Fechamento de escola e “guerra do tráfico” deixam alunos sem aulas em Tancredo Neves

Fonte: Jean Mendes

Crédito da Foto: viatura da 23ª CIPM, de Tancredo Neves - ilustrativa

O ano letivo nas escolas estaduais da Bahia completa uma semana nesta segunda-feira (26/2). A novidade em 2018 é o que a Secretaria da Educação (SEC) chamou de reestruturação. A ideia, no papel, era tirar alunos dos prédios das unidades consideradas superlotadas ou que não apresentavam excelentes condições de estudo. Na prática, porém, um problema de segurança pública incomodou até os pais.

O exemplo mais escancarado disso ocorre no bairro de Tancredo Neves. Uma das unidades do estado que funcionava no local, a Ignácio Lunelli, foi desativada no início do ano e pegou todos de surpresa. O prédio chegou a ser ocupado no início de fevereiro pelos próprios alunos, que não aceitavam a medida. Dias depois, após reunião na SEC, ficou acordada a transferência de todos para colégios da região, o que efetivamente não aconteceu.

“Eles não cumpriram o que acordaram. Ficou decidido que os estudantes iriam para a escola Edvaldo Fernandes [localizada nas proximidades da Ignácio Lunelli], porém isso não aconteceu”, conta o líder comunitário de Tancredo Neves, Agnaldo dos Santos. A Secretaria da Educação confirma essa informação, mas diz que foram apresentadas outras opções de matrícula, nas escolas Norma Ribeiro e Deputado Luis Eduardo Magalhães.

Distância entre as duas escolas, no mapa, escancara a situação. Foto: Google Maps

A questão da segurança pública, conta o líder, começa no momento que o estudante sai de casa e precisa passar por áreas dominadas por facções rivais às de Tancredo Neves. “As mães não concordaram em ir para o Luís Eduardo [no Arenoso]. Só que na negociação disseram que iria colocar no Edvaldo. O problema é que tem alunos, agora, no Cabula VI. Eles passam por comunidades rivais. Então, tiveram mães que não vão colocar filhos nas escolas”.

Essa situação não é exclusiva no bairro. A escola estadual 29 de Março, no Jardim Santo Inácio, também foi fechada. Como alguns colegiais poderiam ser transferidos para a Mata Escura [localidade dominada por facção rival], houve protesto. O líder comunitário da localidade, Eli Moura, não foi localizado para cometar o assunto.

RESPOSTA 

Por meio de nota, a Secretaria da Educação pontuou que o o Colégio Estadual Ignácio Lunelli funcionava em prédio alugado e sem infraestrutura adequada para atender à demanda da comunidade escolar.

Sobre a denúncia de os alunos não conseguirem vaga na escola Edvaldo Fernandes, a SEC reforçou que ficou acordada agilidade na transferência dos estudantes para os Colégios Estaduais Norma Ribeiro e Deputado Luis Eduardo Magalhães ou para outra unidade com disponibilidade de vaga.

Por fim, a nota da secretaria atacou a Prefeitura, dizendo que, por lei, o atendimento do Ensino Fundamental é dos municípios. O Estado apenas assume quando a cidade não tem condições de garantir esse atendimento.

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*Publicada originalmente às 18h01 (26/2)