Mulher é morta na porta de casa durante operação da PM no Lobato; Familiares dizem que ação foi acompanhada por equipe de TV

Fonte: Jean Mendes

Uma mulher morreu depois de ser baleada na cabeça durante uma ação da Polícia Militar no bairro do Lobato, em Salvador, na noite de sábado (23/4). Familiares vítima, que pediram para não serem identificados, disseram ao Aratu Online que Vânia Machado, 40 anos, estava na porta de casa quando os agentes chegaram no local atirando. Tudo aconteceu a poucos metros da 14ª Companhia Independente (CIPM), no Conjunto Joanes Centro Oeste, por volta das 22h.

Segundo eles, Vânia tinha ido até o portão da residência para acompanhar sua filha. Quando percebeu a aproximação dos PMs, tentou retornar para dentro de casa, mas acabou sendo baleada. Os denunciantes afirmam ainda que os militares estavam atirando sem alvo, já que não tinham bandidos no local.

O Serviço de Atendimento Móvel de Urgância (SAMU) chegou a ser acionado, mas os próprios moradores, revoltados com a ação e já sabendo que a vítima estava morta, não deixaram os médicos atenderem a vítima.

O comandante da 14ª CIPM, major Carlos Humberto Moreira, contesta a versão. Ele frisa que “não se pode ainda atribuir a autoria dos disparos” e detalha toda a ação dos agentes. “Uma denúncia via Cicom [Centro Integrado de Comunicação] disse que estava tendo uma festa no local. Durante as abordagens, alguns homens correram, dando início a um confronto. Durante a troca de tiros, ela [Vânia] foi atingida”, destaca.

O comandante relata ainda que os policiais envolvidos no caso foram ouvidos na Corregedoria da corporação e suas armas foram recolhidas para perícia. O corpo de Vânia Machado foi encaminhado ao Instituto Médico Legal (IML) e será enterrado às 16h, no Cemitério da Baixa de Quintas. Na ação, ninguém foi preso.

Em nota, a assessoria da PM disse que a informação sobre Vânia ter sido atingida chegou ao conhecimento dos policiais cerca de uma hora depois da ação no Lobato. A nota esclarece ainda que uma outra mulher foi baleada durante o suposto confronto e foi encaminhada ao Hospital do Subúrbio.

EQUIPE DE TV

Os familiares da vítima são enfáticos ao contar que toda a ação dos policiais militares foi acompanhada por uma equipe de televisão que cobria a operação na área. Segundo eles, um dos parentes chegou a pedir ao repórter para gravar Vânia caída no chão, o que não teria acontecido.

Novamente, o major Carlos Humberto apresenta um contraponto da história. Ele confirma que houve solicitação de uma emissora para cobrir o fato, mas a mesma não teria sido autorizada.

Por questões éticas, o nome da emissora que gravou a ação não será divulgado.

*Atualizada com novas informações às 12h14