Categoria: Séries Netflix

Crítica: Nem boa e nem ruim! Minissérie “Maniac” quase chega lá!

Por Enoe Lopes Pontes

Produzida pela Netflix e criada por Cary Fukunaga (It: A Coisa) e Patrick Somerville (The Leftover), Maniac é uma produção um tanto complexa de se descrever e adjetivar. A sua narrativa não possui unidade, é dispersa e cada enredo que eles criaram é mal aproveitado. Quando o público assiste ao piloto, a impressão é a de que o protagonista é Jonah Hill (Anjos da Lei) e que existirá um mistério a ser contado durante a temporada: o que Owen vê e diz é verdade ou não? Muito bem!

Em seguida, há uma quebra de expectativa – que poderia ter sido bem explorada, obviamente – e o segundo episódio é focado em Annie (Emma Stone). A partir daí, o espectador começa a pensar que irá montar o quebra-cabeça da relação de Annie com a irmã e o que isto tem a ver com Owen  dentro do enredo. Contudo, apesar do 01×02 ser bem executado, impactante, principalmente na forma de conduzir o conflito principal da personagem de Stone, ainda não é ali que a questão mais importante é posta. O que realmente o seriado vai contar é um experimento de uma empresa farmacêutica da qual os jovens interpretados por Stone e Hill irão ser cobaias. Saber que o processo e resultado disto é o que importa apenas fica claro… Bem, no final da série.

 

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O problema é que, ao invés de tentar contar com clareza o experimento e até mesmo usar as informações das personagens que são descobertas nas duas primeiras partes da trama, pequenas partículas de historinhas imaginárias são postas demasiadamente. O roteiro começa a parecer o mesmo labirinto mental que Owen e Annie estão, mas não de uma forma positiva. O tempo que é gasto com as fantasias das cabeças da dupla não têm ritmo, porque ficam estagnadas em um único tom, sem equilibrar aceleração com tensões ou calmaria, as falas são monocórdicas. Quando Maniac chega no final, a conclusão é de ela poderia se resolver em cinco episódios e ser mais impactante ou ter os dez que ele possui, mas que explorasse menos peripécias e desenvolvesse melhor o que importa: a saúde mental de Owen e o conflito de Annie com a irmã – sem spoilers!

Porém, não é possível dizer que a minissérie é ruim! A primeira coisa que chama a atenção é a experimentação de gêneros cinematográficos. Enquanto as cobaias estão desacordadas, elas vivem em mundos imaginários. Neles são mostrados romances, lutas, brigas, gangsters, dramas familiares, suspense, investigação. O tom, os figurinos, as temperaturas e as fotografias seguem bem cada estilo. O ponto alto é a história de máfia, vivida por Owen, que parece uma mistura de Os Bons Companheiros (1990, Martin Scorsese), com Baby Driver (2017, Edgar Wright). Mesmo fugindo da história principal que deveria ser contada, aqui o episódio consegue ser mais fluído graças ao ritmo imprenso nas fantasias de Owen. Inclusive, é quando a narrativa começa a voltar para o prumo e se encaminhar para um desfecho.

 

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Outro ponto positivo é a dinâmica entre Emma Stone e Jonah Hill. Os dois separadamente estão equilibrados, conseguem captar bem a essência das personagens fixas que fazem, bem como mostram outras facetas quando estão vivendo as pessoas da realidade paralela. Vozes marcantes, postura corporal, malemolência ou dureza, os atores trazem em cada persona uma figura diferente. Mas, as cenas crescem mesmo quando a dupla está junta. A vivacidade de Annie contamina a melancolia de Owen e tanto a dupla quanto os acontecimentos ao redor deles ganha equilíbrio, deixando que a energia seja apenas uma. Além, claro que a trama fica menos dispersa quando os dois se encontram.

Por fim, o clima de futurismo dos anos 1980, numa pegada Blade Runner (1982), é um plus para o seriado, que busca desconectar-se temporalmente. A ideia que se existia no século XX de máquina com sentimentos e pensamentos é colocada a todo vapor em Maniac. Inclusive, a trajetória da personagem/computador, dublada por Sally Fiel (Brothers and Sisters), é a que vai fazendo mais sentido durante as horas de exibição. Assim, a série vira um produto distraído, que pode ser consumido lentamente, sem maratonas, para não ficar entediante.

INDICADOS DO EMMY AWARDS 2018, SÓ VEM!

por Enoe Lopes Pontes

O “Haja Coração” do seriador começa agora!!!!!!!

Nesta quinta-feita, 12, a Academia divulgou os indicados da premiação mais importante da TV: o Emmy Awards. Sim! Este é o Oscar das séries, meus caros!! Entre a lista de indicados sempre aparecem nas categorias principais o drama, a comédia, a minissérie ou telefilme, os realities e os programas de variedade. O destaque deste ano é a veterana Game of Thrones, presente em vinte e duas categorias. Outro fator de destaque é a Netflix, que aparece em 112 categorias, contra as 108 da “rival” HBO. A cerimônia acontece no dia 17 de setembro e é exibida – no Brasil –  pelo canal TNT.

 

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Enquanto as emissoras disputam os lugares no pódio e nos corações do público, o Série a Sério traz a lista completa dos indicados, juntamente com os nossos nomes preferidos em cada categoria, em negrito!!! Confiram!

 

Melhor série dramática

“Game of thrones”

“The handmaid’s tale”

“Stranger things”

“The americans”

“The Crown”

“This is us”

“Westworld”

 

Melhor atriz em série dramática

Claire Foy – “The Crown”

Elisabeth Moss – “The handmaid’s tale”

Evan Rachel Wood – “Westworld”

Keri Russell – “The Americans”

Sandra Oh – “Killing eve”

Tatiana Maslany – “Orphan Black”

 

Melhor ator em série dramática

Ed Harris – “Westworld”

Jason Bateman – “Ozark”

Jeffrey Wright – “Westworld”

Matthew Rhys – “The americans”

Milo Ventimiglia – “This is us”

Sterling K. Brown – “This is us”

 

Melhor ator coadjuvante em série dramática

David Harbour – “Stranger things”

Mandy Patinkin – “Homeland”

Joseph Fiennes – “The handmaid’s Tale”

Matt Smith – “The crown”

Nikolaj Coster-Waldau – “Game of thrones”

Peter Dinklage – “Game of thrones”

 

Melhor atriz coadjuvante em série dramática

Alexis Bledel – “The handmaid’s tale”

Ann Dowd – “The handmaid’s Tale”

Lena Headey – “Game of thrones”

Millie Bobby Brown – “Stranger Things”

Thandie Newton – “Westworld”

Vanessa Kirby – “The Crown”

Yvonne Strahovski – “The handmaid’s Tale”

 

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Melhor série de comédia

“Atlanta”

“Barry”

“Black-ish”

“Glow”

“The marvelous mrs. Maisel”

“Curb your enthusiasm”

“Sillicon Valley”

“Unbreakable Kimmy Schmidt”

 

Melhor ator em série de comédia

Anthony Anderson – “Black-ish”

Bill Hader – “Barry”

Donald Glover – “Atlanta”

Larry David – “Curb your enthusiasm”

Ted Danson – “The Good Place”

William H. Macy – “Shameless”

 

Melhor atriz em série de comédia

Allison Janney – “Mom”

Issa Rae – “Insecure”

Lily Tomlin – “Grace and Frankie”

Pamela Adlon – “Better things”

Rachel Brosnahan – “The marvelous mrs. Maisel”

Tracee Ellis Ross – “Black-ish”

 

Melhor ator coadjuvante em série de comédia

Alec Baldwin – “Saturday night live”

Brian Tyree Henry – “Atlanta”

Henry Winkler – “Barry”

Kenan Thompson – “Saturda night live”

Louie Anderson – “Baskets”

Tituss Burgess – “Unbreakable Kimmy Schmidt”

Tony Shalhoub – “The marvelous mrs. Maisel”

 

Melhor atriz coadjuvante em série de comédia

Aidy Bryant – “Saturday night live”

Alex Borstein – “The marvelous mrs. Maisel”

Betty Gilpin – “Glow”

Kate McKinnon – “Saturday night live”

Laurie Metcalf – “Roseanne”

Leslie Jones – “Saturday night live”

Megan Mullally – “Will & Grace”

Zazie Beetz – “Atlanta”

 

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Melhor série limitada

“American Crime Story”

“Genius”

“Godless”

“Patrick Melrose”

“The alienist”

 

Melhor filme para a TV

“USS Callister” – Black Mirror

“Fahrenheit 451”

“Flint”

“Paterno”

“The tale”

 

Melhor ator em série limitada ou filme para TV

Antonio Banderas – “Genius”

Darren Criss – “American Crime Story”

Benedict Cumberbatch – “Patrick Melrose”

Jeff Daniels – “The Looming Tower”

John Legend – “Jesus Christ Superstar Live in concert”

Jesse Plemons – “Black Mirror”

 

Melhor atriz em série limitada ou filme para TV

Edie Falco – “Law & Order True Crime”

Regina King – “Seven Seconds”

Sarah Paulson – “American Horror Story”

Jessica Biel – “The Sinner”

Laura Dern – “The Tale”

 

Melhor ator coadjuvante em série limitada ou filme para TV

Brandon Victor Dixon – “Jesus Christ Superstar Live in concert”

Edgar Ramírez – “American Crime Story”

Finn Wittrock – “American Crime Story”

Jeff Daniels – “Godless”

John Leguizamo – “Waco”

Michael Stuhlbarg – “The Looming Tower”

Ricky Martin – “American Crime Story”

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Melhor atriz coadjuvante em série limitada ou filme para TV

Adina Porter – “American Horror Story”

Judith Light – “American Crime Story”

Letitia Wright – “Black Mirror”

Merritt Wever – “Godless”

Penélope Cruz – “American Crime Story”

Sara Bareiless – “Jesus Christ Superstar Live in concert”

 

Melhor ator convidado em série dramática

Cameron Britton – “Mindhunter”

Murray Abraham – “Homeland”

Gerald McRaney – “This is us”

Jimmi Simpson – “Westworld”

Matthew Goode – “The Crown”

Ron Cephas Jones – “This is us”

 

Melhor atriz convidada em série dramática

Cherry Jones – “The handmaid’s tale”

Cicely Tyson – “How to get away with murder”

Diana Rigg – “Game of thrones”

Kelly Jenrette – “The handmaid’s tale”

Samira Wiley – “The handmaid’s tale”

Viola Davis – “Scandal

 

Melhor ator convidado em série de comédia

Bill Hader – “Saturday night live”

Bryan Cranston – “Curb your enthuasiasm”

Donald Glover – “Saturday night live”

Katt Williams – “Atlanta”

Lin-Manuel Miranda – “Curb your enthusiasm”

Sterling K. Brown – “Brooklyn Nine-Nine”

 

Melhor atriz convidada em série de comédia

Jane Lynch – “The marvelous mrs. Maisel”

Maya Rudolph – “The good place”

Molly Shannon – “Will & Grace”

Tiffany Haddish – “Saturday night live”

Tina Fey – “Saturday night live”

Wanda Sykes – “Black-ish”

 

Melhor direção em série dramática

Jeremy Podeswa – “Game of thrones”

Alan Taylor – “Game of thrones”

Kari Skogland – “The handmaid’s tale”

Jason Bateman – “Ozark”

Daniel Sackheim – “Ozark”

Ross Duffer e Matt Duffer – “Stranger Things”

Stephen Daldry – “The Crown”

 

Melhor direção em série de comédia

Donald Glover – “Atlanta”

Hiro Murai – “Atlanta”

Bill Hader – “Barry”

Jesse Peretz – “Glow”

Amy Sherman – “The Marvelous Mrs. Maisel”

Mike Judge – “Silicon Valley”

 

Melhor direção em série limitada, filme para a TV ou especial de drama

Ryan Murphy – “American Crime Story”

Scott Frank – “Godless”

David Leveaux e Alex Leveaux – “Jesus Christ Superstar Live in Concert”

Barry Levinson – “Paterno”

Edward Berger – “Patrick Melrose”

Craig Zisk – “The looming tower”

David Lynch – “Twin Peaks”

 

Melhor roteiro de série dramática

David Benioff e D. B. Weiss – “Game of thrones” (“The dragon and the wolf”)

Phoebe Waller-Bridge – “Killing eve” (“Nice face”)

Bruce Miller – “The handmaid’s tale” (‘June”)

Matt Duffer e Ross Duffer – “Stranger Things” (“Chapter Nine: The gate”)

Joel Fields e Joseph Weisberg – “The americans” (“Start”)

Peter Morgan – “The Crown” (“Mystery man”)

 

Melhor reality show de competição

“American ninja warrior”

“Project Runway”

“RuPaul’s Drag Race”

“The Amazing Race”

“The Voice”

“Top Chef”

 

Melhor reality show

“Antiques roadshow”

“Lip Sync Battle”

“Fixer Upper”

“Queer Eye”

“Shark Tank”

“Who do you think you are?”

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Melhor apresentador de reality show de competição ou reality show

Ellen DeGeneres – “Ellen’s Game of Games”

Jane Lynch – “Hollywood Game night”

Heidi Klum e Tim Gunn – “Project Runway”

RuPaul – “RuPaul’s Drag Race”

Kamau Bell – “United Shades of America”

 

Melhor programa de variedades

“Full frontal with Samantha Bee”

“Jimmy Kimmel Live!”

“Last Week Tonight with John Oliver”

“The Daily Show”

“The Late Late Show with James Corden”

“The Late Show with Stephen Colbert”

 

Melhor direção de programa de variedades

Andre Allen – “Full frontal with Samantha Bee”

Paul Pennolino – “Last week tonight with John Oliver”

Carrie Brownstein – “Portlandia”

Don Roy King – “Saturday night live”

Tim Mancinelli – “The Late Late Show with James Corden”

Jim Hoskinson – “The Late Show with John Colbert”

 

Melhor programa de esquetes

“At home with Amy Sedaris”

“Drunk History”

“I love you, America”

“Portlandia”

“Saturday night live”

“Tracey Ullman’s Show”

 

Melhor especial de variedades

Cerimônia do Oscar 2018

“Jesus Christ Superstar Live in Concert”

“Night of too many stars”

Cerimônia do Grammy 2018

Cerimônia do Globo de Ouro 2018

 

Melhor direção em especial de variedades

Glenn Weiss – Cerimônia do Oscar 2018

Stan Lathan – “Dave Chapelle: Equanimity”

Michael Bonfiglio – “Jerry before Seinfeld”

Marcus Raboy – “Steve Martin and Martin Short: An Evening You Will Forget for the Rest of Your Life”

Hamish Hamilton – Show de intervalo do Super Bowl com Justin Timberlake

 

Melhor Documentário ou especial de não-ficção

“Jim & Andy: The Great Beyond – Featuring a Very Special, Contractually Obligated Mention of Tony Clifton”

“Mister Rogers: It’s you I like”

“Spielberg”

“The zen diaries of Garry Shandling”

“Ícaro”

 

Melhor ator em série de curtas de comédia ou drama

Alexis Denisof – “I love Bekka & Lucy”

DeStorm Power – “Caught the Series”

James Corden – “James Corden’s next James Corden”

Melvin Jackson Jr. – “This Eddie Murphy Role is Mine, Not Yours”

Miles Tagtmeyer – “Broken”

 

Melhor programa infantil

“Alexa & Katie”

“Fuller House”

“The Magical Wand Chase: A Sesame Street Special”

“A Series Of Unfortunate Events”

“Star Wars Rebels”

 

Melhor programa animado

“Baymax Returns (Big Hero 6: The Series)”

“Bob’s Burgers”

“Rick And Morty”

“The Simpsons”

“South Park”

 

Melhor programa interativo

“The Daily Show With Trevor Noah”

“Full Frontal With Samantha Bee”

“Last Week Tonight With John Oliver”

“The Late Late Show With James Corden”

“Saturday Night Live”

 

Santa Clarita Diet – O Retorno da Bomba

por Enoe Lopes Pontes

Nem só de cliffhanger vive uma série! Aliás, qualquer narrativa digna precisa de desenvolvimento, lógica e  coerência em todos os elementos que traga. Apesar de possuir bons desfechos em seus episódios, daqueles que deixam o espectador com vontade de terminar a temporada, o segundo ano de Santa Clarita Diet peca em saber manter o foco da trama e aproveitamento do plot .

Diferentemente da primeira parte de Santa Clarita, na qual as piadas e ações dramatúrgicas pareciam forçadas e deslocadas, aqui parece haver um esforço para que os conflitos menores se encaixem com a problemática geral: Sheila (Drew Barrymore), uma mãe do subúrbio dos Estados Unidos virou um zumbi e sua família deseja encontrar uma cura. Ainda assim, os realizadores deixam a sensação de que tem muita coisa ocorrendo ao mesmo tempo e o resultado acaba sendo o mesmo. Ok, todos os acontecimentos do roteiro acabam movendo o plot, contudo, a quantidade de personagens e “quiprocós” introduzidos retardam a resolução que a trama precisa, além de não trazer complexidade para o texto e ações.

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Um exemplo disto é o papel de Ramona (Ramona Young). Há uma inexpressividade desta figura, que parece ser algo demandado pela direção. Porém, ela não é apenas sem viço em sua interpretação, mas em sua própria participação na narrativa. Por que a jovem ganhou tanto espaço de cena se ela está ali apenas para revelar uma informação e sair? E se ela recebeu este foco, deveria ser mais bem explorada ou ter um desfecho menos apressado. Assim, como a moça, as escolhas de Victor Fresco (My Name is Earl) e sua equipe parecem todas apelativas e facilmente descartáveis.

No entanto, há uma qualidade nestes novos episódios que antes fora apenas rascunhado. Drew Barrymore (As Panteras) e Timothy Olyphant (O Maior Amor do Mundo) conseguem estabelecer uma boa dinâmica entre eles. O jogo, que é necessário que atores façam em cena, acontece em equilíbrio. É notável que eles estão conectados, pois a dupla traz no subtexto que há um entendimento forte entre o casal, através de olhares e gestos que dispensam palavras – o que pode ser que salve mesmo, visto que o texto é tão apelão -, além da constante troca entre agitação e tranquilidade das personagens que os dois dosam entre si, deixando que o espectador consiga fruir mais os acontecimentos e respire entre um frenesi e outro.

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Ainda que uma relativa melhora tenha acontecido em Santa Clarita Diet, a série continua pecado em diversos fatos, incluindo ser uma comédia que não tem graça. Agora, resta esperar para ver se o conflito será finalmente resolvido ou a Netflix vai cair em si e cancelar esta produção.

 

Com indecisão de plot e falta de ritmo, Jessica Jones tem uma temporada morna

por Enoe Lopes Pontes

Após três anos de hiato, Jessica Jones finalmente chegou ao catálogo da Netflix. Continuando a explorar traumas da protagonista para impulsionar a sua história, a segunda temporada da série demora de engatar e parece enrolar o espectador da pior forma. Isto porque a decisão de qual conflito será explorado e quem a protagonista vai enfrentar vai sendo adiado e muitas personagens vão sendo inseridas ao mesmo tempo, podendo deixar o espectador perdido e/ou entediado. Há uma confusão sobre qual é o caminho que a narrativa vai seguir, o que pode deixar o acompanhamento dos três primeiros episódio uma tarefa cansativa.

Um dos elementos que contribuem para a falta de rumo do plot são os micro conflitos deste segundo ano do seriado, que envolvem os coadjuvantes! Ok, explorar o que acontece com a vida dos que cercam JJ poderia ser positivo, mas o roteiro e as atuações não exploram com profundidade seus sentimentos, problemas e emoções. As questões que envolvem Jeri Hogarth (Carrie-Anne Moss) e Malcom Ducasse (Eka Darville), por exemplo, são entregues a conta gotas, as soluções das peças deste um quebra-cabeça são óbvias desde o início, porque são clichês  e já muito utilizadas (sem spoilers). Há também uma direção falha, por deixar que o trabalho de ator de Moss e Darville pareça forçado e “apelão”, como numa tentativa para cativar o público, mas que, no fim, soa não orgânico. A única personagem secundária que se destaca em sua narrativa e interpretação é Patrícia/Trish Walker (Rachel Taylor). Sem entregar muito, talvez esta seja a parte mais instigante da trama.

 

 

Patrícia deixa ser uma figura plana, aquela que é apenas a melhor amiga da mocinha e passa a ocupar uma relevância dentro das teias que o enredo vai formando. Há uma complexidade nova em Walker. Isto pode ser visto na Taylor, através de seus movimentos de corpo, que exploram ritmos combinados ou descombinados com as ações que se passam na tela e as suas gesticulações que chamam a atenção a depender da idade da moça. A sua construção deixa clara as motivações da personagem e as marcas que a sua vida pregressa deixou em seu olhar e postura corporal. É por isso que os flashbacks enriquecem ainda mais o entendimento sobre a Trish Walker e preparam o espectador para a sua última cena da temporada! (Sem spoilers!!).

Mas, voltando para a Jessica! Aqui, vemos uma ampliação também dos elementos que formam a personalidade da JJ. Ao mostrar seu passado, a série coloca suas fragilidades expostas, assim como na primeira temporada. Contudo, estas revelações refletem no presente de Jones de uma forma que a deixa mais sensível, mostrando até um lado mais doce dela. Neste sentido, Krysten Ritter é bem sucedida. A artista não perde o que já foi estabelecido da heroína anteriormente, porém coloca camadas de sentido novos, com olhares mais demorados em suas contra cenas e pesando ainda mais na energia e nos movimentos na frente das telas.

 

 

Apesar de Trish, Jessica e a relação das duas serem bem abordadas pelos roteiristas e pelas atrizes, a quantidade de fillers* em cada episódio quebra o ritmo da narrativa, deixando o público fatigado. As cenas de ação também parecem pequenas, em comparação com o primeiro ano de JJ. Tampouco há uma criação de tensão que seja sustentada por um tempo grande. A sensação que a temporada deixa é uma indecisão sobre o plot principal.

Com um conflito que demora em se estabelecido e ritmos desnivelados, a segunda temporada de Jessica Jones é uma história sobre relações sentimentais entre familiares e amigos. Apesar de tentar enriquecer a complexidade das cenas e de suas personagens, a série apenas enche linguiça e pode deixar o espectador entediado até a sua metade.

 

*Filler: encheção de linguiça

 

TOP 5 – MELHORES SÉRIES ESCONDIDAS NA NETFLIX

por Enoe Lopes Pontes

As séries de TV mais vistas são descobertas pelo público através de divulgação pesada, por material dos grandes veículos de comunicação, pelas redes sociais e por indicação de amigos. Sejam  mais novos ou antigos, os seriados mais conhecidos acabam caindo no gosto do público e são muito maratonados. Há alguns casos, no entanto, de produções bem realizadas, mas que perdem seu destaque ou nunca foram descobertas. Algumas obras foram marcantes apenas em suas épocas,  outras não alcançaram uma alta popularidade mundialmente ou são difíceis de encontrar para comprar ou na internet.

Independentemente da razão para este mistério, o Série a Sério garimpou a Netflix e encontrou algumas pérolas um pouco mais raras, que valem pela qualidade, nostalgia, diversão ou puro entretenimento.  A lista – escolhida através de votação em nosso instagram: @serie_a_serio – buscou juntar gêneros, épocas e gostos diversos! Confiram!

 

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5 – VAN HELSING (2016-) – Com duas temporadas exibidas pelo Canal Syfy (Estados Unidos) e pela Netflix, (Brasil), a série mostra uma sociedade distópica, na qual os vampiros infectaram os humanos e tomaram conta do planeta. Numa de mistura que fica entre The Walking Dead (AMC, 2010-) e Hemlock Grove (Netflix, 2013-2015), o seriado prende a atenção por despertar  curiosidade e atenção para o mistério que cerca a narrativa. As revelações ocorrem lentamente, mas sem perder o fôlego ou o ritmo da história. O seu roteiro tem consistência na medida em que sabe amarrar os conflitos que são desenvolvidos em episódios espaçados, sem se perder na teia de peripécias criadas pelos autores. Entre os flashbacks e o presente, o público vai desvendando quem é a protagonista e a sua importância dentro deste universo. Apesar do pontos bacanas, essa estrutura apenas se mantém completamente no primeiro ano de Van Helsing, deixando um gostinho de frustração e enrolação no ar na sua segunda parte. De toda forma, a produção vale ser conferida! Sejam pelas razões já citadas, por ter uma protagonista mulher bem interpretada (Kelly Overton) ou pelos cliffhangers, Helsing justifica a sede de um seriador por um bom binge watching*!

 

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4 – DROP DEAD DIVA (2009-2014) – Exibida pela Lifetime (EUA), e pela Sony (BR), esta é uma daquelas séries que aquecem o coração! Com seis temporadas na bagagem, o seriado narra a trajetória de Deb (Brooke D’Orsay): uma super modelo que sofre um acidente de carro e morre. Após seu falecimento, já no céu, ela aperta um botão que a manda de volta para a Terra. Contudo, ela retorna diferente: em um corpo de uma advogada cdf, workhaloic e fora dos padrões de beleza impostos pela sociedade. O seriado mescla o estilo “procedural” com o serializado, mostrando ao público os casos jurídicos da personagem principal, junto com as dificuldades dela em se adaptar a um cérebro, um trabalho e a amigos diferentes. Drop Dead vale pelo carisma da atriz central – que ainda performa vários números musicais durante os seis anos de exibição de DDD e tem uma voz linda -, por saber equilibrar a comédia e o drama dentro de cada episódio e explorar as emoções e sensações de Jane (Brooke Elliott), deixando-a complexa e a humanizando, sem deixar a história piegas. Além disso, eles sabem segurar bem a onda em seu hibridismo, com doses jurídicas que instigam, mas não retiram o foco do mais importante para a trama: a trajetória de sua mocinha. Apesar disso, atentem para a paciência com os fillers** e algumas decisões narrativas que pesam a mão no melodrama, destoando da proposta estilística que predomina na obra.

 

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3 – LOVESICK (2014-) – A sitcom britânica Lovesick ocupa a terceira posição, principalmente, pelo seu tom ácido e seu timing. Ok, é um seriado do Reino Unido! Seu humor é muito específico, por ser mais seco e menos explícito, contudo isto não o torna menos engraçado. Quando o espectador foca no plot da série, este argumento faz muito mais sentido!!! Dylan Witter (Johnny Flynn) é diagnosticado com Clamídia e precisa avisar todas as suas parceiras sexuais disso. Cada episódio, conhecemos alguma – ou mais de uma – garota que ele se relacionou. Apesar do protagonista ser aquele típico homem que não sabe dar atenção a menina correta, mas só vive reclamando, aqui este comportamento é mostrado de forma crítica. Através da tolice de Dylan e da perspicácia das mulheres ao seu redor, as situações cômicas são elevadas, juntas com a quantidade de risos. O ponto que desanima é um antigo clichê: o da paixão frustrada entre melhores amigos. Ainda assim, há muito mais para ser aproveitado na série: diálogos afiados e autores que conseguem dizer em poucas palavras o que querem; interpretações equilibradas e conscientes, os atores entendem suas personagens e demonstram suas forças e fragilidades em olhares e gestos, mas tudo com muita sutileza e elegância britânica; a fotografia que consegue mostrar a beleza da Escócia, sem tirar o foco – literalmente – das emoções das figuras dramáticas retratadas na tela. Ah! Ainda tem mais um detalhe que empolga, o binge é rapidinho! São 22 episódios exibidos até agora, cada um com um pouco mais de vinte minutos. Corre, porque em uma noite você fica em dia com Lovesick!

 

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2 – PARTY OF FIVE / O QUINTETO (1994-2000) – Série teen dos anos 1990, Party of Five conta a história de cinco órfãos que precisam  enfrentar os desafios da juventude. Para quem gosta do estilo dos seriados familiares do final do século XX, daqueles com os caminhos possíveis para resoluções de problemas aparentemente grandes e de ver os conflitos adolescentes típicos da época, essa é uma grande chance de ver isto acontecendo na tela e de forma bem feita. Vencedora do Globo de Ouro de Melhor Seriado Dramático, em 1996, a narrativa é simples: os irmãos possuem uma questão para resolver (dinheiro, tempo, amores) e com muita fraternidade e conversa vão conseguindo driblar os desafios. Porém, a forma de contar é o mais importante. Primeiramente, existe uma delicadeza tanto da direção quanto do roteiro em retratar as personagens principais que tão cedo perderam o pai e a mãe. O tom é acertado justamente porque consegue passar a ausência, a perda e a falta de credulidade das pessoas ao quando precisam lidar com o luto, ainda mais quando ele acontece de repente e como as mudanças acontecem na vidas destas pessoas e como elas acontecem. O sofrimento das personagens é equilibrando, suas fraquezas e forças são mostradas, deixando-as menos planas. Além disso, há uma qualidade no roteiro por possuir múltiplas questões em um mesmo episódio, mas que se amarram e passam a mesma lição do dia, no final das contas. É através das angústias de Charlie, Bailey, Julia, Claudia e Owen que os problemas são expostos e as respostas são encontradas.  As atuações não são o forte de POF, mas também não comprometem a qualidade da obra. Há, no entanto, um destaque dentro do elenco: Lacey Chabert (Meninas Malvadas). A atriz consegue passar muitas emoções complexas – como entender que precisa amadurecer mais rápido para ajudar em casa – sem ser expositiva em seu tom de voz ou expressões faciais.

 

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1 – CRAZY EX-GIRLFRIEND (2015-) – Talvez esta seja a melhor série cômica exibida na atualidade! Por que? Crazy Ex-girlfriend é uma comédia musical sobre uma mulher muito bem sucedida que se muda de cidade para ir atrás de um ex-namorado. Acompanhando a contemporaneidade, a série critica todo o machismo, a alienação e os problemas da sociedade do século 21 – como o crescimento das doenças psicológicas, o peso que as pessoas dão aos seus problemas, o egocentrismo e as farsas vividas e propagadas dentro das redes sociais. Tudo isso em números com canções cheias de frases sarcásticas e cruéis. O seriado também ganha muito pontos por não se tão levar a sério, rindo de suas próprias gags, criando plot twists que são desfeitos rapidamente ou com alguma quebra da quarta parede que exponha ainda mais a protagonista. Rebecca Bunch (Rachel Bloom) é uma mulher como outra qualquer, apesar de muito bonita e inteligente, é fora dos padrões de beleza e sanidade. Porém, seu carisma disfarça suas extravagâncias comportamentais e ela consegue conquistar todos ao seu redor. A empatia que a personagem causa foi passada bravamente por Bloom que, inclusive, recebeu o Globo de Ouro de Melhor atriz, em 2017, por sua performance. Por todas estas questões, CEG ocupa o primeiro lugar da lista e é uma excelente ideia para um final de semana de “Netflix and chill”.

 

*binge watching – maratonar

** Fillers – encheção de linguiça em narrativas

House of Cards 5ª temporada: Underwood para presidente!!!

por Enoe Lopes Pontes

Política, tensão, intrigas, sangue, conchavos, quebras da quarta parede e diálogos afiados. São cinco anos acompanhando Frank e Claire Underwood (Kevin Spacey e Robin Wright, respectivamente) rumo ao poder numa trajetória cheia de corrupção e  falta de limites éticos.

Quando o espectador termina a quarta temporada fica um engasgo. O futuro de Francis na Casa Branca é incerto e tudo indica que o protagonista tem chances de perder o posto para seu rival do momento: William Conway (Joel Kinnaman). Frank Underwood está sendo acusado de crimes severos, incluindo um falso ataque terrorista para modificar os votos das eleições de 2016. Porém, o espectador já conhece o presidente vigente, o que ele irá aprontar para garantir seu lugar é o que instiga.

A partir do plot deixado pelo cliffhanger da temporada anterior, o enredo se constrói lentamente, como o de costume. As peças do tabuleiro vão sendo mexidas cautelosamente, mas, ao contrário do que acontecia anteriormente, agora os passos de Francis parecem deixar um caos espalhado por onde ele passa. Spacey demonstra zelo na construção da personagem que sugere uma suposta ruína de F. Underwood. As expressões de exaustão, banhadas pelos cabelos brancos e a postura cansada deixam o público tenso, prevendo uma possível derrota final do político.

Enquanto isso, o bastão vai sendo passado para Claire. A dinâmica do casal permanece afiadíssima! Os olhares, gestos e tom de voz fazem das cenas danças e os atores conseguem atingir o que é chamado no teatro, em inglês, de “play”. As palavras reverberam, os confrontos e acordos fluem diante da tela, eles brincam, jogam certeiramente, não deixando a peteca cair em um só instante.

Sozinha em cena, Wright também se destaca. As complexidades de Claire Underwood são ainda mais exploradas nesta quinta temporada, tanto no texto quanto em sua interpretação. Outros lados da persona são expostos. Robin consegue equilibrar frieza e paixão, vontade, ambição e tensão, com leveza. Aparentemente ela não faz um esforço grande, mas os planos posteriores vão revelando suas intenções e ações, deixando claro todo o trabalho certeiro da atriz, que prepara o espectador e a própria personagem para o que estar por vir.

SPOILER ALERT!!! Continue por sua conta e risco!!!!!

Quando o público é brindado com as primeiras quebras da quarta parede feitas por C. Underwood a sensação é a de virada de posição. A partir daqueles momentos ela estaria no controle da situação, deixando Francis de lado e finalmente ocupando o lugar que merece. Porém, há algo que incomoda bastante nesta fase do seriado. Após doze episódios de um Frank cansado e quase derrotado, ele revela todo seu plano que parece ter saído de uma novela mexicana ruim.

Todos os riscos e erros que ele cometeu foram pensados para pôr Claire na presidência e ele no setor privado. A sensação de que por mais uma vez sua esposa não chegou no poder por esforço próprio e a onipotência de Francis parecem mal explicadas e jogadas como um plot twist gratuito. Isto porque, além do espectador se sentir traído, a situação não foi posta de forma orgânica e deixa a sensação de um roteiro leviano.

Por outro lado, nesta hora o brilho de Spacey resplandece ainda mais, pois é nos detalhes de sua interpretação que essa ideia consegue ter um pouco de lógica. Seus olhares profundos e uma vontade de não focar na tela que, neste caso, é o público. Francis mal olha para o espectador na quinta temporada. Ele parece tenso e nervoso e isso se justifica, pois a personagem estava tramando sua jogada mais perigosa até então.

Toda esta atmosfera é também construída com o apoio dos papéis coadjuvantes, principalmente por Catherine Durant (Jayne Atkinson) e Jane Davies (Patricia Clarkson). Entre suas armações privadas e as conversas com os Underwoods elas são uma das poucas que capturam a personalidade do casal e conseguem desestabilizá-los e fazer com que eles sintam-se ameaçados. As duas artistas imprimem essa espécie de neutralidade em suas faces, deixando a dúvida se merecem ou não a confiança da dupla principal.

Por fim, os ouvidos permanecem também atentos. A trilha de House of Cards é tímida, mas eficaz. Preenche o ambiente de seriedade ou tensão, a depender do que a cena pede. Contudo, algumas vezes deixa um tom de noticiário que incomoda um pouco quando vaza para momentos que vão além dos telejornais. No mais, é maratonar e esperar 2018 com um nó na garganta!

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