Polícia Federal faz operação contra crimes previdenciários na Bahia; vereador de Porto Seguro é preso

Fonte: Da Redação

Crédito da Foto: Reprodução

Uma operação para combater crimes previdenciários no sul da Bahia foi deflagrada pela Polícia Federal (PF) na manhã desta sexta-feira (27). A operação começou por volta das 06h e visa cumprir 17 mandados de prisão e apreensão até o final do dia.

De acordo com informações da Polícia Federal de Porto Seguro, até às 10h algumas pessoas já haviam sido presas, entre elas o vereador do município Antônio Geraldo Ferreira Couto (PSB)  preso em casa. Ainda segundo a PF, a operação também esta sendo realizada na cidade de Teixeira de Freitas.

Em contato com a assessoria da Polícia Federal, o Aratu Online foi informado que a operação da Força-Tarefa Previdenciária integrada pela Polícia Federal, Ministério da Previdência Social e Ministério Público Federal está sendo realizada nas cidades de Porto Seguro Itamaraju, Teixeira de Freitas, Porto Seguro, Itabela, Prado e no município de Vila Velha/ES.

A Operação Pacioli é resultado de uma investigação que identificou 17  prestadores de serviços contábeis que estavam transmitindo informações falsas ao CNIS – Cadastro Nacional de Informações Sociais, por meio de GFIP´s (Guia de Recolhimento do FGTS e Informações Previdenciárias), e posteriormente formulando requerimentos de benefícios previdenciários fraudulentos.

O modo de operação consistia na inserção de vínculos laborais fictícios, tendo sido utilizadas cerca de 106 empresas para a composição do tempo de contribuição, para cerca aproximadamente 1.050  “trabalhadores” irregularmente inseridos.

Em decorrência da operação foram cumpridos 27 mandados de Busca e Apreensão e 16  mandados de prisão preventiva, bem como apreendidos nos endereços dos investigados veículos e documentos de interesse da investigação.

Os prestadores de serviço de contábeis atuavam desde 2006 e grande parte das empresas utilizadas na fraude encontravam-se inativas e os seus responsáveis legais desconheciam as fraudes que vinham sendo praticadas pelos investigados.

O trabalho foi iniciado pela REAPE-BA a partir de denúncias recebidas no ano de 2011, tomando por base a metodologia de prospecção, analise e apurações idealizada pelo grupo GFIP, criado pela coordenação nacional da APEGR – Assessoria de Planejamento Estratégico e de Gerenciamento de Riscos do Ministério da Previdência Social.

O prejuízo inicialmente identificado até o ano de 2012, em 210 benefícios avaliados, aproxima-se de R$ 2.000,000,00 (dois milhões de reais).  Os investigados provavelmente também teriam utilizado os vínculos fictícios para obtenção de prestações de Seguro-Desemprego indevidas, cujos valores ainda serão levantados.

Os envolvidos serão indiciados pelos crimes de falsidade ideológica, falsidade material e estelionato qualificado (art. 299, art. 297, § 3º, II e III e art. 171, § 3º, todos do Código Penal Brasileiro, cujas penas podem alcançar 18 anos de reclusão.

A Operação contou com a participação de 130 Policiais Federais e 30  servidores da Previdência Social.

Foram concedidos pela Justiça Federal de Teixeira de Freitas/BA diversas medidas cautelares, tais como bloqueio dos pagamentos e suspensão dos benefícios ativos, suspensão do certificado digital, suspensão da atividade econômica dos investigados e bloqueio de bens e valores.

No início da tarde, a Delegacia Territorial de Porto Seguro confirmou que dois dos 17 prestadores contábeis, identificados como
Antonio Santana e Rui Amado Bastos, foram liberados mediante habeas corpus.

O nome da operação é uma referência a Luca Bartolomeo de Pacioli, um monge franciscano e célebre matemático italiano, sendo considerado o pai da contabilidade moderna.