Terror em Série: American Horror Story: Hotel

Dando continuidade ao nosso especial sobre American Horror Story, chegamos na quinta, e menos interessante, temporada. Hotel tinha tudo para ser fabulosa: a dualidade de um ambiente que envolve glamour e o grotesco, personagens potentes e paradoxais e, claro, a presença de Lady Gaga, para dar um toque a mais. O enredo começa bem, apresentando um antigo hotel que parece suntuoso, com uma atmosfera vintage, mas que guarda segredos fantasmagóricos. As primeiras hóspedes que vemos já são atacadas nos primeiros minutos de tela, usando uma técnica narrativa vista no horror de estabelecer para o espectador o que pode-se esperar pela frente. Existe um tom de promessa, de que, de certa forma, os episódios terão uma carga horrífica menos sutil.

 

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E é na falta de sutileza que Hotel se perde. O que se aparenta é uma necessidade grande de assustar o público, por isso, os jump scares* e monstros e fantasmas aparecem com muita força nessa temporada, deixando um pouco de lado o que havia de mais forte na série que era elucidar o que existe de mais estranho nas personalidades das pessoas em cena. Com exceção de James Patrick March, personagem do sempre inspirado, Evan Peters, vemos somente cenas isoladamente bem feitas, que trazem momentos de medo e curiosidade, mas que, unidas, formam uma colcha de retalhos mal desenvolvida, deixando a narrativa da série perdida.

A história se foca no John Lowe, detetive que é convidado ao hotel e começa a sonhar com seu filho desaparecido. Mas, Lowe vai perdendo seu destaque e sua força para outras personagens mais bem construídas. Sua única importância termina sendo com a Condessa, interpretada por Lady Gaga, mas, ainda assim, a trama das crianças roubadas por ela é mal resolvida e sua resolução é executada de maneira apressada.

 

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O que pode não deixar a temporada mergulhada num tédio para o espectador é seu visual sombrio, que combina uma direção de arte acertada, que sabe unir uma estética vintage com um tom de moderno do que se é considerado bizarro, destacando a intenção de mostrar um lugar atraente e assustador ao mesmo tempo. E também algumas aparições de outras temporadas, como Queenie e Billie Jean. Os ganchos terminam sendo o que mais prende o espectador de certa forma.

O episódio da noite em que os mortos podem andar entre os vivos é, sem dúvida, o mais forte da temporada. Liliy Rabe, que interpreta Aileen Wuornos, e Evan Peters trazem a complexidade na criação de personagens que despertam empatia e são, ao mesmo tempo, o resumo da maldade, trazendo o que há de mais forte em American Horror Story, o estudo da personalidade humana, a multiplicidade de olhar sobre o que se considera vil e o olhar de quem encara a crueldade e o sadismo como elemento de seus cotidianos.

Apesar de ser a mais fraca das temporadas, Hotel tem seus momentos e não perde sua qualidade estética. Infelizmente, os episódios constroem um universo frágil e personagens mal desenvolvidas, deixando somente alguns momentos de riqueza narrativa.

 

*jump scare: mudança repentina de imagem ou situação, criado para dar sustos imediatos na plateia.

 

 

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