Com indecisão de plot e falta de ritmo, Jessica Jones tem uma temporada morna

por Enoe Lopes Pontes

Após três anos de hiato, Jessica Jones finalmente chegou ao catálogo da Netflix. Continuando a explorar traumas da protagonista para impulsionar a sua história, a segunda temporada da série demora de engatar e parece enrolar o espectador da pior forma. Isto porque a decisão de qual conflito será explorado e quem a protagonista vai enfrentar vai sendo adiado e muitas personagens vão sendo inseridas ao mesmo tempo, podendo deixar o espectador perdido e/ou entediado. Há uma confusão sobre qual é o caminho que a narrativa vai seguir, o que pode deixar o acompanhamento dos três primeiros episódio uma tarefa cansativa.

Um dos elementos que contribuem para a falta de rumo do plot são os micro conflitos deste segundo ano do seriado, que envolvem os coadjuvantes! Ok, explorar o que acontece com a vida dos que cercam JJ poderia ser positivo, mas o roteiro e as atuações não exploram com profundidade seus sentimentos, problemas e emoções. As questões que envolvem Jeri Hogarth (Carrie-Anne Moss) e Malcom Ducasse (Eka Darville), por exemplo, são entregues a conta gotas, as soluções das peças deste um quebra-cabeça são óbvias desde o início, porque são clichês  e já muito utilizadas (sem spoilers). Há também uma direção falha, por deixar que o trabalho de ator de Moss e Darville pareça forçado e “apelão”, como numa tentativa para cativar o público, mas que, no fim, soa não orgânico. A única personagem secundária que se destaca em sua narrativa e interpretação é Patrícia/Trish Walker (Rachel Taylor). Sem entregar muito, talvez esta seja a parte mais instigante da trama.

 

 

Patrícia deixa ser uma figura plana, aquela que é apenas a melhor amiga da mocinha e passa a ocupar uma relevância dentro das teias que o enredo vai formando. Há uma complexidade nova em Walker. Isto pode ser visto na Taylor, através de seus movimentos de corpo, que exploram ritmos combinados ou descombinados com as ações que se passam na tela e as suas gesticulações que chamam a atenção a depender da idade da moça. A sua construção deixa clara as motivações da personagem e as marcas que a sua vida pregressa deixou em seu olhar e postura corporal. É por isso que os flashbacks enriquecem ainda mais o entendimento sobre a Trish Walker e preparam o espectador para a sua última cena da temporada! (Sem spoilers!!).

Mas, voltando para a Jessica! Aqui, vemos uma ampliação também dos elementos que formam a personalidade da JJ. Ao mostrar seu passado, a série coloca suas fragilidades expostas, assim como na primeira temporada. Contudo, estas revelações refletem no presente de Jones de uma forma que a deixa mais sensível, mostrando até um lado mais doce dela. Neste sentido, Krysten Ritter é bem sucedida. A artista não perde o que já foi estabelecido da heroína anteriormente, porém coloca camadas de sentido novos, com olhares mais demorados em suas contra cenas e pesando ainda mais na energia e nos movimentos na frente das telas.

 

 

Apesar de Trish, Jessica e a relação das duas serem bem abordadas pelos roteiristas e pelas atrizes, a quantidade de fillers* em cada episódio quebra o ritmo da narrativa, deixando o público fatigado. As cenas de ação também parecem pequenas, em comparação com o primeiro ano de JJ. Tampouco há uma criação de tensão que seja sustentada por um tempo grande. A sensação que a temporada deixa é uma indecisão sobre o plot principal.

Com um conflito que demora em se estabelecido e ritmos desnivelados, a segunda temporada de Jessica Jones é uma história sobre relações sentimentais entre familiares e amigos. Apesar de tentar enriquecer a complexidade das cenas e de suas personagens, a série apenas enche linguiça e pode deixar o espectador entediado até a sua metade.

 

*Filler: encheção de linguiça

 

TOP 5 – MELHORES SÉRIES ESCONDIDAS NA NETFLIX

por Enoe Lopes Pontes

As séries de TV mais vistas são descobertas pelo público através de divulgação pesada, por material dos grandes veículos de comunicação, pelas redes sociais e por indicação de amigos. Sejam  mais novos ou antigos, os seriados mais conhecidos acabam caindo no gosto do público e são muito maratonados. Há alguns casos, no entanto, de produções bem realizadas, mas que perdem seu destaque ou nunca foram descobertas. Algumas obras foram marcantes apenas em suas épocas,  outras não alcançaram uma alta popularidade mundialmente ou são difíceis de encontrar para comprar ou na internet.

Independentemente da razão para este mistério, o Série a Sério garimpou a Netflix e encontrou algumas pérolas um pouco mais raras, que valem pela qualidade, nostalgia, diversão ou puro entretenimento.  A lista – escolhida através de votação em nosso instagram: @serie_a_serio – buscou juntar gêneros, épocas e gostos diversos! Confiram!

 

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5 – VAN HELSING (2016-) – Com duas temporadas exibidas pelo Canal Syfy (Estados Unidos) e pela Netflix, (Brasil), a série mostra uma sociedade distópica, na qual os vampiros infectaram os humanos e tomaram conta do planeta. Numa de mistura que fica entre The Walking Dead (AMC, 2010-) e Hemlock Grove (Netflix, 2013-2015), o seriado prende a atenção por despertar  curiosidade e atenção para o mistério que cerca a narrativa. As revelações ocorrem lentamente, mas sem perder o fôlego ou o ritmo da história. O seu roteiro tem consistência na medida em que sabe amarrar os conflitos que são desenvolvidos em episódios espaçados, sem se perder na teia de peripécias criadas pelos autores. Entre os flashbacks e o presente, o público vai desvendando quem é a protagonista e a sua importância dentro deste universo. Apesar do pontos bacanas, essa estrutura apenas se mantém completamente no primeiro ano de Van Helsing, deixando um gostinho de frustração e enrolação no ar na sua segunda parte. De toda forma, a produção vale ser conferida! Sejam pelas razões já citadas, por ter uma protagonista mulher bem interpretada (Kelly Overton) ou pelos cliffhangers, Helsing justifica a sede de um seriador por um bom binge watching*!

 

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4 – DROP DEAD DIVA (2009-2014) – Exibida pela Lifetime (EUA), e pela Sony (BR), esta é uma daquelas séries que aquecem o coração! Com seis temporadas na bagagem, o seriado narra a trajetória de Deb (Brooke D’Orsay): uma super modelo que sofre um acidente de carro e morre. Após seu falecimento, já no céu, ela aperta um botão que a manda de volta para a Terra. Contudo, ela retorna diferente: em um corpo de uma advogada cdf, workhaloic e fora dos padrões de beleza impostos pela sociedade. O seriado mescla o estilo “procedural” com o serializado, mostrando ao público os casos jurídicos da personagem principal, junto com as dificuldades dela em se adaptar a um cérebro, um trabalho e a amigos diferentes. Drop Dead vale pelo carisma da atriz central – que ainda performa vários números musicais durante os seis anos de exibição de DDD e tem uma voz linda -, por saber equilibrar a comédia e o drama dentro de cada episódio e explorar as emoções e sensações de Jane (Brooke Elliott), deixando-a complexa e a humanizando, sem deixar a história piegas. Além disso, eles sabem segurar bem a onda em seu hibridismo, com doses jurídicas que instigam, mas não retiram o foco do mais importante para a trama: a trajetória de sua mocinha. Apesar disso, atentem para a paciência com os fillers** e algumas decisões narrativas que pesam a mão no melodrama, destoando da proposta estilística que predomina na obra.

 

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3 – LOVESICK (2014-) – A sitcom britânica Lovesick ocupa a terceira posição, principalmente, pelo seu tom ácido e seu timing. Ok, é um seriado do Reino Unido! Seu humor é muito específico, por ser mais seco e menos explícito, contudo isto não o torna menos engraçado. Quando o espectador foca no plot da série, este argumento faz muito mais sentido!!! Dylan Witter (Johnny Flynn) é diagnosticado com Clamídia e precisa avisar todas as suas parceiras sexuais disso. Cada episódio, conhecemos alguma – ou mais de uma – garota que ele se relacionou. Apesar do protagonista ser aquele típico homem que não sabe dar atenção a menina correta, mas só vive reclamando, aqui este comportamento é mostrado de forma crítica. Através da tolice de Dylan e da perspicácia das mulheres ao seu redor, as situações cômicas são elevadas, juntas com a quantidade de risos. O ponto que desanima é um antigo clichê: o da paixão frustrada entre melhores amigos. Ainda assim, há muito mais para ser aproveitado na série: diálogos afiados e autores que conseguem dizer em poucas palavras o que querem; interpretações equilibradas e conscientes, os atores entendem suas personagens e demonstram suas forças e fragilidades em olhares e gestos, mas tudo com muita sutileza e elegância britânica; a fotografia que consegue mostrar a beleza da Escócia, sem tirar o foco – literalmente – das emoções das figuras dramáticas retratadas na tela. Ah! Ainda tem mais um detalhe que empolga, o binge é rapidinho! São 22 episódios exibidos até agora, cada um com um pouco mais de vinte minutos. Corre, porque em uma noite você fica em dia com Lovesick!

 

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2 – PARTY OF FIVE / O QUINTETO (1994-2000) – Série teen dos anos 1990, Party of Five conta a história de cinco órfãos que precisam  enfrentar os desafios da juventude. Para quem gosta do estilo dos seriados familiares do final do século XX, daqueles com os caminhos possíveis para resoluções de problemas aparentemente grandes e de ver os conflitos adolescentes típicos da época, essa é uma grande chance de ver isto acontecendo na tela e de forma bem feita. Vencedora do Globo de Ouro de Melhor Seriado Dramático, em 1996, a narrativa é simples: os irmãos possuem uma questão para resolver (dinheiro, tempo, amores) e com muita fraternidade e conversa vão conseguindo driblar os desafios. Porém, a forma de contar é o mais importante. Primeiramente, existe uma delicadeza tanto da direção quanto do roteiro em retratar as personagens principais que tão cedo perderam o pai e a mãe. O tom é acertado justamente porque consegue passar a ausência, a perda e a falta de credulidade das pessoas ao quando precisam lidar com o luto, ainda mais quando ele acontece de repente e como as mudanças acontecem na vidas destas pessoas e como elas acontecem. O sofrimento das personagens é equilibrando, suas fraquezas e forças são mostradas, deixando-as menos planas. Além disso, há uma qualidade no roteiro por possuir múltiplas questões em um mesmo episódio, mas que se amarram e passam a mesma lição do dia, no final das contas. É através das angústias de Charlie, Bailey, Julia, Claudia e Owen que os problemas são expostos e as respostas são encontradas.  As atuações não são o forte de POF, mas também não comprometem a qualidade da obra. Há, no entanto, um destaque dentro do elenco: Lacey Chabert (Meninas Malvadas). A atriz consegue passar muitas emoções complexas – como entender que precisa amadurecer mais rápido para ajudar em casa – sem ser expositiva em seu tom de voz ou expressões faciais.

 

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1 – CRAZY EX-GIRLFRIEND (2015-) – Talvez esta seja a melhor série cômica exibida na atualidade! Por que? Crazy Ex-girlfriend é uma comédia musical sobre uma mulher muito bem sucedida que se muda de cidade para ir atrás de um ex-namorado. Acompanhando a contemporaneidade, a série critica todo o machismo, a alienação e os problemas da sociedade do século 21 – como o crescimento das doenças psicológicas, o peso que as pessoas dão aos seus problemas, o egocentrismo e as farsas vividas e propagadas dentro das redes sociais. Tudo isso em números com canções cheias de frases sarcásticas e cruéis. O seriado também ganha muito pontos por não se tão levar a sério, rindo de suas próprias gags, criando plot twists que são desfeitos rapidamente ou com alguma quebra da quarta parede que exponha ainda mais a protagonista. Rebecca Bunch (Rachel Bloom) é uma mulher como outra qualquer, apesar de muito bonita e inteligente, é fora dos padrões de beleza e sanidade. Porém, seu carisma disfarça suas extravagâncias comportamentais e ela consegue conquistar todos ao seu redor. A empatia que a personagem causa foi passada bravamente por Bloom que, inclusive, recebeu o Globo de Ouro de Melhor atriz, em 2017, por sua performance. Por todas estas questões, CEG ocupa o primeiro lugar da lista e é uma excelente ideia para um final de semana de “Netflix and chill”.

 

*binge watching – maratonar

** Fillers – encheção de linguiça em narrativas

Netflix aposta em fofura, conflito adolescente e muito anos 1990 em Everything Sucks

Everything Sucks! | Netflix divulga trailer oficial ao som de Alanis Morissette

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Big Little Lies e The Handmaid’s Tale dominam a noite do Emmy Awards

O Emmy Awards 2017 evidenciou sinais de uma mudança que ganhou força nos últimos anos, o fortalecimento dos streamings. Os maiores vencedores da cerimônia vêm de canais não aberto ou até mesmo fora da televisão. The Handmaid’s Tale é uma produção da Hulu, serviço de streaming. Adaptado da obra “O Conto da Aia”, de Margaret Atwood, o seriado mostra um futuro distópico, não muito diferente do presente, cheio de misoginia e atos cruéis para com as mulheres. Handmaid’s faturou seis estatuetas.

Outra grande vencedora da noite foi Big Little Lies. Além de conquistar o prêmio de Melhor minissérie ou série limitada, Nicole Kidman, Laura Dern e Alexader Skarsgard receberam troféus por suas atuações em BLL. O discurso de Kidman falou sobre drama familiar e o incentivo a denúncia da violência contra a mulher.

Olhando com cuidado, pode-se notar como as produções ganhadoras falaram de questões sociais, representatividade, o papel da mulher, a misoginia. Foi um ano repleto de clima de luta e discurso engasgado que precisava sair. Claro que a indústria está atenta à necessidade do público e o que o espectador deseja consumir. De qualquer forma, os prêmios foram para quem pautou questões fundamentais para mundo.

Além disso, é importante ressaltar a presença de minorias étnicas recebendo troféus muito merecidos, como Donald Glover (Atlanta), Sterling K. Brown (This is Us) e Aziz Ansaria (Master of None). Infelizmente, o Emmy, apesar de ter premiado tantas séries com representatividade, cortou os microfones de Brown durante o seus discurso. Principalmente pelo fato de que nenhum ator negro ter vencido naquela categoria desde 1998. Apesar da situação revoltante, o artista terminou sua fala nos bastidores e demonstrou polidez em relação à falta de respeito da equipe da premiação, que não se pronunciou sobre o caso.

Mas, voltando aos vencedores… Para você que ficou curioso e ainda não viu, confira a lista completa!

Melhor Série de Drama
The Handmaid’s Tale

Melhor Série de Comédia
Veep

Melhor Telefilme
Black Mirror – San Junipero

Melhor Minissérie ou Série Limitada
Big Little Lies

Melhor Ator em Série de Drama
Sterling K. Brown (This Is Us)

Melhor Atriz em Série de Drama
Elisabeth Moss (The Handmaid’s Tale)

Melhor Ator Coadjuvante em Série de Drama
John Lithgow (The Crown)

Melhor Atriz Coadjuvante em Série de Drama
Ann Dowd (The Handmaid’s Tale)

Melhor Ator Convidado em Série de Drama
Gerald McRaney (This Is Us)

Melhor Atriz Convidada em Série de Drama
Alexis Bledel (The Handmaid’s Tale)

Melhor Ator em Série de Comédia
Donald Glover (Atlanta)

Melhor Atriz em Série de Comédia
Julia Louis-Dreyfus (Veep)

Melhor Ator Coadjuvante em Série de Comédia
Alec Baldwin (Saturday Night Live)

Melhor Atriz Coadjuvante em Série de Comédia
Kate McKinnon (Saturday Night Live)

Melhor Ator Convidado em Série de Comédia
Dave Chapelle (Saturday Night Live)

Melhor Atriz Convidada em Série de Comédia
Melissa McCarthy (Saturday Night Live)

Melhor Ator em Série Limitada ou Telefilme
Riz Ahmed (The Night Of)

Melhor Atriz em Série Limitada ou Telefilme
Nicole Kidman (Big Little Lies)

Melhor Ator Coadjuvante em Série Limitada ou Telefilme
Alexander Skarsgard (Big Little Lies)

Melhor Atriz Coadjuvante em Série Limitada ou Telefilme
Laura Dern (Big Little Lies)

Melhor Direção em Série de Drama
The Handmaid’s Tale, Reed Morano

Melhor Direção em Série de Comédia
Atlanta, Donald Glover

Melhor Direção em Série Limitada ou Telefilme
Big Little Lies, Jean Marc-Vallée

Melhor Roteiro em Série de Drama
The Handmaid’s Tale, Bruce Miller

Melhor Roteiro em Série de Comédia
Master of None, Lena Waithe e Aziz Ansari

Melhor Roteiro em Série de Limitada ou Telefilme
San Junipero (Black Mirror), Charlie Brooker

Melhor Programa de Esquetes
Saturday Night Live

Melhor Programa de Variedade
Last Week Tonight with John Oliver

Hoje é dia de Emmy, bebê!!

por Enoe Lopes Pontes

Façam as suas APOSTAS!!! Aqui seguem as minhas!

O Emmy Awards, premiação de seriado mais importante dos Estados Unidos, acontece hoje, 17, às 21h, horário de Brasília. Pensando nos maiores concorrentes da cerimônia, o Série a Série traz agora uma listinha com algumas APOSTAS dos vencedores desta noite nas categorias principais. Confiram!

MELHOR SÉRIE DRAMÁTICA

The Handmaid’s Tale (2017-) – Aqui quase não há duvida alguma. O seriado produzindo pelo canal streaming Hulu é muito bem realizada e impactou a crítica e o público por tratar de um assunto importante de forma tão tensa. (Confira a crítica do Série a Sério aqui). O segundo concorrente mais forte é The Crown (2016-), da Netflix, que levou dois Globo de Ouro para casa neste ano. Porém, The Handmaid’s não estava indicada ao prêmio, por isso também a aposta ainda fica com a Hulu.

 

MELHOR SÉRIE CÔMICA

Atlanta (2016-) – Com duas temporadas no currículo, o seriado começou a ganhar mais visibilidade este ano. Com seis indicações ao Emmy de 2017, as chances são muito boas, até mesmo porque a produção levou dois Globo de Ouro no início do ano, incluindo Melhor série de comédia.

 

MELHOR MINISSÉRIE

Big Little Lies (2017-) – Nesta categoria, a situação é um pouco mais complicada! Existe uma possibilidade um pouco forte de que Feud: Bette and Joan “roube” este prêmio da série da HBO. As duas foram exibidas em períodos próximos e chamaram a atenção dos críticos e do público, inclusive, a interação dos espectadores no Twitter durantes as transmissões era intensa. Mas também pode rolar uma zebra e Fargo levar o troféu para casa. O seriado é bem realizado, possui atuações e questões técnicas – como fotografia e música – bem feitas. A questão aqui é que as qualidades estão muito pareadas. Só assistindo ao Emmy para ter certeza.

 

MELHOR FILME PARA TV

Black Mirror San Junipero (2016) – Com a grande sacada da Netflix de colocar os episódios de Black Mirror como filmes para TV, San Junipero, episódio 3×04, entrou para a categoria Melhor filme para televisão. As chances de sucesso nesta noite são grandes e apenas podem ser atrapalhadas por Sherlock: The lying detective (2017).

 

Possíveis vencedores em outras categorias: Nicole Kidman, por Big Litle Lies; Julia Louise-Dreyfus, por Veep; Elisabeth Moss, por The Handmaid’s Tale; Thandie Newton, por Westworld; Stanley Tucci, por Feud: Bette and Joan; John Lithgow, por The Crown; Donald Glover, por Atlanta.

Top 10 das maiores competidoras de Rupaul Drag’s Race

por Enoe Lopes Pontes

Maquiagens fabulosas, drama, carisma, cantorias, imitações, dublagens e mais um pouco de drama. Essas são algumas das características principais para o sucesso do reality show Rupaul Drag’s Race. Exibida nos Estados Unidos pela Logo TV e, no Brasil, pela Comedy Central, a competição de Drag Queens tem sido um grande sucesso, acumulando nove temporadas regulares, mais duas season do All Stars.

Com bordões icônicos, músicas que grudam na cabeça e looks lindos, o/a artista Rupaul Charles é um super plus para o programa ser um hit tão popular. Frases como “Shantay, you stay”, “Sashay away”, “Can I get na Amen in here” tomaram os corações do público. As escolhas das Drags para o título de próxima estrela dos Estados Unidos também são louváveis. Pensando nisso, o Série a Sério traz agora uma lista com as dez competidoras mais Rupaultásticas de todos os tempos! Será que a sua favorita está por aqui? Confira!

1 – Bianca Del Rio – Vencedora da sexta temporada, Bianca é queridinha máster do público. Atriz, comediante e figurinista, ela é a mais seguida nas redes sociais e é lembrada pelo seu timing cômico, sua couraça de megera, mesclada com a ternura do seu eu mais profundo. Em 2016, ela lançou um filme chamado Hurricane Bianca. Apesar do longa ser fraco e fatigante, o carisma de Del Rio garantiu uma sequência que foi anunciada este mês. Além da nova produção audiovisual, a Drag tem realizado diversos shows pelo mundo inteiro. Em fevereiro de 2018, Bianca Del Rio estará em São Paulo! Os pontos altos da performer dentro do reality foram o clipe de “Sissy that walk” e na prova do Stand-up.

2 – Raven – Protagonista da maior injustiça de todos os realities shows do mundo,  Raven ficou em segundo lugar na premiação na temporada 2 de Rupaul’s Drag Race e no All Stars. Conhecida pelo seu humor ácido, a Drag estava sempre com um vestido colado e uma maquiagem bem rock and roll. Apesar de nunca ter vencido a competição, ela passou a integrar a equipe do reality no setor de maquiagem. Inclusive, Raven está indicada ao Emmy Awards deste ano por seu trabalho como maquiadora em Rupaul’s Drag Race.

3- Jinkx Monsoon – Vencedora da quinta temporada da série, Jinkx é a competidora mais doce e meiga que adentrou a competição até agora. Com dois cd’s lançados nos anos de 2014 e 2015, a artista tem a música como seu destaque, além do seu lado de comediante. A voz de Jinkx encantou tanto os seus fãs que no seu jogo “Jinkx throughout time” todas as fases são repletas de canções e o jogador passa mais tempo ouvindo Monsoon do que jogando.

4 – Latrice Royale – A Miss Simpatia da quarta temporada, Miss Latrice Royale é uma das queens com mais aparições no seriado após a sua participação como competidora. Engraçada, divertida e cheia de presença no palco, Latrice atualmente é empresária artística! Sim, além de apresentar-se em seus shows no mundo inteiro, ela passou a agenciar talentos, principalmente transformistas.

5 – Alaska – “Hiiii!!!” Quem já conhece a drag Alaska conseguiu escutar a voz dela dizer oi! A vencedora da segunda temporada do All Stars é engraçada, divertida e tudo isso com um humor muito peculiar, quase sombrio, algumas vezes. Indo além do que é considerado por muitas queens da série como regras para ser uma boa drag, Alaska não tem medo de parecer feia ou tosca. É exatamente aí que está seu maior charme. Originalmente, integrou o elenco da quinta temporada do seriado, mas acabou fincando em segundo lugar naquele ano. Um detalhe importante para ser lembrando é que ela forma um ship famoso no mundo das Drag Queens. Sharon e Alaska são consideradas uma espécie de nobreza dentro deste universo, já que as duas foram vencedoras do programa.

6 – Sharon Needles – Além de ser namorada de Alaska, Sharon foi a vencedora da quarta temporada de Rupaul’s. Com estilo nada convencional, ela chocava as suas competidoras quando aparecia com roupas macabras, maquiagens pesadas e uma voz sexy para arrematar o conjunto da obra. Needles foi uma daquelas participantes que os jurados logo gostaram, mas as concorrentes criavam muitas tensões dentro dos camarins. Apesar de algumas divergências com as colegas e seu jeito diferente, ela foi coroada, recebeu o prêmio de 100 mil dólares e ganhou os corações do público.

 

7 – Alyssa Edwars – Ela não é só uma drag, é um ícone, ok? Seu jeito de falar e o barulho que faz com a língua ficaram tão populares que várias queens imitavam ela em algum episódio. Até Rupaul já disse algumas frases soando como Alyssa. A diva participou de duas temporadas, a quinta foi sua primeira aparição. Em seguida, fez parte da segunda equipe do All Stars. A sua eliminação no spin-off é super discutida, porém, desta vez, a culpa literal não foi de Ru e sim de Alaska, que a mandou para casa por preferir as meninas que faziam parte da panelinha Rolaskatox. Apesar do seu vestido cheio de câmeras grudadas não ser a peça mais bonita que Edwards já vestiu, seu talento a colocaria fácil no top 3 se a decisão não fosse da sua concorrente. De qualquer forma, Alyssa Edwards marcou a história do programa e acumula fãs no mundo inteiro.

 

8 – Raja – Diva, sarcástica, passos leves e precisos na passarela. A vencedora da terceira temporada de Rupaul’s Drag Race recebeu sua coroa merecidamente! Durante sua season, ela poderia parecer um pouco rude e irônica demais, porém ela mesclava isso com doses leves de doçura e generosidade. Talvez este seja o maior segredo das campeãs da série: saber dosar confiança, cuidado com as colegas, sinceridade e foco. Raja possuía todos estes elementos, o que a colocou no topo do pódio e dentro desta lista.

9 – Shangela Laquifa Wadley – Aleluia!!! Shangela é um ícone dentro da história de Rupaul’s. A competidora foi a primeira eliminada na segunda temporada, mas voltou dentro de uma caixa, na season 3, e ganhou mais uma oportunidade de vencer o reality. Obviamente, as suas oponentes não gostaram deste retorno, mas ela soube contornar a situação e se manter por um bom tempo dentro da disputa. Apesar de nunca ter vencido a corrida, Shangela ficou bastante conhecida! Além de participações em seriados como 2 broke girls, Bones e Arquivo X, a drag também está no elenco de Hurricane Bianca, no papel de uma das melhores amigas do protagonista.

10 – Chad Michaels – Educada, comportada e com um estilo clássico, Chad é uma das maiores imitadoras de Cher de todos os tempos. A vencedora da primeira temporada do All Stars é extremamente dedicada e cuidadosa. Os seus looks eram sempre primorosos e o espectador conseguia notar que todos foram pensados cuidadosamente. No quarto ano do seriado, sua temporada original, ela ficou em segundo, deixando alguns fãs tristes. Porém, ela retornou para o jogo e conseguiu levar a coroa.

O espaço para a lista parece pouco diante da quantidade de queens incríveis que já passaram pelo programa Rupaul’s Drag Race. Por isso, também serão mencionadas as participantes que não entraram no top 10, mas merecem ser lembradas: Tyra Sanchez (2), Tatianna (temporada 2), Jujubee (2), Alexis Matteo (3), Manila (3), Detox (5), Ginger Minj (7), Bob The Drag Queen (8), Kim Chi (8).

Família, crescimento e fofura são as chaves para os oito anos de Full House no ar

por Enoe Lopes Pontes

Com o nome de Três é Demais, no Brasil, a série marcou uma geração inteira, que acompanhou por oito temporadas o cotidiano familiar do lar dos Tanners. Com suavidade, humor e uma dinâmica especial dos atores, Full House fala sobre as dificuldades e alegrias que acontecem durante as passagens de fase da vida, seja na infância, adolescência ou em questões que ainda precisam ser visitadas após a maturidade.

 

O seriado, transmitido originalmente pela ABC, tem uma fórmula que poderia ser muito comum: uma sitcom, com poucos atores, poucos cenários e que mostra uma família com costumes típicos dos Estados Unidos. Porém, um ganho importante da produção, e que pode ser considerado além de seu tempo, é a forma de encarar o próprio conceito de estrutura familiar. Na casa dos Tanners, localizada na Califórnia, vivem três meninas: Michele (Mary-Kate e Ashley Olsen), Stephanie (Jodie Sweetin) e DJ (Candace Cameron Bure). As garotas perderam a mãe muito novas e por isso são cuidadas pelo trio formado pelo pai, Danny (Bob Saget); o tio Jesse (John Stamos) e o amigo Joe (Dave Coulier). Isso demonstra como uma casa pode ser gerida por homens também e como a paternidade pode ser acolhedora.

Full House (ABC) Season1, 1987
Episode: “Our Very First Night”
Shown from left: Dave Coulier, Candace Cameron, Jodie Sweetin, Bob Saget, John Stamos

 

Além da premissa ser bacana, ela rende muitas gags, principalmente vindas de Joe e Jess. No início, a dupla precisa lidar com o choque de realidade que é participar da educação de crianças em desenvolvimento. Inclusive, Jess, que começa como o garanhão, namorador, cresce e ganha uma leve complexidade durante as temporadas, tornando- se um homem mais maduro. O roteiro consegue se sustentar bem por muito tempo, até meados da sexta temporada, depois disso, fica uma sensação de exaustão de criatividade dos roteiristas.

 

Ainda que a trama seguisse um padrão básico que era de: esquete inicial com Michele – ou os gêmeos Alex e Nick (Daniel e Kevin Renteria) – um conflito das meninas, uma forma errada delas lidarem com o problema, o aprendizado e o desenlace da questão, a forma como as situações ocorriam é o que mantinha o público conectado com a série. A razão principal para esse sucesso com textos tão simples vinha principalmente do carisma do elenco mirim. As quatro atrizes possuíam bastante desenvoltura na tela e sacavam as emoções necessárias para as cenas.

Com muito pouca idade, as pequenas artistas conseguiram construir personagens marcantes, além de ser visível que, de alguma forma, elas sempre entenderam as emoções escritas no script e as passam com tranquilidade. Outro ponto forte delas são os diálogos em conjunto. Quando alguma das Olsen estava junto com Bure e Sweetin, elas trocavam olhares, desempenhavam gestos precisos e possuíam um bom timing cômico. Inclusive, as personagens Michele e Stephanie têm bordões clássicos como: “You got it, dude” ou “How rude”, tão marcantes que apareceram no reboot do seriado em 2015, chamado Fuller House.

 

Também é curioso notar as tentativas de ir além do estilo padrão já estabelecido na produção. Conforme os anos vão passando, com mais recursos financeiros e maiores possibilidades técnicas no mundo da televisão estadunidense, a equipe se arriscou com mais externas com nas viagens de família, num show em estádio e até na busca incessante pelo cachorro de Michelle no 08×01. A série também ousou tratar de temas um tanto mais arriscados para o estilo de conteúdo exibido em Full, como acidentes de carro e bebida na adolescência.

Com simplicidade e um grupo carismático, Full House conquistou seus espectadores no final dos anos 1980 e início da década de 1990. Ainda que não fosse um sucesso de crítica na época, justamente pelo estilo aparentemente comum e uma pegada quase infantil, o seriado ficou na memória, foi resgatado para o reboot pela Netflix, em 2015, e é o tipo de produção que o público pode conseguir assistir várias e várias vezes só para se deliciar com as fofuras das meninas Tanner, o charme de Jess e as piadas hilárias de Joe.

 

Angústia e tensão estabelecem o clima da primeira temporada de The Handmaid’s Tale

por Enoe Lopes Pontes

The Handmaid’s Tale é o tipo de produção que o espectador precisa estar preparado para assistir! Baseada no livro “O conto de Aia” (1985), de Margaret Atwood, a série não é para qualquer um. Criada por Bruce Miller (The 100) e exibida pelo canal streaming Hulu, ela se passa em um futuro distópico, no qual a natalidade diminuiu a tal ponto que um grupo de homens recriou a estrutura da vida nos Estados Unidos, fundando uma nova nação chamada “Gilead”. Qual seria esse novo estilo de cotidiano? Um em que as mulheres férteis foram transformadas em concubinas, contra suas vontades.

 

Entre reeducações com punições severas para as que não se adéquam ao novo padrão estabelecido e estupros intitulados de “cerimônia”, a bizarrice mostrada na trama choca ainda mais se o público leva em consideração uma reflexão bem plausível: a realidade das mulheres da “vida real” não é tão diferente daquela, pelo menos não no caminho da mentalidade retrógrada que a sociedade vem traçando. Obviamente, ali a situação é extrema e cruel, mas o nó na garganta vem justamente dessa estranha conexão que se pode fazer com o presente.

A angústia de quem tem contato com The Handmaid’s Tale vem de diversos fatores. O primeiro deles, as interpretações. Todo o elenco demonstra estar conectado com a história que precisa ser contada. As atrizes da série são o ponto alto, principalmente: Elisabeth Moss (Mad Men), Samira Wiley (Orange is the New Black), Alexis Bledel (Gilmore Girls) e Anna Dowd (The leftovers). Inclusive, as quatro estão indicadas ao Emmy Awards de 2017, em categorias distintas, por suas atuações no seriado.

 

Moss encarna uma protagonista cheia de camadas. Existe primeiro June, funcionária de um escritório, mulher livre, no tempo que eles chamam na trama de “antes”. Com um tom forte e expressivo, porém leve, ela dialoga com tranquilidade e certeza de sua posição na sociedade. A segunda é a Offred agindo na frente de seus algozes. Nesses momentos, sua voz vai para o agudo, mas o olhar está pegando fogo. Em poucos minutos, o público encara múltiplas faces da persona na tela. Por fim, a Offred em seu quarto, nos seus momentos privados. Todo o peso de seu sofrimento é visto em sua construção de corpo para a cena. Ombros e passos pesados e as lágrimas que caem mais livremente, pois não precisa esconder seus sentimentos na privacidade.

Wiley interpreta a melhor amiga da protagonista, Moira. As suas aparições não são muitas, se comparada com as outras Aias, mas quando a atriz surge, destaca-se. O interessante de sua personagem é a capacidade de mostrar força nos momentos necessários, com muita tonicidade e precisão de movimentos, além de seu carisma. Bledel merece muitos elogios e fica difícil não se empolgar com a Ofglen que ela criou! Com um jeito inicialmente contido, vai sendo revelado, aos poucos, qual o seu maior conflito dentro do enredo. Sem entregar spoilers, é importante falar que o ápice de seu trabalho neste projeto se dá quando a mesma está impossibilitada de falar ou está em choque. Os prantos, o carinho que demonstra para o amor de sua vida, suas mãos que passam umas nas outras, sua postura que parece a de quem está disposta a lutar assim que precisar, fazem com que a sua indicação ao Emmy seja mais que merecida!

 

Já Dowd é assustadora! No bom sentido, claro! A sua Tia Lidia provoca raiva, nojo, tensão e medo. Porém, a artista contribuiu bem com o roteiro, que não mostra apenas uma vilã, mas alguém que repousa, de quando em quando, um olhar de cuidado e carinho para as Aias. O que é de enlouquecer e confundir o público! Contudo, isto é feito de forma fluída e “natural”.

Além das atuações, a narrativa é um dos pontos altos da produção. A adaptação é bem construída, não deixando o espectador se perder entre presente e flashbacks, situando e explicando bem, sem ficar didático. As revelações da personalidade das personagens são mostradas gradativamente e em momentos pontuais. A afeição de quem assiste vai se moldado a partir dos fatos apresentados. A construção do suspense também ocorre corretamente. Apesar dos poucos momentos de alívio, o texto consegue mesclar os fatos terríveis com cenas menos chocantes ou alguma conversa com um tom mais ameno.

 

Por fim, o que dá o toque final para a atmosfera de The Handmaid’s é a fotografia, principalmente a temperatura da imagem. A cor azulada do presente transmite a melancolia e opressão, enquanto o marrom e o amarelo vibram no passado, mostrando acontecimentos felizes e um período mais tranquilo na vida das personagens. É curioso notar que durante a transição de June para Offred e nos momentos de esperança, as cores oscilam, dando uma sensação de expectativa para situações melhores.

 

Com um tema extremamente relevante – principalmente no retrocesso que mundo parece estar vivendo – e uma boa técnica, The Handmaid’s Tale merece ser assistida, comentada, refletida, debatida e pode ser considerada a melhor série produzida em 2017 até agora!

Top 5 – Mortes mais impactantes de Game of Thrones

por Enoe Lopes Pontes

Está no ar, pela HBO, a sétima temporada de Game of Thrones. Com cenas de tirar o fôlego, a série conseguiu, no seu segundo episódio, apresentar uma qualidade maior do que a premiére, com um roteiro mais enxuto, plot twists inesperados e interpretações mais viscerais. Para não passar nenhum spoiler para os queridos leitores desavisados, o que pode ser dito é que vale a pena assistir aos novos capítulos de GOT com calma e atenção, mas também com o coração preparado.

Pensando nos acontecimentos da nova temporada da série mais assistida do mundo, o Série a Sério reuniu as cinco mortes mais sentidas ou impactantes do seriado. Sabe aquela cabeça cortada, um assassinato coletivo ou uma explosão assustadora? Pois então! Respire fundo e leia essa lista que é de doer a alma, encharcar os lencinhos de papel e os baldes de sangue!

(Lembre-se que esse post contém spoilers a partir daqui!! Só leia se tiver com Game of Thrones em dia, até a finale da sexta temporada!!!!!).

 

5 – Viserys Targaryen – Ok, é quase impossível conhecer alguém que goste de Viserys. Talvez nenhuma alma viva tenha torcido para o imaturo, egoísta e arrogante Targaryen que entregou a sua irmã para um estranho em troca de um exército. O que o jovem não contava é que, na verdade, o “Não Queimado” era “A Não Queimada”. Quanto mais a moça ganha o respeito do marido e seu exército, Viserys vai acabando com a paciência deles. Em um enfretamento com os Dothrakis, o jovem príncipe grita que ele é o “Dragão”. Enfurecido com a petulância de Viserys Targaryen, Khal Drogo – esposo de Daenerys – tosta a cabeça de Viserys com ouro fervente. Apesar da antipatia da personagem assassinada, a cena é tensa e assustadora.

 

4 – Oberyn Martell – Governante de Dorne, Oberyn viaja até Porto Real com o objetivo de vingar o estupro e morte de sua irmã, orquestrado por Sor Gregor Clegane, também conhecido como “A Montanha”. Porém, o príncipe finge que foi apenas assistir ao casamento de Joffrey Lannister e Margaery Tyrell. A chance de realizar seu plano chega quando Tyrion Lannister o escolhe para lutar por ele em um julgamento por combate. No entanto, o Martell perde a luta com o crânio esmagado pelo bruto soldado. A cena é de revirar o estômago dos mais fortes.

 

3 – Maergery e Loras Tyrell – Após serem torturados psicologicamente e fisicamente pelo Alto Pardal (Jonathan Pryce) durante toda a quinta temporada, os irmãos Tyrell enfrentam o julgamento de seus “crimes” no 6×10. Paralelo a isso, Cersei Lannister planejou uma vingança cruel. Muitos de seus inimigos estariam reunidos no Grande Septo de Baelor para a decisão do futuro de Margaery e Loras. Assim, Cersei orquestrou a destruição do local. Utilizando o “Fogovivo” (Green Wildfire), ela conseguiu assassinar grande parte de seus opositores. A morte dos dois Tyrells foi inesperada e triste. A cena foi muito angustiante e agitou o Twitter durante a exibição desta finale tão tensa.

 

2 – Casamento Vermelho – Parecia que estava tudo bem, certo? Robb Stark ocupava a posição de “Rei do Norte”, estava vencendo todas as batalhas que encontrava e casou-se com uma moça forte, bonita, atenciosa e que ele amava muito. A mãe dele, Cately Stark, apesar de tensa com o clima de Guerra, mostra-se confiante e determinada a tirar os Lannisters do poder. Após um trato desfeito com a casa Frey, os três vão para uma celebração no castelo, mas o convite era uma armadilha armada por Walder Frey junto com Roose Bolton. Numa chacina assustadora, mais de 1500 soldados são assassinados, junto com os Starks que estavam no falso festejo. O episódio das mortes, “As chuvas de Castamere”, é considerado por muitos fãs, que discutem a série nas redes sociais, como o mais marcante e triste do seriado inteiro. Um detalhe que torna o fato mais chocante é que Talisa, mulher de Robb, estava grávida e morreu junto com o bebê em seu ventre.

 

1 – Eddard “Ned” Stark – Seja durante a primeira temporada da série ou na leitura do primeiro livro, o público tinha Ned como protagonista de Guerra dos Tronos. Interpretado por Sean Bean (Senhor dos Anéis – A sociedade do anel), Ned era o líder da casa Stark e permaneceu em Winterfell, por 17 anos, até ser chamado por seu melhor amigo e governante dos sete reinos, Robert Baratheon, para ser “Mão do Rei”. Apesar de não ter vontade de assumir o cargo, Eddard acaba aceitando e se mudando para a capital para cumprir os deveres do seu novo posto. Por ser fiel, leal e honesto, Stark acaba enfrentando situações difíceis e criando inimigos, principalmente os Lannisters. Após descobrir segredos graves e ir de encontro às tramas nefastas de seus opositores, Ned Stark é sentenciado à morte por traição, a mando de Cersei e Joffrey Lannister, mãe e filho respectivamente. A cabeça de Eddard é cortada e o rumo da narrativa muda, criando mais tensões e conflitos.

House of Cards 5ª temporada: Underwood para presidente!!!

por Enoe Lopes Pontes

Política, tensão, intrigas, sangue, conchavos, quebras da quarta parede e diálogos afiados. São cinco anos acompanhando Frank e Claire Underwood (Kevin Spacey e Robin Wright, respectivamente) rumo ao poder numa trajetória cheia de corrupção e  falta de limites éticos.

Quando o espectador termina a quarta temporada fica um engasgo. O futuro de Francis na Casa Branca é incerto e tudo indica que o protagonista tem chances de perder o posto para seu rival do momento: William Conway (Joel Kinnaman). Frank Underwood está sendo acusado de crimes severos, incluindo um falso ataque terrorista para modificar os votos das eleições de 2016. Porém, o espectador já conhece o presidente vigente, o que ele irá aprontar para garantir seu lugar é o que instiga.

A partir do plot deixado pelo cliffhanger da temporada anterior, o enredo se constrói lentamente, como o de costume. As peças do tabuleiro vão sendo mexidas cautelosamente, mas, ao contrário do que acontecia anteriormente, agora os passos de Francis parecem deixar um caos espalhado por onde ele passa. Spacey demonstra zelo na construção da personagem que sugere uma suposta ruína de F. Underwood. As expressões de exaustão, banhadas pelos cabelos brancos e a postura cansada deixam o público tenso, prevendo uma possível derrota final do político.

Enquanto isso, o bastão vai sendo passado para Claire. A dinâmica do casal permanece afiadíssima! Os olhares, gestos e tom de voz fazem das cenas danças e os atores conseguem atingir o que é chamado no teatro, em inglês, de “play”. As palavras reverberam, os confrontos e acordos fluem diante da tela, eles brincam, jogam certeiramente, não deixando a peteca cair em um só instante.

Sozinha em cena, Wright também se destaca. As complexidades de Claire Underwood são ainda mais exploradas nesta quinta temporada, tanto no texto quanto em sua interpretação. Outros lados da persona são expostos. Robin consegue equilibrar frieza e paixão, vontade, ambição e tensão, com leveza. Aparentemente ela não faz um esforço grande, mas os planos posteriores vão revelando suas intenções e ações, deixando claro todo o trabalho certeiro da atriz, que prepara o espectador e a própria personagem para o que estar por vir.

SPOILER ALERT!!! Continue por sua conta e risco!!!!!

Quando o público é brindado com as primeiras quebras da quarta parede feitas por C. Underwood a sensação é a de virada de posição. A partir daqueles momentos ela estaria no controle da situação, deixando Francis de lado e finalmente ocupando o lugar que merece. Porém, há algo que incomoda bastante nesta fase do seriado. Após doze episódios de um Frank cansado e quase derrotado, ele revela todo seu plano que parece ter saído de uma novela mexicana ruim.

Todos os riscos e erros que ele cometeu foram pensados para pôr Claire na presidência e ele no setor privado. A sensação de que por mais uma vez sua esposa não chegou no poder por esforço próprio e a onipotência de Francis parecem mal explicadas e jogadas como um plot twist gratuito. Isto porque, além do espectador se sentir traído, a situação não foi posta de forma orgânica e deixa a sensação de um roteiro leviano.

Por outro lado, nesta hora o brilho de Spacey resplandece ainda mais, pois é nos detalhes de sua interpretação que essa ideia consegue ter um pouco de lógica. Seus olhares profundos e uma vontade de não focar na tela que, neste caso, é o público. Francis mal olha para o espectador na quinta temporada. Ele parece tenso e nervoso e isso se justifica, pois a personagem estava tramando sua jogada mais perigosa até então.

Toda esta atmosfera é também construída com o apoio dos papéis coadjuvantes, principalmente por Catherine Durant (Jayne Atkinson) e Jane Davies (Patricia Clarkson). Entre suas armações privadas e as conversas com os Underwoods elas são uma das poucas que capturam a personalidade do casal e conseguem desestabilizá-los e fazer com que eles sintam-se ameaçados. As duas artistas imprimem essa espécie de neutralidade em suas faces, deixando a dúvida se merecem ou não a confiança da dupla principal.

Por fim, os ouvidos permanecem também atentos. A trilha de House of Cards é tímida, mas eficaz. Preenche o ambiente de seriedade ou tensão, a depender do que a cena pede. Contudo, algumas vezes deixa um tom de noticiário que incomoda um pouco quando vaza para momentos que vão além dos telejornais. No mais, é maratonar e esperar 2018 com um nó na garganta!

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