FALHAS FATAIS: Série de erros envolvendo gás provocou explosão em farmácia, aponta MTE

Fonte: Jean Mendes

Crédito da Foto: reprodução/Facebook

A tragédia dentro de uma farmácia no centro de Camaçari, Região Metropolitana de Salvador, pode ter sido causada por uma série de pequenos erros causados pelos técnicos que realizavam manutenção no telhado metálico. Pelo menos é o que constatou o auditor-fiscal do trabalho que atua na cidade, Amaurilio Alencar.

Em entrevista ao Aratu Online, ele revelou que esteve no local momentos depois do trabalho realizado pelo Corpo de Bombeiros. “Lá entrevistamos a gerente de uma loja localizada ao lado da farmácia e um preposto da Defesa Civil. Visualmente é possível notar que houve uma explosão após concentração de gás. A dúvida agora é sobre qual estava sendo utilizado na obra, acetileno ou GLP”, conta o auditor.

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GLP X ACETILENO: O BARATO QUE SAIU CARO

Alencar pontua que o GLP (popularmente conhecido como gás de cozinha) é mais barato em relação ao acetileno e a principal suspeita é que ele estava sendo utilizado dentro da farmácia. “Serviços realizados em ambientes fechados não podem ser feitos com o GLP pois não tem ventilação”, resume.

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Teto onde estava sendo feito a obra. Foto: TV Aratu

O auditor disse ainda que o “bico” do maçarico utilizado na obra também foi escolhido errado. “O acetileno queima mais rápido. Se houve o uso do GLP no lugar do acetileno com o bico errado resulta em uma concentração de GLP proveniente de uma menor queima, podendo atingir o limite inferior de inflamabilidade e resultar na explosão pela concentração de gás no ambiente”, conta o fiscal.

Em caso de obra ou reforma, a Norma Regulamentadora 18, estabelece a obrigatoriedade da empresa em comunicar previamente ao Ministério do Trabalho a realização da mesma. Entretanto, segundo o Ministério do Trabalho, não houve qualquer comunicação da empresa neste sentido. “Notificamos a empresa, que deve apresentar documentos ao Ministério no dia primeiro de dezembro. A partir daí serão ou não aplicadas sanções”, finaliza Alencar.

FAMILIARES TAMBÉM DENUNCIAM

Na manhã desta sexta-feira (25/11), testemunhas reforçaram a tese do auditor. Segundo elas, antes do acidente, já havia relatos de um provável vazamento da substância devido ao cheiro forte. Técnicos do Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura (CREA) realizaram inspeções para levantar informações.

Essa situação de imprudência foi, inclusive, ressaltada por peritos durante coletiva dada por representantes das forças de segurança envolvidas na investigação e resgate de vítimas da tragédia. No entanto, o assessor jurídico da Farmácia Pague Menos, Geraldo Gadelha, informou que não existia uma obra, mas apenas um reparo no telhado.

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