CORPORAÇÃO EM ATAQUE: Em 20 meses, 34 PMs foram assassinados na Bahia. 85% fora de serviço

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Virou coisa do passado, encontrar policiais civis ou militares, ‘ostentando’ pelas ruas, os seus uniformes, distintivos ou documentos que identifiquem a profissão, quando não estão em grupos e no exercício da função.

A razão é lógica! Diante de uma criminalidade crescente no país, os ‘guerreiros’ da segurança pública ficam muito vulneráveis e se tornam alvos prioritários da bandidagem, sempre que presentes nos cenários de alguma ação criminosa.

“Hoje em dia, um policial que não tem uma condução própria para se deslocar de casa para o trabalho está correndo sério risco de morte”, confidenciou, ao Aratu Online, um tenente da Polícia Militar, lotado em uma das Companhias Independentes da capital baiana.

De acordo com o oficial, o interior dos transportes coletivos está sendo, ultimamente, um dos espaços mais perigosos para os policiais que estão sozinhos em locais públicos. “Nos ônibus, eles ficam muito expostos. O número de assaltos nestes veículos tem aumentado”, disse, acrescentando que o crime é praticado, principalmente, por jovens ligados ao tráfico de drogas, em busca de dinheiro para sanar débitos em ‘bocas de fumo’.

“Quando isso acontece, os policiais podem virar vítimas ao serem reconhecidos, ou alvejados ao tentar alguma reação em defesa própria e dos outros passageiros”, analisou.

MÉDIA É DE QUASE DUAS MORTES POR MÊS

Somente este ano de 2016, segundo o Departamento de Comunicação Social da PM-BA, 13 policiais militares já foram assassinados em todo o estado. Um deles morreu, recentemente, ao lado de um agente da Polícia Civil, justamente, durante um assalto a ônibus. O crime aconteceu no dia 20 de agosto, na BR-324, próximo à localidade conhecida como Brasilgás, uma das saídas de Salvador.

Ainda de acordo com o DCS, no ano passado, tiveram, ao todo, 21 crimes de mortes contra PMs. Se considerarmos o tempo corrido, são 34 casos nos últimos 20 meses, o que dá uma média de 1,7 ocorrências a cada mês. Desses registros, apenas cinco envolvem policiais que morreram em serviço.

Quando se compara os números verificados nos meses de agosto de 2015 e 2016, apenas para Salvador, é obtido um dado preocupante: no ano passado, um único militar havia morrido. Em compensação, no último mês de agosto foram cinco PMs mortos por bandidos, acendendo um alerta contra essa pratica criminosa que dá sinais de crescimento na capital baiana.

Os agentes civis, pelo caráter da atividade policial – eles atuam em processos de investigação – e talvez, também, por integrarem um menor contingente, representam uma parcela bem inferior no número geral de vítimas. Nos últimos 20 meses, foram cinco mortes na Bahia: três em 2015 e duas, até então, em 2016, conforme informações da assessoria de comunicação da Polícia Civil da Bahia.

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FORÇA-TAREFA

Com o objetivo de apurar e combater crimes dessa natureza, a Secretaria de Segurança Pública da Bahia (SSP-BA) criou em 2014 uma força-tarefa, coordenada pelo delegado Odair Carneiro do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), que atua nos casos ocorridos em Salvador e Região Metropolitana.

Faz parte desta missão, além do DHPP, a superintendência de inteligência da SSP-BA e setores de inteligência das polícias Civil e Militar. Segundo a assessoria de comunicação da Polícia Civil, todos os crimes ocorridos nos anos de 2014 e 2015, com apurações sob a responsabilidade desta força-tarefa, já foram elucidados.

Em 2014, 19 criminosos foram presos e sete acabaram mortos em confronto com a polícia, durante as investigações e ações de combate às mortes de dez policiais, registradas naquele ano. Em 2015, 12 ‘guerreiros’ – todos PMs – foram mortos. Relacionados com estas ocorrências, 17 bandidos foram capturados e seis morreram ao resistirem à prisão.

Até o momento, os números de elucidações referentes aos crimes cometidos contra policiais em 2016 não foram consolidados.