Stranger Things – Bem-vindos de volta aos anos 80

por Enoe Lopes Pontes

Em 1983, numa pacata cidadezinha dos Estados Unidos (Hawkins, Indiana), um garoto chamado Will Byers (Noah Schnapp) desaparece misteriosamente. Ao mesmo tempo em que uma criança some, uma outra surge também de uma forma estranha. Suja e com roupa de hospital, a garota Eleven parece estar fugindo de algo muito ruim.

A partir deste plot, a história de suspense se inicia. De um lado, a mãe de Will, Joyce (Winona Ryder), procura o menino desesperadamente e entende que algum fenômeno sobrenatural está ocorrendo na cidade. Do outro, os três amigos dele, que mais parecem ter saído do filme Goonies, correm para tentar descobrir o que aconteceu com o garoto.

Criada pelos irmãos Ross e Matt Duffer (Hidden), a série, que é uma produção da Netflix, investe pesado no clima dos anos 80 e acerta em cheio. O espectador sente uma mistura de referências passando por sua cabeça, desde Steven Spielberg, fitas de rock e Dungeos and Dragons até em obras de Stephen King. A sensação de estar assistindo a um filme de terror de 36 anos atrás é constante. Cada detalhe faz o público embarcar nessa ideia temporal.

Essa impressão que a série causa vem de uma direção de arte, trilha, edição, figurinos e roteiro muito bem pensados com esse objetivo. Desde os créditos iniciais, com uma letra típica do período, dos bonés, camisetas e bicicletas dos meninos, das músicas tensas e aquele rock da época (The Clash, Joy Division). Atenas de televisão que precisam ser ajeitadas e telefones com fio, até as falas sobre os jogos RPG e a quantidade de cigarro que o elenco adulto fuma.

Porém, apesar da grande qualidade de ambientação do programa, a melhor coisa de Stranger Things são os Raccords. E o que seria isso? É a coerência entre uma cena e outra, a ideia de continuidade através de uma ação. Strager Things brilha nesse quesito, trazendo planos que puxam uns aos outros. Seja com a imagem ou com o som, a série faz o espectador mergulhar na história de forma contínua e, para os mais sensíveis às questões técnicas, vibrar com os magníficos raccords.

Outro fato de destaque do seriado é seu elenco, principalmente a já conhecida Winona Ryder e os jovens atores mirins, que interpretam o grupo de crianças que busca encontrar Will. Seja quando os núcleos se encontram ou quando estão separados, a dinâmica em cena é forte e a construção das personagens equilibradas. Os diálogos fluem quando tem uma cena com Ryder ou com o quarteto infantil. Não foi à toa que a série acabou de conquistar o SAG 2017 de Melhor Elenco de Série de Drama.

Apesar de ser um programa com mais pontos positivos do que negativos, Stranger Things peca num único quesito, que pode incomodar fortemente em alguns momentos. Talvez na sua busca por remeter aos anos 1980 ou falta de criatividade mesmo, o enredo do seriado é extremamente óbvio e é possível até adivinhar algumas falas. A sensação de deja vu é constante e o espectador consegue sacar rapidamente quais serão os próximos eventos da história ou, até mesmo, o diálogo de algumas personagens.

No entanto, a obviedade da narrativa não atrapalha a fruição ou apaga os tantos outros elementos bacanas do produto. Strager Things, se continuar nesse ritmo, promete ser uma das melhores séries dos próximos anos. Depois de ter contato com os oito episódios da primeira temporada, resta esperar a próxima temporada e descobrir quais serão os seres fantásticos e assustadores que aparecerão em Hawkins.

As 05 melhores aberturas de séries

por Enoe Lopes Pontes

A primeira coisa que pode ficar na cabeça de um espectador de seriados é a abertura da série. Quando bem realizada, pode causar diversas sensações no público, como empolgação para o começo do novo episódio, lembranças de cenas anteriores ou até mesmo aquela nostalgia quando se revê uma temporada.

As aberturas são algo bastante marcante dentro do universo de narrativas seriadas e algumas delas são sensacionais, cheias de dinamismo, criatividade e ainda capazes de captar a essência do programa. Pensando nisso, o Série a Sério traz agora uma lista com a cinco melhores aberturas de séries de todos os tempos!! Quais os critérios? Conexão com a narrativa, dinamicidade, edição e música. Depois de conferir a seleção, conta para a gente o que achou! Faltou alguma? Achou a seleção bacana? Comenta!

 

1. Lost Girl (2010-2015) – Bo (Anna Silk) é um súcubos e passa a maior parte de sua vida sem saber exatamente quem é. Após um evento específico do piloto, ela começa a desvendar os mistérios do passado e luta para ter um futuro e se posicionar nesse novo mundo que acabou de ser revelado. A abertura do seriado da Showcase mostra um pouco da angústia, dos poderes e da forte personalidade da personagem. Em apenas trinta segundos, o espectador consegue captar o ritmo da série e a energia da protagonista.

2. Bewitched (1964-1972) – Estrelada pela carismática Elizabeth Montgomery, Bewitched, conhecido no Brasil como A Feiticeira, conta a história da bruxa Samantha Stevens, que casa com o humano Darrin, e faz de tudo para se encaixar no cotidiano da espécie do marido, mas, é claro, não consegue. A abertura da série, além de ser bem fofinha, é uma animação realizada pelo estúdio Hanna Barbera. Com um toque de humor, a sequência capta o divertido e agitado dia a dia do casal, deixando Samantha e seus poderes em destaque. Com uma música que dá ritmo a abertura e um resumo bem enxuto da atmosfera do seriado, a abertura de Bewitched consegue trazer uma história, curtinha, é bem verdade, mas uma história bacana do que poderia ser mais um dia de Sam e Darrin.

3. Game of Thrones (2011-) – E o terceiro lugar fica para a abertura de uma das mais assistidas séries de todos os tempos. Nela, o público vê todo o mapa de Westereos, bem como todas as terras nas quais as personagens terão alguma aventura, batalha ou buscarão conforto. A complexidade dela é tão grande que os realizadores do programa demoraram dois anos para finalizá-la. Outro detalhe interessante é que o escritor da obra original, G.R.R. Martim, desenhou todas regiões para a equipe. Bem elaborada, a chamada de GOT deixa bem mais claro para o público onde as personagens estão e quanto mais ao sul ou ao norte fica alguma região. Além disso, em cada temporada os lugares podem mudar, estando presentes ou não, ou cambiando a sua aparência.

4. True Blood (2008-2014) – Criada por Alan Ball (Six feet under), True Blood é uma série de vampiros. Não, não são aqueles que brilham no sol ou usam anel. Numa realidade na qual todos sabem da existência das criaturas da noite, romances, batalhas e brigas por poder acontecem durante sete anos. Apesar de trazer vários tipos de seres estranhos e/ou assustadores, a abertura do seriado foca no que para eles parece ser o pior de todos, os humanos. Apesar de não buscar resumir o conteúdo narrativo do programa, a essência dele está presente em cenas macabras, tensas, violentas e animalescas.

5. Dexter (2006-2013) – Na melhor abertura de todos os tempos, o espectador vê um Dexter aparentemente simpático, fazendo algo muito comum, começando seu dia. O rapaz acorda, prepara o café da manhã e se veste. Tudo isso poderia ser banal se não houvesse diversos significados em cada ação da personagem. O protagonista é um serial killer com um gosto peculiar para suas vítimas: outros serials killers. Assim, em cada plano, o público tem referências de sangue, estrangulamento, cortes, pele, carne. Por conseguir capturar a essência da personagem e da história sem ser óbvia e ser tão elaborada, a abertura de Dexter ganha o primeiro lugar no ranking.

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