“Dona Canô seria a primeira a bradar!”: artistas da terra levantam voz contra polêmico cartaz de Santo Amaro

Fonte: Dinaldo dos Santos

“Pense num absurdo, na Bahia tem precedente”. Pois é, parafrasear o ex-governador baiano Octávio Mangabeira, em pleno século 21, não é nada original, mas não há como resistir ao uso desta máxima, diante de algumas situações com as quais, eventualmente, nos deparamos.

A última vem da histórica cidade do Recôncavo Baiano: Santo Amaro da Purificação. Às vésperas da sua tradicional “Lavagem”, a prefeitura local divulgou, em seu perfil do Facebook, uma peça promocional, na qual aparece um grupo de pessoas não muito identificadas com a predominância étnica de sua população.

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A foto no cartaz parece ter sido extraída de alguma publicação europeia (e, de fato, foi: da Hungria, no Leste Europeu). O objeto de marketing da Secretaria de Cultura Municipal tem, ainda, o slogan da campanha: #Ficar Parado #Vai Ser Impossível.

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Reprodução Facebook

Já que vale parafrasear, lembremos, então, de um dos mais famosos filhos de Santo Amaro e cabe a pergunta: Ficou Reconvexo? O fato é que a situação, desde ontem (12/1), está repercutindo nas redes sociais e o descontentamento é quase unânime. Há quem questione se Santo Amaro fica na Suécia:

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Internautas repudiam cartaz divulgado sobre a lavagem

Artistas contestam

O compositor José Carlos Capinam considerou a divulgação como o “Mico do Recôncavo” e disse que isso foi um vacilo muito grande. “Se Dona Canô fosse viva, seria a primeira a bradar!”, acrescentou.

Também na linha do repúdio, Jota Veloso, que é sobrinho do Secretário da Cultura local, Rodrigo Veloso,  se disse surpreso: “parece divulgação da Oktoberfest e não representa a beleza da cultura santo-amarense”.

O artista foi ainda mais longe e disse que quem fez isso é uma pessoa completamente desinformada ou agiu por bandidagem, sem o conhecimento do tio.

O compositor santo-amarense Robertinho Chaves, responsável pela tradicional Lavagem da Igreja de La Madeleine, na França, revelou ao Aratu Online que ficou chocado e espera que isso não tenha vindo da prefeitura. “Não é possível que uma festa originalmente negra seja representada desse jeito. Faço a Lavagem em Madeleine, há quase 20 anos, e procuro vender a nossa cultura, não deixando que o povo francês pense que a festa é dele”, argumentou.