Série em Pauta: Entrevista com a roteirista Amanda Aouad

Por Enoe Lopes Pontes*

Desde abril deste ano, está no ar a série baiana Tori, a detetive. Concebida por Maria Luiza Barros e Ducca Rios, a animação é exibida pelo canal ZooMoo diariamente, às 11h15 e 17h45. A produção narra o cotidiano de uma cachorrinha que adora investigar casos e desvendar mistérios, junto com seus amigos da vizinhança.

Dentro do processo de criação do desenho está a roteirista, pesquisadora, professora e crítica de cinema Amanda Aouad, que juntamente com Barros e Rios, deu vida ao universo de Tori. Tudo começou em 2015, quando Aouad foi convidada para participar do Núcleo Criativo Anima Bahia.O grupo é sócio da Origem Produtora de Conteúdo, empresa dos criadores do seriado.

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Durante a escrita dos episódios, a autora possuía contato direto com Ducca Rios. Os dois tinham em sua dinâmica o hábito de cada um fazer a metade do roteiro e depois trocarem para que pudessem contribuir um com o outro. “Escrevi parte dos roteiros. Como foi o primeiro projeto do núcleo que desenvolvemos, era só eu e Ducca, além da consultora Flávia Lins.”.

Após Tori, a detetive, Amanda Aouad continua seguindo com novos projetos. Em andamento, ela possui duas séries em fases distintas de produção. Sobre Todas as Coisas, material desenvolvido pela TV Show, já está com o texto completo e a equipe segue buscando capitalização para rodá-la. A Guardiã é um curta-metragem que será transformado em seriado, em breve, assim que os envolvidos também consigam recursos financeiros para realizar tal intento. “Essa é a vida de roteirista independente!”, brinca.

 

Em entrevista para o Série a Sério, Aouad contou com mais detalhes a sua participação em Tori, a detetive e como funciona o seu trabalho, Confira!

 

ENTREVISTA

Enoe Lopes Pontes – Amanda, me conta um pouco como foi que funcionou sua participação na série?

Amanda Aouad – Eu participei como roteirista da série. Escrevi a primeira versão de alguns roteiros e a segunda versão de outros. Foi um trabalho em conjunto com Ducca Rios.

 

ELP – Como funcionou o seu processo de criação?

AA – A série foi criada por Ducca e Luiza. Já tinha um argumento geral, pré-sinopses e o piloto, mas eu entrei no início do desenvolvimento, participei de toda a dinâmica da sala de roteiro, construindo o arco da temporada, o aprofundamento das personagens e a estrutura dos episódios.

 

ELP – Quais são suas principais etapas de trabalho no processo de escrita?

AA – A etapa inicial da ideia ou motivação do projeto varia muito. Mas, tirando isso, primeiro vem o desenvolvimento do projeto em si, o argumento, arco da temporada, aprofundamento do perfil das personagens. Em animação, temos uma vantagem em relação ao live action que é a etapa do animatic, pois podemos ver no rascunho da animação o ritmo, timing e repensar algumas questões do roteiro.

 

ELP – Em quais campos de atuação você trabalha, quando o assunto é roteiro?

AA – Faço um pouco de tudo. Escrevo, faço consultoria, ensino, estudo e analiso. Estou terminando o doutorado em Comunicação e Cultura Contemporâneas estudando a construção dramatúrgica em séries publicitárias. Eu faço parte do grupo de pesquisa A-Tevê que analisa produtos seriados televisivos e onde surgiu o projeto de extensão Estação do Drama, que visa a formação de roteiristas. Sou professora de audiovisual na Uniceusa e de roteiro no Estação, onde também fiz parte da coordenação da Usina do Drama, sendo uma das tutoras dos projetos. Faço ainda consultoria de roteiros, atualmente estou como consultora de um projeto de série que passou no último Prodav 5, já fiz consultoria para alguns curtas também, além dos projetos da Usina do Drama 2017. Sou também crítica de cinema, editora do site CinePipocaCult e colunista da Revista CineMagazine. E roteirista freelancer. Participo do Núcleo Anima Bahia que está em sua segunda etapa com outros cinco projetos, mas também desenvolvo projetos próprios e em parcerias com outros roteiristas / produtoras. Participei do Núcleo Criativo TV Show (da DPE Produções), coordenado por Doc Comparato, com uma série original de ficção live action e tenho desenvolvido diversos projetos próprios em parceria com Ari Cabral, meu sócio na Sete Produtora de Conteúdo.

 

ELP – Quais seus principais trabalhos como roteirista?

AA – Atualmente, acredito que sejam as séries desenvolvidas no Anima Bahia, por estarem em canais de destaque e com alguma repercussão. Tori, a Detetive, que motivou essa entrevista e está no canal ZooMoo, mas tem também Turma da Harmonia exibida na Disney Júnior, Fábulas de Bulccan no ZooMoo e Play Kids. Além disso tem Bill, o Touro na TVE-BA e A Guardiã, um projeto próprio, em parceria com Ari Cabral que já teve o roteiro de um longa-metragem desenvolvido a partir de um edital estadual e agora estamos terminando a produção de um curta.

 

ELP – Existe algum gênero mais desafiante de roteirizar?

AA – Todos têm seus desafios próprios. Acho que o maior desafio é sempre o formato, criar algo que tenha esse frescor de novidade, ainda que o público precise identificar algo conhecido para se conectar. Nesse ponto, projetos na linha do factual são os mais complexos porque sempre correm o risco de cair no velho formato de documentário televisivo.  Mas todo novo projeto é um novo desafio.

 

*Créditos da foto principal: Gabrielle Guido

 

https://www.youtube.com/watch?v=snXxxPTNdLM

Orange is the New Black retorna em uma temporada burocrática e sem ritmo

por Enoe Lopes Pontes

Após cinco anos na prisão de segurança mínima de Litchfield, as detentas da série Orange is the New Black são levadas para o encarceramento na máxima. Com um cliffhanger tenso e desesperador, o seriado volta trazendo as respostas sobre os destinos de cada personagem presente no último plano do quinto ano. Contudo, a produção não entrega tudo de vez e vai desenvolvendo o enredo, entregando aos poucos os acontecimentos.

Mesclado aos dramas das presidiárias que o público já conhece, outro plot é introduzido. Desta forma, enquanto o espectador vai descobrindo os encaminhamentos das personagens já populares,  a narrativa recebe novos conflitos. O cruzamento destes novos problemas, juntamente com o desfecho da temporada, são elementos bem realizados e amarrados. Este fator mostra que há uma escolha consciente dos autores em utilizar novas tensões para trazer complexidade a narrativa e as vidas das personas vistas na tela e que a conclusão moverá as moças ainda mais para frente. A história não fica estagnada. Dividas em blocos B, C e D, a prisão possui gangues que se odeiam. A maneira como as relações se estabelecem neste contexto é o ponto alto da temporada. Afiliações, pactos, mentiras,esquemas e corrupções – traços clássicos da situações presentes em Orange – estão fervendo neste contexto.

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No entanto, ainda que a estratégia de colocar duas líderes das gangues da ala C e D brigando para dominar o local contribua para alavancar a trajetória das personagens principais, a própria história das bandidas e suas aliadas é pouco explorada. Durante os 13 novos episódios de Orange, alguns flashbacks são destinados a mostrar a vida pregressa das irmãs Carol (Henny Russel) e Barbara (Mackenzie Phillips) e de suas aliadas dentro de Litchfield – respectivamente – “Badison” (Amanda Fuller) e “Daddy” (Vicci Martinez). Contudo, eles não são necessários para o andamento da trama. Os traços de personalidade e caráter delas já estavam sendo mostrados nos acontecimentos do presente. Assim, resta uma sensação de filler ou desperdício de tempo, pois os roteiristas poderiam focar mais nas detentas firmadas na produção ou, pelo menos, mostrar apenas o que era preciso para o eneredo.

Em termos de atuação, o nível permanece o mesmo das temporadas anteriores, porém existe um destaque neste sexto ano. Danielle Brooks que interpreta a Tasha “Taystee” Jefferson traz as emoções da jovem com poucos movimentos, com olhares firmes e a voz que varia entre firme e embargada. As certezas e dúvidas de Taystee são postas em seu corpo que demonstra cansaço, mas sem perder a tonicidade. Os traços corpóreos de sua construção podem ser notados mais ainda quando comparados com seus flashbacks, no qual se vê uma Tasha confiante, alegre e esperançosa. Obviamente, o seu plot ajuda a trazer performarces dramáticas e intensas, mas o que importa aqui é que a atriz segura o peso de cada cena e não deixa de criar uma dinâmica com seus colegas de cena. Isso faz com que seus momentos sejam os mais emocionantes.

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Dentro de toda a carga que a vida de Taystee tem, faltou um pouco de alívio cômico desta vez. Orange é conhecida por ser uma dramédia. Durante seus anos de exibição, o drama foi tornando-se cada vez mais forte, mas a presença das cenas leves eram muito importante para a construção das tensões futuras. Contudo, o tom trágico superou o de comédia e o espectador pode se sentir cansado ao assistir a série. Este elemento trágico em desequilíbrio com o cômico retira um pouco de ritmo do seriado, porque não esse jogo que existia da linha tênue entre o riso e o choro, entre o animado e melancólico desaparece no mar de eventos ruins.

Analisando a sexta temporada de Orange is the New Black é possível notar que foi um ano no qual as histórias das detentas “originais” foram mostradas, desenvolvidas e resolvidas e até mesmo algumas das novas presidiárias obtiveram um ciclo fechadinho. São episódios redondos e bem costurados, nos quais as perguntas são lançadas e posteriormente as respostas são dadas. No entanto, é um ano morno porque falta ritmo e equilíbrio para ela possa ser chamada de dramédia outra vez e não fique entediante. Além de deixar de lado os momentos catárticos que faziam toda diferença, quando as

Maratone como uma garota: Let it bi, as minas bissexuais nas séries

por Letícia Moreira*

“Mas fulano não era gay/hetero?”

Que atire a primeira pedra quem nunca ouviu essa frase!

 

A discussão voltada para o universo LGBTQI+ vem ganhando cada vez mais espaço na mídia. Na esteira das celebrações e militâncias, algo parece passar batido quase sempre que o assunto entra na roda: a invisibilidade dos sujeitos cuja sexualidade subverte a lógica binária monossexual, isto é, qualquer um que se sinta atraída/o por mais de um gênero, seja ao mesmo tempo, um de cada vez, ou com intensidades e intenções diferentes. “Bissexualidade” é o termo que se utiliza para designá-los e acaba servindo como guarda-chuva para incluir os pansexuais, fluidos, polissexuais, e algumas outras orientações.

A bissexualidade está quase sempre submetida a uma série de violências simbólicas, inclusive entre a própria comunidade LGBTQI+. A constante reprodução de estereótipos prejudiciais, como a rotulagem de “confusos”, e a recusa em reconhecê-los como membros da comunidade são exemplos ilustrativos. A isso dá-se o nome de “bifobia”. E como na cultura midiática a coisa não poderia ser diferente, essa estereotipação e invisibilidade acompanha a construção narrativa desses personagens.

Em filmes e séries, é bastante raro encontrar alguém bi que não seja tratado como um aventureiro curioso, um pervertido sedento ou alguém que se recusa a sair do armário. Mais raro ainda é que o personagem se assuma bi, afirmando de fato a sexualidade, vivendo feliz e tranquilo com isto.

Se tratando de personagens femininas, a questão das representações são ainda mais complexas, visto que recorrentemente a fetichização da bissexualidade está associada a uma função de deleite e prazer visual, especialmente para o imaginário masculino.

Para dar, então, visibilidade a esse grupo, dedico a estreia da coluna Maratone como uma Garota! ao tema. Selecionamos algumas personagens bissexuais das séries que amamos!

 

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PIPER CHAPMAN (Orange Is The New Black) – A personagem de Taylor Schilling é a protagonista da série, que volta na sexta temporada, próximo dia 27/07. Piper estava noiva de Larry Bloom (Jason Biggs). Quando entra para a cadeia, ela reencontra Alex Vause (Laura Prepon), um tórrido amor do passado e, ninguém mais ninguém menos, do que a pessoa que a colocou lá dentro. Primeiramente, ela é inspirada na verdadeira Piper (Kerman), que é uma mulher bissexual. Ok, a personagem pode ser bem chatinha às vezes e não é a favorita dos espectadores, mas a moça é claramente bissexual e já chegou a afirmar isso. Cabe a crítica de que a Piper se envolveu com a Alex apenas como uma aventura perigosa, mas ela não nega o amor que sente pela parceira, seja na prisão ou em liberdade. Aliás, nem só a Piper é bi/pan na série (temos a Soso, a Lorna Morello) mas ainda assim, o seriado nunca explicita essa identidade e parece às vezes reforçar que só se é lésbica ou hétero em Litchfield.

 

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STELLA GISBON (The Fall) – Aqui, vê-se mais uma protagonista bissexual! Stella (Gillian Anderson) é uma oficial da polícia britânica fod*na que está no comando da investigação de um serial killer em Belfast (Irlanda do Norte). Imponente, segura e com personalidade forte – em um ambiente majoritariamente masculino – ela é abertamente exploradora da sexualidade e já de início demonstra gostar de sexo casual com rapazes mais jovens. No correr da narrativa, desenvolve uma atração pela Dr. Reed Smith (Archie Panjabi), parceira de trabalho nas investigações. Esta química entre as duas não é algo desenvolvido na série (alerta Queerbating!!!), mas afirma a sexualidade de protagonista. Ficamos com gostinho de quero mais! (Preciso lembrar que a própria Gillian Anderson já declarou algumas vezes que é bissexual?)

 

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JOANNA BEAUCHAMP (Witches of East End) – Interpretada por Julia Ormond, Joanna é protagonista da série, que flopou tanto e foi cancelada. Mas ok, devemos reconhecer que foi interessante a inserção da bissexualidade na trama. Ela é uma bruxa imortal do mundo mágico de Asgard que vive na terra há alguns bons séculos. Nos dois episódio que contam com presença da personagem Alex (Michelle Hurd), descobrimos que as duas tiveram um romance de alguns anos no passado.

 

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KELLY (San Junipero/Black Mirror) – O episódio mais fofo de Black Mirror, e vencedor de dois Emmys, é estrelado por Mackenzie Davis (como Yorkie) e Gugu Mbatha-Raw (como Kelly). As duas se conhecem em San Junipero, uma vila na Califórnia, no ano de 1987, quando Kelly está tentando fugir de um ex-namorado. As duas se apaixonam depois de alguns encontros. San Junipero é uma cidade fantasia de um sistema de realidade simulada do ano de 2040, quando ambas já estão no fim da vida. Não importa como ou quando, o amor sempre transforma!

 

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EMALINE ADARIO (Everything Sucks) – Saudosista e ambientada nos anos 1990, Everything Sucks!, é protagonizada por adolescentes que acabaram de entrar no ensino médio, com seus dramas tipicamente adolescentes.Apesar da produção ter um conteúdo bacana, ela foi, infelizmente, cancelada. Na história, o público acompanha o desenvolvimento desta personagens, seus medos, lutas e conquistas. Contudo, nota-se que Emaline (Sydney Sweeney) é a personagem que mais se transforma. No início, ela é apresentada como uma atriz arrogante do teatro da escola, que é namorada do garoto popular. Ao decorrer da narrativa, ela se apaixona por Kate (Peyton Kennedy), que está em processo de se descobrir lésbica. A série tem seus furos de roteiro, e cabe a crítica de que a Emaline só se apaixona por uma menina depois de ter sido abandonada por um garoto. Mas, vale reconhecer que colocar a bissexualidade como uma existência possível, e em um momento de descobertas, foi bem significativo (e bem fofo!).

 

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XENA (Xena) – A heroína de infância que você respeita! Não é novidade para ninguém que muito mais que amigas, Xena (Lucy Lawless) e Gabrielle (Reneé O’Connor) compartilhavam um sentimento e uma ligação bem intensas – um casal implícito, em outras palavras. Uma, literalmente, morria pela outra. Já diziam as boas línguas que o romance só não era explícito devido aos costumes dos anos 1990. Tanto que quando um reboot da série quase foi aprovado pela NBC, ano passado (infelizmente o projeto morreu), foi anunciado que o romance seria mais explorado. De toda forma, a personagem era uma princesa guerreira e bissexual e é isso que importa por hoje!

 

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ANNELISE KEATING (How To Get Away With Murder) – A cereja do bolo fica no final, não é mesmo? Então temos aqui mais uma protagonista bissexual muito bem resolvida. Talvez a melhor representação bissexual em séries nos últimos anos, já que a temática é introduzida sem rodeios e sem justificativa/desculpa para nenhum outro evento. Annelise, a advogada e professora criminalista, negra e de origem humilde, é bastante segura com sua sexualidade e a expressa livremente. O romance com Eve Rothlo (Famke Janssen) foi bem intenso.

 

Nos campos de batalhas simbólicos, as representações nos meios de comunicação são super importantes para o reconhecimento das diversidades e das formas de ser e estar no mundo. Toda forma de amor é válida e o choro é livre!

 

E então, alguma personagem ficou de fora? Comente e compartilhe suas favoritas!

 

*Letícia Moreira é produtora de cinema, pesquisadora e crítica de cinema, pelo site Mais que Sétima Arte (https://maisquesetimarte.wordpress.com/)

Terror em Série: Buffy, a mocinha além de seu tempo

por Hilda Lopes Pontes

Proveniente do filme homônimo, de 1992, Buffy, a caça-vampiros concluía a sua última temporada na televisão estadunidense há quinze anos. Após sete anos de exibição, ela se tornou uma das séries que mais moveu o público do mundo inteiro e ressignificou o pensamento não apenas sobre a ideia do que é ser uma caça vampiros, mas também a lógica da mulher protagonista, principalmente, em séries de televisão.

A produção se consolidou entre os jovens da década de 1990 trazendo uma lógica diferente do que se via anteriormente. O primeiro ponto notável é escolha da personalidade da personagem de Joss Whedon. Ele subverte a ideia da mocinha presente no gênero de horror, quando mostra que a, supostamente, frágil líder de torcida, pode ser muito mais do que isso. Ela pode saber lutar, amar seus amigos e ser inteligente e estrategista. Além disso, a jovem não é a primeira a morrer, como na maioria dos filmes de terror. Summers é popular, bonita e sem problemas aparentes para quem a olha de longe.

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Todos os casos que aconteceram no longa de 1992, trazem uma Buffy um pouco mais amarga e irônica por ter que se mudar de sua cidade e ir morar em Sunnydale,  um local totalmente novo e diferente. A garota precisa aprender a lidar com essa nova realidade e novos vampiros que surgem, cada vez mais fortes. Whedon queria trazer a ideia de que o colegial era o inferno, realizando com monstros materiais a metáfora sobre as dificuldades vividas pelos adolescentes, mostrando que, ainda com a vida povoada de demônios e vampiros, difícil mesmo era lidar com as inseguranças e transformações vividas no colégio.

A garota interpretada por Sarah Michelle Gellar, trouxe em seus conflitos e lutas, tanto físicas como éticas, amorosas e morais, um feminismo que não era visto até então. Ela se bastava, conseguia lidar com todos os obstáculos em seu caminho com habilidade e ainda salvava sempre seus amigos e todos da cidade. Para ela, ser badass não era complicado, o difícil era equilibrar suas atividades como caça-vampiros e, ao mesmo tempo, ter dilemas típicos de adolescente.

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Para além da quebra do estereótipo da mocinha do horror, a série também rompeu modelos do imaginário sobre vampiros. O visual, muitas vezes belo das criaturas, é equilibrado com feições demoníacas. Eles não são as duas coisas ao mesmo tempo; figuras carismáticas e atraentes, que se tornam assustadoras numa fração de segundos. Vale ressaltar que os vilões homens possuíam sempre uma ambição mal controlada e não conseguiam desvendar Buffy, ainda que ela sofresse com os mesmos. Já as vilãs eram sempre mais misteriosas, com razões bem construídas para fazer o mal, deixando a protagonista mais desestabilizada.

Foi em Buffy que também se inaugurou algo muito forte em relação aos ships. Existiam duas torcidas, deixando os fãs dividos entre dois vampiros que disputavam o coração da mocinha: Angel e Spike. O primeiro era conhecido por ter um bom coração, mas, cheio de conflitos por seus erros do passado, uma figura complexa, que fugia sempre com medo de voltar a ser o demônio que se tornou quando virou vampiro. Já Skipe, tem uma trajetória oposta à de Angel. Ele detesta Buffy e tem como sonho mata-la. Contudo, acontecimentos em seu caminho e muitas derrotas, vão tornando ele uma “pessoa” melhor.

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A noção do vampiro em Buffy é de um ser possuído por uma energia de um demônio, que retira da pessoa toda e qualquer bondade. Por isso, havia a divisão no fandom, pois quando Angel se tornava demônio amaldiçoado novamente, ele mostra um lado cruel e sem piedade. Contudo, Spike, ainda que embebido dessa energia maligna em seu corpo, conseguia ter sentimentos bons, ternos.

Essa dualidade dos homens na vida de Buffy termina deixando a garota sempre solitária e se sentindo confusa em relação ao amor, contudo, os interesses românticos influenciam de uma maneira correta na vida da heroína, não são um foco constante na narrativa. Os conflitos de relacionamento são, inclusive, usados como ponte para dramas maiores, envolvendo a segurança dos moradores de Sunnydale, por exemplo.

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Essa característica, reforça ainda mais que o interesse do seriado é contar a história de uma mulher guerreira, da escolhida para salvar o mundo, que tem problemas maiores do que somente pensar em garotos. A Buffy termina se tornando o exemplo de representatividade mais próxima do ideal, mostrando uma mulher que possui crises parecidas com a de qualquer adolescente, mas que podia lutar, ser forte , ser imbatível e que nenhum homem poderia vencê-la.

 

*Hilda Lopes Pontes é cineasta e crítica cinematográfica. Formada em Direção Teatral e Mestre em Artes Cênicas, pela Universidade Federal da Bahia, hoje, ela é sócia-fundadora da Olho de Vidro Produções, empresa baiana de audiovisual.

Samantha! – Primeira comédia brasileira da Netflix vale cada minuto

Por Enoe Lopes Pontes

Este mês, a Netflix trouxe para seu catálogo a primeira comédia nacional original. Entre trailers e chamadas duvidosas, havia algo na divulgação que despertava a curiosidade. Talvez fosse o carisma da protagonista ou o apelo aos anos 1980. O fato é que o seriado foi maratonado e você confere agora a sua crítica no Série a Sério!

Samantha! é uma sitcom praticamente comum. Poucas personagens, cenários, troca de figurinos e uma duração média de vinte minutos. Dirigida por Felipe Braga, o que muda aqui é o peso que a carga “dramática” ganha em alguns momentos, deixando com que ela flerte com o rótulo de dramédia também. Ainda assim, dentro das formalidades do gênero principal, a produção tem uma boa execução. Apresenta um texto com boas gags e situações e um elenco que consegue dar conta da comicidade ácida que o roteiro pede. Há um equilíbrio nas cenas entre qual será o ator com a piada mais forte e os que dão suporte para que a graça seja elevada. Há também um tom realista na interpretação que salta aos olhos os traços surrealistas da ações e do que está sendo dito.

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Dentro deste contexto, o maior destaque acaba sendo a contracena. Os olhares e gestos de quem está escutando as palavras do outro são o ganho cômico do seriado. Porque as frases sem noção de Samantha (Emanuelle Araújo) e sua família podem causar um impacto no espectador, porém a consciência dos absurdos proferidos em cada cena é o diferencial aqui. Eles vivem em um universo louco e sabem disso!

Além da parte engraçada, há um trabalho em trazer complexidade para personagens que são, teoricamente, grandes estereótipos. A atriz mirim fracassada, o ex-jogador de futebol que vira comentarista, a pré-adolescente ativista, o menino nerd, o tiozão fumante. A partir de alguns arquétipos, eles estabelecem quebras de expectativas na trama, para mostrar outras facetas destas pessoas. Um exemplo é o concurso de música no qual uma participante nada convencional acaba cantando no final do episódio.

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Outro detalhe que chama atenção na série são os cliffhangers. A estética meio caricata, beirando a um estilo de desenho animado mesmo, provocam o riso e podem deixar o público curioso. Apesar de funcionarem, na maioria das vezes, em alguns momentos eles parecem um pouco falsos, forçando a entrada de um novo conflito e a adição de outros indivíduos na história que não são sempre necessários.

Esta questão, na verdade, perpassa o seriado, pois algumas vezes entradas e saídas fáceis são escolhidas. Contudo, a forma como os caminhos são realizados fazem com que o conteúdo não seja comprometido. Pelo contrário, tornam a produção mais proveitosa. Um exemplo, (SPOILER ALERT!!!) é o reencontro da Turminha Plim Plom. Este ser o último desejo do falecido Cigarrinho (Ary França) entra na trama do nada, depois de vários episódios sem o falecido ser mencionado. A sensação é de que o roteirista precisava dos Plim Plom juntos outra vez e lembrou do tiozinho.

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Apesar de tropeços, a comédia tem mais pontos altos do que baixos. Um deles são as músicas divertidas e chicletes da bandinha mirim – que lembram bastante as canções do Balão Mágico. Além de ter questões técnicas bem realizadas, o discurso da série é bem desenvolvido e maduro dentro da trama. As reflexões sobre o sucesso, a fama, o uso das redes sociais, questões políticas, sociais e familiares estão todas presentes de forma aparentemente diluída, proferidas num tom jocoso ou ditas firmemente, mas como uma constatação certeira, sem pestanejar. Além, claro, de um easter egg no penúltimo episódio quando Dodói (Douglas Silva) está no banheiro com amigos e nas portas está escrito “Fora Temer” e “Out Temer”. Uma mensagem subliminar digna dos anos 1980!

Desta forma, Samantha! é uma opção leve e divertida, mas com toques politizados, o que deixa a experiência mais rica e dinâmica por desafiar o público a entender as referências e rir junto com eles. Com um elenco adulto afiado e crianças muito carismático o único defeito da série que fica gravado na memória é sua quantidade minúscula de episódios.

 

INDICADOS DO EMMY AWARDS 2018, SÓ VEM!

por Enoe Lopes Pontes

O “Haja Coração” do seriador começa agora!!!!!!!

Nesta quinta-feita, 12, a Academia divulgou os indicados da premiação mais importante da TV: o Emmy Awards. Sim! Este é o Oscar das séries, meus caros!! Entre a lista de indicados sempre aparecem nas categorias principais o drama, a comédia, a minissérie ou telefilme, os realities e os programas de variedade. O destaque deste ano é a veterana Game of Thrones, presente em vinte e duas categorias. Outro fator de destaque é a Netflix, que aparece em 112 categorias, contra as 108 da “rival” HBO. A cerimônia acontece no dia 17 de setembro e é exibida – no Brasil –  pelo canal TNT.

 

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Enquanto as emissoras disputam os lugares no pódio e nos corações do público, o Série a Sério traz a lista completa dos indicados, juntamente com os nossos nomes preferidos em cada categoria, em negrito!!! Confiram!

 

Melhor série dramática

“Game of thrones”

“The handmaid’s tale”

“Stranger things”

“The americans”

“The Crown”

“This is us”

“Westworld”

 

Melhor atriz em série dramática

Claire Foy – “The Crown”

Elisabeth Moss – “The handmaid’s tale”

Evan Rachel Wood – “Westworld”

Keri Russell – “The Americans”

Sandra Oh – “Killing eve”

Tatiana Maslany – “Orphan Black”

 

Melhor ator em série dramática

Ed Harris – “Westworld”

Jason Bateman – “Ozark”

Jeffrey Wright – “Westworld”

Matthew Rhys – “The americans”

Milo Ventimiglia – “This is us”

Sterling K. Brown – “This is us”

 

Melhor ator coadjuvante em série dramática

David Harbour – “Stranger things”

Mandy Patinkin – “Homeland”

Joseph Fiennes – “The handmaid’s Tale”

Matt Smith – “The crown”

Nikolaj Coster-Waldau – “Game of thrones”

Peter Dinklage – “Game of thrones”

 

Melhor atriz coadjuvante em série dramática

Alexis Bledel – “The handmaid’s tale”

Ann Dowd – “The handmaid’s Tale”

Lena Headey – “Game of thrones”

Millie Bobby Brown – “Stranger Things”

Thandie Newton – “Westworld”

Vanessa Kirby – “The Crown”

Yvonne Strahovski – “The handmaid’s Tale”

 

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Melhor série de comédia

“Atlanta”

“Barry”

“Black-ish”

“Glow”

“The marvelous mrs. Maisel”

“Curb your enthusiasm”

“Sillicon Valley”

“Unbreakable Kimmy Schmidt”

 

Melhor ator em série de comédia

Anthony Anderson – “Black-ish”

Bill Hader – “Barry”

Donald Glover – “Atlanta”

Larry David – “Curb your enthusiasm”

Ted Danson – “The Good Place”

William H. Macy – “Shameless”

 

Melhor atriz em série de comédia

Allison Janney – “Mom”

Issa Rae – “Insecure”

Lily Tomlin – “Grace and Frankie”

Pamela Adlon – “Better things”

Rachel Brosnahan – “The marvelous mrs. Maisel”

Tracee Ellis Ross – “Black-ish”

 

Melhor ator coadjuvante em série de comédia

Alec Baldwin – “Saturday night live”

Brian Tyree Henry – “Atlanta”

Henry Winkler – “Barry”

Kenan Thompson – “Saturda night live”

Louie Anderson – “Baskets”

Tituss Burgess – “Unbreakable Kimmy Schmidt”

Tony Shalhoub – “The marvelous mrs. Maisel”

 

Melhor atriz coadjuvante em série de comédia

Aidy Bryant – “Saturday night live”

Alex Borstein – “The marvelous mrs. Maisel”

Betty Gilpin – “Glow”

Kate McKinnon – “Saturday night live”

Laurie Metcalf – “Roseanne”

Leslie Jones – “Saturday night live”

Megan Mullally – “Will & Grace”

Zazie Beetz – “Atlanta”

 

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Melhor série limitada

“American Crime Story”

“Genius”

“Godless”

“Patrick Melrose”

“The alienist”

 

Melhor filme para a TV

“USS Callister” – Black Mirror

“Fahrenheit 451”

“Flint”

“Paterno”

“The tale”

 

Melhor ator em série limitada ou filme para TV

Antonio Banderas – “Genius”

Darren Criss – “American Crime Story”

Benedict Cumberbatch – “Patrick Melrose”

Jeff Daniels – “The Looming Tower”

John Legend – “Jesus Christ Superstar Live in concert”

Jesse Plemons – “Black Mirror”

 

Melhor atriz em série limitada ou filme para TV

Edie Falco – “Law & Order True Crime”

Regina King – “Seven Seconds”

Sarah Paulson – “American Horror Story”

Jessica Biel – “The Sinner”

Laura Dern – “The Tale”

 

Melhor ator coadjuvante em série limitada ou filme para TV

Brandon Victor Dixon – “Jesus Christ Superstar Live in concert”

Edgar Ramírez – “American Crime Story”

Finn Wittrock – “American Crime Story”

Jeff Daniels – “Godless”

John Leguizamo – “Waco”

Michael Stuhlbarg – “The Looming Tower”

Ricky Martin – “American Crime Story”

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Melhor atriz coadjuvante em série limitada ou filme para TV

Adina Porter – “American Horror Story”

Judith Light – “American Crime Story”

Letitia Wright – “Black Mirror”

Merritt Wever – “Godless”

Penélope Cruz – “American Crime Story”

Sara Bareiless – “Jesus Christ Superstar Live in concert”

 

Melhor ator convidado em série dramática

Cameron Britton – “Mindhunter”

Murray Abraham – “Homeland”

Gerald McRaney – “This is us”

Jimmi Simpson – “Westworld”

Matthew Goode – “The Crown”

Ron Cephas Jones – “This is us”

 

Melhor atriz convidada em série dramática

Cherry Jones – “The handmaid’s tale”

Cicely Tyson – “How to get away with murder”

Diana Rigg – “Game of thrones”

Kelly Jenrette – “The handmaid’s tale”

Samira Wiley – “The handmaid’s tale”

Viola Davis – “Scandal

 

Melhor ator convidado em série de comédia

Bill Hader – “Saturday night live”

Bryan Cranston – “Curb your enthuasiasm”

Donald Glover – “Saturday night live”

Katt Williams – “Atlanta”

Lin-Manuel Miranda – “Curb your enthusiasm”

Sterling K. Brown – “Brooklyn Nine-Nine”

 

Melhor atriz convidada em série de comédia

Jane Lynch – “The marvelous mrs. Maisel”

Maya Rudolph – “The good place”

Molly Shannon – “Will & Grace”

Tiffany Haddish – “Saturday night live”

Tina Fey – “Saturday night live”

Wanda Sykes – “Black-ish”

 

Melhor direção em série dramática

Jeremy Podeswa – “Game of thrones”

Alan Taylor – “Game of thrones”

Kari Skogland – “The handmaid’s tale”

Jason Bateman – “Ozark”

Daniel Sackheim – “Ozark”

Ross Duffer e Matt Duffer – “Stranger Things”

Stephen Daldry – “The Crown”

 

Melhor direção em série de comédia

Donald Glover – “Atlanta”

Hiro Murai – “Atlanta”

Bill Hader – “Barry”

Jesse Peretz – “Glow”

Amy Sherman – “The Marvelous Mrs. Maisel”

Mike Judge – “Silicon Valley”

 

Melhor direção em série limitada, filme para a TV ou especial de drama

Ryan Murphy – “American Crime Story”

Scott Frank – “Godless”

David Leveaux e Alex Leveaux – “Jesus Christ Superstar Live in Concert”

Barry Levinson – “Paterno”

Edward Berger – “Patrick Melrose”

Craig Zisk – “The looming tower”

David Lynch – “Twin Peaks”

 

Melhor roteiro de série dramática

David Benioff e D. B. Weiss – “Game of thrones” (“The dragon and the wolf”)

Phoebe Waller-Bridge – “Killing eve” (“Nice face”)

Bruce Miller – “The handmaid’s tale” (‘June”)

Matt Duffer e Ross Duffer – “Stranger Things” (“Chapter Nine: The gate”)

Joel Fields e Joseph Weisberg – “The americans” (“Start”)

Peter Morgan – “The Crown” (“Mystery man”)

 

Melhor reality show de competição

“American ninja warrior”

“Project Runway”

“RuPaul’s Drag Race”

“The Amazing Race”

“The Voice”

“Top Chef”

 

Melhor reality show

“Antiques roadshow”

“Lip Sync Battle”

“Fixer Upper”

“Queer Eye”

“Shark Tank”

“Who do you think you are?”

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Melhor apresentador de reality show de competição ou reality show

Ellen DeGeneres – “Ellen’s Game of Games”

Jane Lynch – “Hollywood Game night”

Heidi Klum e Tim Gunn – “Project Runway”

RuPaul – “RuPaul’s Drag Race”

Kamau Bell – “United Shades of America”

 

Melhor programa de variedades

“Full frontal with Samantha Bee”

“Jimmy Kimmel Live!”

“Last Week Tonight with John Oliver”

“The Daily Show”

“The Late Late Show with James Corden”

“The Late Show with Stephen Colbert”

 

Melhor direção de programa de variedades

Andre Allen – “Full frontal with Samantha Bee”

Paul Pennolino – “Last week tonight with John Oliver”

Carrie Brownstein – “Portlandia”

Don Roy King – “Saturday night live”

Tim Mancinelli – “The Late Late Show with James Corden”

Jim Hoskinson – “The Late Show with John Colbert”

 

Melhor programa de esquetes

“At home with Amy Sedaris”

“Drunk History”

“I love you, America”

“Portlandia”

“Saturday night live”

“Tracey Ullman’s Show”

 

Melhor especial de variedades

Cerimônia do Oscar 2018

“Jesus Christ Superstar Live in Concert”

“Night of too many stars”

Cerimônia do Grammy 2018

Cerimônia do Globo de Ouro 2018

 

Melhor direção em especial de variedades

Glenn Weiss – Cerimônia do Oscar 2018

Stan Lathan – “Dave Chapelle: Equanimity”

Michael Bonfiglio – “Jerry before Seinfeld”

Marcus Raboy – “Steve Martin and Martin Short: An Evening You Will Forget for the Rest of Your Life”

Hamish Hamilton – Show de intervalo do Super Bowl com Justin Timberlake

 

Melhor Documentário ou especial de não-ficção

“Jim & Andy: The Great Beyond – Featuring a Very Special, Contractually Obligated Mention of Tony Clifton”

“Mister Rogers: It’s you I like”

“Spielberg”

“The zen diaries of Garry Shandling”

“Ícaro”

 

Melhor ator em série de curtas de comédia ou drama

Alexis Denisof – “I love Bekka & Lucy”

DeStorm Power – “Caught the Series”

James Corden – “James Corden’s next James Corden”

Melvin Jackson Jr. – “This Eddie Murphy Role is Mine, Not Yours”

Miles Tagtmeyer – “Broken”

 

Melhor programa infantil

“Alexa & Katie”

“Fuller House”

“The Magical Wand Chase: A Sesame Street Special”

“A Series Of Unfortunate Events”

“Star Wars Rebels”

 

Melhor programa animado

“Baymax Returns (Big Hero 6: The Series)”

“Bob’s Burgers”

“Rick And Morty”

“The Simpsons”

“South Park”

 

Melhor programa interativo

“The Daily Show With Trevor Noah”

“Full Frontal With Samantha Bee”

“Last Week Tonight With John Oliver”

“The Late Late Show With James Corden”

“Saturday Night Live”

 

Terror em Série: os elementos do gênero em The Handmaid’s Tale

por Hilda Lopes Pontes*

 

Dede o dia 25 de abril, o canal streaming Hulu exibe a segunda temporada do seriado The Handmaid’s Tale. Com uma ambientação estilística muito específica – como cores e enquadramento -, a produção utiliza alguns elementos técnicos para criar um clima de tensão e medo. Pensando nisso, o Série a Sério abre sua coluna especial “Terror em Série” analisando os elementos do gênero em Handmaid’s.

O tom observando aqui já pode ser sentindo em seus primeiros minutos de projeção, no qual há um mundo distópico, com opressões vividas pelas mulheres moradoras do território que, um dia, foram os Estados Unidos. O universo baseado no romance homônimo da escritora Margaret Atwood, ganha tons de horror e uma ambientação que torna sua narrativa verossimilhante e bem embasada.

 

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Em seus primeiros enquadramentos, vê-se a protagonista June (Elisabeth Moss) fugindo com sua filha. Os planos são fechados, revelando pouco do entorno. Não se sabe ao certo quem está perseguindo sua família. Se estabelece ali um jogo entre a música e os planos, dando um ritmo acelerado para a cena. Entre acordes mais agudos, indicado perigo e uma cena repleta de cortes, nota-se um ambiente inóspito, deixando claro para o espectador que não havia saída para June.

É possível observar ao longo do piloto e de toda a série uma amplitude restrita do cenário. Ainda que existam planos mais amplos,  há poucas cenas que mostrem paisagens mais abertas.  Os enquadramentos são mais laterais e frontais, sempre retos e quase nunca se vê o céu desse novo país totalitário. Essa escolha da direção e da fotografia elucidam ainda mais essa clausura, essa prisão que as mulheres vivem.

 

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A série também traz cores fortes, vibrantes, como vermelho e azul, porém sem utilizar a saturação. Assim, os tons que poderiam passar leveza e até alegria, imprimem uma sensação de melancolia e reforçam a impressão de movimento retrógrado feito pelos radicais, trazendo em seus figurinos cortes e adereços que possuem cores para cada função das mulheres. As aias, vestem vermelho, que remete ao parto e são mais fáceis de ver ao longe, caso as mesmas fujam. As esposas, senhoras da casa, usam azul, remetendo à pureza e soberania e o verde e o marrom, também presente nas mulheres não férteis e nas mulheres mais velhas, trazem a esterilidade.

As casas também, umas do lado da outra, revestidas por muros e pedras e cores sombrias, formam uma possível sensação de que as mulheres vivem em gélidas masmorras, transfiguradas de lares. De maneira hiperbólica, os medos das mulheres são todos explorados, mostrando uma sociedade distópica, mas que, de certa forma pode traduzir a sociedade contemporânea. E a ambientação de terror vem pelos planos, pela música, pela geografia das cenas e escolhas de enquadramentos, já citados, mas também pela narrativa que não dá alívio para o espectador. A primeira temporada traz conflitos que vão progredindo lentamente, mas que são constantes.

 

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The Handmaid’s Tale tem uma trama concisa e sabe como jogar com a expectativa do espectador, traçando estratégias visuais e de narrativa que amedrontam, mas atraem quem assiste. É como o vermelho das roupas das aias, que, mesmo representando o perigo e o aprisionamento em que as mesmas vivem, as deixa chamando atenção, belas sem poder se esconder ou fugir de suas vidas sufocantes.

 

*Hilda Lopes Pontes é cineasta e crítica cinematográfica. Formada em Direção Teatral e Mestre em Artes Cênicas, pela Universidade Federal da Bahia, hoje, ela é sócia-fundadora da Olho de Vidro Produções, empresa baiana de audiovisual.

Top 5 – Melhores Sitcoms dos Estados Unidos

por Enoe Lopes Pontes

Sabe aquele dia melancólico ou muito cansativo? Ele pode ser rebatido com uma boa comédia! Ligar a TV ou afins, se jogar na cama, e curtir uma narrativa leve e engraçada, acabam salvando os dias difíceis ou apenas rendendo boas risadas para o espectador. Dentro da gama de séries cômicas existem as sitcoms*. Sim, aqueles seriados conhecidos por quase sempre terem uma risadinha no fundo – as chamadas claques. Mas, não é apenas isto que as definem.

As comédias de situação possuem aproximadamente 20 minutos, poucas personagens e cenários. As histórias deste tipo de enredo não pedem continuidade, mas alguns têm em quantidades variadas, a depender da escolha da equipe de criação. Ela pode existir de forma mais leve ou mais intensa. Algumas produções complexificam essa lógica, como é o caso de How I Met Your Mother, que exige um pouco mais do público, com avanços e retornos temporais, entre outras estratégias.

Sejam as mais tradicionais ou mais contemporâneas, as comédias de situação são uma ótima pedida! Pensando na alegria que uma sitcom bem realizada pode trazer, o Série a Sério lista agora um top 5 com as melhores opções para você!! Lembrando que o especial foi escolhido por nossos seguidores no instagram! Então, corre lá, fica ligado em todas as enquetes e vota!

CONFIRAM A LISTA AGORA!!

 

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5- I Love Lucy (1951-1957): Conhecida como a primeira sitcom da TV, a série trouxe consigo muitos dos elementos característicos do que conhecemos do estilo, como: uma duração de aproximadamente vinte minutos, as claques – sim, aquela risadinha e a palminha no fundo –, a quantidade restrita de cenários, figurinos e elenco, entre outras coisas. Inspirada no programa de rádio My Favorite Husband, o seriado era transmitido pelo canal CBS e mostrava o cotidiano do casal Lucy (Lucille Ball) e Ricky (Desi Arnaz). A dupla, também marido e esposa na vida real, dominaram a audiência por dois anos e ficaram entre os primeiros colocados no restante de período de exibição. Além disso, foram agraciados com quatro vitórias no Emmy Awards. Todos os louros de I Love Lucy fazem mais sentido quando o espectador tem contato com a produção. A dinâmica entre Ball e Arnaz é única! Os dois possuem um timing cômico afiado, provocando gargalhadas consecutivas no público. Este também é um mérito do texto ágil e certeiro. Pois, apesar das histórias de cada episódio serem simples – ainda mais se olhamos para elas em 2018 -, estas eram amarradas e sem  pontas soltas, criando toda a confusão necessária para criar o riso, mas sabendo como encerrar a peripécia ao final de cada transmissão.

 

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4 – Modern Family (2009-): Com uma base simples e tradicional de sitcoms dos Estados Unidos, a série inova e traz novos elementos para o gênero. Abordando o cotidiano familiar do patriarca Jay Pritchett, a história é contada com elementos do documentário, o que é chamado de “mocumentário” – do inglês to mock, em português “zoar”, que seria uma produção documental de “mentirinha”, uma brincadeira com o gênero. Além do estilo pouco utilizado em narrativas seriadas televisivas, a história traz uma família menos convencional ou, como já diz o título, mais moderna, podendo aproximar mais o espectador de sua realidade, mostrando as múltiplas possibilidades de amores e afetos. Jay tem filhos e netos biológicos do primeiro casamento e adotivos do segundo matrimônio, além dos genros, claro. Mas, o ponto alto de Modern é o roteiro que inicia com peripécias individuais, dividas em nos três núcleos principais, que vão se encontrando durante o episódio, até que o problema seja resolvido. A maneira como as confusões acontecem também valem a pena! A sagacidade da personagem Claire (Julie Bowen) em contraponto com as tolices de seu marido, Phil (Ty Burrel) deixam as cenas ainda mais engraçadas. Para arrematar, as relações entre as personagens são bens construídas. Entre rusgas e carinhos habituais entre parentes, o relacionamento entre cada membro dos Pritchett/Dunphy/Tcuher é desenvolvida ao decorrer da história. Modern Family está em sua nona temporada e já recebeu dezenove Emmy Awards e um Globo de Ouro. Esta também é uma razão para escolhê-la em uma boa maratona de final de semana.

 

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3 – How I Met Your Mother (2005-2014): Cinco amigos se divertem em um bar, ao som da narração do protagonista que conta como conheceu a mãe de seus filhos! Esta é a premissa da série How I Met Your Mother. Criada por Carter Bays e Craig Thomas (American Dad), a história do seriado parece simples, mas foram nove anos de muitas relações, conflitos e idas e vindas dentro da história. Não à toa,  o desfecho dela foi super polêmico para o fandom. Contudo, o mais interessante aqui é não é seu final e sim o caminho dela. Antes de mais nada, durante o texto foi dito que a uma das características mais comuns de sitcoms é a pouca continuidade entre um episódio e outro. HIMYM subverte isto e tem uma trama contada com mais prosseguimento que o padrão e com mistura de temporalidades. Como assim? Então, Ted Mosby (Josh Radnor) é um arquiteto, que mora em Nova Iorque e divide o apartamento com um casal de amigos. Além disso, tem uma crush e um amigo sem noção que sempre estão com ele. Para que o espectador descubra suas aventuras até chegar a “Mother”, a história vai e volta. Apesar de seguir uma cronologia majoritariamente fixa, os autores da produção vão deixando pistas do futuro e do passado que vão incrementando a narrativa. A questão das dicas, das fases da vida de Mosby e de seus amigos, é o ponto alto de HIMYM. Obviamente que para estar no terceiro lugar desta lista ela possui outras qualidades como: uma boa dinâmica do elenco – olhares trocados, gestos marcantes de cada personagem, a utilização dos objetos de cena -, as piadas vindas das mancadas de Ted, os cenários que casam com a personalidade das personagens, estes são alguns dos elementos que fazem as temporadas valerem muito!

 

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2 – Seinfeld (1989-1998): Uma série sobre “o nada”! Era assim que Seinfeld se intitulava nos final da década de 1980 e início de 1990. O protagonista, que dá o nome ao seriado, trabalha com stand-up comedy e vive situações loucas dentro de um cotidiano aparentemente comum. Mas, é justamente do que parece ser “normal” e corriqueiro que surgem as suas tiradas mais cômicas. Esperar na fila, fumar um charuto, passar o dia na praia, são inúmeras as situações tranquilas que os quatro amigos conseguem transformar em catastróficas. Ah! Outro detalhe bacana é que conforme a história vai avançando  e alguns easter eggs vão acontecendo. Detalhes sobre outras temporadas refletem nas posteriores! Lembrar da carteira que o pai de Jerry Seinfeld não conseguia encontrar é uma delas, por exemplo. O texto e o elenco principal se equilibram em qualidade, o que aumenta a graça para o público que vê as personagens se enrolando cada vez mais nas situações em que se enfiam. Além de toda a sua qualidade, a produção inspirou muitas outras sitcoms que viriam posteriormente!

 

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1 – Friends (1994-2004): Claro! Em uma lista de melhores sitcoms, comédias ou séries, Friends é um seriado que precisa aparecer. Com dez temporadas no currículo, o seriado contava a história de seis amigos que moravam em Nova Iorque e passavam por questões que envolviam trabalho, amores e amizade. A premissa, assim como nos casos anteriores, é simples. Contudo, a produção conseguiu que o público criasse um laço afetivo com a trama, o que gerou todo o grande sucesso que ela recebeu . O seu maior destaque era saber equilibrar com destreza as personalidades das personagens, que se completavam quando estavam juntas. Além disso, as temporadas mesclavam os conflitos e conquistas dos amigos, criando empatia pelas seis figuras em cena. Para completar, o seu teor cômico vai crescendo durante os episódios. Os autores – Marta Kauffman e David Crane – vão inserido novas gags e, ao mesmo tempo, utilizam aquelas já conhecidas pelo espectador, deixando camadas de comicidade dentro das piadas. Outro elemento é a utilização do espaço. Apesar de ter poucos cenários – traço comum em sitcoms – ações dentro do apartamento de Mônica (Courtney Cox) e de Joey (Matt le Blanc) dialogam entre sim e compõe com o que foi ou será debatido na cafeteria frequentada pelos jovens, o Central Perk. Os locais também possuem uma direção de arte singela, porém cuidadosa. Inclusive, muitos objetos de cena se transformaram em clássicos.

 

*Sitcom: Comédia de Situação

CRÍTICA 13 REASONS WHY

por Enoe Lopes Pontes

Nesta sexta-feira, 18, a Netflix disponibilizou a segunda temporada de 13 Reasons Why. Produzido pela atriz e cantora Selena Gomez (Os Feiticeiros de Waverly Place), o seriado voltou mesmo após deixar uma sensação de que o final do seu primeiro ano se bastava e dava certo encerramento para a história. O anúncio de uma continuação deixou dúvidas como: será que o retorno precisava existir? Qual seria o novo plot? A narrativa conseguiria manter o seu estilo e estrutura? Eles teriam fôlego para manter o enredo vivo e interessante até o final?

Com o lançamento da parte dois de 13 Reasons, as respostas  vieram com um feedback cheio de “Sims” e de “Nãos”. Primeiro, é preciso reconhecer que os roteiristas conseguiram trazer um bom motivo para a season 2: Olivia (Kate Walsh), mãe da Hannah Baker, decide processar a escola por não ter protegido sua filha corretamente, impedindo a decisão da jovem de encerrar a própria vida. Com o caso em julgamentos, muitos estudantes precisam depor e reviver tudo o que aconteceu no período crítico que trouxe a morte de Hannah.

Até aí tudo bem. A premissa faz sentido pensando-se no desfecho da temporada anterior. Contudo, o desenvolvimento da narrativa possui altos e baixos, típicos de muitas séries da Netflix que parecem mais que querem esticar a história para preencher a quantidade necessária de episódios do que, de fato, expôr acontecimentos relevantes para a trama. Talvez 13RW se fosse uma minissérie, com sete ou oito episódios, funcionasse mais e isto trouxesse uma dinâmica maior para o script. Isto porque os autores da produção preencheram muitos vazios com conversas do Clay (Dylan Minnette) com a Hannah (Katherine Langford) que não são fundamentais para movimentar a narrativa; ou, por exemplo, quando trata do relacionamento do garoto com uma nova namorada que, inclusive, é bem explorado até certa parte do enredo, mas é abandonado quando outros conflitos tornam-se mais importantes para a trama.

A sensação que o público pode ter é o da existência de um conflito principal bem desenvolvido – com detalhes sendo revelados aos poucos, estabelecendo a tensão necessária para a série e aumentando a complexidade das personagens e de suas relações – mas, com conflitos externos ao plot principal cheios de pontas soltas, que enfraquecem o poder da narrativa. O que vale destacar de positivo, no entanto, é o crescimento do desenvolvimento da personalidade das personagens e das relações que elas estabeleciam com Hannah. Comparando este ano com o anterior, os treze porquês ficam ainda mais compreensíveis! Além disso, alguns dos mistérios que envolvem o relacionamento dela com os colegas, professores e a família são revelados a cada episódio, mostrando que Baker vivenciou muitos momentos importantes e profundos com as pessoas que aparecem nas fitas e fora delas, dando mais sentido a relevância deste indivíduos no cotidiano da adolescente.

A forma como eles passam o bastão da história de Hanna para a próxima também é  realizada de uma forma bacana, porque a personagem vai crescendo dentro da trama aos poucos. As suas fragilidades, medos e sofrimentos vão sendo mostrados gradativamente, junto com a maneira como os adultos “ajudam” esta pessoa, até que ela chega no seu limite e não suporta mais tanto pesar. Bom, mas sem spoilers, não é verdade.

Se o leitor deste texto procurou ele para encontrar uma resposta para a pergunta: “devo ver a segunda temporada de 13 Reasons Why?”, o Série a Sério deixa dois conselhos: 1. Você está bem psicologicamente para ver os conteúdos exibidos em seriado que fala sobre bullying, suicídio, violência contra a mulher e ingestão pesada de álcool e drogas? Se sim, tudo bem, prossiga para a próxima questão! 2. Você curte muito 13RW e deseja saber quais os rumos que trama tomou e pode vir a seguir no futuro? Se sim, então vale a pena ver! Se não, se você só acha o seriado ok, corre para ver The Handmaid’s Tale, Gilmore Girls ou qualquer outra produção destas mais firmes, que estejam passando na TV convencional ou streaming.

 

TOP 5 – SÉRIES GIRL POWER

por Enoe Lopes Pontes

Representatividade! Ligar a TV, acessar o tablet, abrir o computador e se ver na tela é uma das melhores sensações que a recepção pode ter. Apesar de Hollywood ser uma terra dominada por homens – sobretudo brancos -, as produções têm apresentado uma maior quantidade de personagens de gêneros, etnias e sexualidades distintas. Obviamente, a igualdade não foi alcançada, ela ainda está muito longe. Contudo, vale celebrar e assistir aos seriados que trazem diversidade na equipe e em seus textos.

Pensando nisso, o Série a Sério traz agora uma lista com cinco séries mais Girl Power da televisão estadunidense. No top 5, foram consideradas a popularidade, o grau de representação na tela e o discurso das produções. Lembrando que o tema foi escolhido pelos leitores em nosso instagram! Confiram!

 

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5. Desperate Housewives (2004-2012): Exibida pelo canal ABC e criada por Marc Cherry (Devious Maids), a série é uma dramédia de mistério, na qual quatro donas de casa perdem uma grande amiga que se suicidou. Juntas, elas descobrem que existem motivos obscuros para a morte da tão querida amiga e passam a investigar os segredos que levam Mary Alice a tirar a própria vida. Além da qualidade técnica do seriado, que sabe dosar em cada episódio os momentos cômicos e trágicos, ter uma boa dinâmica no elenco e uma trilha que casa com a ironia que a produção busca passar, Desperate é puro girl power. Em 2004, o público teve contato com quatro mulheres fortes e donas de si que, apesar de em sua primeira camada, demonstrarem ser esterótipos femininos estabelecidos no imaginário da sociedade: a esposa perfeita e cuidadosa (Bree), a divorciada atrapalhada (Susan), a mãezona estressada, cheia de filhos travessos (Lynette) e a fútil (Gabrielle); eram muito mais do que isso. Durante as oito temporadas de Desperate Housewives estes arquétipos vão caído por terra e as moças vão demonstrando camadas profundas em suas personalidades, as dificuldades enfrentadas por serem mulheres, os dribles no machismo e a força guardada em cada uma.

 

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4. How to Get Away with Murder (2014-): Viola Davis é protagonista deste drama criminal, também exibido pela ABC. Davis interpreta a professora Annalise Keating, uma célebre advogada que precisa de cinco estagiários para trabalhar com ela em seu escritório. Obviamente, ela e os alunos escolhidos envolvem-se em crimes e situações tensas que vão se complicando cada vez mais a medida que a narrativa avança. O girl power está presente na produção tanto em Keating quanto nas figuras femininas coadjuvantes. São as mulheres que descobrem ou planejam as ciladas primeiro, que sabem se expressar melhor e movimentam a trama com mais complexidade e desenvolvimento. HTGAWM é um produto da Shondaland – empresa de Shonda Rhimes, criadora de Scandal e Grey’s Anatomy – e traz consigo uma qualidade presente nas obras da produtora: a diversidade étnica e a visibilidade gay. No caso de How to Get Away, a bissexualidade também está em voga, algo mais raro e muitas vezes tratado de maneira equivocada, como um fetiche ou uma confusão.

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3. Buffy – A Caça Vampiros (1996-2003): Poucas produções possuem um grau tão alto de girl power como esta série. A começar pela protagonista, Buffy Summer (Sarah Michelle-Gellar), uma jovem caçadora de criaturas sobrenaturais. A forma como a personagem é independente, firme e corajosa é uma inspiração. Construída paulatinamente com camadas de complexidades adicionadas a cada ano, sua postura de heroína só cresce dentro da história, chegando no ápice na sétima temporada, quando Summers já é uma mulher totalmente consciente e dona de suas ações. Outro destaque é Willow Rosenberg (Alyson Hannigan), que começa como uma menina ingênua e nerd, a jovem torna-se muito poderosa e determinada. Além disso, Willow é uma das primeiras personagens lésbicas assumidas da telvisão estadunidense e toda a sua trajetória até namorar uma mulher acontece com muita naturalidade e faz sentido dentro da trama. Por fim, é bacana falar sobre a presença de Joyce Summers (Kristine Sutherland), mãe de Buffy. Apesar de trazer um pouco do ideal de espírito maternal, aqui Joss Wheadon – showrunner* de Buffy – criou uma persona mais complexa. Joyce cria a filha sozinha e busca o melhor para ela, mas também tem vida própria e uma personalidade forte. Vejam bem, a produção começou em 1996, quando se era muito comum colocar senhoras rabugentas ou passivas nos enredos. Aqui não! Há fibra, garra e até participação direta em conflitos com mais ação. Na trama ainda existem coadjuvantes fortíssimas como Anya (Emma Caulfield) e Cordelia Chase (Charisma Carpenter). Por estes motivos e por ser muito divertida, Buffy – A Caça Vampiros vale muito a pena ser conferida.

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2. The Handmaid’s Tale (2017-): Fotografia, roteiro e atuações; a qualidade dos elementos técnicos da série já é um chamariz para o espectador. Contudo, a discussão que a produção provoca é ainda mais relevante. Baseado na obra homônima de Margaret Atwood, o enredo traz um mundo distópico no qual as mulheres são brutalmente escravizadas, violentadas e assassinadas. Nada é tão diferente do que a sociedade da vida real vive. O que a história faz é colocar uma lente de aumento nos maus tratos, no machismo, na homofobia e no radicalismo para que o público fique tão tocado e provocado que possa conseguir alcançar algumas reflexões, tais quais: qual o lugar que as mulheres ocupam de fato na sociedade? Quantas repressões elas vivem em seus cotidianos? O que lhes é tirado todos os dias? O que está acontecendo com cada uma delas neste momento? O discurso é potente e as ferramentas para contar as trajetórias destas figuras são muito boas. A segunda temporada já começou a ser disponibilizada pelo canal streaming Hulu. Corre!

 

Resultado de imagem para orange is the new black1. Orange is the New Black (2013-): Observando a quantidade de diversidade presente em Orange, já é possível compreender a razão dela ocupar a primeiríssima colocação da lista. O seriado, porém, vai além disto: há qualidade em sua representações. Inicialmente, o espectador é apresentado ao cotidiano de Piper Chapman (Taylor Schilling), uma menina branca de classe média dos Estados Unidos, que é sentenciada a quinze meses de prisão por envolvimento com tráfico de drogas. A sacada da produção de começar com uma jovem que se encaixa mais no padrão dos EUA e ir introduzindo os conflitos de mulheres de outras etnias e classes sociais, atrai o público diverso e segura o mais conservador. No final das contas, olhando para as cinco temporadas de OITNB, é possível encontrar também a sensibilidade para retratar estas figuras femininas encarceradas, seus conflitos, seus sentimentos, suas vidas dentro e fora da cadeia. Se você ainda não viu Orange, corre lá para ver!

 

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Outros títulos girl powers que valem ser conferidos: I Love Lucy, A Feiticeira, Jeannie é um Gênio, As Panteras, Charmed, Sex and the City, Gilmore Girls, Cold Case, The New Adventures of Old Christine, The Closer, Ghost Whisperer, Weeds, Grey’s Anatomy, The Comeback, Being Erica, Drop Dead Diva, The Good Wife, Body of Proof, Rizzoli & Isles, Revenge, 2 Broke Girls, Lost Girl, Veep, Faking it, The Fosters, Scandal, Supergirl, The Fall, Unbreakable Kimmy Schmidt, Jessica Jones, Crazy Ex-girlfriend, Big Little Lies, The Bold Type.

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