Vila Moisés: MPE vai denunciar policiais envolvidos na ação que resultou em 12 mortes

Fonte: Da Redação

Crédito da Foto: Divulgação / Polícia Militar

Até a próxima segunda-feira (18), o Ministério Público Estadual (MPE) deverá denunciar à Justiça, os policiais que participaram da ação que resultou em 12 mortes na localidade de Vila Moisés, situada no bairro do Cabula, em Salvador. Segundo o promotor David Gallo, o procedimento de apuração do caso foi concluído na última sexta-feira (08).

“Somos um grupo de seis promotores e, neste momento, estamos confeccionando a peça que será encaminhada à Vara do Júri”, informou Gallo, acrescentando que ficou evidenciada a existência de responsabilidade criminal e por isso haverá uma ação penal, na qual alguns ou todos os militares que participaram daquela operação serão denunciados.

O caso

Doze pessoas morreram na madrugada do último dia 6 de fevereiro, por volta das 2h, durante uma suposta troca de tiros entre bandidos e policiais militares, no bairro do Cabula. Na ocasião, o Departamento de Comunicação Social da PM-BA informou que a ação aconteceu quando três guarnições da Rondesp Central e duas da 23ª CIPM (Tancredo Neves) estavam averiguando a situação de um veículo suspeito, próximo a uma agência bancária.

Ainda de acordo com a PM, o tiroteio começou, após os policiais perceberem a presença de cerca de 30 homens armados, alguns com uniformes semelhantes ao do Exército e carregando mochilas, em uma baixada do entorno do local, conhecida como Vila Moisés. A PM disse, também, que quando os militares abordaram o grupo, foram recebidos a tiros. Teria havido revide, resultando nas mortes.

A situação causou indignação entre moradores do local. Eles contestaram a versão apresentada pela polícia e alegaram que os jovens foram executados pelos militares. Ouvidos pela reportagem do programa “Que Venha o Povo”, da TV Aratu, algumas pessoas que aceitaram falar disseram que houve excesso do uso da força e abuso de autoridade. Eles relataram que após denunciarem que os homens foram vítimas de execução, e não morreram em uma troca de tiros, policiais retornaram à região afirmando que se as denúncias não parassem os moradores sofreriam represálias.