Especial: Os Melhores e os Piores Spin-offs de Todos os Tempos

 

Por Enoe Lopes Pontes

Depois de The Vampire Diaries e The Originals, o canal CW traz para os fãs das séries outra série dentro deste mesmo universo! Legacies é mais uma continuação da história sobre os vampiros e criaturas mágicas da emissora e pretende narrar a trajetória da filha da personagem Klaus, a Hope Mikaelson. Além disto, o enredo também mostrará as aventuras dos outros seres sobrenaturais da geração da Hope e easter eggs dos seriados originais, incluindo a revelação do destino de Elena (Nina Dobrev) e Damon (Ian Somerhalder).

Aproveitando o gancho da nova estreia da CW, o Série a Sério preparou um especial com os três melhores e piores spin-offs de todos os tempos da televisão. Curiosamente, foram pensadas produções de outras localidades, como o Brasil e a Inglaterra, mas os conteúdos dos Estados Unidos ocuparam as posições iniciais por terem continuações com plots mais independentes e arriscados e, ainda assim, conseguirem superar o original, seja para melhor ou pior! Contudo, adicionamos alguns nomes extras no final da lista, caso o leitor fique curioso para descobrir ou evitar algumas tramas!

 

MELHORES

 

 

3. Angel (1999-2004): Em 1997, entrava na programação da TV dos Estados Unidos Buffy – A caça vampiros. Com uma trama que misturava aventura, romance e suspense, a produção possuía um público fiel, conseguindo manter uma média de 5 a 7 milhões de espectadores por episódio, em todas as suas temporada. Dentro da narrativa, Buffy (Sarah Michelle Gellar), a heroína protagonista, vivia um romance complicado com um vampiro, Angel (David Boreanaz). A personagem do namorado da mocinha fez tanto sucesso que ele ganhou um seriado solo, com seu nome no título. O ponto alto da série é que ela talvez seja a que mais conseguia manter o estilo do enredo original, sem perder a sua própria personalidade. Além disso, o  principal possuía carisma, as tramas “monstro da semana” e do arco geral eram instigantes e os crossover entre Buffy e seu spin-off faziam eram bem elaborados, com sentido, criação de tensões e incentivo para seu público ter a vontade consumir as duas produções, pois elas se interligavam, em alguns momentos. Angel ficou no ar durante cinco anos, com uma média de público de quase 5 milhões de pessoas.

 

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2. Better Call Saul (2015-): Ainda em exibição e com quatro temporadas, até o momento, a série é um spin-off da famosa e cultuada Breaking Bad (BB). Com uma pegada mais leve que sua original, o seriado foca na história do advogado trambiqueiro Saul Goodman (Bobby Odenkirk), quando ele ainda era conhecido como Kimmy McGill. Apesar de ter altos e baixos, em alguns momentos, Better Call Saul consegue desenvolver a trajetória de Jimmy, revelando gradativamente sua transformação em Saul. Além disso, o roteiro consegue trazer um equilíbrio entre o dramático e cômico, explorando a personalidade sarcástica do protagonista, sem deixar de mostrar que embaixo da ponta do iceberg existe a degradação humana encarnada na figura do principal e de outros que o cercam. Odenkirk também é um destaque por ter habilidade de “voltar no tempo” e mostrar completamente o McGill, sabendo dosar os inserts de Goodman, aos poucos, sem entregar o resultado final que ele já havia mostrado antes, em sua aparição anterior. A sua performance vem sendo agraciada por elogios da crítica e indicações em premiações como Globo de Ouro e Emmy Awards.  Por fim, ainda têm uma questão: os fan services para os fãs de BB! Muitas das tragédias e confusões que explodem em Breaking Bad têm suas trajetórias mostradas nesta continuação.

 

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1.Frasier (1994-2003): Com o final do seriado Cheers – que ficou no ar por onze anos, teve 275 episódios e ganhou 28 Emmy Awards -, os fãs da sitcom ficaram órfãos. Porém, a NBC, emissora responsável pela produção, trouxe o seu spin-off, intitulado de Frasier. Com oito temporadas, no total, a história girava em torno de Dr. Frasier Crane, personagem presente desde a terceira temporada do seriado original, e seu irmão. Os dois são psiquiatras. As tensões e disputas entre a dupla gera os momentos mais engraçados da série. Quando Frasier começou a ser exibida, existia certa tensão, pois o seu sucessor possuía sucesso de crítica e público. Contudo, a comédia conseguiu manter a graça e algumas características de Cheers, porém repaginando a cidade e seus os ambientes principais. Por exemplo, enquanto uma se passa majoritariamente em um bar, a outra fica mais na casa de Dr. Frasier e na rádio que ele trabalha. Isto muda o tom em certos aspectos, pois as situações e o comportamento das pessoas são diferentes a depender do local que elas estão. Contudo, o time das piadas permanece e o fato de existirem questões amorosas com destaque forte também. Ainda existe um fato curioso sobre o seriado, ele é o maior vencedor de Emmys de todos os tempos, recebendo 39 troféus, em 12 anos!

Outras dicas boas: Cidade dos Homens (Original/2002 e Continuação/2018); Carga Pesada (Original/1979 e Continuação/2003); As Cariocas/As Brasileiras; Doctor Who (Original 1963/Continuação/2005) e Torchwood.

 

PIORES

 

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3. Once Upon a Time in Wonderland (2013-2014): Quando Once Upon a Time (2011-2018) entrou em sua terceira temporada, os showrunners Adam Horowitz e Edward Kitsis anunciaram o spin-off da série. Com um plot que focava em Alice no País das Maravilhas, e pitadas de Aladin, a produção foi considerada um fiasco por não alcançar uma boa média de público, tendo menos de 6 milhões de espectadores por episódios. Comparada com a sua original, que chegava ao dobro disso, o seriado não rendia bons frutos para a emissora ABC e foi cancelada em seu primeiro ano. Talvez, a razão para a falta de fidelização dos espectadores seja a qualidade técnica de OUAT in Wonderland mesmo! A protagonista, interpretada por Sophie Lowe (The Returned), era pouco expressiva e sem carisma, o seu ship – o gênio da lâmpada Cyrus (Queen of South) e Alice – não tinha química, os plot twists eram tantos que acompanhar o enredo ficava entediante e os efeitos especiais eram horrendos (coisa que a sua antecessora também não brilhava).

 

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2. Joey (2004-2006): Considerada uma das melhores séries de todos os tempos pelo público e por veículos como a Rolling Stones e o Hollywood Reporter, Friends (1994-2004) foi um hit em seu período de exibição e continua sendo cultuada e assistida até hoje em canais de TV fechados, DVD’s e streamings. Pensando neste sucesso, dois roteiristas do seriado, Shana Goldberg-Meehan e Scott Silveri, criaram o spin-off Joey. Ele mostrava a vida do ator Joey Tribbiani (Matt Le Blanc), que previamente ficou conhecido um dos seis amigos da narrativa antecessora. Curiosamente, muitos episódios foram dirigidos pelo Kevin S. Bright, um dos criadores de Friends, e por David Schwimmer, que fazia o Ross Geller na trama original. Ainda que a história não tenha tanta graça, com apenas um dos companheiros da turma, as piadas sejam óbvias e o lado mais clichê de Joey seja explorado, deixando-o raso, Le Blanc recebeu uma indicação ao Globo de Ouro pelo papel. Contudo, este fator não salva o conteúdo desastroso e entediante de Joey e não é também uma grande surpresa, já que o artista interpretava Tribbiani por mais de uma década.

 

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1. DC Legends of Tomorrow (2016-): A grande vencedora – ou perdedora – da lista de piores spin-offs com certeza é Legends of Tomorrow. Sucessora de produções como Arrow e The Flash, a série é exibida pela CW, nos Estados Unidos e pelo Warner Channel, no Brasil. O seriado peca, principalmente, na falta de habilidade em administrar a quantidade de herói colocados na trama. Eles não conseguem explorar com profundidade nenhuma personagem, deixando que a própria condução da narrativa se contamine, ficando óbvia e tediosa, pois traz problemas e soluções já esperadas. Para finalizar, as cenas de ação são o que tem de menos empolgante, numa produção sobre Super-heróis. Talvez, a emissora só deseje expandir o conteúdo da temática no canal, mas poderiam fazer de forma menos preguiçosa.

 

Terror em Série: os elementos do gênero em The Handmaid’s Tale

por Hilda Lopes Pontes*

 

Dede o dia 25 de abril, o canal streaming Hulu exibe a segunda temporada do seriado The Handmaid’s Tale. Com uma ambientação estilística muito específica – como cores e enquadramento -, a produção utiliza alguns elementos técnicos para criar um clima de tensão e medo. Pensando nisso, o Série a Sério abre sua coluna especial “Terror em Série” analisando os elementos do gênero em Handmaid’s.

O tom observando aqui já pode ser sentindo em seus primeiros minutos de projeção, no qual há um mundo distópico, com opressões vividas pelas mulheres moradoras do território que, um dia, foram os Estados Unidos. O universo baseado no romance homônimo da escritora Margaret Atwood, ganha tons de horror e uma ambientação que torna sua narrativa verossimilhante e bem embasada.

 

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Em seus primeiros enquadramentos, vê-se a protagonista June (Elisabeth Moss) fugindo com sua filha. Os planos são fechados, revelando pouco do entorno. Não se sabe ao certo quem está perseguindo sua família. Se estabelece ali um jogo entre a música e os planos, dando um ritmo acelerado para a cena. Entre acordes mais agudos, indicado perigo e uma cena repleta de cortes, nota-se um ambiente inóspito, deixando claro para o espectador que não havia saída para June.

É possível observar ao longo do piloto e de toda a série uma amplitude restrita do cenário. Ainda que existam planos mais amplos,  há poucas cenas que mostrem paisagens mais abertas.  Os enquadramentos são mais laterais e frontais, sempre retos e quase nunca se vê o céu desse novo país totalitário. Essa escolha da direção e da fotografia elucidam ainda mais essa clausura, essa prisão que as mulheres vivem.

 

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A série também traz cores fortes, vibrantes, como vermelho e azul, porém sem utilizar a saturação. Assim, os tons que poderiam passar leveza e até alegria, imprimem uma sensação de melancolia e reforçam a impressão de movimento retrógrado feito pelos radicais, trazendo em seus figurinos cortes e adereços que possuem cores para cada função das mulheres. As aias, vestem vermelho, que remete ao parto e são mais fáceis de ver ao longe, caso as mesmas fujam. As esposas, senhoras da casa, usam azul, remetendo à pureza e soberania e o verde e o marrom, também presente nas mulheres não férteis e nas mulheres mais velhas, trazem a esterilidade.

As casas também, umas do lado da outra, revestidas por muros e pedras e cores sombrias, formam uma possível sensação de que as mulheres vivem em gélidas masmorras, transfiguradas de lares. De maneira hiperbólica, os medos das mulheres são todos explorados, mostrando uma sociedade distópica, mas que, de certa forma pode traduzir a sociedade contemporânea. E a ambientação de terror vem pelos planos, pela música, pela geografia das cenas e escolhas de enquadramentos, já citados, mas também pela narrativa que não dá alívio para o espectador. A primeira temporada traz conflitos que vão progredindo lentamente, mas que são constantes.

 

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The Handmaid’s Tale tem uma trama concisa e sabe como jogar com a expectativa do espectador, traçando estratégias visuais e de narrativa que amedrontam, mas atraem quem assiste. É como o vermelho das roupas das aias, que, mesmo representando o perigo e o aprisionamento em que as mesmas vivem, as deixa chamando atenção, belas sem poder se esconder ou fugir de suas vidas sufocantes.

 

*Hilda Lopes Pontes é cineasta e crítica cinematográfica. Formada em Direção Teatral e Mestre em Artes Cênicas, pela Universidade Federal da Bahia, hoje, ela é sócia-fundadora da Olho de Vidro Produções, empresa baiana de audiovisual.

CRÍTICA 13 REASONS WHY

por Enoe Lopes Pontes

Nesta sexta-feira, 18, a Netflix disponibilizou a segunda temporada de 13 Reasons Why. Produzido pela atriz e cantora Selena Gomez (Os Feiticeiros de Waverly Place), o seriado voltou mesmo após deixar uma sensação de que o final do seu primeiro ano se bastava e dava certo encerramento para a história. O anúncio de uma continuação deixou dúvidas como: será que o retorno precisava existir? Qual seria o novo plot? A narrativa conseguiria manter o seu estilo e estrutura? Eles teriam fôlego para manter o enredo vivo e interessante até o final?

Com o lançamento da parte dois de 13 Reasons, as respostas  vieram com um feedback cheio de “Sims” e de “Nãos”. Primeiro, é preciso reconhecer que os roteiristas conseguiram trazer um bom motivo para a season 2: Olivia (Kate Walsh), mãe da Hannah Baker, decide processar a escola por não ter protegido sua filha corretamente, impedindo a decisão da jovem de encerrar a própria vida. Com o caso em julgamentos, muitos estudantes precisam depor e reviver tudo o que aconteceu no período crítico que trouxe a morte de Hannah.

Até aí tudo bem. A premissa faz sentido pensando-se no desfecho da temporada anterior. Contudo, o desenvolvimento da narrativa possui altos e baixos, típicos de muitas séries da Netflix que parecem mais que querem esticar a história para preencher a quantidade necessária de episódios do que, de fato, expôr acontecimentos relevantes para a trama. Talvez 13RW se fosse uma minissérie, com sete ou oito episódios, funcionasse mais e isto trouxesse uma dinâmica maior para o script. Isto porque os autores da produção preencheram muitos vazios com conversas do Clay (Dylan Minnette) com a Hannah (Katherine Langford) que não são fundamentais para movimentar a narrativa; ou, por exemplo, quando trata do relacionamento do garoto com uma nova namorada que, inclusive, é bem explorado até certa parte do enredo, mas é abandonado quando outros conflitos tornam-se mais importantes para a trama.

A sensação que o público pode ter é o da existência de um conflito principal bem desenvolvido – com detalhes sendo revelados aos poucos, estabelecendo a tensão necessária para a série e aumentando a complexidade das personagens e de suas relações – mas, com conflitos externos ao plot principal cheios de pontas soltas, que enfraquecem o poder da narrativa. O que vale destacar de positivo, no entanto, é o crescimento do desenvolvimento da personalidade das personagens e das relações que elas estabeleciam com Hannah. Comparando este ano com o anterior, os treze porquês ficam ainda mais compreensíveis! Além disso, alguns dos mistérios que envolvem o relacionamento dela com os colegas, professores e a família são revelados a cada episódio, mostrando que Baker vivenciou muitos momentos importantes e profundos com as pessoas que aparecem nas fitas e fora delas, dando mais sentido a relevância deste indivíduos no cotidiano da adolescente.

A forma como eles passam o bastão da história de Hanna para a próxima também é  realizada de uma forma bacana, porque a personagem vai crescendo dentro da trama aos poucos. As suas fragilidades, medos e sofrimentos vão sendo mostrados gradativamente, junto com a maneira como os adultos “ajudam” esta pessoa, até que ela chega no seu limite e não suporta mais tanto pesar. Bom, mas sem spoilers, não é verdade.

Se o leitor deste texto procurou ele para encontrar uma resposta para a pergunta: “devo ver a segunda temporada de 13 Reasons Why?”, o Série a Sério deixa dois conselhos: 1. Você está bem psicologicamente para ver os conteúdos exibidos em seriado que fala sobre bullying, suicídio, violência contra a mulher e ingestão pesada de álcool e drogas? Se sim, tudo bem, prossiga para a próxima questão! 2. Você curte muito 13RW e deseja saber quais os rumos que trama tomou e pode vir a seguir no futuro? Se sim, então vale a pena ver! Se não, se você só acha o seriado ok, corre para ver The Handmaid’s Tale, Gilmore Girls ou qualquer outra produção destas mais firmes, que estejam passando na TV convencional ou streaming.

 

TOP 5 – SÉRIES GIRL POWER

por Enoe Lopes Pontes

Representatividade! Ligar a TV, acessar o tablet, abrir o computador e se ver na tela é uma das melhores sensações que a recepção pode ter. Apesar de Hollywood ser uma terra dominada por homens – sobretudo brancos -, as produções têm apresentado uma maior quantidade de personagens de gêneros, etnias e sexualidades distintas. Obviamente, a igualdade não foi alcançada, ela ainda está muito longe. Contudo, vale celebrar e assistir aos seriados que trazem diversidade na equipe e em seus textos.

Pensando nisso, o Série a Sério traz agora uma lista com cinco séries mais Girl Power da televisão estadunidense. No top 5, foram consideradas a popularidade, o grau de representação na tela e o discurso das produções. Lembrando que o tema foi escolhido pelos leitores em nosso instagram! Confiram!

 

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5. Desperate Housewives (2004-2012): Exibida pelo canal ABC e criada por Marc Cherry (Devious Maids), a série é uma dramédia de mistério, na qual quatro donas de casa perdem uma grande amiga que se suicidou. Juntas, elas descobrem que existem motivos obscuros para a morte da tão querida amiga e passam a investigar os segredos que levam Mary Alice a tirar a própria vida. Além da qualidade técnica do seriado, que sabe dosar em cada episódio os momentos cômicos e trágicos, ter uma boa dinâmica no elenco e uma trilha que casa com a ironia que a produção busca passar, Desperate é puro girl power. Em 2004, o público teve contato com quatro mulheres fortes e donas de si que, apesar de em sua primeira camada, demonstrarem ser esterótipos femininos estabelecidos no imaginário da sociedade: a esposa perfeita e cuidadosa (Bree), a divorciada atrapalhada (Susan), a mãezona estressada, cheia de filhos travessos (Lynette) e a fútil (Gabrielle); eram muito mais do que isso. Durante as oito temporadas de Desperate Housewives estes arquétipos vão caído por terra e as moças vão demonstrando camadas profundas em suas personalidades, as dificuldades enfrentadas por serem mulheres, os dribles no machismo e a força guardada em cada uma.

 

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4. How to Get Away with Murder (2014-): Viola Davis é protagonista deste drama criminal, também exibido pela ABC. Davis interpreta a professora Annalise Keating, uma célebre advogada que precisa de cinco estagiários para trabalhar com ela em seu escritório. Obviamente, ela e os alunos escolhidos envolvem-se em crimes e situações tensas que vão se complicando cada vez mais a medida que a narrativa avança. O girl power está presente na produção tanto em Keating quanto nas figuras femininas coadjuvantes. São as mulheres que descobrem ou planejam as ciladas primeiro, que sabem se expressar melhor e movimentam a trama com mais complexidade e desenvolvimento. HTGAWM é um produto da Shondaland – empresa de Shonda Rhimes, criadora de Scandal e Grey’s Anatomy – e traz consigo uma qualidade presente nas obras da produtora: a diversidade étnica e a visibilidade gay. No caso de How to Get Away, a bissexualidade também está em voga, algo mais raro e muitas vezes tratado de maneira equivocada, como um fetiche ou uma confusão.

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3. Buffy – A Caça Vampiros (1996-2003): Poucas produções possuem um grau tão alto de girl power como esta série. A começar pela protagonista, Buffy Summer (Sarah Michelle-Gellar), uma jovem caçadora de criaturas sobrenaturais. A forma como a personagem é independente, firme e corajosa é uma inspiração. Construída paulatinamente com camadas de complexidades adicionadas a cada ano, sua postura de heroína só cresce dentro da história, chegando no ápice na sétima temporada, quando Summers já é uma mulher totalmente consciente e dona de suas ações. Outro destaque é Willow Rosenberg (Alyson Hannigan), que começa como uma menina ingênua e nerd, a jovem torna-se muito poderosa e determinada. Além disso, Willow é uma das primeiras personagens lésbicas assumidas da telvisão estadunidense e toda a sua trajetória até namorar uma mulher acontece com muita naturalidade e faz sentido dentro da trama. Por fim, é bacana falar sobre a presença de Joyce Summers (Kristine Sutherland), mãe de Buffy. Apesar de trazer um pouco do ideal de espírito maternal, aqui Joss Wheadon – showrunner* de Buffy – criou uma persona mais complexa. Joyce cria a filha sozinha e busca o melhor para ela, mas também tem vida própria e uma personalidade forte. Vejam bem, a produção começou em 1996, quando se era muito comum colocar senhoras rabugentas ou passivas nos enredos. Aqui não! Há fibra, garra e até participação direta em conflitos com mais ação. Na trama ainda existem coadjuvantes fortíssimas como Anya (Emma Caulfield) e Cordelia Chase (Charisma Carpenter). Por estes motivos e por ser muito divertida, Buffy – A Caça Vampiros vale muito a pena ser conferida.

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2. The Handmaid’s Tale (2017-): Fotografia, roteiro e atuações; a qualidade dos elementos técnicos da série já é um chamariz para o espectador. Contudo, a discussão que a produção provoca é ainda mais relevante. Baseado na obra homônima de Margaret Atwood, o enredo traz um mundo distópico no qual as mulheres são brutalmente escravizadas, violentadas e assassinadas. Nada é tão diferente do que a sociedade da vida real vive. O que a história faz é colocar uma lente de aumento nos maus tratos, no machismo, na homofobia e no radicalismo para que o público fique tão tocado e provocado que possa conseguir alcançar algumas reflexões, tais quais: qual o lugar que as mulheres ocupam de fato na sociedade? Quantas repressões elas vivem em seus cotidianos? O que lhes é tirado todos os dias? O que está acontecendo com cada uma delas neste momento? O discurso é potente e as ferramentas para contar as trajetórias destas figuras são muito boas. A segunda temporada já começou a ser disponibilizada pelo canal streaming Hulu. Corre!

 

Resultado de imagem para orange is the new black1. Orange is the New Black (2013-): Observando a quantidade de diversidade presente em Orange, já é possível compreender a razão dela ocupar a primeiríssima colocação da lista. O seriado, porém, vai além disto: há qualidade em sua representações. Inicialmente, o espectador é apresentado ao cotidiano de Piper Chapman (Taylor Schilling), uma menina branca de classe média dos Estados Unidos, que é sentenciada a quinze meses de prisão por envolvimento com tráfico de drogas. A sacada da produção de começar com uma jovem que se encaixa mais no padrão dos EUA e ir introduzindo os conflitos de mulheres de outras etnias e classes sociais, atrai o público diverso e segura o mais conservador. No final das contas, olhando para as cinco temporadas de OITNB, é possível encontrar também a sensibilidade para retratar estas figuras femininas encarceradas, seus conflitos, seus sentimentos, suas vidas dentro e fora da cadeia. Se você ainda não viu Orange, corre lá para ver!

 

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Outros títulos girl powers que valem ser conferidos: I Love Lucy, A Feiticeira, Jeannie é um Gênio, As Panteras, Charmed, Sex and the City, Gilmore Girls, Cold Case, The New Adventures of Old Christine, The Closer, Ghost Whisperer, Weeds, Grey’s Anatomy, The Comeback, Being Erica, Drop Dead Diva, The Good Wife, Body of Proof, Rizzoli & Isles, Revenge, 2 Broke Girls, Lost Girl, Veep, Faking it, The Fosters, Scandal, Supergirl, The Fall, Unbreakable Kimmy Schmidt, Jessica Jones, Crazy Ex-girlfriend, Big Little Lies, The Bold Type.

Santa Clarita Diet – O Retorno da Bomba

por Enoe Lopes Pontes

Nem só de cliffhanger vive uma série! Aliás, qualquer narrativa digna precisa de desenvolvimento, lógica e  coerência em todos os elementos que traga. Apesar de possuir bons desfechos em seus episódios, daqueles que deixam o espectador com vontade de terminar a temporada, o segundo ano de Santa Clarita Diet peca em saber manter o foco da trama e aproveitamento do plot .

Diferentemente da primeira parte de Santa Clarita, na qual as piadas e ações dramatúrgicas pareciam forçadas e deslocadas, aqui parece haver um esforço para que os conflitos menores se encaixem com a problemática geral: Sheila (Drew Barrymore), uma mãe do subúrbio dos Estados Unidos virou um zumbi e sua família deseja encontrar uma cura. Ainda assim, os realizadores deixam a sensação de que tem muita coisa ocorrendo ao mesmo tempo e o resultado acaba sendo o mesmo. Ok, todos os acontecimentos do roteiro acabam movendo o plot, contudo, a quantidade de personagens e “quiprocós” introduzidos retardam a resolução que a trama precisa, além de não trazer complexidade para o texto e ações.

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Um exemplo disto é o papel de Ramona (Ramona Young). Há uma inexpressividade desta figura, que parece ser algo demandado pela direção. Porém, ela não é apenas sem viço em sua interpretação, mas em sua própria participação na narrativa. Por que a jovem ganhou tanto espaço de cena se ela está ali apenas para revelar uma informação e sair? E se ela recebeu este foco, deveria ser mais bem explorada ou ter um desfecho menos apressado. Assim, como a moça, as escolhas de Victor Fresco (My Name is Earl) e sua equipe parecem todas apelativas e facilmente descartáveis.

No entanto, há uma qualidade nestes novos episódios que antes fora apenas rascunhado. Drew Barrymore (As Panteras) e Timothy Olyphant (O Maior Amor do Mundo) conseguem estabelecer uma boa dinâmica entre eles. O jogo, que é necessário que atores façam em cena, acontece em equilíbrio. É notável que eles estão conectados, pois a dupla traz no subtexto que há um entendimento forte entre o casal, através de olhares e gestos que dispensam palavras – o que pode ser que salve mesmo, visto que o texto é tão apelão -, além da constante troca entre agitação e tranquilidade das personagens que os dois dosam entre si, deixando que o espectador consiga fruir mais os acontecimentos e respire entre um frenesi e outro.

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Ainda que uma relativa melhora tenha acontecido em Santa Clarita Diet, a série continua pecado em diversos fatos, incluindo ser uma comédia que não tem graça. Agora, resta esperar para ver se o conflito será finalmente resolvido ou a Netflix vai cair em si e cancelar esta produção.

 

Com indecisão de plot e falta de ritmo, Jessica Jones tem uma temporada morna

por Enoe Lopes Pontes

Após três anos de hiato, Jessica Jones finalmente chegou ao catálogo da Netflix. Continuando a explorar traumas da protagonista para impulsionar a sua história, a segunda temporada da série demora de engatar e parece enrolar o espectador da pior forma. Isto porque a decisão de qual conflito será explorado e quem a protagonista vai enfrentar vai sendo adiado e muitas personagens vão sendo inseridas ao mesmo tempo, podendo deixar o espectador perdido e/ou entediado. Há uma confusão sobre qual é o caminho que a narrativa vai seguir, o que pode deixar o acompanhamento dos três primeiros episódio uma tarefa cansativa.

Um dos elementos que contribuem para a falta de rumo do plot são os micro conflitos deste segundo ano do seriado, que envolvem os coadjuvantes! Ok, explorar o que acontece com a vida dos que cercam JJ poderia ser positivo, mas o roteiro e as atuações não exploram com profundidade seus sentimentos, problemas e emoções. As questões que envolvem Jeri Hogarth (Carrie-Anne Moss) e Malcom Ducasse (Eka Darville), por exemplo, são entregues a conta gotas, as soluções das peças deste um quebra-cabeça são óbvias desde o início, porque são clichês  e já muito utilizadas (sem spoilers). Há também uma direção falha, por deixar que o trabalho de ator de Moss e Darville pareça forçado e “apelão”, como numa tentativa para cativar o público, mas que, no fim, soa não orgânico. A única personagem secundária que se destaca em sua narrativa e interpretação é Patrícia/Trish Walker (Rachel Taylor). Sem entregar muito, talvez esta seja a parte mais instigante da trama.

 

 

Patrícia deixa ser uma figura plana, aquela que é apenas a melhor amiga da mocinha e passa a ocupar uma relevância dentro das teias que o enredo vai formando. Há uma complexidade nova em Walker. Isto pode ser visto na Taylor, através de seus movimentos de corpo, que exploram ritmos combinados ou descombinados com as ações que se passam na tela e as suas gesticulações que chamam a atenção a depender da idade da moça. A sua construção deixa clara as motivações da personagem e as marcas que a sua vida pregressa deixou em seu olhar e postura corporal. É por isso que os flashbacks enriquecem ainda mais o entendimento sobre a Trish Walker e preparam o espectador para a sua última cena da temporada! (Sem spoilers!!).

Mas, voltando para a Jessica! Aqui, vemos uma ampliação também dos elementos que formam a personalidade da JJ. Ao mostrar seu passado, a série coloca suas fragilidades expostas, assim como na primeira temporada. Contudo, estas revelações refletem no presente de Jones de uma forma que a deixa mais sensível, mostrando até um lado mais doce dela. Neste sentido, Krysten Ritter é bem sucedida. A artista não perde o que já foi estabelecido da heroína anteriormente, porém coloca camadas de sentido novos, com olhares mais demorados em suas contra cenas e pesando ainda mais na energia e nos movimentos na frente das telas.

 

 

Apesar de Trish, Jessica e a relação das duas serem bem abordadas pelos roteiristas e pelas atrizes, a quantidade de fillers* em cada episódio quebra o ritmo da narrativa, deixando o público fatigado. As cenas de ação também parecem pequenas, em comparação com o primeiro ano de JJ. Tampouco há uma criação de tensão que seja sustentada por um tempo grande. A sensação que a temporada deixa é uma indecisão sobre o plot principal.

Com um conflito que demora em se estabelecido e ritmos desnivelados, a segunda temporada de Jessica Jones é uma história sobre relações sentimentais entre familiares e amigos. Apesar de tentar enriquecer a complexidade das cenas e de suas personagens, a série apenas enche linguiça e pode deixar o espectador entediado até a sua metade.

 

*Filler: encheção de linguiça

 

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