Zika vírus pode ser causador de microcefalia no Nordeste; gestação deve ser repensada, diz MS

Fonte: Da Redação

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Devido a forte suspeita de que o Zika vírus pode ser causador da epidemia de microcefalia no Nordeste, o Ministério da Saúde recomenda que as mulheres da região repensem sobre uma futura gestação. “Uma vez que a causa da microcefalia ainda não é conhecida, então as mulheres que planejam engravidar neste momento devem conversar com a sua família e com as equipes de saúde que elas estão ligadas sobre a conveniência”, orientou Claudio Maierovitch, diretor do Departamento de Vigilância de Doenças Transmissíveis do Ministério da Saúde.

O boletim epidemiológico sobre microcefalia divulgado na última terça-feira (17) registra 399 casos da doença em recém-nascidos, em sete estados da região Nordeste. O maior número de casos está concentrado em Pernambuco (que decretou situação de emergência) com 268 crianças, seguindo com Sergipe que tem 44 casos, o Rio Grande do Norte com 39, Paraíba 21 e Ceará 9.

Dados divulgados pelo Ministério da Saúde, na última terça-feira (17).

Dados divulgados pelo Ministério da Saúde.

Na Bahia, a Secretaria da Saúde do Estado (Sesab) informou nesta quinta-feira (19) que, no período de janeiro de 2010 a novembro de 2015, foram registrados 70 recém-nascidos com a má-formação do cérebro que pode desencadear problemas graves no desenvolvimento da criança. Do total, a cidade com mais incidência é Salvador, com 20 casos registrados, sendo que este ano, foram registrados 13 casos da doença. No entanto, ainda conforme a Sesab, ao contrário de Pernambuco, na Bahia não foi decretado estado de emergência visto que o número de casos está dentro da normalidade.

Amostras coletadas do líquido amniótico de duas gestantes da Paraíba, cujos fetos foram confirmados com microcefalia, através de exames de ultrassonografia constataram a presença do genoma do Zika, vírus transmitido pelo mesmo mosquito da dengue, que foi identificado no país neste ano.

De acordo com a Fiocruz, que participa das investigações da doença, apesar de ser um achado científico importante para o entendimento da infecção por Zika vírus em humanos, os dados atuais não permitem correlacionar inequivocamente, de forma causal, a infecção pelo Zika com a microcefalia. Este esclarecimento se dará por estudos coordenados pelo Ministério e outras instituições envolvidas na investigação das causas de microcefalia no país.

Sobre as gestantes, Claudio Maierovitch orienta que todas adotem medidas preventivas, com acompanhamentos constantes de consultas e que realizem todos os exames recomendados pelos médicos. “Grávidas devem realizar o pré-natal, indo a todas as consultas, fazendo todos os exames que são recomendados pelo seu médico. E evitem pessoas que podem estar doente, com vermelhidão no corpo, febre ou alguma doença transmissível”.

Confira vídeo com as orientações:

Sobre a doença

A microcefalia não é um agravo novo. Trata-se de uma malformação congênita, em que o cérebro não se desenvolve de maneira adequada. Na atual situação, a investigação da causa é que tem preocupado as autoridades de saúde. Neste caso, os bebês nascem com perímetro cefálico (PC) menor que o normal, que habitualmente é superior a 33 cm. Esse defeito congênito pode ser efeito de uma série de fatores de diferentes origens, como as substâncias químicas, agentes biológicos (infecciosos), como bactérias, vírus e radiação.