Sem batalhão especial, guardas suspeitos de crimes são levados à celas comuns no Presídio Salvador

Fonte: Jean Mendes

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Crédito da Foto: Aratu Online

“Tu tens homens que estão a educar”. Essa uma é parte do hino da Guarda Municipal de Salvador. A reportagem começou com esse trecho para mostrar uma realidade: os agentes cometem crimes ou se exaltam no exercício do cargo (seja atirando em suspeitos ou batendo neles) acabam presos. A questão é que o órgão soteropolitano não possui um batalhão especial para abrigar os infratores assim como ocorre nas Polícias Militar e Civil.

A corporação é relativamente nova. Foi criada em 2007 pelo então prefeito João Henrique e estruturada na gestão do atual prefeito ACM Neto (DEM) nos primeiros anos de seu mandato. De lá pra cá, alguns casos envolvendo agentes chamaram a atenção.

O último deles em dezembro de  2016. Os guardas municipais Ricardo Luiz Silva da Fonseca e Naílton Adorno do Espírito Santo foram apontados pela Polícia Civil pela morte do representante comercial e ex-dançarino Marcelo Tosta. O crime aconteceu na casa de shows Coliseu, em Patamares. No inquérito ficou provado que Ricardo foi o autor do disparo que atingiu a vítima. Já Naílton foi acusado de ser o coautor do homicídio.

Naílton ficou custodiado no Complexo prisional da Mata Escura cerca de um mês, entre janeiro e fevereiro de 2017. Como, por questão de segurança, ele não poderia ficar junto com os demais presos, a solução foi colocá-lo no Centro de Observações Penais (COP), até ser beneficiado pela revogação da prisão preventiva. Já Luiz foi preso no final de fevereiro e encaminhado também para o mesmo local, onde permanece até a publicação desta reportagem.

Para o coordenador do Sindicato dos Agentes Penitenciários da Bahia, Reivon Pimentel, a manutenção dos operadores da segurança no local não é ideal. “No COP, o preso fica em observação. Lá será feita a análise do delito dele e, em seguida, é encaminhado para as unidades. O que acontece no Complexo de Salvador hoje é que não existe uma unidade para que os operadores de segurança fiquem custodiados. Por isso eles estão no COP”, resume.

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No último dia 23 de março, os advogados de Luiz pediram a soltura dele baseado em dois argumentos. Um deles foi justamente a falta do Batalhão especial de custódia dos Guardas Municipais. A juíza Gelzi Maria Almeida Souza negou o pedido, mas fez uma ressalva. “Mantenho o Réu recolhido no COP, em cela distinta dos presos comuns, lugar onde será mantido enquanto permanecerem os requisitos da prisão preventiva”.

RESPOSTA

Procurada, a Guarda Municipal não respondeu os contatos feitos pela reportagem.

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