Categoria: Crítica

Crítica Van Helsing: 3ª temporada peca por falta de fôlego e criatividade

 

Por Enoe Lopes Pontes

Produzida pelo canal SyFy, Van Helsing chega em seu terceiro ano! Passando a sensação de que poderia ter sido mais pontual e enxugado as barrigas, cortando micro conflitos e indo direto para as questões referentes ao plot original, ela chegou naquele momento em que todas as situações pré-conflito grande anunciado já aconteceram. Sabe questões como o mistério da ilha, em Lost; a batalha final de Once Upon a Time ou o end game de Ross e Rachel, de Friends? Então, os problemas menores vividos pela protagonista, Vanessa Helsing (Kelly Overton) chegaram ao seu limite, porque não interferem no resultado final do seriado como todo e adia o desenvolvimento principal da season, deixando as resoluções e ganchos um tanto corridos. Principalmente no que se refere ao dilema moral de Helsing.

O público já viu que os limites entre o bem e o mal que vivem nela estão numa linha tênue, dando uma visão não maniqueísta das suas vivências e esta estratégia era mais eficaz para que o objetivo central dos criadores não ficasse perdido. É um mundo distópico, pós-apocalíptico e uma mãe – que também tem poderes – acorda sem sua filha! Já está dada a situação e quem é esta mulher. A ressignificação deste quadro vem somente para postergar o gancho da finale.

 

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Ao lado desta questão está o fato de que as tramas dos coadjuvantes passam a parecer mais interessantes. Contudo, como a história original se perdeu e agora o espectador tem contato com múltiplas peripécias, nenhum encaminhamento é mostrado em sua totalidade. Assim, pode ficar uma sensação de incerteza sobre o que os roteiristas queriam com o terceiro ano da produção. Se a premissa era a jornada de Vanessa para reencontrar sua filha, depois (SPOILER ALERT!!!) que a garota morreu em seus braços, os rumos do enredo foram ficando nesta neblina, com uma indecisão da importância da personagem principal.

O que acaba acontecendo é que a figura da irmã de Vanessa, Scarlett Harker (Missy Peregrym), se sobressai e consegue captar mais a atenção com a sua história. Tanto no quesito narrativo, quanto de atuação, é ela que parece o elemento mais seguro aqui. Peregrym imprime um tanto de complexidade em Scarlett, sabendo dosar a carga entre as cenas pesadas e os alívios cômicos apenas com olhares e velocidade de texto.  O que é um contraponto com Overton que é menos expressiva facialmente. Apesar desta característica ajudar em alguns momentos a manter o tom de mistério de Van Helsing, no geral, a falta de força da atriz joga o brilho para sua colega de cena.

 

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Por fim, um ponto que talvez seja o mais preocupante seja o fato de um produto de terror ter uma ausência de construção de tensão bem realizada. Além da obviedade dos acontecimentos, o número de tipos de criatura cresce, mas não foram pensadas características para torna-las assustadoras. Uma repetição de caretas para câmera, em uma quantidade de tempo constrangedora, não convence. Primeiramente, a atuação não soa orgânica. A tendência é acreditar que eles possuem uma ideia do que é um “Monstro” e passaram a rosnar e arregalar os olhos. A essência e motivações vistas em momentos anteriores da série desapareceram. Até mesmo Sam (Christopher Heyerdahl), o vampiro mais assustador deste universo, fica entediante, porque suas ações acontecem de forma dilatada de uma forma que o ritmo se perde.

Renovada para uma quarta temporada, fica a esperança que ela volte para a sua forma anterior, cheia de ritmo, relações que criam empatia e medo!!

 

Crítica: Nem terrível e nem incrível, “Boneca Russa” é um bom passatempo

 

por Enoe Lopes Pontes

Parece que tem sido cada vez mais difícil de se encontrar uma série que seja equilibrada, na qual início, meio e fim possuam justeza, ritmo e costura. Boneca Russa se encaixa, de certa forma, nesta categoria. Seu piloto não entrega de cara a complexidade que a produção trará em seu desenvolvimento e seu desfecho não faz jus ao material que é exibido durante sua primeira temporada. Parece que todo o esforço criativo ficou para o seu recheio.

Narrando a trajetória de Nadia (Natasha Lyonne), a narrativa mostra como a moça morre e acorda repetidamente, em seu aniversário, numa espécie de rotina como a mostrada no filme Feitiço do Tempo (1993). Neste clima, pode ficar no ar, no primeiro episódio, uma sensação de que a história é boba e clichê demais. Isto porque, além do plot já ter sido visto no longa citado e em diversos outros, as personagens parecem um tanto planas e de caracterização fraca. A razão desta afirmação vem de que elas soam como grandes estereótipos, como: a amiga chapada (Maxine), a namorada certinha e cdf que comente erros, pois está entediada (Beatrice), a figura materna em forma de psicóloga (Ruth).

 

 

Contudo, estes tipos que cercam a vida da protagonista vão se tornando menores diante dos conflitos interiores e passados que a atormentam, juntamente com o mistério que sua vida se tornou. E é a partir daí que o enredo passa a ser mais bem trabalhado. O tom que Lyonne dá se encaixa com o peso dos acontecimentos da vida de Nadia, seu corpo vai perdendo as marcas e trejeitos já encontrados em outros papéis dela, como a Nick, de Orange is the New Black e sua Nadia vai ganhando contornos específicos dela, como o jeito de olhar mais fixo ou a postura. O roteiro passa a ter, suavemente, progressão. Aumentando as tensões, através de pistas que começam a aparecer de uma nova relação que vai sendo construída.

Neste contexto, as músicas e as luzes que estão sendo utilizadas passam a dar o clima das cenas, como cores mais azuladas em zonas de conforto ou quando respostas para certos conflitos vão aparecendo. As temperaturas mais próximas do magenta deflagram os medos e a morte. Os tons escolhidos em si não são uma grande novidade, mas como eles surgem na tela surpreendem, porque mudam repentinamente, assim como as certezas de Nadia e outra pessoa de dentro do problema com ela e fazem sentido para a trama (Sem Spoilers).

 

 

Por fim, é notável o cuidado da direção de arte em fazer com que elementos cênicos desapareçam lentamente e quase despercebidos, até o ápice desta necessidade, quando pessoas e coisas vão desvanecendo bruscamente. Todos estes elementos parecem estar cuidadosamente previstos no roteiro, escrito por Natasha Lyonne, Amy Poehler (Parks and Recreation) e Leslye Headland (Dormindo com Outras Pessoas). É possível enxergar a tentativa de criar uma dinâmica no texto, jogando com a velocidade dos tempos das cenas, com o ritmo dos diálogos e os progressos e percalços dos indivíduos retratados no ecrã.

No entanto, o encerramento do problema inicial é previsível e simples demais, perdendo a potencialidade do que está sendo contado. Talvez, se houvesse mais tempo para o desfecho – 50 minutos que fossem -, não seria tão abrupta a resolução, que parece tão leviana e preguiçosa quanto o início. Isto porque pode ficar parecendo para o espectador que as roteiristas sabiam o que queriam contar, mas não como começar e finalizar, porque não fica tão elaborado, não cria empatia ou sentido, é repentino. Mas, são oito episódios de 25 minutos cada. Então, vale ver, principalmente pela discussão não panfletária e de interpretação carregada sobre doenças mentais e vícios.

 

Críticas: Previsível e sem costura “You” é entediante do início ao fim

Paira no ar uma sensação de que a sociedade performa uma romantização de relações tóxicas, desde sempre. Seja na ficção ou na vida real. Essa sensibilidade para notar a linha tênue entre amor e psicopatia é um dos maiores ganhos da série You. Talvez o único. Produzida pela Lifetime e distribuída mundialmente pela Netflix, a produção conta a história de Joe (sim, Penn Badgley, o Dan Humphrey de Gossip Girl), um garoto aparentemente inteligente, educado e carinhoso que, na verdade, é um assassino frio, um homem manipulador e perigoso.

Do outro lado, tem-se a mocinha do seriado, Guinevere Beck (Elizabeth Lail, sim, a Anna de Once Upon a Time). A jovem é um retrato fiel de uma menina de comédia romântica – mão à toa, escolherem uma atriz que fez uma princesa! E é a partir deste ponto que começam os incômodos com a produção. Apesar de ficar claro que muito do como a personagem é mostrada vem da idealização que o protagonista faz da moça, em alguns momentos o estereótipo de mulher “feminina” prevalece. Quando ele diz, por exemplo, que ela está quer se mostrar e ser vista, pois gosta de ter a privacidade invadida por ter os perfis de suas redes sociais aberto ou por ter uma janela de vidro, ou quando ela é posta como uma figura sem forças e que precisa de um homem para protegê-la.

 

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Pois mesmo quando não a vemos sob o olhar de Joe, algumas dessas suposições dele são reafirmadas, como a o sentimentalismo exacerbado de Beck ou sua passividade diante de maus tratos de seus amigos. Talvez, a tentativa fosse criticar a fetichização que os homens fazem com as mulheres e a noção deturpada do que é carinho e atenção que eles têm. Mas, esse feito não é realizado. E esta inabilidade não fica somente aí.

You é a típica série contemporânea que filia o público com bons cliffhangers e tem o recheio insossos e entediante. Falta ritmo! Não há uma intercalada entre os tempos. Mais da metade de cada episódio é arrastada e somente os minutos finais são de tensão. Desta maneira, não há progressão e/ou níveis de dinâmicas, ações e/ou suspense. A maior parte do tempo, pode-se conferir os pensamentos do protagonista, que fica lambendo suas feridas, pois sempre acredita estar sendo traído pela namorada. Não que isto seja um defeito em si, poderia ser bacana, se fosse bem feito. Contudo, não é isto que acontece.

 

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Sem dúvidas, aesteo ponto alto na falta da qualidade do projeto. As narrações de Badgley são infinitas, monocórdicas, eternamente no mesmo tom. É quase como se eles quisessem fazer um clima meio Dexter (2006-2013), mas sem dar colorido ao texto ou mostrar imagens que equilibrem a temperatura da cena que que acaba ficando constantemente morna. E assim o é porque, para completar os problemas da escrita da série, os conflitos são jogados no enredo, mas eles demoram para voltarem a ser mencionados. Enquanto isso, vão surgindo subtramas que vão sendo deixadas para trás ou que somem e a aparecem de vez em quando.

 

A única coisa pior que tudo isso é saber que eles contarão com uma segunda temporada.

 

Crítica: Nem boa e nem ruim! Minissérie “Maniac” quase chega lá!

Por Enoe Lopes Pontes

Produzida pela Netflix e criada por Cary Fukunaga (It: A Coisa) e Patrick Somerville (The Leftover), Maniac é uma produção um tanto complexa de se descrever e adjetivar. A sua narrativa não possui unidade, é dispersa e cada enredo que eles criaram é mal aproveitado. Quando o público assiste ao piloto, a impressão é a de que o protagonista é Jonah Hill (Anjos da Lei) e que existirá um mistério a ser contado durante a temporada: o que Owen vê e diz é verdade ou não? Muito bem!

Em seguida, há uma quebra de expectativa – que poderia ter sido bem explorada, obviamente – e o segundo episódio é focado em Annie (Emma Stone). A partir daí, o espectador começa a pensar que irá montar o quebra-cabeça da relação de Annie com a irmã e o que isto tem a ver com Owen  dentro do enredo. Contudo, apesar do 01×02 ser bem executado, impactante, principalmente na forma de conduzir o conflito principal da personagem de Stone, ainda não é ali que a questão mais importante é posta. O que realmente o seriado vai contar é um experimento de uma empresa farmacêutica da qual os jovens interpretados por Stone e Hill irão ser cobaias. Saber que o processo e resultado disto é o que importa apenas fica claro… Bem, no final da série.

 

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O problema é que, ao invés de tentar contar com clareza o experimento e até mesmo usar as informações das personagens que são descobertas nas duas primeiras partes da trama, pequenas partículas de historinhas imaginárias são postas demasiadamente. O roteiro começa a parecer o mesmo labirinto mental que Owen e Annie estão, mas não de uma forma positiva. O tempo que é gasto com as fantasias das cabeças da dupla não têm ritmo, porque ficam estagnadas em um único tom, sem equilibrar aceleração com tensões ou calmaria, as falas são monocórdicas. Quando Maniac chega no final, a conclusão é de ela poderia se resolver em cinco episódios e ser mais impactante ou ter os dez que ele possui, mas que explorasse menos peripécias e desenvolvesse melhor o que importa: a saúde mental de Owen e o conflito de Annie com a irmã – sem spoilers!

Porém, não é possível dizer que a minissérie é ruim! A primeira coisa que chama a atenção é a experimentação de gêneros cinematográficos. Enquanto as cobaias estão desacordadas, elas vivem em mundos imaginários. Neles são mostrados romances, lutas, brigas, gangsters, dramas familiares, suspense, investigação. O tom, os figurinos, as temperaturas e as fotografias seguem bem cada estilo. O ponto alto é a história de máfia, vivida por Owen, que parece uma mistura de Os Bons Companheiros (1990, Martin Scorsese), com Baby Driver (2017, Edgar Wright). Mesmo fugindo da história principal que deveria ser contada, aqui o episódio consegue ser mais fluído graças ao ritmo imprenso nas fantasias de Owen. Inclusive, é quando a narrativa começa a voltar para o prumo e se encaminhar para um desfecho.

 

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Outro ponto positivo é a dinâmica entre Emma Stone e Jonah Hill. Os dois separadamente estão equilibrados, conseguem captar bem a essência das personagens fixas que fazem, bem como mostram outras facetas quando estão vivendo as pessoas da realidade paralela. Vozes marcantes, postura corporal, malemolência ou dureza, os atores trazem em cada persona uma figura diferente. Mas, as cenas crescem mesmo quando a dupla está junta. A vivacidade de Annie contamina a melancolia de Owen e tanto a dupla quanto os acontecimentos ao redor deles ganha equilíbrio, deixando que a energia seja apenas uma. Além, claro que a trama fica menos dispersa quando os dois se encontram.

Por fim, o clima de futurismo dos anos 1980, numa pegada Blade Runner (1982), é um plus para o seriado, que busca desconectar-se temporalmente. A ideia que se existia no século XX de máquina com sentimentos e pensamentos é colocada a todo vapor em Maniac. Inclusive, a trajetória da personagem/computador, dublada por Sally Fiel (Brothers and Sisters), é a que vai fazendo mais sentido durante as horas de exibição. Assim, a série vira um produto distraído, que pode ser consumido lentamente, sem maratonas, para não ficar entediante.

Crítica: montagem é a grande falha de Luis Miguel: A série

por Enoe Lopes Pontes

Produzida pela MGM e a Gato Grande e distribuída pela Netflix, Luis Miguel – a Série alcançou um sucesso tão grande no México, que até uma matéria sobre o entusiasmo de seu público saiu no El País. Contando a trajetória do cantor internacional que dá título para a história, a produção mescla drama familiar, com romance e uma pitada de mistério. Toda a trama se baseia nos sucessos e derrotas de Luis (Diego Boneta), através de idas e vindas em sua vida, entre sua pré-adolescência até o início de sua juventude. Com um início instigante, a lógica da narrativa não se sustenta, porque ela perde sua força quando abusa da questão temporal.

Um dos elementos que acabam faltando por conta disto é a progressão dramática. A vida do cantor parece ter sempre sido marcada pelas opressões de seu pai, o também cantor, Luisito Rey (Óscar Jaenada). Até a sua morte, em 1992, Luis Miguel precisou lidar com os ultrajes de seu progenitor que lhe causaram perdas e ganhos enormes em sua carreira e desastres em sua vida pessoal. Por isso, é possível que a dinâmica seja logo vista, mas a empatia demora a acontecer e algumas reações das personagens não parecem justificáveis, até que se avance nos episódios. A estratégia poderia funcionar, porém as emoções são jogadas aos montes, deixando o tom das cenas à cima por tempo demasiado.

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Outros fatores não tão agradáveis são a montagem e a continuidade. Talvez, esta seja a grande questão da produção. Se uma reorganização das cenas fosse realizada, em cada episódio, a progressão e conexão com a trama conseguiriam crescer. Além disso, os cortes fazem o ritmo da exibição ir caindo e a fluidez da narrativa ir se perdendo. Resta uma ideia de que tudo que está sendo mostrado na tela é redundante e monótono. Por fim, as sequências foram realizadas com tanta falta de zelo que é possível notar erros de prosseguimento tão fortes que a questão até virou piada na internet – principalmente no Twitter, claro.

Contudo, existe uma questão que tem a capacidade de instigar o público a querer continuar sua maratona! O fator motivante para terminar a temporada é o mistério em relação ao sumiço de Marcela, mãe do protagonista. Entre as derrapadas de Luis e seu pai, a grande questão que desperta curiosidade é como vão mostrar a busca da personagem principal por um reencontro com Marcela e a razão pela qual ela sumiu. Inclusive, a atriz que a interpreta, Anna Favella, consegue estabelecer uma boa dinâmica com os dois atores que interpretam o cantor em sua fase de adolescente (Izan Llunas e Luis de La Rosa). As relações de olhar e toque, devido ao medo que os dois têm de Luisito ou alguma conquista maior de Luis, são logo notadas. O gestual de Favella fica mais suave quando sua personagem está ao lado do filho, e o mesmo demonstra segurança e tranquilidade quando acontecem interações entre os dois.

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Luis Miguel: A Série consegue enlaçar o espectador até o final da temporada por possuir uma investigação curiosa, que pode ser considerada o ponto alto do seriado. Contudo, se diluísse mais as idas e vindas da trajetória de Luis e enxugasse os episódios de treze para oito, talvez conseguisse reunir os fatos mais necessários para a trama e ganhasse impulso e brilho que um cantor que despertou tantos fãs mundialmente merecia.

 

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