalização

Crédito da Foto: Reprodução | Pexels

Ganhar a vida fazendo o que ama é o sonho de muita gente, mas quando o desejo foge do convencional, o caminho pode ser bem mais difícil. Os jogadores de pôquer, por exemplo, vêm conquistando mais espaço na mídia, embora continuem na luta por aceitação e profissionalização de uma atividade — ainda — não compreendida por muitos.

O tema é recorrente e partidas de pôquer já passam regularmente em alguns canais fechados, como o Bandsports. Na TV aberta, o assunto é destaque, atualmente, na novela “A Força do Querer”, das 21h, da Rede Globo. Na trama, a personagem de Lilia Cabral (Silvana) joga compulsivamente e tem o hábito de mentir sobre a atividade, principalmente quando perde muito dinheiro.

Lilia Cabral em cena como Silvana, uma jogadora compulsiva

Lilia Cabral em cena como Silvana, uma jogadora compulsiva | Foto: Reprodução/Gshow

Apesar de a novela abordar mais o fato da compulsão, indiretamente reforça o velho e negativo estereótipo do jogador “viciado”, que os profissionais lutam há tanto tempo para mudar.

Para o estudante Matheus Sousa, de 20 anos, que sonha ser jogador profissional, o preconceito ainda é um empecilho até dentro de casa. Isso mesmo o pôquer já sendo considerado um esporte com representação em âmbito nacional, dada pela Confederação Brasileira de Texas Hold’em (CBTH), entidade cadastrada no Ministério do Esporte desde 2012.

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“Meus pais não me proíbem, mas também não incentivam e exigem que eu faça uma faculdade. Eles acham que a chance de conseguir viver bem a partir desse esporte é muito pequena e ficam preocupados com meu futuro”, afirmou Matheus, que mesmo assim não deixa de fazer cursos, estudar e assistir a vídeos para aprimorar as técnicas.

Por enquanto, ele pratica apenas como hobby, online, no site Pokerstars – o maior do mundo, com uma média de 50 mil acessos por dia. Matheus joga a modalidade Texas Hold’em, uma das mais famosas entre mais de 10 estilos do jogo de carteado.

De modo geral, o jogador recebe duas cartas e outras cinco “cartas comunitárias” são colocadas na mesa, em três rodadas. Essas, todos os participantes podem usar. Vence quem tem a “melhor mão”, com a melhor combinação.

Veja abaixo algumas noções básicas do esporte, explicadas por Danilo Bitencourt, publicitário e criador do site “Poker é Esporte”.

APOIO FAMILIAR

Diferente de Sousa, José Carlos Brito, mais conhecido como Zeca, de 24 anos, sempre conviveu com o pôquer e se interessou desde cedo pelo esporte, já que seu pai praticava por lazer e o ensinou quando ele tinha apenas 16 anos. “Lembro que pegávamos feijões para jogar”, contou ao Aratu Online.

Com o interesse despertado, ele começou a estudar o tema a fundo para entender, afinal, o que era o jogo, e a ideia de se tornar profissional foi construída aos poucos. “Demorou para se concretizar, mas chegou uma hora que eu tinha que decidir entre a faculdade de engenharia e o pôquer”, explicou ele, que joga profissionalmente há um ano e meio.

José Carlos Brito - Pôquer

Zeca é jogador profissional há um ano e meio | Foto: Reprodução/Facebook

Decisão tomada, Zeca fez um curso e procurou materiais na Internet para estudar, além de sempre conversar com outros jogadores sobre os pensamentos de cada um e, assim, procurar a jogada mais lucrativa a longo prazo. Ele também é adepto do jogo online, nos sites Pokerstars, Partypoker, 888 e PPI.

Desse tempo para cá, o baiano disputou alguns campeonatos, como o World Series of Poker (WSOP), sediado em Las Vegas, nos Estados Unidos, mas participou virtualmente; o brasileiro Brazilian Series Of Poker (BSOP), em que precisou viajar para outros estados, como São Paulo e Brasília, além de outros torneios regionais.

Sobre o que esperar do futuro, o jovem tem as boas expectativas e diz que se imagina, em alguns anos, como um jogador satisfeito, bem sucedido, e que tenha grandes conquistas dentro e fora do esporte.

ONDE JOGAR EM SALVADOR

A capital baiana possui algumas casas para a prática do pôquer e até disputar campeonatos, a exemplo de uma sala no Clube Costa Verde, em Piatã, em que o participante precisa ter apenas R$ 20 em mãos para começar a jogar, às terças e sábados. Na Barra, existe a Casa Chopp Clube e, na Pituba, há a Sete 9 Zero Poker Club. Esta funciona há dois anos e recebe pessoas de várias idades, de 20 até 70 anos.

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De acordo com Eduardo Almeida, gerente do estabelecimento, há aqueles que jogam semanalmente e outros que vão apenas para passar o tempo. Um dos frequentadores mais assíduos da casa, Gabriel Bonfim, de Jaguaquara, no interior do estado, ficou em 7º lugar no último BSOP, que aconteceu nesta semana, em Recife.

Sete 9 Zero Poker Clube

Sete 9 Zero Poker Clube, na Pituba | Foto: Divulgação

As principais modalidades praticadas na Sete 9 Zero  são a Texas Hold’em e Omaha e acontecem torneios diários com preços variados – inclusive  “freeroll”, cuja entrada é gratuita. Neste caso, o jogador paga apenas a taxa da equipe de R$ 20 pelas fichas iniciais.

Para Almeida, quem deseja se profissionalizar precisa de dedicação, foco, estudo e, principalmente, muita prática. “Além dos cursos com jogadores profissionais, existem muitos livros sobre pôquer, para iniciantes e os mais específicos”, afirmou.

Interessados em seguir carreira no esporte devem estar preparados para um investimento financeiro, principalmente se quiserem fazer cursos. Os mais simples custam a partir de R$ 200, em média, e já os conduzidos por jogadores famosos, como André Akkari e João Simão, podem custar até R$ 10 mil. Além disso, um profissional pratica cerca de oito horas por dia (ou mais).

LEGISLAÇÃO

No dia 30 de março de 2016, foi realizada uma audiência pública materializando as conquistas da atividade nos últimos dez anos. O evento contou com a presença de Akkari, um dos nomes mais importantes do esporte no Brasil, e na ocasião debateram o futuro do pôquer no país.

Embora ainda não haja uma lei voltada exclusivamente ao jogo, esse foi um passo importante para o reconhecimento e a regulamentação dele no país.

Segundo os artigos 814 a 817 do Código Civil Brasileiro, os jogos proibidos são os que dependem exclusivamente, ou principalmente, da sorte. No caso do pôquer, entende-se justamente o contrário, de que o valor real ou fictício das cartas depende da habilidade do jogador.

Hoje, o pôquer é considerado um esporte de habilidade mental pela Associação Brasileira de Esportes Intelectuais (Abrespi) e outras instituições internacionais, juntamente com o Xadrez, Damas, entre outros.

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*Publicada originalmente às 6h