Terror em Série: American Horror Story e o mistério da Suprema

 

A nova temporada de American Horror Story está em seu sétimo episódio e, até então, retornamos a ver as histórias  que os fãs tanto esperavam, trazendo de volta personagens emblemáticas da primeira, da terceira e, até, da quinta temporada.

Deixamos um pouco de lado o futuro distópico, arruinado, até onde podemos saber e entender, pelo filho do mal, Michael Langdon. A temporada, nesse momento, se foca em mostrar como foi que chegou-se ao ponto de destruição total e como Langdon conseguiu ascender e chegar ao poder, sendo um Supremo, fato bem incomum, já que as mulheres herdam a supremacia, já que são herdeiras das bruxas de Salém.

 

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Aproveitando o lançamento de Apocalypse, sétimo ano da produção, aproveitamos para trazer um comentário de cada temporada por mês, até chegarmos a oitava. Murder House e Asylum já foram comentadas e você pode conferir os textos aqui e aqui. Desta vez, relembraremos um pouco de Coven e suas personagens. A história mostrava duas épocas distintas.  No presente, as bruxas descendentes de Salém, buscam proteção e auxílio para o controle de seus poderes, além da fuga da extinção e, encontram como refúgio, a Academia para Excepcionais Jovens Garotas da Madame Robichaux. A espécie de escola é comandada por Fiona Goode, mãe de Cordelia Foxx. Goode, interpretada por Jessica Lange, está no fim da linha como Suprema e perdendo seus poderes, enfraquecendo. Por isso, precisa encontrar sua sucessora e começa a treinar aprendizes.

No passado, personagens do período da escravidão, que realmente existiram em Nova Orleans, entram em conflito. A série une a socialite e assassina em série Delphine Lalaurie, que torturava seus escravos e a Rainha do Vodu, Marie Laveau. A última consegue vingança contra Lalaurie, mas, quando Goode busca a vida eterna, ela liberta Lalaurie e quebra o pacto de trégua entre as bruxas e as praticantes do vodu.

 

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O estilo de cada época é bem demarcado pela fotografia, pela arte e, claro, pelos figurinos. Se no passado os tons de vermelho e marrom fortes realçavam ambientes duais entre a riqueza e o horror do sangue e da violência, no presente, tons azulados e leves, demarcam uma era de perversidades veladas, onde a crueldade e atos inumanos são realizados com um sorriso no rosto.

Os assassinatos do século XIX possuem uma atmosfera mais sombria, trazendo uma iluminação que busca um naturalismo e que estabelece um ambiente pouco aconchegante. A direção de arte capricha na quantidade elementos cênicos, deixando sempre as locações preenchidas, colocando os corpos dos torturados como parte do cenário, muitas vezes, pendurados. Isto evidencia como a Lalaurie via seus escravos, como animais ou objetos insignificantes. Se existe algo de positivo em todas as temporadas da série é como a mesma consegue unir sua estética bem delineada, com seu discurso. A equipe consegue se apropriar ao máximo da meta de que tudo que aparece em cena deve ter um sentido.

 

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A Academia de bruxas possui poucos móveis e traz numa casa rodeada por um jardim iluminado, corredores e salas enormes e vazias, destacando a solidão que existe ali, mostrando que aquele lugar foi projetado um dia para morarem muitas mulheres, evidenciando assim, que as bruxas estão desaparecendo. O seriado tem uma de suas temporadas mais leves, com uma forte dose de humor, trazendo personagens bem construídas e com características bem delineadas. Cada uma das bruxas possui seus talentos, defeitos e dúvidas, fazendo com que seja difícil identificar a nova Suprema. Mesmo com atrizes novas na série até então, o elenco não deixa de ter sintonia e traz momentos potentes como a morte de Fiona ou quando Myrtle é queimada na fogueira.

É também uma temporada que celebra a força das mulheres, o girl power, sem etiquetar cada uma delas em clichês óbvios da feminilidade. A mãe pode amar sua filha e, ainda assim, se importar mais consigo mesma do que com qualquer outro, a atriz de Hollywood fútil, pode ser forte e inteligente e dentro de cada mulher existe muito mais companheirismo pela outro do que pode-se imaginar. Somos todas um pouco bruxas e, juntas, somos bem mais fortes. Coven talvez tenha uma dose alta de reviravoltas, trazendo um tom folhetinesco exagerado e deixa certa inconstância na qualidade de seus episódios. Mas, não perde seu charme e tem personagens e frases icônicas que trouxeram muitos fãs para American Horror Story.

 

 

*Hilda Lopes Pontes é cineasta e crítica cinematográfica. Formada em Direção Teatral e Mestre em Artes Cênicas, pela Universidade Federal da Bahia, hoje, ela é sócia-fundadora da Olho de Vidro Produções, empresa baiana de audiovisual.

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