Moradores da Estrada das Barreiras negam versão da PM: “os jovens eram inocentes”

Fonte: Da Redação

Crédito da Foto: Reprodução/TV Aratu

Após confronto entre policias e bandidos que resultou na morte de 12 pessoas na última sexta-feira (06), na Estrada das Barreiras, moradores da localidade negam a versão que foi veiculada pela polícia.

Segundo informações do Departamento de Comunicação Social da PM-BA, policias da Rondesp perceberem a presença de cerca de 30 homens armados, alguns com uniformes semelhantes ao do Exército e carregando mochilas, em uma baixada do entorno do local, conhecida como Vila Moisés. Ao  tentar abordar o grupo que pretendia arrombar o banco da Caixa Econômica Federal, ainda segundo a versão oficial, os policiais foram recebidos a tiros.

Na ação, 12 pessoas morreram – entre elas dois adolescentes – e quatro pessoas ficaram feridas – incluindo um policial que foi baleado de raspão na cabeça. No total, 16 pessoas foram baleadas, 10 já chegaram mortas ao Hospital Roberto Santos, um morreu no local do tiroteio e o último morreu no centro cirúrgico.

Os internados no HRS foram identificados como: Luan Lucas Vieira de Oliveira, 20 anos, Elenílson Santana da Conceição, 22 anos, e o adolescente L. M. B., de 15 anos. Um quarto homem, Arão De Paula Santos, 23 anos, foi baleado na perna, já teve alta da unidade e será encaminhado ao Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), onde o caso está sendo investigado pelo delegado Alberto Schramm.

Em nota, o DCS-PM/BA informou que as ações da Polícia Militar estão intensificadas no local com o objetivo de garantir à população a tranquilidade e a manutenção da rotina no bairro. A assessoria disse, ainda, que ações no combate ao cometimento de crimes de arrombamentos de caixas eletrônicos continuarão a ser desencadeadas em todo o Estado com o apoio do serviço de inteligência e a necessária presença ostensiva.

O Secretário de Segurança Pública, Maurício Teles Barbosa se pronunciou na manhã da última sexta-feira sobre o ocorrido.  “Os nossos policias em situação de enfrentamento não vão ficar parados”. O criminoso que quiser enfrentar a polícia terá a resposta à altura”, completou Teles.

O governador da Bahia, Rui Costa, também se pronunciou sobre a operação da Rondesp. O discurso do governador foi, em boa parte, comparando a ação da Polícia com um jogo de futebol. “É como um artilheiro em frente ao gol, tem que decidir em alguns segundos como é que ele tenta botar a bola para dentro do gol”, e continuou “depois que a jogada termina, se foi um golaço, todos os torcedores da arquibancada irão bater palmas e a cena vai ser repetida várias vezes na televisão.

 Anistia Internacional

O movimento ativista Anistia Internacional divulgou em nota ontem (06), que existem indícios de execução na ação da Polícia Militar, no ocorrido e que espera que o governo baiano realize uma investigação minuciosa, independente e célere da operação policial da Rondesp (Rondas Especiais) da Bahia. Ao longo dos últimos meses, a Anistia Internacional tem recebido denúncias sobre a abordagem abusiva da Rondesp, com relatos de uso excessivo da força, desaparecimentos forçados e execuções sumárias.

Outra versão

Revoltados com a situação moradores da Vila Moisés contaram à equipe de reportagem da TV Aratu que muitos dos jovens eram inocentes e que os policiais já chegaram atirando. “Eles botaram os meninos deitados e executou, eu vi na hora que ele trouxe um menino querendo que ele entregasse uma casa e o menino disse que não sabia”, disse a moradora, que que não quis se identificar.

Outra moradora relatou muito nervosa que o primo foi baleado e que não estava envolvido. “Que polícia é essa que chega matando e depois pergunta?”, indagou a mulher.

A avó de Natanael dos Santos, de 17 anos, sustenta a versão que o neto estava na casa da namorada e saiu para ver o ocorrido somente de bermuda e acabou sendo baleado. “Ele era inocente, não tinha nenhum envolvimento e acabou sendo baleado”, disse muito abalada.

Confira os depoimentos dos moradores e familiares no vídeo: