Plano em Série: Sharp Objects – Um Olhar Sobre a Cinematografia

Desde o sucesso de Game Of Thrones (2011) a HBO tem investido em conteúdos originais cada vez mais sofisticados. Este também é o caso da série Sharp Objects (Objetos Cortantes, em português). Lançada em 2018, pelo canal fechado e estrelada por Amy Adams, a criação é assinada por Marti Noxon, uma produtora influente no universo seriado estadunidense. Noxon tem no seu currículo a produção executiva de Mad Men, Grey’s Anatomy, Prision Break e Buffy, a caça vampiros, por exemplo. O diretor dos oito episódios é o canadense Jean-Marc Vallée, o que mantém uma unidade interessante na mini-série, contrariando o modismo (ora produtivo, ora cansativo) de um diretor por episódio. Vallée já vinha da competente direção de Big Little Lies, outra mini-série premiada da HBO.

Sharp Objects conta a história da repórter Camille (Adams), jovem que precisa retornar à sua cidade natal para escrever uma matéria sobre o desaparecimento de uma garota. Em uma relação completamente instável com sua mãe, Adora (Patricia Clarkson), e sua meia-irmã, Amma (Eliza Scanlen), Camille vive o conflito do desaparecimento alheio no vórtice de seus problemas familiares de forma a intensificar a sua condição psicológica – ela sofre de auto-mutilação.

 

 

Para construir a personalidade e os displays comportamentais de Camille, a dupla de diretores de fotografia Ronald Plante e Yves Bélanger assumem estratégias eficientes assim como o time de montadores liderados por Jean-Marc Vallée. Aqui vale a pena uma dedicação aos princípios da cinematografia utilizados por Plante e Bélanger para compreender um pouco da engenhosidade dos episódios centrados em uma linguagem de suspense. A câmera majoritariamente utilizada foi uma Arri Alexa Mini e um conjunto de lentes Prime Arri Zeiss – e isso significa que a equipe conseguia um aspecto imagético mais escuro (subexposto) com segurança, além de escolher uma espécie de textura na imagem mais próxima da realidade, evitando luzes artificiais e fugindo da perfeição. Assumir essa estrutura imagética como linguagem facilitou, inclusive, o tratamento de colorização final, já que a cinematografia teve poucas exigências quanto as diferenças na luminosidade – mas não dispensou o rigor na aplicação do LUT (Look Up Table) que uniformizou o visual de toda a série.

As sequências externas foram filmadas com prioridade para a luz natural. Neste sentido, é possível perceber a diferença na intensidade da luz a depender do episódio. Há realidade em assumir que os dias e as nuvens interferem nos tons de pele e nos reflexos dos objetos, por exemplo. A luz era proveniente de janelas, sempre presentes na casa de Adora e de práticos (objetos de cena que projetam luz, como abajures, lustres, velas, lâmpadas, tubos fluorescentes, letreiros luminosos, etc.). Essa composição influencia absolutamente na relação que Camille tem com o espaço, como ela transita por ele, se relaciona com a sua dependência com o álcool e também com sua família. E para além das definições de luz, há um investimento na estratégia de utilização da câmera – ela está sempre na mão e sempre com Camille. A câmera não se distancia da protagonista mesmo durante os flashbacks frequentes ou quando ela visita memórias inconscientes, subjetivamente é possível ver o olhar de Camille e objetivamente é possível ver quase que através dela (há um acento no famoso POV – Point of View). Neste sentido há uma decupagem livre, acompanhando os desejos da personagem e suas ações de forma sensível e corajosa.

 

E a Arri Alexa Mini está na mão. Ela trepida, se mexe, se desestabiliza sempre. Assim como Camille está destroçada em reviver memórias difíceis, a câmera conversa com a protagonista ora como se fosse ela mesma, ora como se assumisse o seu alterego. Um trabalho impreciso e por isso precioso, sufocando a intimidade de Camille, arrebatando suas inseguranças e vivendo com ela todo o suspense que Sharp Objects deseja sustentar.

**Marina Lordelo é fotógrafa, crítica do audiovisual, pesquisadora e diretora de fotografia.

TOP 5 – SÉRIES GIRL POWER

por Enoe Lopes Pontes

Representatividade! Ligar a TV, acessar o tablet, abrir o computador e se ver na tela é uma das melhores sensações que a recepção pode ter. Apesar de Hollywood ser uma terra dominada por homens – sobretudo brancos -, as produções têm apresentado uma maior quantidade de personagens de gêneros, etnias e sexualidades distintas. Obviamente, a igualdade não foi alcançada, ela ainda está muito longe. Contudo, vale celebrar e assistir aos seriados que trazem diversidade na equipe e em seus textos.

Pensando nisso, o Série a Sério traz agora uma lista com cinco séries mais Girl Power da televisão estadunidense. No top 5, foram consideradas a popularidade, o grau de representação na tela e o discurso das produções. Lembrando que o tema foi escolhido pelos leitores em nosso instagram! Confiram!

 

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5. Desperate Housewives (2004-2012): Exibida pelo canal ABC e criada por Marc Cherry (Devious Maids), a série é uma dramédia de mistério, na qual quatro donas de casa perdem uma grande amiga que se suicidou. Juntas, elas descobrem que existem motivos obscuros para a morte da tão querida amiga e passam a investigar os segredos que levam Mary Alice a tirar a própria vida. Além da qualidade técnica do seriado, que sabe dosar em cada episódio os momentos cômicos e trágicos, ter uma boa dinâmica no elenco e uma trilha que casa com a ironia que a produção busca passar, Desperate é puro girl power. Em 2004, o público teve contato com quatro mulheres fortes e donas de si que, apesar de em sua primeira camada, demonstrarem ser esterótipos femininos estabelecidos no imaginário da sociedade: a esposa perfeita e cuidadosa (Bree), a divorciada atrapalhada (Susan), a mãezona estressada, cheia de filhos travessos (Lynette) e a fútil (Gabrielle); eram muito mais do que isso. Durante as oito temporadas de Desperate Housewives estes arquétipos vão caído por terra e as moças vão demonstrando camadas profundas em suas personalidades, as dificuldades enfrentadas por serem mulheres, os dribles no machismo e a força guardada em cada uma.

 

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4. How to Get Away with Murder (2014-): Viola Davis é protagonista deste drama criminal, também exibido pela ABC. Davis interpreta a professora Annalise Keating, uma célebre advogada que precisa de cinco estagiários para trabalhar com ela em seu escritório. Obviamente, ela e os alunos escolhidos envolvem-se em crimes e situações tensas que vão se complicando cada vez mais a medida que a narrativa avança. O girl power está presente na produção tanto em Keating quanto nas figuras femininas coadjuvantes. São as mulheres que descobrem ou planejam as ciladas primeiro, que sabem se expressar melhor e movimentam a trama com mais complexidade e desenvolvimento. HTGAWM é um produto da Shondaland – empresa de Shonda Rhimes, criadora de Scandal e Grey’s Anatomy – e traz consigo uma qualidade presente nas obras da produtora: a diversidade étnica e a visibilidade gay. No caso de How to Get Away, a bissexualidade também está em voga, algo mais raro e muitas vezes tratado de maneira equivocada, como um fetiche ou uma confusão.

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3. Buffy – A Caça Vampiros (1996-2003): Poucas produções possuem um grau tão alto de girl power como esta série. A começar pela protagonista, Buffy Summer (Sarah Michelle-Gellar), uma jovem caçadora de criaturas sobrenaturais. A forma como a personagem é independente, firme e corajosa é uma inspiração. Construída paulatinamente com camadas de complexidades adicionadas a cada ano, sua postura de heroína só cresce dentro da história, chegando no ápice na sétima temporada, quando Summers já é uma mulher totalmente consciente e dona de suas ações. Outro destaque é Willow Rosenberg (Alyson Hannigan), que começa como uma menina ingênua e nerd, a jovem torna-se muito poderosa e determinada. Além disso, Willow é uma das primeiras personagens lésbicas assumidas da telvisão estadunidense e toda a sua trajetória até namorar uma mulher acontece com muita naturalidade e faz sentido dentro da trama. Por fim, é bacana falar sobre a presença de Joyce Summers (Kristine Sutherland), mãe de Buffy. Apesar de trazer um pouco do ideal de espírito maternal, aqui Joss Wheadon – showrunner* de Buffy – criou uma persona mais complexa. Joyce cria a filha sozinha e busca o melhor para ela, mas também tem vida própria e uma personalidade forte. Vejam bem, a produção começou em 1996, quando se era muito comum colocar senhoras rabugentas ou passivas nos enredos. Aqui não! Há fibra, garra e até participação direta em conflitos com mais ação. Na trama ainda existem coadjuvantes fortíssimas como Anya (Emma Caulfield) e Cordelia Chase (Charisma Carpenter). Por estes motivos e por ser muito divertida, Buffy – A Caça Vampiros vale muito a pena ser conferida.

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2. The Handmaid’s Tale (2017-): Fotografia, roteiro e atuações; a qualidade dos elementos técnicos da série já é um chamariz para o espectador. Contudo, a discussão que a produção provoca é ainda mais relevante. Baseado na obra homônima de Margaret Atwood, o enredo traz um mundo distópico no qual as mulheres são brutalmente escravizadas, violentadas e assassinadas. Nada é tão diferente do que a sociedade da vida real vive. O que a história faz é colocar uma lente de aumento nos maus tratos, no machismo, na homofobia e no radicalismo para que o público fique tão tocado e provocado que possa conseguir alcançar algumas reflexões, tais quais: qual o lugar que as mulheres ocupam de fato na sociedade? Quantas repressões elas vivem em seus cotidianos? O que lhes é tirado todos os dias? O que está acontecendo com cada uma delas neste momento? O discurso é potente e as ferramentas para contar as trajetórias destas figuras são muito boas. A segunda temporada já começou a ser disponibilizada pelo canal streaming Hulu. Corre!

 

Resultado de imagem para orange is the new black1. Orange is the New Black (2013-): Observando a quantidade de diversidade presente em Orange, já é possível compreender a razão dela ocupar a primeiríssima colocação da lista. O seriado, porém, vai além disto: há qualidade em sua representações. Inicialmente, o espectador é apresentado ao cotidiano de Piper Chapman (Taylor Schilling), uma menina branca de classe média dos Estados Unidos, que é sentenciada a quinze meses de prisão por envolvimento com tráfico de drogas. A sacada da produção de começar com uma jovem que se encaixa mais no padrão dos EUA e ir introduzindo os conflitos de mulheres de outras etnias e classes sociais, atrai o público diverso e segura o mais conservador. No final das contas, olhando para as cinco temporadas de OITNB, é possível encontrar também a sensibilidade para retratar estas figuras femininas encarceradas, seus conflitos, seus sentimentos, suas vidas dentro e fora da cadeia. Se você ainda não viu Orange, corre lá para ver!

 

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Outros títulos girl powers que valem ser conferidos: I Love Lucy, A Feiticeira, Jeannie é um Gênio, As Panteras, Charmed, Sex and the City, Gilmore Girls, Cold Case, The New Adventures of Old Christine, The Closer, Ghost Whisperer, Weeds, Grey’s Anatomy, The Comeback, Being Erica, Drop Dead Diva, The Good Wife, Body of Proof, Rizzoli & Isles, Revenge, 2 Broke Girls, Lost Girl, Veep, Faking it, The Fosters, Scandal, Supergirl, The Fall, Unbreakable Kimmy Schmidt, Jessica Jones, Crazy Ex-girlfriend, Big Little Lies, The Bold Type.

Top 5 – Mortes mais impactantes de Game of Thrones

por Enoe Lopes Pontes

Está no ar, pela HBO, a sétima temporada de Game of Thrones. Com cenas de tirar o fôlego, a série conseguiu, no seu segundo episódio, apresentar uma qualidade maior do que a premiére, com um roteiro mais enxuto, plot twists inesperados e interpretações mais viscerais. Para não passar nenhum spoiler para os queridos leitores desavisados, o que pode ser dito é que vale a pena assistir aos novos capítulos de GOT com calma e atenção, mas também com o coração preparado.

Pensando nos acontecimentos da nova temporada da série mais assistida do mundo, o Série a Sério reuniu as cinco mortes mais sentidas ou impactantes do seriado. Sabe aquela cabeça cortada, um assassinato coletivo ou uma explosão assustadora? Pois então! Respire fundo e leia essa lista que é de doer a alma, encharcar os lencinhos de papel e os baldes de sangue!

(Lembre-se que esse post contém spoilers a partir daqui!! Só leia se tiver com Game of Thrones em dia, até a finale da sexta temporada!!!!!).

 

5 – Viserys Targaryen – Ok, é quase impossível conhecer alguém que goste de Viserys. Talvez nenhuma alma viva tenha torcido para o imaturo, egoísta e arrogante Targaryen que entregou a sua irmã para um estranho em troca de um exército. O que o jovem não contava é que, na verdade, o “Não Queimado” era “A Não Queimada”. Quanto mais a moça ganha o respeito do marido e seu exército, Viserys vai acabando com a paciência deles. Em um enfretamento com os Dothrakis, o jovem príncipe grita que ele é o “Dragão”. Enfurecido com a petulância de Viserys Targaryen, Khal Drogo – esposo de Daenerys – tosta a cabeça de Viserys com ouro fervente. Apesar da antipatia da personagem assassinada, a cena é tensa e assustadora.

 

4 – Oberyn Martell – Governante de Dorne, Oberyn viaja até Porto Real com o objetivo de vingar o estupro e morte de sua irmã, orquestrado por Sor Gregor Clegane, também conhecido como “A Montanha”. Porém, o príncipe finge que foi apenas assistir ao casamento de Joffrey Lannister e Margaery Tyrell. A chance de realizar seu plano chega quando Tyrion Lannister o escolhe para lutar por ele em um julgamento por combate. No entanto, o Martell perde a luta com o crânio esmagado pelo bruto soldado. A cena é de revirar o estômago dos mais fortes.

 

3 – Maergery e Loras Tyrell – Após serem torturados psicologicamente e fisicamente pelo Alto Pardal (Jonathan Pryce) durante toda a quinta temporada, os irmãos Tyrell enfrentam o julgamento de seus “crimes” no 6×10. Paralelo a isso, Cersei Lannister planejou uma vingança cruel. Muitos de seus inimigos estariam reunidos no Grande Septo de Baelor para a decisão do futuro de Margaery e Loras. Assim, Cersei orquestrou a destruição do local. Utilizando o “Fogovivo” (Green Wildfire), ela conseguiu assassinar grande parte de seus opositores. A morte dos dois Tyrells foi inesperada e triste. A cena foi muito angustiante e agitou o Twitter durante a exibição desta finale tão tensa.

 

2 – Casamento Vermelho – Parecia que estava tudo bem, certo? Robb Stark ocupava a posição de “Rei do Norte”, estava vencendo todas as batalhas que encontrava e casou-se com uma moça forte, bonita, atenciosa e que ele amava muito. A mãe dele, Cately Stark, apesar de tensa com o clima de Guerra, mostra-se confiante e determinada a tirar os Lannisters do poder. Após um trato desfeito com a casa Frey, os três vão para uma celebração no castelo, mas o convite era uma armadilha armada por Walder Frey junto com Roose Bolton. Numa chacina assustadora, mais de 1500 soldados são assassinados, junto com os Starks que estavam no falso festejo. O episódio das mortes, “As chuvas de Castamere”, é considerado por muitos fãs, que discutem a série nas redes sociais, como o mais marcante e triste do seriado inteiro. Um detalhe que torna o fato mais chocante é que Talisa, mulher de Robb, estava grávida e morreu junto com o bebê em seu ventre.

 

1 – Eddard “Ned” Stark – Seja durante a primeira temporada da série ou na leitura do primeiro livro, o público tinha Ned como protagonista de Guerra dos Tronos. Interpretado por Sean Bean (Senhor dos Anéis – A sociedade do anel), Ned era o líder da casa Stark e permaneceu em Winterfell, por 17 anos, até ser chamado por seu melhor amigo e governante dos sete reinos, Robert Baratheon, para ser “Mão do Rei”. Apesar de não ter vontade de assumir o cargo, Eddard acaba aceitando e se mudando para a capital para cumprir os deveres do seu novo posto. Por ser fiel, leal e honesto, Stark acaba enfrentando situações difíceis e criando inimigos, principalmente os Lannisters. Após descobrir segredos graves e ir de encontro às tramas nefastas de seus opositores, Ned Stark é sentenciado à morte por traição, a mando de Cersei e Joffrey Lannister, mãe e filho respectivamente. A cabeça de Eddard é cortada e o rumo da narrativa muda, criando mais tensões e conflitos.

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