Evento cultural faz homenagens aos 12 jovens mortos em ação policial na Vila Moisés

Fonte: Da Redação

Crédito da Foto: Reprodução

A comunidade da Vila Moisés, localidade do bairro do Cabula, em Salvador, realizou neste sábado (07) uma ação cultural comunitária, em protesto pela justiça e contra o racismo. O evento é um tributo que faz uma homenagem aos doze jovens, moradores do local, que foram mortos em uma ação polêmica da Polícia Militar, no último dia 6 de fevereiro.

Participam desta realização, as organizações: “Reaja ou Será Morta! Reaja ou Será Morto!”, além do “Quilombo Xis”. O tributo é uma manifestação que pretende desmistificar o pensamento de que a Vila Moisés é um reduto de criminosos.

Durante o tributo, que também faz uma referência a Clodoaldo Souza (o Negro Blul), morto aos 22 anos em uma ação no bairro de Nova Brasília; aconteceram algumas apresentações artísticas, esportivas e religiosas, promovidas pela comunidade.

A equipe da TV Aratu percebeu, enquanto cobria o evento, nesta manhã, que apesar da manifestação pretender resgatar a paz na Vila Moisés, moradores ainda demonstram estar assustados com o que aconteceu e evitam falar sobre o assunto. Muitos fecharam as portas e janelas ao perceberem a presença da imprensa no local.

Inquérito

Um mês após a polêmica ação de policiais das Rondas Especiais (Rondesp), os militares seguem trabalhando normalmente. Em nota, a assessoria da Polícia Militar da Bahia (PM-BA) informou ao Aratu Online que “nenhum policial foi afastado, pois, inicialmente, não há elemento que comprove a ilegalidade da ação”. Além disso, todos estão sendo submetidos a acompanhamento psicológico, fornecido pelo Serviço de Valorização de Profissional (Sevap).

A assessoria da PM-BA disse ainda que o inquérito instaurado no mesmo dia das mortes prossegue. O prazo legal para a sua finalização é de 40 dias, podendo ser prorrogado por mais 20. O processo está em fase adiantada e, neste momento, as autoridades esperam o resultado d perícias realizadas pelo Departamento de Polícia Técnica (DPT).

Na última quarta-feira (4), a Secretaria de Segurança Pública (SSP) confirmou que será realizada, em data a ser definida, a reconstituição dos fatos. Quatro delegados participam das investigações e têm ouvidos testemunhas ao longo dos últimos dias. Cerca de 40 já prestaram depoimento. A versão dos moradores é a de que as vítimas foram executadas. A polícia, por sua vez, diz que foi recebida a tiros e obrigada a reagir.