Juliana Ribeiro leva seu show Preta Brasileira para o Largo Pedro Archanjo

Fonte: Da redação

Crédito da Foto: Sidney Rochart/divulgação

Após a aplaudida estreia no Solar Boa Vista, o show Preta Brasileira da artista Juliana Ribeiro segue temporada com apresentações no Largo Pedro Archanjo nos dias 23 de janeiro e 6 de março, às 21 horas. As datas anteriormente divulgadas no Solar Boa Vista foram canceladas (16/1 e 20/2) e agora a artista segue sua temporada de verão em novos dias no Pelourinho.

O show no Largo Pedro Archanjo segue o desejo da cantora de dialogar com o cenário turístico da cidade, seguindo dentro da proposta da campanha da Secretaria de Cultura do Estado da Bahia (SecultBA) “É Verão, Ocupe seu Espaço”, que vem provocando o artistas a ocupar os espaços culturais sob a gestão da SecultBA, entre os quais estão tanto o Teatro Solar Boa Vista quanto o Largo Pedro Archanjo.

Neste segundo show, Juliana Ribeiro recebe como convidada a cantora e compositora Dhi Ribeiro, nascida no Rio, criada em Salvador e que veio a adotar Brasília como sua cidade. Ela chega para mostrar sua voz marcante e sua força como intérprete, que ficou conhecida no Brasil após emplacar o sucesso “Para uso exclusivo da casa” na trilha sonora da novela Lado a Lado, da Globo.

Dhi Ribeiro faz, sobretudo, samba e tem na cantora Alcione sua grande inspiração musical. Além da carreira solo com um álbum lançado, “Manual da Mulher”, ela integra o grupo vocal feminino Nós Negras, cuja proposta é homenagear as grandes divas negras do samba brasileiro. Dhi Ribeiro iniciou sua carreira em bares, trios elétricos e foi artista num circo italiano por três anos. Ela costuma dizer que leva sua vida indo onde a musica a levar.

A intenção de Juliana Ribeiro é dar voz às “pretas brasileiras”, a começar por ela que, por meio da poesia, da música e do teatro, traz à cena um show de proposta multi-artística, em que músicas são interpretadas pelos personagens que brotam das canções e aparecem no palco personificados pela artista e seu parceiro Pedro de Rosa Moraes.

Já a poesia se mistura às canções criando momentos de encantamento no show. Vinicius de Moraes, Paulo Leminski e Cecília Meirelles são os parceiros poéticos escolhidos pela cantora. O verão de Juliana Ribeiro mais uma vez utiliza a música como pano de fundo para reverenciar outras formas de arte e para falar de temas que, embalados pela poesia, ganham força.

No repertório, Juliana está lançando quatro canções inéditas; a  homônima “Preta Brasileira”, de sua autoria, “Canto de Olorum”, de Gerônimo, “Cantador do Sertão”, de Seu Reginaldo Souza, e “Rainha Ginga”, uma homenagem da artista à eterna Clementina de Jesus, em parceria com Lia Chaves.

A canção “Preta Brasileira” fala de miscigenação racial e das inúmeras denominações para os tons de pele do brasileiro. A letra é irreverente e fala da mulher negra contemporânea, inspirada na própria vivência da artista.

Em destaque, outras duas músicas consagradas no cenário nacional engrandecem o show: “Carcará” (João do Valle e José Cândido, 1964), que ganha nova roupagem e ancora um discurso reflexivo da cantora contra a prostituição infantil no nordeste brasileiro; e “Galope”, canção composta por Gonzaguinha em 1974 e que remete ao Baião, ritmo universalizado no país por Gonzagão, pai do cantor. A obra visceral do mestre Gonzaguinha dialoga com a trama poética e teatral traçada por Juliana Ribeiro.

Projeções fotográficas de Gal Meirelles, doutora e antropóloga, são parte da cenografia do espetáculo. A exposição ‘A Cor do Invisível’ dialoga com outros elementos cênicos escolhidos para compor o show.

A pesquisa focada nas raízes do samba permanece norteando o trabalho de Juliana Ribeiro. Desta vez, ela traz para o palco ritmos ancestrais como vissungo (dialeto ainda falado no sudeste brasileiro), o côco de roda, o  maxixe, chamado pela artista de avô do samba. Zé Ketti, Paulinho da Viola, Sinhô, Roque Ferreira fazem parte do set list da artista.

Uma homenagem afetiva também marca a temporada da cantora. Neta de Herondino Ribeiro, um dos 11 estivadores que fundaram o Afoxé Filhos de Gandhy, a cantora irá reverenciar os 66 anos de existência do grupo.

Os músicos André Tigana, Luciano Chaves, Tedy Santana e Sérgio Müller acompanham a artista nessa odisseia poética e teatral, que tem direção musical de Duarte Velloso e Ricardo Hardmann.

Ficha técnica:

Direção artística e concepção: Juliana Ribeiro
Direção musical: Duarte Velloso e Ricardo Hardmann
Músicos: Luciano Chaves, Tedy Santana, André Tigana e Sérgio Müller
Participação teatral: Pedro de Rosa Moraes

Serviço:

O quê: “Preta Brasileira”, de Juliana Ribeiro
Quando: 23 de janeiro e 6 de março, 21h
Onde: Largo Pedro Archanjo – Pelourinho
Quanto: R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia)