Categoria: séries

Crítica: Nem boa e nem ruim! Minissérie “Maniac” quase chega lá!

Por Enoe Lopes Pontes

Produzida pela Netflix e criada por Cary Fukunaga (It: A Coisa) e Patrick Somerville (The Leftover), Maniac é uma produção um tanto complexa de se descrever e adjetivar. A sua narrativa não possui unidade, é dispersa e cada enredo que eles criaram é mal aproveitado. Quando o público assiste ao piloto, a impressão é a de que o protagonista é Jonah Hill (Anjos da Lei) e que existirá um mistério a ser contado durante a temporada: o que Owen vê e diz é verdade ou não? Muito bem!

Em seguida, há uma quebra de expectativa – que poderia ter sido bem explorada, obviamente – e o segundo episódio é focado em Annie (Emma Stone). A partir daí, o espectador começa a pensar que irá montar o quebra-cabeça da relação de Annie com a irmã e o que isto tem a ver com Owen  dentro do enredo. Contudo, apesar do 01×02 ser bem executado, impactante, principalmente na forma de conduzir o conflito principal da personagem de Stone, ainda não é ali que a questão mais importante é posta. O que realmente o seriado vai contar é um experimento de uma empresa farmacêutica da qual os jovens interpretados por Stone e Hill irão ser cobaias. Saber que o processo e resultado disto é o que importa apenas fica claro… Bem, no final da série.

 

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O problema é que, ao invés de tentar contar com clareza o experimento e até mesmo usar as informações das personagens que são descobertas nas duas primeiras partes da trama, pequenas partículas de historinhas imaginárias são postas demasiadamente. O roteiro começa a parecer o mesmo labirinto mental que Owen e Annie estão, mas não de uma forma positiva. O tempo que é gasto com as fantasias das cabeças da dupla não têm ritmo, porque ficam estagnadas em um único tom, sem equilibrar aceleração com tensões ou calmaria, as falas são monocórdicas. Quando Maniac chega no final, a conclusão é de ela poderia se resolver em cinco episódios e ser mais impactante ou ter os dez que ele possui, mas que explorasse menos peripécias e desenvolvesse melhor o que importa: a saúde mental de Owen e o conflito de Annie com a irmã – sem spoilers!

Porém, não é possível dizer que a minissérie é ruim! A primeira coisa que chama a atenção é a experimentação de gêneros cinematográficos. Enquanto as cobaias estão desacordadas, elas vivem em mundos imaginários. Neles são mostrados romances, lutas, brigas, gangsters, dramas familiares, suspense, investigação. O tom, os figurinos, as temperaturas e as fotografias seguem bem cada estilo. O ponto alto é a história de máfia, vivida por Owen, que parece uma mistura de Os Bons Companheiros (1990, Martin Scorsese), com Baby Driver (2017, Edgar Wright). Mesmo fugindo da história principal que deveria ser contada, aqui o episódio consegue ser mais fluído graças ao ritmo imprenso nas fantasias de Owen. Inclusive, é quando a narrativa começa a voltar para o prumo e se encaminhar para um desfecho.

 

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Outro ponto positivo é a dinâmica entre Emma Stone e Jonah Hill. Os dois separadamente estão equilibrados, conseguem captar bem a essência das personagens fixas que fazem, bem como mostram outras facetas quando estão vivendo as pessoas da realidade paralela. Vozes marcantes, postura corporal, malemolência ou dureza, os atores trazem em cada persona uma figura diferente. Mas, as cenas crescem mesmo quando a dupla está junta. A vivacidade de Annie contamina a melancolia de Owen e tanto a dupla quanto os acontecimentos ao redor deles ganha equilíbrio, deixando que a energia seja apenas uma. Além, claro que a trama fica menos dispersa quando os dois se encontram.

Por fim, o clima de futurismo dos anos 1980, numa pegada Blade Runner (1982), é um plus para o seriado, que busca desconectar-se temporalmente. A ideia que se existia no século XX de máquina com sentimentos e pensamentos é colocada a todo vapor em Maniac. Inclusive, a trajetória da personagem/computador, dublada por Sally Fiel (Brothers and Sisters), é a que vai fazendo mais sentido durante as horas de exibição. Assim, a série vira um produto distraído, que pode ser consumido lentamente, sem maratonas, para não ficar entediante.

Especial: Séries que tratam sobre militância

Por Enoe Lopes Pontes

Assistir seriados pode ser um momento de relaxamento, de desligar-se do mundo e curtir aquela maratona divertida. Mas, o lazer também tem a possibilidade de chegar com reflexões e pautas relevantes para a sociedade. Enquanto o espectador consome uma produção bacana, que prende a atenção, a representatividade e a luta das chamadas minorias sociais acrescentam qualidade ao seriado.

Pensando nisso, o Série a Sério traz agora uma lista com séries que tratam sobre militância de diversas formas. Aqui, a busca foi enumerar obras que abordam temas mais variados possíveis, que possuem um discurso coerente e que conseguem debater  questões importantes para serem fomentadas, trazendo soluções.

Lembrando que a ideia da lista veio de um sorteio com sugestões de nossos leitores pelo o instagram do site (@serie_a_serio). O público pode interagir e mandar dicas para a página sempre que desejar. Mas, por enquanto, fique ligadinho neste top 5, feito para você que curte estar engajado e informado!

 

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5 – Sense8 (2015-2018): Oito pessoas, espalhadas pelo mundo, estão conectadas entre si e conseguem viver situações e sentimentos iguais, ao mesmo tempo. Localizados em regiões distintas, a representatividade dentro do seriado começa pelas diferentes etnias do grupo. Contudo, o ponto alto de reflexão da série vem da personagem Nomi Marks (Jamie Clayton), uma garota transgênero que precisa lutar contra a família que não aceita a sua identidade. Além de ser trans, Nomi é lésbica, o que deixa ainda mais tensa a sua relação com os parentes. Mas, Sense8 tem outras questões relevantes como: a homossexualidade do ator famoso Lito (Miguel Silvestre), as dificuldades sociais e financeiras de Capheus (Aml Ameen) e o girl power de Sun (Bae Doona). Apesar de muitas pautas necessárias e uma premissa instigante, a produção ficou muito custosa e foi cancelada em 2018. Ainda assim, vale a pena conferi-la.

 

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4 –  The Fosters (2013-2018): Produzida por Jennifer Lopez e exibida pelo canal Freeform, a série conta jornada de uma família estadunidense não tão convencional. Duas mulheres são casadas e possuem três filhos. O garoto mais velho é fruto do primeiro matrimônio de Stef (Teri Polo). Já os gêmeos Jesus (Noah Centineo) e Mariana (Cierra Ramirez) são adotivos e de origem latina. De repente, Stef e Lena (Sherri Saum) precisam acolher mais duas crianças temporariamente: Callie (Maia Mitchell) e Jude (Hayden Byerly). Dentro deste contexto, é impressionante como o seriado tem a capacidade abarcar múltiplas discussões fortes e importantes da sociedade, em um tom cotidiano. Eles conseguem criar empatia, aproximando o espectador com a realidade daquelas personagens, trazendo isto em uma mãe muito rígida ou uma adolescente rebelde, por exemplo. Assim, assuntos como a descoberta da homossexualidade na adolescência, drogas, alcoolismo, racismo, lesbofobia, estupro, assédio sexual e moral são inseridos em cada episódio. Em alguns momentos, a exposição dos problemas fica um tanto didático, porém os roteiristas equilibram isto colocando instantes de intimidade entre os Fosters.

 

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3 – Faking It (2014-2016): Produzida e exibida pela MTV, Faking it mostra a história de uma escola na qual todas as minorias sociais são populares. Por esta razão, duas melhores amigas fingem ser um casal para chamar a atenção do colégio. A partir disto, Amy (Rita Volk) começa a notar que tem sentimentos reais por Karma (Katie Stevens). Mas, a garota sofre muito porque sua crush gosta de um garoto, o Liam (Greg Sulkin). A partir desta premissa, o seriado foca, inicialmente, em discutir sobre a sexualidade. As duas garotas se questionam sobre gostar de meninos e meninas e existe sempre uma tensão no que tangem a bissexualidade e a homossexualidade, mostrando que as duas orientações existem e precisam ser discutidas. Contudo, a produção avança ainda mais quando traz o tema da intersexualidade. Uma das personagens descobre que é intersexo e a forma como a série trata todo o processo da jovem é delicada e esclarecedora. Por fim, outros assuntos são mencionados em vários episódios, como o racismo, a gordofobia, a mobilidade e a visibilidade de deficientes, a quebra de expectativa em relação aos muçulmanos, entre outras coisas que valem cada minuto gasto!

 

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2 – Dear White people (2017-): Adaptação do filme homônimo de 2014, a série é uma realização da Netflix. Mostrando o dia a dia de uma famosa universidade dos Estados Unidos, na qual a maioria dos estudantes é branca, a produção mostra os desafios que os alunos negros passam no campus. As tensões aumentam após uma festa na qual o tema era blackface. Obviamente, a sugestão foi feita por caucasianos que não possuiam sensibilidade e/ou conhecimento para barrar um ato tão racista. A partir disto, cada episódio trata da perspectiva de uma das personagens do seriado. Dear White People torna-se uma obra muito relevante por trazer pautas essenciais para a comunidade negra, inclusive aquelas que muita gente gosta de fingir que não existem. A autora deste top 5 reconhece que este não é seu lugar de fala, no entanto sabe também da profunda importância da discussão promovida por DWP e, por isso, recomenda que todos a assistam, urgentemente.

 

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1 – The Bold Type (2017-): Racismo, homofobia, empoderamento feminino, intolerância religiosa, relação com tecnologia… Esta série consegue abarcar quase todas as pautas pertinentes para a sociedade contemporânea. Além de provocar reflexão e debate sobre assuntos importantes, a melhor coisa de The Bold Type é o como ela faz isso. Ambientada dentro de uma revista de moda, na maior parte do tempo as personagens principais precisam lidar com a rotina estressante, mas gratificante de seus trabalhos. Exibida pela Freeform, a produção encaixa-se no gênero adolescente e é esse o seu ganho. De maneira leve e divertida, ela consegue sinalizar grandes problemas sofridos pelas pessoas. Questões que parecem bobas, como o julgamento de uma garota pelo o que ela veste, até algo forte como a homossexualidade de uma mulher muçulmana são os destaques de cada episódio, durante as duas temporadas já exibidas. Aqui, o espectador vai se encontrar de alguma maneira. E, apesar dela ser voltada para os teens, The Bold Type consegue dialogar com uma faixa etária ampla. Ainda que a história seja sobre Sutton (Meghann Fahy), Kat (Aishaa Dee) e Jane (Katie Stevens), jovens em ascensão, outras narrativas são colocadas como importantes para o desenvolvimento do enredo. Assim, se você é uma menina que sonha por direitos iguais, é a chefe atenciosa ou alguém que luta para uma flexibilidade maior na sua religião ou cultura, existe a possibilidade de se sentir representada. O seriado ocupa a primeira posição por conseguir imprimir todo o sufocamento das minorias sociais de forma clara e objetiva e trazer também possíveis soluções para os problemas que afligem tanto algumas parcelas da sociedade. Vejam!

Maratone como uma garota: Let it bi, as minas bissexuais nas séries

por Letícia Moreira*

“Mas fulano não era gay/hetero?”

Que atire a primeira pedra quem nunca ouviu essa frase!

 

A discussão voltada para o universo LGBTQI+ vem ganhando cada vez mais espaço na mídia. Na esteira das celebrações e militâncias, algo parece passar batido quase sempre que o assunto entra na roda: a invisibilidade dos sujeitos cuja sexualidade subverte a lógica binária monossexual, isto é, qualquer um que se sinta atraída/o por mais de um gênero, seja ao mesmo tempo, um de cada vez, ou com intensidades e intenções diferentes. “Bissexualidade” é o termo que se utiliza para designá-los e acaba servindo como guarda-chuva para incluir os pansexuais, fluidos, polissexuais, e algumas outras orientações.

A bissexualidade está quase sempre submetida a uma série de violências simbólicas, inclusive entre a própria comunidade LGBTQI+. A constante reprodução de estereótipos prejudiciais, como a rotulagem de “confusos”, e a recusa em reconhecê-los como membros da comunidade são exemplos ilustrativos. A isso dá-se o nome de “bifobia”. E como na cultura midiática a coisa não poderia ser diferente, essa estereotipação e invisibilidade acompanha a construção narrativa desses personagens.

Em filmes e séries, é bastante raro encontrar alguém bi que não seja tratado como um aventureiro curioso, um pervertido sedento ou alguém que se recusa a sair do armário. Mais raro ainda é que o personagem se assuma bi, afirmando de fato a sexualidade, vivendo feliz e tranquilo com isto.

Se tratando de personagens femininas, a questão das representações são ainda mais complexas, visto que recorrentemente a fetichização da bissexualidade está associada a uma função de deleite e prazer visual, especialmente para o imaginário masculino.

Para dar, então, visibilidade a esse grupo, dedico a estreia da coluna Maratone como uma Garota! ao tema. Selecionamos algumas personagens bissexuais das séries que amamos!

 

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PIPER CHAPMAN (Orange Is The New Black) – A personagem de Taylor Schilling é a protagonista da série, que volta na sexta temporada, próximo dia 27/07. Piper estava noiva de Larry Bloom (Jason Biggs). Quando entra para a cadeia, ela reencontra Alex Vause (Laura Prepon), um tórrido amor do passado e, ninguém mais ninguém menos, do que a pessoa que a colocou lá dentro. Primeiramente, ela é inspirada na verdadeira Piper (Kerman), que é uma mulher bissexual. Ok, a personagem pode ser bem chatinha às vezes e não é a favorita dos espectadores, mas a moça é claramente bissexual e já chegou a afirmar isso. Cabe a crítica de que a Piper se envolveu com a Alex apenas como uma aventura perigosa, mas ela não nega o amor que sente pela parceira, seja na prisão ou em liberdade. Aliás, nem só a Piper é bi/pan na série (temos a Soso, a Lorna Morello) mas ainda assim, o seriado nunca explicita essa identidade e parece às vezes reforçar que só se é lésbica ou hétero em Litchfield.

 

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STELLA GISBON (The Fall) – Aqui, vê-se mais uma protagonista bissexual! Stella (Gillian Anderson) é uma oficial da polícia britânica fod*na que está no comando da investigação de um serial killer em Belfast (Irlanda do Norte). Imponente, segura e com personalidade forte – em um ambiente majoritariamente masculino – ela é abertamente exploradora da sexualidade e já de início demonstra gostar de sexo casual com rapazes mais jovens. No correr da narrativa, desenvolve uma atração pela Dr. Reed Smith (Archie Panjabi), parceira de trabalho nas investigações. Esta química entre as duas não é algo desenvolvido na série (alerta Queerbating!!!), mas afirma a sexualidade de protagonista. Ficamos com gostinho de quero mais! (Preciso lembrar que a própria Gillian Anderson já declarou algumas vezes que é bissexual?)

 

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JOANNA BEAUCHAMP (Witches of East End) – Interpretada por Julia Ormond, Joanna é protagonista da série, que flopou tanto e foi cancelada. Mas ok, devemos reconhecer que foi interessante a inserção da bissexualidade na trama. Ela é uma bruxa imortal do mundo mágico de Asgard que vive na terra há alguns bons séculos. Nos dois episódio que contam com presença da personagem Alex (Michelle Hurd), descobrimos que as duas tiveram um romance de alguns anos no passado.

 

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KELLY (San Junipero/Black Mirror) – O episódio mais fofo de Black Mirror, e vencedor de dois Emmys, é estrelado por Mackenzie Davis (como Yorkie) e Gugu Mbatha-Raw (como Kelly). As duas se conhecem em San Junipero, uma vila na Califórnia, no ano de 1987, quando Kelly está tentando fugir de um ex-namorado. As duas se apaixonam depois de alguns encontros. San Junipero é uma cidade fantasia de um sistema de realidade simulada do ano de 2040, quando ambas já estão no fim da vida. Não importa como ou quando, o amor sempre transforma!

 

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EMALINE ADARIO (Everything Sucks) – Saudosista e ambientada nos anos 1990, Everything Sucks!, é protagonizada por adolescentes que acabaram de entrar no ensino médio, com seus dramas tipicamente adolescentes.Apesar da produção ter um conteúdo bacana, ela foi, infelizmente, cancelada. Na história, o público acompanha o desenvolvimento desta personagens, seus medos, lutas e conquistas. Contudo, nota-se que Emaline (Sydney Sweeney) é a personagem que mais se transforma. No início, ela é apresentada como uma atriz arrogante do teatro da escola, que é namorada do garoto popular. Ao decorrer da narrativa, ela se apaixona por Kate (Peyton Kennedy), que está em processo de se descobrir lésbica. A série tem seus furos de roteiro, e cabe a crítica de que a Emaline só se apaixona por uma menina depois de ter sido abandonada por um garoto. Mas, vale reconhecer que colocar a bissexualidade como uma existência possível, e em um momento de descobertas, foi bem significativo (e bem fofo!).

 

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XENA (Xena) – A heroína de infância que você respeita! Não é novidade para ninguém que muito mais que amigas, Xena (Lucy Lawless) e Gabrielle (Reneé O’Connor) compartilhavam um sentimento e uma ligação bem intensas – um casal implícito, em outras palavras. Uma, literalmente, morria pela outra. Já diziam as boas línguas que o romance só não era explícito devido aos costumes dos anos 1990. Tanto que quando um reboot da série quase foi aprovado pela NBC, ano passado (infelizmente o projeto morreu), foi anunciado que o romance seria mais explorado. De toda forma, a personagem era uma princesa guerreira e bissexual e é isso que importa por hoje!

 

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ANNELISE KEATING (How To Get Away With Murder) – A cereja do bolo fica no final, não é mesmo? Então temos aqui mais uma protagonista bissexual muito bem resolvida. Talvez a melhor representação bissexual em séries nos últimos anos, já que a temática é introduzida sem rodeios e sem justificativa/desculpa para nenhum outro evento. Annelise, a advogada e professora criminalista, negra e de origem humilde, é bastante segura com sua sexualidade e a expressa livremente. O romance com Eve Rothlo (Famke Janssen) foi bem intenso.

 

Nos campos de batalhas simbólicos, as representações nos meios de comunicação são super importantes para o reconhecimento das diversidades e das formas de ser e estar no mundo. Toda forma de amor é válida e o choro é livre!

 

E então, alguma personagem ficou de fora? Comente e compartilhe suas favoritas!

 

*Letícia Moreira é produtora de cinema, pesquisadora e crítica de cinema, pelo site Mais que Sétima Arte (https://maisquesetimarte.wordpress.com/)

INDICADOS DO EMMY AWARDS 2018, SÓ VEM!

por Enoe Lopes Pontes

O “Haja Coração” do seriador começa agora!!!!!!!

Nesta quinta-feita, 12, a Academia divulgou os indicados da premiação mais importante da TV: o Emmy Awards. Sim! Este é o Oscar das séries, meus caros!! Entre a lista de indicados sempre aparecem nas categorias principais o drama, a comédia, a minissérie ou telefilme, os realities e os programas de variedade. O destaque deste ano é a veterana Game of Thrones, presente em vinte e duas categorias. Outro fator de destaque é a Netflix, que aparece em 112 categorias, contra as 108 da “rival” HBO. A cerimônia acontece no dia 17 de setembro e é exibida – no Brasil –  pelo canal TNT.

 

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Enquanto as emissoras disputam os lugares no pódio e nos corações do público, o Série a Sério traz a lista completa dos indicados, juntamente com os nossos nomes preferidos em cada categoria, em negrito!!! Confiram!

 

Melhor série dramática

“Game of thrones”

“The handmaid’s tale”

“Stranger things”

“The americans”

“The Crown”

“This is us”

“Westworld”

 

Melhor atriz em série dramática

Claire Foy – “The Crown”

Elisabeth Moss – “The handmaid’s tale”

Evan Rachel Wood – “Westworld”

Keri Russell – “The Americans”

Sandra Oh – “Killing eve”

Tatiana Maslany – “Orphan Black”

 

Melhor ator em série dramática

Ed Harris – “Westworld”

Jason Bateman – “Ozark”

Jeffrey Wright – “Westworld”

Matthew Rhys – “The americans”

Milo Ventimiglia – “This is us”

Sterling K. Brown – “This is us”

 

Melhor ator coadjuvante em série dramática

David Harbour – “Stranger things”

Mandy Patinkin – “Homeland”

Joseph Fiennes – “The handmaid’s Tale”

Matt Smith – “The crown”

Nikolaj Coster-Waldau – “Game of thrones”

Peter Dinklage – “Game of thrones”

 

Melhor atriz coadjuvante em série dramática

Alexis Bledel – “The handmaid’s tale”

Ann Dowd – “The handmaid’s Tale”

Lena Headey – “Game of thrones”

Millie Bobby Brown – “Stranger Things”

Thandie Newton – “Westworld”

Vanessa Kirby – “The Crown”

Yvonne Strahovski – “The handmaid’s Tale”

 

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Melhor série de comédia

“Atlanta”

“Barry”

“Black-ish”

“Glow”

“The marvelous mrs. Maisel”

“Curb your enthusiasm”

“Sillicon Valley”

“Unbreakable Kimmy Schmidt”

 

Melhor ator em série de comédia

Anthony Anderson – “Black-ish”

Bill Hader – “Barry”

Donald Glover – “Atlanta”

Larry David – “Curb your enthusiasm”

Ted Danson – “The Good Place”

William H. Macy – “Shameless”

 

Melhor atriz em série de comédia

Allison Janney – “Mom”

Issa Rae – “Insecure”

Lily Tomlin – “Grace and Frankie”

Pamela Adlon – “Better things”

Rachel Brosnahan – “The marvelous mrs. Maisel”

Tracee Ellis Ross – “Black-ish”

 

Melhor ator coadjuvante em série de comédia

Alec Baldwin – “Saturday night live”

Brian Tyree Henry – “Atlanta”

Henry Winkler – “Barry”

Kenan Thompson – “Saturda night live”

Louie Anderson – “Baskets”

Tituss Burgess – “Unbreakable Kimmy Schmidt”

Tony Shalhoub – “The marvelous mrs. Maisel”

 

Melhor atriz coadjuvante em série de comédia

Aidy Bryant – “Saturday night live”

Alex Borstein – “The marvelous mrs. Maisel”

Betty Gilpin – “Glow”

Kate McKinnon – “Saturday night live”

Laurie Metcalf – “Roseanne”

Leslie Jones – “Saturday night live”

Megan Mullally – “Will & Grace”

Zazie Beetz – “Atlanta”

 

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Melhor série limitada

“American Crime Story”

“Genius”

“Godless”

“Patrick Melrose”

“The alienist”

 

Melhor filme para a TV

“USS Callister” – Black Mirror

“Fahrenheit 451”

“Flint”

“Paterno”

“The tale”

 

Melhor ator em série limitada ou filme para TV

Antonio Banderas – “Genius”

Darren Criss – “American Crime Story”

Benedict Cumberbatch – “Patrick Melrose”

Jeff Daniels – “The Looming Tower”

John Legend – “Jesus Christ Superstar Live in concert”

Jesse Plemons – “Black Mirror”

 

Melhor atriz em série limitada ou filme para TV

Edie Falco – “Law & Order True Crime”

Regina King – “Seven Seconds”

Sarah Paulson – “American Horror Story”

Jessica Biel – “The Sinner”

Laura Dern – “The Tale”

 

Melhor ator coadjuvante em série limitada ou filme para TV

Brandon Victor Dixon – “Jesus Christ Superstar Live in concert”

Edgar Ramírez – “American Crime Story”

Finn Wittrock – “American Crime Story”

Jeff Daniels – “Godless”

John Leguizamo – “Waco”

Michael Stuhlbarg – “The Looming Tower”

Ricky Martin – “American Crime Story”

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Melhor atriz coadjuvante em série limitada ou filme para TV

Adina Porter – “American Horror Story”

Judith Light – “American Crime Story”

Letitia Wright – “Black Mirror”

Merritt Wever – “Godless”

Penélope Cruz – “American Crime Story”

Sara Bareiless – “Jesus Christ Superstar Live in concert”

 

Melhor ator convidado em série dramática

Cameron Britton – “Mindhunter”

Murray Abraham – “Homeland”

Gerald McRaney – “This is us”

Jimmi Simpson – “Westworld”

Matthew Goode – “The Crown”

Ron Cephas Jones – “This is us”

 

Melhor atriz convidada em série dramática

Cherry Jones – “The handmaid’s tale”

Cicely Tyson – “How to get away with murder”

Diana Rigg – “Game of thrones”

Kelly Jenrette – “The handmaid’s tale”

Samira Wiley – “The handmaid’s tale”

Viola Davis – “Scandal

 

Melhor ator convidado em série de comédia

Bill Hader – “Saturday night live”

Bryan Cranston – “Curb your enthuasiasm”

Donald Glover – “Saturday night live”

Katt Williams – “Atlanta”

Lin-Manuel Miranda – “Curb your enthusiasm”

Sterling K. Brown – “Brooklyn Nine-Nine”

 

Melhor atriz convidada em série de comédia

Jane Lynch – “The marvelous mrs. Maisel”

Maya Rudolph – “The good place”

Molly Shannon – “Will & Grace”

Tiffany Haddish – “Saturday night live”

Tina Fey – “Saturday night live”

Wanda Sykes – “Black-ish”

 

Melhor direção em série dramática

Jeremy Podeswa – “Game of thrones”

Alan Taylor – “Game of thrones”

Kari Skogland – “The handmaid’s tale”

Jason Bateman – “Ozark”

Daniel Sackheim – “Ozark”

Ross Duffer e Matt Duffer – “Stranger Things”

Stephen Daldry – “The Crown”

 

Melhor direção em série de comédia

Donald Glover – “Atlanta”

Hiro Murai – “Atlanta”

Bill Hader – “Barry”

Jesse Peretz – “Glow”

Amy Sherman – “The Marvelous Mrs. Maisel”

Mike Judge – “Silicon Valley”

 

Melhor direção em série limitada, filme para a TV ou especial de drama

Ryan Murphy – “American Crime Story”

Scott Frank – “Godless”

David Leveaux e Alex Leveaux – “Jesus Christ Superstar Live in Concert”

Barry Levinson – “Paterno”

Edward Berger – “Patrick Melrose”

Craig Zisk – “The looming tower”

David Lynch – “Twin Peaks”

 

Melhor roteiro de série dramática

David Benioff e D. B. Weiss – “Game of thrones” (“The dragon and the wolf”)

Phoebe Waller-Bridge – “Killing eve” (“Nice face”)

Bruce Miller – “The handmaid’s tale” (‘June”)

Matt Duffer e Ross Duffer – “Stranger Things” (“Chapter Nine: The gate”)

Joel Fields e Joseph Weisberg – “The americans” (“Start”)

Peter Morgan – “The Crown” (“Mystery man”)

 

Melhor reality show de competição

“American ninja warrior”

“Project Runway”

“RuPaul’s Drag Race”

“The Amazing Race”

“The Voice”

“Top Chef”

 

Melhor reality show

“Antiques roadshow”

“Lip Sync Battle”

“Fixer Upper”

“Queer Eye”

“Shark Tank”

“Who do you think you are?”

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Melhor apresentador de reality show de competição ou reality show

Ellen DeGeneres – “Ellen’s Game of Games”

Jane Lynch – “Hollywood Game night”

Heidi Klum e Tim Gunn – “Project Runway”

RuPaul – “RuPaul’s Drag Race”

Kamau Bell – “United Shades of America”

 

Melhor programa de variedades

“Full frontal with Samantha Bee”

“Jimmy Kimmel Live!”

“Last Week Tonight with John Oliver”

“The Daily Show”

“The Late Late Show with James Corden”

“The Late Show with Stephen Colbert”

 

Melhor direção de programa de variedades

Andre Allen – “Full frontal with Samantha Bee”

Paul Pennolino – “Last week tonight with John Oliver”

Carrie Brownstein – “Portlandia”

Don Roy King – “Saturday night live”

Tim Mancinelli – “The Late Late Show with James Corden”

Jim Hoskinson – “The Late Show with John Colbert”

 

Melhor programa de esquetes

“At home with Amy Sedaris”

“Drunk History”

“I love you, America”

“Portlandia”

“Saturday night live”

“Tracey Ullman’s Show”

 

Melhor especial de variedades

Cerimônia do Oscar 2018

“Jesus Christ Superstar Live in Concert”

“Night of too many stars”

Cerimônia do Grammy 2018

Cerimônia do Globo de Ouro 2018

 

Melhor direção em especial de variedades

Glenn Weiss – Cerimônia do Oscar 2018

Stan Lathan – “Dave Chapelle: Equanimity”

Michael Bonfiglio – “Jerry before Seinfeld”

Marcus Raboy – “Steve Martin and Martin Short: An Evening You Will Forget for the Rest of Your Life”

Hamish Hamilton – Show de intervalo do Super Bowl com Justin Timberlake

 

Melhor Documentário ou especial de não-ficção

“Jim & Andy: The Great Beyond – Featuring a Very Special, Contractually Obligated Mention of Tony Clifton”

“Mister Rogers: It’s you I like”

“Spielberg”

“The zen diaries of Garry Shandling”

“Ícaro”

 

Melhor ator em série de curtas de comédia ou drama

Alexis Denisof – “I love Bekka & Lucy”

DeStorm Power – “Caught the Series”

James Corden – “James Corden’s next James Corden”

Melvin Jackson Jr. – “This Eddie Murphy Role is Mine, Not Yours”

Miles Tagtmeyer – “Broken”

 

Melhor programa infantil

“Alexa & Katie”

“Fuller House”

“The Magical Wand Chase: A Sesame Street Special”

“A Series Of Unfortunate Events”

“Star Wars Rebels”

 

Melhor programa animado

“Baymax Returns (Big Hero 6: The Series)”

“Bob’s Burgers”

“Rick And Morty”

“The Simpsons”

“South Park”

 

Melhor programa interativo

“The Daily Show With Trevor Noah”

“Full Frontal With Samantha Bee”

“Last Week Tonight With John Oliver”

“The Late Late Show With James Corden”

“Saturday Night Live”

 

Terror em Série: os elementos do gênero em The Handmaid’s Tale

por Hilda Lopes Pontes*

 

Dede o dia 25 de abril, o canal streaming Hulu exibe a segunda temporada do seriado The Handmaid’s Tale. Com uma ambientação estilística muito específica – como cores e enquadramento -, a produção utiliza alguns elementos técnicos para criar um clima de tensão e medo. Pensando nisso, o Série a Sério abre sua coluna especial “Terror em Série” analisando os elementos do gênero em Handmaid’s.

O tom observando aqui já pode ser sentindo em seus primeiros minutos de projeção, no qual há um mundo distópico, com opressões vividas pelas mulheres moradoras do território que, um dia, foram os Estados Unidos. O universo baseado no romance homônimo da escritora Margaret Atwood, ganha tons de horror e uma ambientação que torna sua narrativa verossimilhante e bem embasada.

 

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Em seus primeiros enquadramentos, vê-se a protagonista June (Elisabeth Moss) fugindo com sua filha. Os planos são fechados, revelando pouco do entorno. Não se sabe ao certo quem está perseguindo sua família. Se estabelece ali um jogo entre a música e os planos, dando um ritmo acelerado para a cena. Entre acordes mais agudos, indicado perigo e uma cena repleta de cortes, nota-se um ambiente inóspito, deixando claro para o espectador que não havia saída para June.

É possível observar ao longo do piloto e de toda a série uma amplitude restrita do cenário. Ainda que existam planos mais amplos,  há poucas cenas que mostrem paisagens mais abertas.  Os enquadramentos são mais laterais e frontais, sempre retos e quase nunca se vê o céu desse novo país totalitário. Essa escolha da direção e da fotografia elucidam ainda mais essa clausura, essa prisão que as mulheres vivem.

 

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A série também traz cores fortes, vibrantes, como vermelho e azul, porém sem utilizar a saturação. Assim, os tons que poderiam passar leveza e até alegria, imprimem uma sensação de melancolia e reforçam a impressão de movimento retrógrado feito pelos radicais, trazendo em seus figurinos cortes e adereços que possuem cores para cada função das mulheres. As aias, vestem vermelho, que remete ao parto e são mais fáceis de ver ao longe, caso as mesmas fujam. As esposas, senhoras da casa, usam azul, remetendo à pureza e soberania e o verde e o marrom, também presente nas mulheres não férteis e nas mulheres mais velhas, trazem a esterilidade.

As casas também, umas do lado da outra, revestidas por muros e pedras e cores sombrias, formam uma possível sensação de que as mulheres vivem em gélidas masmorras, transfiguradas de lares. De maneira hiperbólica, os medos das mulheres são todos explorados, mostrando uma sociedade distópica, mas que, de certa forma pode traduzir a sociedade contemporânea. E a ambientação de terror vem pelos planos, pela música, pela geografia das cenas e escolhas de enquadramentos, já citados, mas também pela narrativa que não dá alívio para o espectador. A primeira temporada traz conflitos que vão progredindo lentamente, mas que são constantes.

 

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The Handmaid’s Tale tem uma trama concisa e sabe como jogar com a expectativa do espectador, traçando estratégias visuais e de narrativa que amedrontam, mas atraem quem assiste. É como o vermelho das roupas das aias, que, mesmo representando o perigo e o aprisionamento em que as mesmas vivem, as deixa chamando atenção, belas sem poder se esconder ou fugir de suas vidas sufocantes.

 

*Hilda Lopes Pontes é cineasta e crítica cinematográfica. Formada em Direção Teatral e Mestre em Artes Cênicas, pela Universidade Federal da Bahia, hoje, ela é sócia-fundadora da Olho de Vidro Produções, empresa baiana de audiovisual.

TOP 5 – SÉRIES GIRL POWER

por Enoe Lopes Pontes

Representatividade! Ligar a TV, acessar o tablet, abrir o computador e se ver na tela é uma das melhores sensações que a recepção pode ter. Apesar de Hollywood ser uma terra dominada por homens – sobretudo brancos -, as produções têm apresentado uma maior quantidade de personagens de gêneros, etnias e sexualidades distintas. Obviamente, a igualdade não foi alcançada, ela ainda está muito longe. Contudo, vale celebrar e assistir aos seriados que trazem diversidade na equipe e em seus textos.

Pensando nisso, o Série a Sério traz agora uma lista com cinco séries mais Girl Power da televisão estadunidense. No top 5, foram consideradas a popularidade, o grau de representação na tela e o discurso das produções. Lembrando que o tema foi escolhido pelos leitores em nosso instagram! Confiram!

 

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5. Desperate Housewives (2004-2012): Exibida pelo canal ABC e criada por Marc Cherry (Devious Maids), a série é uma dramédia de mistério, na qual quatro donas de casa perdem uma grande amiga que se suicidou. Juntas, elas descobrem que existem motivos obscuros para a morte da tão querida amiga e passam a investigar os segredos que levam Mary Alice a tirar a própria vida. Além da qualidade técnica do seriado, que sabe dosar em cada episódio os momentos cômicos e trágicos, ter uma boa dinâmica no elenco e uma trilha que casa com a ironia que a produção busca passar, Desperate é puro girl power. Em 2004, o público teve contato com quatro mulheres fortes e donas de si que, apesar de em sua primeira camada, demonstrarem ser esterótipos femininos estabelecidos no imaginário da sociedade: a esposa perfeita e cuidadosa (Bree), a divorciada atrapalhada (Susan), a mãezona estressada, cheia de filhos travessos (Lynette) e a fútil (Gabrielle); eram muito mais do que isso. Durante as oito temporadas de Desperate Housewives estes arquétipos vão caído por terra e as moças vão demonstrando camadas profundas em suas personalidades, as dificuldades enfrentadas por serem mulheres, os dribles no machismo e a força guardada em cada uma.

 

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4. How to Get Away with Murder (2014-): Viola Davis é protagonista deste drama criminal, também exibido pela ABC. Davis interpreta a professora Annalise Keating, uma célebre advogada que precisa de cinco estagiários para trabalhar com ela em seu escritório. Obviamente, ela e os alunos escolhidos envolvem-se em crimes e situações tensas que vão se complicando cada vez mais a medida que a narrativa avança. O girl power está presente na produção tanto em Keating quanto nas figuras femininas coadjuvantes. São as mulheres que descobrem ou planejam as ciladas primeiro, que sabem se expressar melhor e movimentam a trama com mais complexidade e desenvolvimento. HTGAWM é um produto da Shondaland – empresa de Shonda Rhimes, criadora de Scandal e Grey’s Anatomy – e traz consigo uma qualidade presente nas obras da produtora: a diversidade étnica e a visibilidade gay. No caso de How to Get Away, a bissexualidade também está em voga, algo mais raro e muitas vezes tratado de maneira equivocada, como um fetiche ou uma confusão.

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3. Buffy – A Caça Vampiros (1996-2003): Poucas produções possuem um grau tão alto de girl power como esta série. A começar pela protagonista, Buffy Summer (Sarah Michelle-Gellar), uma jovem caçadora de criaturas sobrenaturais. A forma como a personagem é independente, firme e corajosa é uma inspiração. Construída paulatinamente com camadas de complexidades adicionadas a cada ano, sua postura de heroína só cresce dentro da história, chegando no ápice na sétima temporada, quando Summers já é uma mulher totalmente consciente e dona de suas ações. Outro destaque é Willow Rosenberg (Alyson Hannigan), que começa como uma menina ingênua e nerd, a jovem torna-se muito poderosa e determinada. Além disso, Willow é uma das primeiras personagens lésbicas assumidas da telvisão estadunidense e toda a sua trajetória até namorar uma mulher acontece com muita naturalidade e faz sentido dentro da trama. Por fim, é bacana falar sobre a presença de Joyce Summers (Kristine Sutherland), mãe de Buffy. Apesar de trazer um pouco do ideal de espírito maternal, aqui Joss Wheadon – showrunner* de Buffy – criou uma persona mais complexa. Joyce cria a filha sozinha e busca o melhor para ela, mas também tem vida própria e uma personalidade forte. Vejam bem, a produção começou em 1996, quando se era muito comum colocar senhoras rabugentas ou passivas nos enredos. Aqui não! Há fibra, garra e até participação direta em conflitos com mais ação. Na trama ainda existem coadjuvantes fortíssimas como Anya (Emma Caulfield) e Cordelia Chase (Charisma Carpenter). Por estes motivos e por ser muito divertida, Buffy – A Caça Vampiros vale muito a pena ser conferida.

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2. The Handmaid’s Tale (2017-): Fotografia, roteiro e atuações; a qualidade dos elementos técnicos da série já é um chamariz para o espectador. Contudo, a discussão que a produção provoca é ainda mais relevante. Baseado na obra homônima de Margaret Atwood, o enredo traz um mundo distópico no qual as mulheres são brutalmente escravizadas, violentadas e assassinadas. Nada é tão diferente do que a sociedade da vida real vive. O que a história faz é colocar uma lente de aumento nos maus tratos, no machismo, na homofobia e no radicalismo para que o público fique tão tocado e provocado que possa conseguir alcançar algumas reflexões, tais quais: qual o lugar que as mulheres ocupam de fato na sociedade? Quantas repressões elas vivem em seus cotidianos? O que lhes é tirado todos os dias? O que está acontecendo com cada uma delas neste momento? O discurso é potente e as ferramentas para contar as trajetórias destas figuras são muito boas. A segunda temporada já começou a ser disponibilizada pelo canal streaming Hulu. Corre!

 

Resultado de imagem para orange is the new black1. Orange is the New Black (2013-): Observando a quantidade de diversidade presente em Orange, já é possível compreender a razão dela ocupar a primeiríssima colocação da lista. O seriado, porém, vai além disto: há qualidade em sua representações. Inicialmente, o espectador é apresentado ao cotidiano de Piper Chapman (Taylor Schilling), uma menina branca de classe média dos Estados Unidos, que é sentenciada a quinze meses de prisão por envolvimento com tráfico de drogas. A sacada da produção de começar com uma jovem que se encaixa mais no padrão dos EUA e ir introduzindo os conflitos de mulheres de outras etnias e classes sociais, atrai o público diverso e segura o mais conservador. No final das contas, olhando para as cinco temporadas de OITNB, é possível encontrar também a sensibilidade para retratar estas figuras femininas encarceradas, seus conflitos, seus sentimentos, suas vidas dentro e fora da cadeia. Se você ainda não viu Orange, corre lá para ver!

 

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Outros títulos girl powers que valem ser conferidos: I Love Lucy, A Feiticeira, Jeannie é um Gênio, As Panteras, Charmed, Sex and the City, Gilmore Girls, Cold Case, The New Adventures of Old Christine, The Closer, Ghost Whisperer, Weeds, Grey’s Anatomy, The Comeback, Being Erica, Drop Dead Diva, The Good Wife, Body of Proof, Rizzoli & Isles, Revenge, 2 Broke Girls, Lost Girl, Veep, Faking it, The Fosters, Scandal, Supergirl, The Fall, Unbreakable Kimmy Schmidt, Jessica Jones, Crazy Ex-girlfriend, Big Little Lies, The Bold Type.

Santa Clarita Diet – O Retorno da Bomba

por Enoe Lopes Pontes

Nem só de cliffhanger vive uma série! Aliás, qualquer narrativa digna precisa de desenvolvimento, lógica e  coerência em todos os elementos que traga. Apesar de possuir bons desfechos em seus episódios, daqueles que deixam o espectador com vontade de terminar a temporada, o segundo ano de Santa Clarita Diet peca em saber manter o foco da trama e aproveitamento do plot .

Diferentemente da primeira parte de Santa Clarita, na qual as piadas e ações dramatúrgicas pareciam forçadas e deslocadas, aqui parece haver um esforço para que os conflitos menores se encaixem com a problemática geral: Sheila (Drew Barrymore), uma mãe do subúrbio dos Estados Unidos virou um zumbi e sua família deseja encontrar uma cura. Ainda assim, os realizadores deixam a sensação de que tem muita coisa ocorrendo ao mesmo tempo e o resultado acaba sendo o mesmo. Ok, todos os acontecimentos do roteiro acabam movendo o plot, contudo, a quantidade de personagens e “quiprocós” introduzidos retardam a resolução que a trama precisa, além de não trazer complexidade para o texto e ações.

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Um exemplo disto é o papel de Ramona (Ramona Young). Há uma inexpressividade desta figura, que parece ser algo demandado pela direção. Porém, ela não é apenas sem viço em sua interpretação, mas em sua própria participação na narrativa. Por que a jovem ganhou tanto espaço de cena se ela está ali apenas para revelar uma informação e sair? E se ela recebeu este foco, deveria ser mais bem explorada ou ter um desfecho menos apressado. Assim, como a moça, as escolhas de Victor Fresco (My Name is Earl) e sua equipe parecem todas apelativas e facilmente descartáveis.

No entanto, há uma qualidade nestes novos episódios que antes fora apenas rascunhado. Drew Barrymore (As Panteras) e Timothy Olyphant (O Maior Amor do Mundo) conseguem estabelecer uma boa dinâmica entre eles. O jogo, que é necessário que atores façam em cena, acontece em equilíbrio. É notável que eles estão conectados, pois a dupla traz no subtexto que há um entendimento forte entre o casal, através de olhares e gestos que dispensam palavras – o que pode ser que salve mesmo, visto que o texto é tão apelão -, além da constante troca entre agitação e tranquilidade das personagens que os dois dosam entre si, deixando que o espectador consiga fruir mais os acontecimentos e respire entre um frenesi e outro.

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Ainda que uma relativa melhora tenha acontecido em Santa Clarita Diet, a série continua pecado em diversos fatos, incluindo ser uma comédia que não tem graça. Agora, resta esperar para ver se o conflito será finalmente resolvido ou a Netflix vai cair em si e cancelar esta produção.

 

Com indecisão de plot e falta de ritmo, Jessica Jones tem uma temporada morna

por Enoe Lopes Pontes

Após três anos de hiato, Jessica Jones finalmente chegou ao catálogo da Netflix. Continuando a explorar traumas da protagonista para impulsionar a sua história, a segunda temporada da série demora de engatar e parece enrolar o espectador da pior forma. Isto porque a decisão de qual conflito será explorado e quem a protagonista vai enfrentar vai sendo adiado e muitas personagens vão sendo inseridas ao mesmo tempo, podendo deixar o espectador perdido e/ou entediado. Há uma confusão sobre qual é o caminho que a narrativa vai seguir, o que pode deixar o acompanhamento dos três primeiros episódio uma tarefa cansativa.

Um dos elementos que contribuem para a falta de rumo do plot são os micro conflitos deste segundo ano do seriado, que envolvem os coadjuvantes! Ok, explorar o que acontece com a vida dos que cercam JJ poderia ser positivo, mas o roteiro e as atuações não exploram com profundidade seus sentimentos, problemas e emoções. As questões que envolvem Jeri Hogarth (Carrie-Anne Moss) e Malcom Ducasse (Eka Darville), por exemplo, são entregues a conta gotas, as soluções das peças deste um quebra-cabeça são óbvias desde o início, porque são clichês  e já muito utilizadas (sem spoilers). Há também uma direção falha, por deixar que o trabalho de ator de Moss e Darville pareça forçado e “apelão”, como numa tentativa para cativar o público, mas que, no fim, soa não orgânico. A única personagem secundária que se destaca em sua narrativa e interpretação é Patrícia/Trish Walker (Rachel Taylor). Sem entregar muito, talvez esta seja a parte mais instigante da trama.

 

 

Patrícia deixa ser uma figura plana, aquela que é apenas a melhor amiga da mocinha e passa a ocupar uma relevância dentro das teias que o enredo vai formando. Há uma complexidade nova em Walker. Isto pode ser visto na Taylor, através de seus movimentos de corpo, que exploram ritmos combinados ou descombinados com as ações que se passam na tela e as suas gesticulações que chamam a atenção a depender da idade da moça. A sua construção deixa clara as motivações da personagem e as marcas que a sua vida pregressa deixou em seu olhar e postura corporal. É por isso que os flashbacks enriquecem ainda mais o entendimento sobre a Trish Walker e preparam o espectador para a sua última cena da temporada! (Sem spoilers!!).

Mas, voltando para a Jessica! Aqui, vemos uma ampliação também dos elementos que formam a personalidade da JJ. Ao mostrar seu passado, a série coloca suas fragilidades expostas, assim como na primeira temporada. Contudo, estas revelações refletem no presente de Jones de uma forma que a deixa mais sensível, mostrando até um lado mais doce dela. Neste sentido, Krysten Ritter é bem sucedida. A artista não perde o que já foi estabelecido da heroína anteriormente, porém coloca camadas de sentido novos, com olhares mais demorados em suas contra cenas e pesando ainda mais na energia e nos movimentos na frente das telas.

 

 

Apesar de Trish, Jessica e a relação das duas serem bem abordadas pelos roteiristas e pelas atrizes, a quantidade de fillers* em cada episódio quebra o ritmo da narrativa, deixando o público fatigado. As cenas de ação também parecem pequenas, em comparação com o primeiro ano de JJ. Tampouco há uma criação de tensão que seja sustentada por um tempo grande. A sensação que a temporada deixa é uma indecisão sobre o plot principal.

Com um conflito que demora em se estabelecido e ritmos desnivelados, a segunda temporada de Jessica Jones é uma história sobre relações sentimentais entre familiares e amigos. Apesar de tentar enriquecer a complexidade das cenas e de suas personagens, a série apenas enche linguiça e pode deixar o espectador entediado até a sua metade.

 

*Filler: encheção de linguiça

 

TOP 5 – MELHORES SÉRIES ESCONDIDAS NA NETFLIX

por Enoe Lopes Pontes

As séries de TV mais vistas são descobertas pelo público através de divulgação pesada, por material dos grandes veículos de comunicação, pelas redes sociais e por indicação de amigos. Sejam  mais novos ou antigos, os seriados mais conhecidos acabam caindo no gosto do público e são muito maratonados. Há alguns casos, no entanto, de produções bem realizadas, mas que perdem seu destaque ou nunca foram descobertas. Algumas obras foram marcantes apenas em suas épocas,  outras não alcançaram uma alta popularidade mundialmente ou são difíceis de encontrar para comprar ou na internet.

Independentemente da razão para este mistério, o Série a Sério garimpou a Netflix e encontrou algumas pérolas um pouco mais raras, que valem pela qualidade, nostalgia, diversão ou puro entretenimento.  A lista – escolhida através de votação em nosso instagram: @serie_a_serio – buscou juntar gêneros, épocas e gostos diversos! Confiram!

 

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5 – VAN HELSING (2016-) – Com duas temporadas exibidas pelo Canal Syfy (Estados Unidos) e pela Netflix, (Brasil), a série mostra uma sociedade distópica, na qual os vampiros infectaram os humanos e tomaram conta do planeta. Numa de mistura que fica entre The Walking Dead (AMC, 2010-) e Hemlock Grove (Netflix, 2013-2015), o seriado prende a atenção por despertar  curiosidade e atenção para o mistério que cerca a narrativa. As revelações ocorrem lentamente, mas sem perder o fôlego ou o ritmo da história. O seu roteiro tem consistência na medida em que sabe amarrar os conflitos que são desenvolvidos em episódios espaçados, sem se perder na teia de peripécias criadas pelos autores. Entre os flashbacks e o presente, o público vai desvendando quem é a protagonista e a sua importância dentro deste universo. Apesar do pontos bacanas, essa estrutura apenas se mantém completamente no primeiro ano de Van Helsing, deixando um gostinho de frustração e enrolação no ar na sua segunda parte. De toda forma, a produção vale ser conferida! Sejam pelas razões já citadas, por ter uma protagonista mulher bem interpretada (Kelly Overton) ou pelos cliffhangers, Helsing justifica a sede de um seriador por um bom binge watching*!

 

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4 – DROP DEAD DIVA (2009-2014) – Exibida pela Lifetime (EUA), e pela Sony (BR), esta é uma daquelas séries que aquecem o coração! Com seis temporadas na bagagem, o seriado narra a trajetória de Deb (Brooke D’Orsay): uma super modelo que sofre um acidente de carro e morre. Após seu falecimento, já no céu, ela aperta um botão que a manda de volta para a Terra. Contudo, ela retorna diferente: em um corpo de uma advogada cdf, workhaloic e fora dos padrões de beleza impostos pela sociedade. O seriado mescla o estilo “procedural” com o serializado, mostrando ao público os casos jurídicos da personagem principal, junto com as dificuldades dela em se adaptar a um cérebro, um trabalho e a amigos diferentes. Drop Dead vale pelo carisma da atriz central – que ainda performa vários números musicais durante os seis anos de exibição de DDD e tem uma voz linda -, por saber equilibrar a comédia e o drama dentro de cada episódio e explorar as emoções e sensações de Jane (Brooke Elliott), deixando-a complexa e a humanizando, sem deixar a história piegas. Além disso, eles sabem segurar bem a onda em seu hibridismo, com doses jurídicas que instigam, mas não retiram o foco do mais importante para a trama: a trajetória de sua mocinha. Apesar disso, atentem para a paciência com os fillers** e algumas decisões narrativas que pesam a mão no melodrama, destoando da proposta estilística que predomina na obra.

 

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3 – LOVESICK (2014-) – A sitcom britânica Lovesick ocupa a terceira posição, principalmente, pelo seu tom ácido e seu timing. Ok, é um seriado do Reino Unido! Seu humor é muito específico, por ser mais seco e menos explícito, contudo isto não o torna menos engraçado. Quando o espectador foca no plot da série, este argumento faz muito mais sentido!!! Dylan Witter (Johnny Flynn) é diagnosticado com Clamídia e precisa avisar todas as suas parceiras sexuais disso. Cada episódio, conhecemos alguma – ou mais de uma – garota que ele se relacionou. Apesar do protagonista ser aquele típico homem que não sabe dar atenção a menina correta, mas só vive reclamando, aqui este comportamento é mostrado de forma crítica. Através da tolice de Dylan e da perspicácia das mulheres ao seu redor, as situações cômicas são elevadas, juntas com a quantidade de risos. O ponto que desanima é um antigo clichê: o da paixão frustrada entre melhores amigos. Ainda assim, há muito mais para ser aproveitado na série: diálogos afiados e autores que conseguem dizer em poucas palavras o que querem; interpretações equilibradas e conscientes, os atores entendem suas personagens e demonstram suas forças e fragilidades em olhares e gestos, mas tudo com muita sutileza e elegância britânica; a fotografia que consegue mostrar a beleza da Escócia, sem tirar o foco – literalmente – das emoções das figuras dramáticas retratadas na tela. Ah! Ainda tem mais um detalhe que empolga, o binge é rapidinho! São 22 episódios exibidos até agora, cada um com um pouco mais de vinte minutos. Corre, porque em uma noite você fica em dia com Lovesick!

 

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2 – PARTY OF FIVE / O QUINTETO (1994-2000) – Série teen dos anos 1990, Party of Five conta a história de cinco órfãos que precisam  enfrentar os desafios da juventude. Para quem gosta do estilo dos seriados familiares do final do século XX, daqueles com os caminhos possíveis para resoluções de problemas aparentemente grandes e de ver os conflitos adolescentes típicos da época, essa é uma grande chance de ver isto acontecendo na tela e de forma bem feita. Vencedora do Globo de Ouro de Melhor Seriado Dramático, em 1996, a narrativa é simples: os irmãos possuem uma questão para resolver (dinheiro, tempo, amores) e com muita fraternidade e conversa vão conseguindo driblar os desafios. Porém, a forma de contar é o mais importante. Primeiramente, existe uma delicadeza tanto da direção quanto do roteiro em retratar as personagens principais que tão cedo perderam o pai e a mãe. O tom é acertado justamente porque consegue passar a ausência, a perda e a falta de credulidade das pessoas ao quando precisam lidar com o luto, ainda mais quando ele acontece de repente e como as mudanças acontecem na vidas destas pessoas e como elas acontecem. O sofrimento das personagens é equilibrando, suas fraquezas e forças são mostradas, deixando-as menos planas. Além disso, há uma qualidade no roteiro por possuir múltiplas questões em um mesmo episódio, mas que se amarram e passam a mesma lição do dia, no final das contas. É através das angústias de Charlie, Bailey, Julia, Claudia e Owen que os problemas são expostos e as respostas são encontradas.  As atuações não são o forte de POF, mas também não comprometem a qualidade da obra. Há, no entanto, um destaque dentro do elenco: Lacey Chabert (Meninas Malvadas). A atriz consegue passar muitas emoções complexas – como entender que precisa amadurecer mais rápido para ajudar em casa – sem ser expositiva em seu tom de voz ou expressões faciais.

 

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1 – CRAZY EX-GIRLFRIEND (2015-) – Talvez esta seja a melhor série cômica exibida na atualidade! Por que? Crazy Ex-girlfriend é uma comédia musical sobre uma mulher muito bem sucedida que se muda de cidade para ir atrás de um ex-namorado. Acompanhando a contemporaneidade, a série critica todo o machismo, a alienação e os problemas da sociedade do século 21 – como o crescimento das doenças psicológicas, o peso que as pessoas dão aos seus problemas, o egocentrismo e as farsas vividas e propagadas dentro das redes sociais. Tudo isso em números com canções cheias de frases sarcásticas e cruéis. O seriado também ganha muito pontos por não se tão levar a sério, rindo de suas próprias gags, criando plot twists que são desfeitos rapidamente ou com alguma quebra da quarta parede que exponha ainda mais a protagonista. Rebecca Bunch (Rachel Bloom) é uma mulher como outra qualquer, apesar de muito bonita e inteligente, é fora dos padrões de beleza e sanidade. Porém, seu carisma disfarça suas extravagâncias comportamentais e ela consegue conquistar todos ao seu redor. A empatia que a personagem causa foi passada bravamente por Bloom que, inclusive, recebeu o Globo de Ouro de Melhor atriz, em 2017, por sua performance. Por todas estas questões, CEG ocupa o primeiro lugar da lista e é uma excelente ideia para um final de semana de “Netflix and chill”.

 

*binge watching – maratonar

** Fillers – encheção de linguiça em narrativas

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