TIROS NO ESCURO: Moradores relatam ‘descontrole policial’ durante operação em Itinga; Comando rebate

Fonte: Da redação

Crédito da Foto: Arquivo Pessoal

Moradores do bairro de Itinga, em Lauro de Freitas, Região Metropolitana de Salvador, procuraram a reportagem do Aratu Online para denunciar uma suposta ação desastrada de policiais militares no local. Segundo eles, agentes da 81ª Companhia Independente (CIPM) saíram atirando sem alvo fixo dentro de um matagal que fica aos fundos do Conjunto Residencial Brisas de Itinga, durante a tarde do último domingo (24/4).

Um dos denunciantes, que prefere não ser identificado, conta que um morador foi baleado e socorrido para o Hospital Menandro de Farias. As marcas dos tiros ficaram ainda em um apartamento. O projétil, de pistola ponto 40 (usada pela Polícia Militar), atingiu a janela do imóvel, atravessou a cortina e ainda acertou a parede. A capsúla caiu ao lado da moradora, que estava na cama. Por sorte, não foi ferida.

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Projétil atingiu também a parede do imóvel. Foto: arquivo pessoal

Os moradores do local fazem questão de frisar ainda que este não foi um fato isolado. Diante deste cenário, eles denunciaram o fato do último domingo a um órgão ligado aos direitos humanos, que levou o caso ao comandante da 81ª CIPM, major Sérgio Dias.

O PM confirmou à reportagem do Aratu Online que a ocorrência está sendo apurada. “Não houve operação, mas o relatório de serviço dos agentes que trabalharam domingo está sendo avaliado para ver se foi registrado alguma troca de tiros na localidade”, conta.

O comandante afirma ainda que a moradora do apartamento já foi ouvida pela PM. Segundo ele, a proprietária do imóvel não diz com certeza se o tiro foi dado por agentes da 81ª. Os denunciantes que procuraram o Aratu Online são enfáticos quando dizem que o tiro foi dado pelos PMs, mas temem represálias.

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Cortina da residência atingida pelo projétil foi rasgada. Foto: arquivo pessoal

O major relata também que agentes foram até o Condomínio Brisas de Itinga na tarde desta segunda-feira (25/4). Os moradores confirmam que a viatura esteve no local e detalham que a cápsula do projétil foi levada pelos agentes. O caso está sendo apurado pelo sub-comandante da 81ª CIPM, capitão Clóvis Marques. Não há previsão para que as investigações sejam encerradas.

AÇÃO VIOLENTA EM ITINGA 

Esta não é a primeira vez que policiais lotados no bairro de Itinga são acusados de abuso. Em fevereiro, moradores do Condomínio Quinta da Glória acusaram agentes à paisana de sequestrar e torturar um homem de 18 anos. Um deles gravou um vídeo com o flagrante do momento.

Na oportunidade, a assessoria da Polícia Militar da Bahia se manifestou por nota. A mesma informou que os policiais estiveram no local para cumprir mandado judicial de busca e apreensão, determinado pela 1ª Vara Crime de Lauro de Freitas, contra Marcelo Santana de Jesus, conhecido como “Marmelo”.

No local, os militares não encontraram o suspeito. Em seguida, receberam uma denúncia anônima de que no mesmo prédio estava escondido um homem conhecido como “Tchuk”, acusado de ter cometido um homicídio no bairro da Ribeira.

Os militares então abordaram o suspeito e informaram que ele seria conduzido à delegacia para averiguações. Mesmo tendo resistido, o homem foi conduzido para a unidade de Itinga, onde foi identificado como Moisés Silva Gonçalves. Como não havia acusação, ele foi liberado em seguida.

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OUTRO CASO

Uma ação bastante parecida, onde policiais são acusados de atirar sem alvo, acabou com uma pessoa morta no bairro do Lobato, em Salvador. Familiares de Vânia Machado, que pediram para não serem identificados, disseram ao Aratu Online que ela estava na porta de casa quando foi atingida.

O comandante da 14ª CIPM, major Carlos Humberto Moreira, contesta a versão. Ele frisa que “não se pode ainda atribuir a autoria dos disparos” e detalha toda a ação dos agentes. “Uma denúncia via Cicom [Centro Integrado de Comunicação] disse que estava tendo uma festa no local. Durante as abordagens, alguns homens correram, dando início a um confronto. Durante a troca de tiros, ela [Vânia] foi atingida”.

O caso está sendo investigado pela 3ª Delegacia de Homicídios. Um inquérito também foi instaurado na corregedoria da PM para apurar o fato. O corpo da vítima foi enterrado na tarde de domingo.

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