Categoria: Série em Pauta

Série em Pauta: O dia de Star Wars virou festa dupla em Salvador

Texto: Enoe Lopes Pontes

Fotos: Laís Prado

Numa galáxia não muito distante, Rey e Kylo-Ren se encontraram com o Darth Vader! Sabres de luzes piscaram, o Yoda apareceu com bastante frequência e vendedores comercializaram naves feitas em impressora 3D. As crianças correram vestidas com fantasias e blusas em homenagem a Luke Skywalker e Leia Organa. Os corpos foram gravados com tinta permanente, simbolizando a eternidade de suas paixões.

O lugar que deu espaço para este ambiente de fantasia foi o Portela Café, localizado no Rio Vermelho. Toda esta dinâmica aconteceu devido ao May the 4th. Inaugurado por George Lucas, criador de Star Wars (SW), o dia é exaltado pelos fãs da saga, que se reúnem para festejar a franquia. O motivo da data vem trocadilho da famosa frase “Que a força esteja com você”, em inglês: “may the force be with you”, que tem som semelhante ao 4 de maio, na língua inglesa.

Pensando na relevância da comemoração para o fandom deste universo, o Conselho Jedi Bahia organizou, pelo segundo ano, este acontecimento na cidade. Divida em duas etapas, uma pela tarde, o May the 4th Pop e outra à noite, a May the 4th Party. O objetivo foi reunir os fãs e trazer atividades lúdicas e divertidas, buscando fazer jus ao amor por SW. Paulo Metting é presidente do Conselho e assiste aos filmes desde criança. A ideia veio da vontade de propor algo que realmente marcasse o dia na lembrança dos fãs. “O pessoal da casa abraçou a ideia e foi um sucesso”.

 

EVENTO FACEBOOK may the 4th.png

 

GRAVADO NA PELE E NA MEMÓRIA

Se a ideia do Conselho era fixar fortemente o ensejo na recordação de cada amante de Star Wars, ele conseguiu este intento! Pelo menos, na figura de Amanda Magalhães, 29. A jovem publicitária foi pedida em casamento no May the 4th de 2018 e, neste ano, resolveu fazer uma tatuagem dos bastante conhecidos Stormtroopers, soldados do Vader. O detalhe especial é que ela colocou duas orelhas de bulldog na figura, pois é fascinada pelo tipo de cão e tem três cachorros da raça.

O amor gravado na pele também é vivido por Nill Ojuara, 36. Espectador assíduo da saga, ele não só possui três tattos de personagens de SW, como também é tatuador. Concentrado em sua atividade, ele foi contando suas motivações para estar trabalhando naquele sábado. “O negócio aqui nem é lucrar, lucro menos em uma dia como esse. Faço pelas amizades com o Conselho e por gostar tanto de Star Wars”.

 

Na foto 01, Amanda Magalhães, 29, faz tatuagem com Nill Ojuara, 36. Nas imagens 02 e 03, Magalhães mostra o esboço de sua tatto.

 

Esse sentimento que motiva e encanta os fãs também é passado de geração para geração. Durante o evento foi possível ver muitas crianças fantasiadas, correndo pelo espaço, colorindo desenhos e brincando com os jogos ali propostos. Olhando ao redor, a equipe notou uma garotinha vestida de Princesa Leia. A sua acompanhante, a cantora Lorena Cerqueira, explicou que é dinda da menina e que foi ela quem apresentou para a afilhada este universo.

Contudo, Lorena garante que agora a jovem Padawan* é quem é a fã número 01 da família. “Enquanto todas as coleguinhas estão com mochila da Frozen, ela vem arrastando a dela, toda preta, do Darth Vader”. As duas fazem, eventualmente, noites especial com maratona dos longas e chamam de “Noite de Star Wars”.

 

Na foto 04, a afilhada de Lorena Cerqueira, 40, veste cosplay da Princesa Leia. Na imagem 05 está um dos desenhos que o Conselho Jedi Bahia disponibilizou para as crianças pintarem.

 

REUNIÃO DO FANDOM E O CONSUMO

De acordo com a professora doutora Adri Amaral, o compartilhamento de conteúdo e reunião entre o fandom ocupa um espaço de sociabilidade e afetividade na vida deles. Para a pesquisadora, a produção ocupa uma importância forte na vida dessas pessoas, gerando um consumo intenso.

“Tem até um certo nível de competição entre os fãs por conta de quem compra mais por exemplo gerando assim uma disputa de capital social e do próprio entendimento do que é ser fã a partir das coleções etc”, explica Amaral. No entanto, ela aponta que também existe muitas práticas solidárias dentro da comunidade, para ajudar os que não possuem recursos para adquirir a imensa quantidade de produtos ligados à saga.

 

Na fot0 06, Yasmin Uchôa, dona da Mimo Cadernos. Na foto 07, um Chewbacca e uma Leia de bisciot, do Mundo Biscuit.

 

TENDÊNCIA GEEK

Ligada no mercado do mundo nerd, a empresária Yasmin Uchôa decidiu embarcar na feitura de cadernos com símbolos de produções famosas. Desde o primeiro ano da May the 4th, ela expositora fiel de seus produtos em feiras voltadas para este tipo de público, justamente por considerar um grupo que gosta de investir em materiais focados em suas paixões.

Porém, comprar não é o foco exclusivo desta comunidade. Outras características habitam esta sociedade. Um destes elementos é o costume de fazer cosplays. Trajando as vestimentas de suas personagens preferidas, eles desfilam com suas elaboradas roupas, com expressões faciais que demonstram contentamento. Membro do Conselho Jedi da Bahia, Kauana Hervan, 29, queria muito se vestir de figuras que admirava nas telas e nos quadrinhos, mas nunca teve coragem. Contudo, já tem um ano que começou a incorporar a Rey, persona dos filmes mais novos de SW, e tem gostado muito desta experiência.

 

 

* Padawan é a criança que está em fase de treinamento para ser Jedi

**Essa matéria contou com a colaboração de apuração de Laís Prado

Série em Pauta: Conselho Jedi Bahia promove festa para fãs de Star Wars

Quem já ouviu falar sobre a data comemorativa mais importante para os fãs de Star Wars (SW)? Para quem não sabe, todo dia 04 de maio é utilizado pelo fandom para celebrar a saga. A ligação entre uma coisa e outra? O som da frase em inglês. Lembra do lema da produção? May the force be with you. Acontece que quando se fala sobre o quarto do dia deste mês, em inglês, a semelhança é muito grande, por isso o nome May the 4th. Pensando nisso, o Conselho Jedi Bahia (CJBA) realiza, neste sábado, 04, comemorações voltadas para os apaixonados pela franquia SW. Entre 14h e 18h, no Portela Café, ocorre a May the 4th POP, uma feirinha com jogos, exposição, bate-papos e várias atrações para o público geral. A classificação é livre e a entrada gratuita. Já a partir das 22h, o local passa a sediar a May the 4th Party, festa com DJs, batalha de cosplays e drinks especiais. A faixa etária permitida é acima dos 18 anos e os ingressos são vendidos através da plataforma sympla: www.sympla.com/vemportela . Para maiores informações, acesse este link.

 

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Série em Pauta: Entrevista com a roteirista Amanda Aouad

Por Enoe Lopes Pontes*

Desde abril deste ano, está no ar a série baiana Tori, a detetive. Concebida por Maria Luiza Barros e Ducca Rios, a animação é exibida pelo canal ZooMoo diariamente, às 11h15 e 17h45. A produção narra o cotidiano de uma cachorrinha que adora investigar casos e desvendar mistérios, junto com seus amigos da vizinhança.

Dentro do processo de criação do desenho está a roteirista, pesquisadora, professora e crítica de cinema Amanda Aouad, que juntamente com Barros e Rios, deu vida ao universo de Tori. Tudo começou em 2015, quando Aouad foi convidada para participar do Núcleo Criativo Anima Bahia.O grupo é sócio da Origem Produtora de Conteúdo, empresa dos criadores do seriado.

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Durante a escrita dos episódios, a autora possuía contato direto com Ducca Rios. Os dois tinham em sua dinâmica o hábito de cada um fazer a metade do roteiro e depois trocarem para que pudessem contribuir um com o outro. “Escrevi parte dos roteiros. Como foi o primeiro projeto do núcleo que desenvolvemos, era só eu e Ducca, além da consultora Flávia Lins.”.

Após Tori, a detetive, Amanda Aouad continua seguindo com novos projetos. Em andamento, ela possui duas séries em fases distintas de produção. Sobre Todas as Coisas, material desenvolvido pela TV Show, já está com o texto completo e a equipe segue buscando capitalização para rodá-la. A Guardiã é um curta-metragem que será transformado em seriado, em breve, assim que os envolvidos também consigam recursos financeiros para realizar tal intento. “Essa é a vida de roteirista independente!”, brinca.

 

Em entrevista para o Série a Sério, Aouad contou com mais detalhes a sua participação em Tori, a detetive e como funciona o seu trabalho, Confira!

 

ENTREVISTA

Enoe Lopes Pontes – Amanda, me conta um pouco como foi que funcionou sua participação na série?

Amanda Aouad – Eu participei como roteirista da série. Escrevi a primeira versão de alguns roteiros e a segunda versão de outros. Foi um trabalho em conjunto com Ducca Rios.

 

ELP – Como funcionou o seu processo de criação?

AA – A série foi criada por Ducca e Luiza. Já tinha um argumento geral, pré-sinopses e o piloto, mas eu entrei no início do desenvolvimento, participei de toda a dinâmica da sala de roteiro, construindo o arco da temporada, o aprofundamento das personagens e a estrutura dos episódios.

 

ELP – Quais são suas principais etapas de trabalho no processo de escrita?

AA – A etapa inicial da ideia ou motivação do projeto varia muito. Mas, tirando isso, primeiro vem o desenvolvimento do projeto em si, o argumento, arco da temporada, aprofundamento do perfil das personagens. Em animação, temos uma vantagem em relação ao live action que é a etapa do animatic, pois podemos ver no rascunho da animação o ritmo, timing e repensar algumas questões do roteiro.

 

ELP – Em quais campos de atuação você trabalha, quando o assunto é roteiro?

AA – Faço um pouco de tudo. Escrevo, faço consultoria, ensino, estudo e analiso. Estou terminando o doutorado em Comunicação e Cultura Contemporâneas estudando a construção dramatúrgica em séries publicitárias. Eu faço parte do grupo de pesquisa A-Tevê que analisa produtos seriados televisivos e onde surgiu o projeto de extensão Estação do Drama, que visa a formação de roteiristas. Sou professora de audiovisual na Uniceusa e de roteiro no Estação, onde também fiz parte da coordenação da Usina do Drama, sendo uma das tutoras dos projetos. Faço ainda consultoria de roteiros, atualmente estou como consultora de um projeto de série que passou no último Prodav 5, já fiz consultoria para alguns curtas também, além dos projetos da Usina do Drama 2017. Sou também crítica de cinema, editora do site CinePipocaCult e colunista da Revista CineMagazine. E roteirista freelancer. Participo do Núcleo Anima Bahia que está em sua segunda etapa com outros cinco projetos, mas também desenvolvo projetos próprios e em parcerias com outros roteiristas / produtoras. Participei do Núcleo Criativo TV Show (da DPE Produções), coordenado por Doc Comparato, com uma série original de ficção live action e tenho desenvolvido diversos projetos próprios em parceria com Ari Cabral, meu sócio na Sete Produtora de Conteúdo.

 

ELP – Quais seus principais trabalhos como roteirista?

AA – Atualmente, acredito que sejam as séries desenvolvidas no Anima Bahia, por estarem em canais de destaque e com alguma repercussão. Tori, a Detetive, que motivou essa entrevista e está no canal ZooMoo, mas tem também Turma da Harmonia exibida na Disney Júnior, Fábulas de Bulccan no ZooMoo e Play Kids. Além disso tem Bill, o Touro na TVE-BA e A Guardiã, um projeto próprio, em parceria com Ari Cabral que já teve o roteiro de um longa-metragem desenvolvido a partir de um edital estadual e agora estamos terminando a produção de um curta.

 

ELP – Existe algum gênero mais desafiante de roteirizar?

AA – Todos têm seus desafios próprios. Acho que o maior desafio é sempre o formato, criar algo que tenha esse frescor de novidade, ainda que o público precise identificar algo conhecido para se conectar. Nesse ponto, projetos na linha do factual são os mais complexos porque sempre correm o risco de cair no velho formato de documentário televisivo.  Mas todo novo projeto é um novo desafio.

 

*Créditos da foto principal: Gabrielle Guido

 

https://www.youtube.com/watch?v=snXxxPTNdLM

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