João Henrique – o homem que está a dois passos do paraíso, mas não sabe se volta

Fonte: Cris Almeida

Crédito da Foto: Max Haack/divulgação

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Um nome conhecido em Salvador disputa agora o cargo de chefe do executivo baiano. Depois de ter vivido oito anos no Palácio Thomé de Souza, João Henrique Carneiro, ex-prefeito da capital baiana, entra, pela primeira vez, na corrida pelo Palácio de Ondina, pelo Partido Renovador Trabalhista Brasileiro (PRTB). Veja as suas propostas:

EDUCAÇÃO

  • Universalização do Ensino Médio;
    Ampliação do programa de alfabetização (TOPA);
    Ampliação de escolas nos assentamentos e comunidades rurais, com atendimento às crianças, adolescentes, jovens e adultos do campo;
    Prioridade para a Educação Especial;
    Discussão da questão salarial e a valorização do magistério e dos profissionais da educação em consonância com as Secretarias da Fazenda, Educação e Procuradoria Geral do Estado.

SAÚDE

  • Fortalecimento do Sistema Único de Saúde;
    Aumento da quantidade de leitos em hospitais de referência e principalmente em Unidades de Terapia Intensiva –UTI;
    Recomposição do quadro de servidores com concursos na rede própria estadual;
    Eliminar as filas para tratamentos de doenças de maior complexidade, juntamente com os municípios;
    Solicitação, junto ao Ministério da Saúde, de maior apoio para a prevenção e o tratamento das doenças crônicas, particularmente o diabetes mellitus, a hipertensão arterial, as doenças cardiovasculares e o câncer.

SEGURANÇA PÚBLICA

  • Modernização do aparato policial, nos aspectos de infraestrutura, pessoal, tecnologia e logística;
    Ampliação do modelo de gestão integrada da segurança pública, o Pacto pela Vida (PPV);
    Valorização profissional e salarial das carreiras policiais;
    Ampliação da renovação e modernização da frota e investimentos relevantes no reaparelhamento das unidades operacionais e em tecnologia da informação e comunicação, na capital e no interior;
    Ampliação da capacidade de investigação, com a melhoria dos processos internos das delegacias especializadas.

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A DOIS PASSOS DO PARAÍSO

Já diz a canção da Blitz: “[…] Estou a dois passos do paraíso, não sei se vou voltar […]”. Essa música descreve o sentimento de João Henrique Durval Carneiro, que deixou a cadeira de chefe do executivo municipal em 2013, após oito anos de mandato. A questão é que o baixo índice de popularidade o acompanha até hoje, sendo o seu sétimo oponente na disputa pelo cargo de governador da Bahia, nas eleições 2018.

A reprovação da sua gestão tem sido o seu calcanhar de Aquiles, mas João jura que, na verdade, foi o melhor prefeito que a capital baiana já teve. “Foi um índice virtualmente criado pelos meus adversários. Esse é um obstáculo humano. Agora, eu tenho uma missão divina de me tornar o governador da Bahia”, disse, durante sabatina realizada pelo Linha de Frente, no dia 13 de setembro.

Aos 59 anos, João Henrique disputa a vaga com o apoio de Jair Bolsonaro (PSL) e não esconde a afinidade ideológica com o militar, apesar de, em outros momentos, ter apoiado candidatos com ideias diferentes. “Eu creio que assim que ele chegar ao governo vai implantar medidas de segurança pública que o Brasil precisa nesse momento e da forma que o país precisa”.

Durante conversa no Linha de Frente, João Henrique Carneiro demonstrou desconforto ao falar sobre as contas públicas rejeitadas pelo Tribunal de Contas do Município (TCM), durante sua gestão. Esse assunto ele já publicizou que faz questão de não comentar porque “o passado ficou no passado”.

Linha de Frente Eleições: João Henrique (PRTB)

Linha de Frente Eleições: Entrevista com Candidato ao Governo da Bahia, João Henrique (PRTB)

Gepostet von Aratu Online am Donnerstag, 13. September 2018

O eleitor, no entanto, está preocupado com o futuro e, com um pouco mais de insistência, o ex-prefeito da capital baiana sempre volta a falar sobre o que se tornou uma das maiores crises de sua gestão. A rejeição, no entanto, não o impediu de registrar candidatura nas eleições 2018.

“Não tive o direito de resposta e o Tribunal Regional Eleitoral (TRE) deferiu minha candidatura. As contas públicas do estado eu vou saber administrar com a ajuda do meu secretariado que não será político, isso eu garanto”. O que João garante também é que, se pudesse mudar algo na seu governo, seriam os acordos políticos com o PT e o DEM.

Desde o início da campanha, em agosto, João Henrique teve nove segundos por dia na televisão. Mesmo assim, dentre os compromissos de campanha divulgados diariamente pela sua assessoria, gravação de programa eleitoral estava em todos, além de reunião com a equipe de comunicação. Mas o candidato levou falta no quesito interação com o público.

João deixou a desejar no quesito caminhadas. Foto: arquivo pessoal

Das 15 andanças pelo interior, João Henrique esteve apenas uma vez na capital baiana, em ato pró Bolsonaro, que aconteceu no Farol da Barra, orla de Salvador. Nem mesmo o Subúrbio Ferroviário, cuja reforma feita durante sua gestão é um dos seus maiores orgulhos, contou com a presença do ex-prefeito.

Apesar de todos os pontos contra, João Henrique, no entanto, está confiante: descredibiliza as pesquisas de intenção de voto, acredita na vitória no próximo dia 7 de outubro e pretende esquecer o passado, com vistas sempre no futuro, onde ainda pretende sentar na cadeira de governador da Bahia, seu atual paraíso.

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