Edição 2015 do Fronteiras Braskem do Pensamento discute convivência e cooperação

Fonte: Da redação

Crédito da Foto: Fronteiras do Pensamento / Greg Salibian

Num mundo cada vez mais urbano e conectado, nosso destino é viver juntos. Essa nova forma efêmera e fluida de sociabilidade torna a vida um aprendizado de tolerância e cooperação. Para debater a urgência da cooperação e da convivência nos diversos âmbitos do conhecimento, a já tradicional série especial do Fronteiras Braskem do Pensamento traz a Salvador, ao palco principal do Teatro Castro Alves, três grandes nomes do cenário contemporâneo: o sociólogo espanhol Manuel Castells (12/5); o filósofo francês Luc Ferry (16/9); e o psicanalista italiano Contardo Calligaris (1/10).

A venda dos ingressos para o Fronteiras Braskem do Pensamento já está disponível nas bilheterias do Teatro Castro Alves, nos SACs dos shoppings Barra e Bela Vista, pelo site www.compreingressos.com ou pelo telefone (71) 2626-5071.

A urbanização e a tecnologia colocaram, em um mesmo ambiente, uma diversidade de ideias e culturas sem precedentes na história da humanidade. Atitudes, desejos, questionamentos e posicionamentos políticos e religiosos distintos precisam conviver em um único espaço. Como viver juntos? Este é o tema proposto pelo Fronteiras Braskem do Pensamento em Salvador, tema pelo qual a capital baiana é nacionalmente conhecida.

Viver juntos não é alcançar a homogeneização cultural, tampouco a neutralidade de ações e reflexões. Viver juntos é aprender a conviver com a diferença em termos raciais, étnicos, religiosos, políticos ou econômicos. Este é o desafio mais urgente da atualidade. Viver juntos é nosso destino.

O Fronteiras Braskem do Pensamento Salvador tem o patrocínio da Braskem e do Governo da Bahia, através do Fazcultura com realização da Telos Cultural e Caderno 2 Produções Artísticas.

Conferências internacionais:

Manuel Castells (Espanha, 1942)

12/5 – terça

Um dos pensadores mais influentes do mundo, Castells é doutor em sociologia pela Universidade de Paris, com pesquisas que abrangem diferentes campos – da política econômica às sociologias urbana e cultural. Professor nas áreas de sociologia, comunicação e planejamento urbano e regional, investiga os efeitos da informação sobre a economia, a cultura e a sociedade em geral, e é o principal analista da era da informação e das sociedades conectadas em rede.

Sua obra virou referência obrigatória na discussão das transformações sociais do final do século XX. É autor de dezenas de livros traduzidos para diversos idiomas, com destaque para a trilogia A era da informação, composta por A sociedade em rede, O poder da identidade e Fim de milênio. Em A sociedade em rede, analisa a dinâmica social e econômica na era da informação, buscando compreender as transformações que as novas tecnologias estão produzindo em nossas vidas.

Atualmente, leciona na Universidade Aberta da Catalunha, onde dirige o Internet Interdisciplinary Institute, é professor emérito na Universidade de Berkeley e professor ilustre no MIT. Seu mais recente livro, Redes de indignação e esperança, relaciona as novas formas de comunicação da sociedade em rede, apontando caminhos para que a autonomia comunicacional das telas se expanda à realidade social como um todo.

Manuel Castells afirma que a sociedade é movida por um capitalismo informacional de caráter competitivo, produtivo e tecnológico, capaz de funcionar interconectado em escala planetária. Membro da Academia Real Espanhola de Economia e Finanças, da Academia Europeia e da Academia Britânica, foi agraciado, em 2012, com o Prêmio Holberg, concedido pelo governo da Noruega. Também recebeu a Medalha Erasmos, outorgada pela Academia Europeia, e o Prêmio Kevin Lynch de Design Urbano, pelo MIT.

Luc Ferry (França, 1951)

16/9 – quarta

Ferry é o principal defensor do humanismo secular, considerado o herdeiro da tradição filosófica humanista. Em sua obra, enfoca um tema sensível em tempos de intolerância e fundamentalismo: a religião. Formado em filosofia pelas universidades de Sorbonne e de Heidelberg, fez seu doutorado em ciência política pela Universidade de Reims. De 2002 a 2004, no governo de Jacques Chirac, foi ministro da Juventude, Educação Nacional e Pesquisa. No cargo, além de melhorar a escrita e a leitura das crianças e adolescentes franceses e enfrentar greves de professores, se tornou polêmico ao defender a laicidade da sociedade e proibir o uso de símbolos religiosos nas escolas públicas na França.

Em 1985, ganhou notoriedade ao publicar um artigo juntamente com Alain Renaut, intitulado Le Pensée 68, no qual criticavam os pensadores pós-maio de 1968. De 1994 a 2002, foi presidente do Conselho de Currículo Nacional para o Departamento de Educação. Em 1997, foi nomeado para a Comissão de Reforma da Justiça e, em 2009, assumiu como membro do Comitê Consultivo Nacional de Ética.

Publicou mais de uma dezena de livros sobre temas que vão de Nietzsche à ecologia. No best-seller Aprender a viver – Filosofia para os novos tempos, aborda o essencial da filosofia em linguagem acessível, mostrando como a sabedoria pode ser o caminho para uma vida melhor. O livro recebeu o Prêmio Aujourd’hui 2006, um dos mais conceituados reconhecimentos para livros de não ficção na França. Em A revolução do amor, segue o pensamento humanista secular e afirma que o amor é o novo grande princípio da existência humana.

Luc Ferry entende que a filosofia traz as respostas para que o homem possa superar seus medos, que são os obstáculos que impedem que ame os outros e seja livre. Para ele, a vida privada e os laços afetivos e familiares são a última transcendência para um mundo sem religião. Recebeu os graus de cavaleiro da Légion d’Honneur e des Arts et des Lettres, e os prêmios Droits de l’Homme, pelo livro O homem-Deus – Ou o sentido da vida, e Ernest Thorel, por A sabedoria dos modernos, escrito em parceria com André Comte-Sponville.

Contardo Calligaris (Itália, 1948)

01/10 – quinta

Psicanalista e cronista italiano, Contardo Calligaris é doutor em psicologia clínica pela Universidade de Provence e iniciou seus estudos nas áreas das letras e da filosofia. Em 1975, foi aceito como membro da Escola Freudiana de Paris, onde morou até 1989. Lecionou na Universidade Paris 8 e teve aulas com os filósofos franceses Roland Barthes e Michel Foucault, além de acompanhar os seminários ministrados pelo psicanalista francês Jacques Lacan, uma grande influência em sua formação.

Em 1985, veio ao Brasil para o lançamento de seu primeiro livro de psicanálise, Hipótese sobre o fantasma. Posteriormente, acabou fixando residência no País, onde reside até hoje. Suas reflexões se concentram na condição humana da sociedade marcada pela obrigatoriedade da felicidade, do gozo, da beleza e dos excessos. Estudioso das questões da adolescência, considera esta a etapa da vida que possui uma intensa carga cultural e que se caracteriza como uma das mais potentes fontes de energia da atualidade. A adolescência é um dos seus livros mais lidos e estudados.

Além de atender nos seus consultórios em São Paulo e Nova York, é colunista do caderno Ilustrada da Folha de S. Paulo, no qual escreve sobre psicanálise e cultura. Publicou mais de dez livros, incluindo dois romances e uma peça teatral. Criou a série de televisão intitulada Psi, exibida no canal a cabo HBO. Foi professor de estudos culturais na New School de Nova York e professor convidado de antropologia médica na Universidade da Califórnia, em Berkeley. Também faz parte do corpo docente do Institute for the Study of Violence, em Boston.

Contardo Calligaris, em seu trabalho, conduz as pessoas à reflexão sobre a existência humana, contribuindo para amenizar as angústias provocadas pelos desafios contemporâneos e pelo confronto com o outro, que pode limitar os prazeres e contradizer as certezas e seguranças.