Governo estadual diz que mantém investigação sobre operação da PM no Cabula

Fonte: Da redação

Crédito da Foto: Amanda Oliveira/GOVBA

O Governo do Estado informou que segue acompanhando as investigações sobre a operação policial no bairro do Cabula, em Salvador, ocorrida no último dia 6 de fevereiro. Nesta terça-feira (10), um grupo composto por representantes de movimentos sociais, da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-BA) e da Defensoria Pública do Estado participou de uma reunião com a secretária estadual de Promoção da Igualdade Racial, Vera Lúcia Barbosa, e o secretário de Justiça, Direitos Humanos e Desenvolvimento Social, Geraldo Reis. O encontro foi realizado na sede da Secretaria de Justiça, Direitos Humanos e Desenvolvimento Social (SJDHDS), no Centro Administrativo da Bahia (CAB).

Os detalhes da operação policial são investigados pela Secretaria da Segurança Pública, por meio do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP). Entre as solicitações dos representantes dos movimentos sociais, como o Coletivo Nacional de Juventude Negra – Enegrecer, consta a apuração do fato de forma independente. Segundo Geraldo Reis, a Polícia Técnica, com apoio do Ministério Público do Estado, vem realizando a investigação. “O governador [Rui Costa] está disposto a receber os movimentos sociais e instituições para discutir a questão da segurança pública”.

Na ocasião, a secretária Vera Lúcia Barbosa defendeu que as reuniões com as instituições e entidades ocorram periodicamente. De acordo com Geraldo Reis, um novo encontro para tratar do assunto será realizado, no dia 24 e fevereiro, às 15h, em local a ser divulgado. Também participaram da reunião o assessor especial do governador, Cezar Lisboa, representantes da Anistia Internacional, Conselho Estadual de Desenvolvimento da Comunidade Negra, Conselho Estadual de Proteção dos Direitos Humanos, Centro de Defesa da Criança e do Adolescente, Afrogabinete de Articulação Institucional e Jurídica (Aganju), entre outras entidades.

A morte de 12 homens na madrugada da última sexta-feira (06) ainda deixa alguns moradores da Vila Moisés, na Estrada das Barreiras, em Salvador, revoltados. Ouvidos pela reportagem do programa “Que Venha o Povo”, da TV Aratu, as pessoas que aceitaram falar contestam a versão oficial da polícia e acusam os agentes de uso da força e abuso de autoridade, além de ameaças. Eles relatam que após denunciarem que os homens foram vítimas de execução, e não morreram em uma troca de tiros, policiais retornaram à região afirmando que se as denúncias não pararem os moradores sofrerão represálias.

A versão da polícia afirma que os 12 homens foram baleados quando se preparavam para explodir um banco e foram surpreendidos. Já a avó de um dos mortos na ação, é incisiva na denúncia e diz: “eu mostro o rosto e não tenho medo de morrer porque tudo que já tinha que perder já perdi”, afirma. “A polícia entra aqui esmurrando e xingando. Meu neto mesmo foi jogado no chão”, denuncia. A ação aconteceu por volta das 03h. A assessoria da Polícia Militar nega aos fatos e diz ainda que nenhuma denúncia de abuso de autoridade foi encaminhada a corregedoria da corporação.