Na trilha da série: Walt Disney Company e o lançamento de carreiras musicais

A Walt Disney é uma empresa de grande envolvimento com o gênero musical, tanto nos cinemas quanto na televisão. Suas animações musicais marcaram a infância de várias gerações, e sua ação também trouxe fama a artistas hoje célebres, impactando o mercado fonográfico estadunidense no decorrer das décadas. No Na trilha da série de hoje, destacaremos alguns artistas que iniciaram suas carreiras na Disney.

 

Mickey Mouse Club

 

Christina Aguilera, Britney Spears, Justin Timberlake. Quem acompanha a carreira desses cantores pop hoje, não imagina que sua trajetória se iniciou ainda na infância no Mickey Mouse Club, o clube do Mickey Mouse. Realizado pela Disney e exibido pela ABC e Disney Channel, esse programa esteve no ar em períodos diversos entre as décadas de 1950 e 1990.

Sendo um programa de variedades, os episódios do clube compreendiam esquetes de comédia, participação de celebridades, além de diversos números musicais. A versão lançada em 1989, estrelada pelos famosos cantores supracitados, além de outros artistas relevantes – Keri Russel, protagonista de The Americans, também fez parte da equipe desse programa em sua adolescência, por exemplo – foi denominada como o “novíssimo” clube do Mickey Mouse, apontando para uma renovação do estilo desse show.

Os números musicais variavam entre solos, duetos e números de coro, que compreendiam uma quantidade maior de artistas. Em destaque após se apresentar no Star Search, um reality show musical, com apenas 9 anos, Christina Aguilera mostrava no clube seu alcance e variedade vocal desde criança, apresentando alguns solos ao vivo como a seguinte canção de Aretha Franklin:

 

Outros números tinham vocais pré-gravados, sendo apresentados em playback (um tipo de dublagem) e com grande enfoque em coreografias. Um exemplo é o dueto de “I’ll take you there” apresentado por Britney Spears e Justin Timberlake:

 

 

Miley Cyrus e Hannah Montana

Quase duas décadas depois, um dos programas musicais recentes mais exitosos do Disney Channel, Hannah Montana, esteve no ar. Exibido entre 2006 e 2011, ele deu origem também a um filme homônimo. Estrelada por Miley Cyrus, a série acompanhava a história de uma garota que possuía vida comum durante o dia, porém à noite se transformava na estrela musical Hannah Montana.

O programa trazia alguns pontos de consonância com a vida pessoal de Miley: seu nome era o mesmo da protagonista, e seu pai, Billy Ray Cyrus – um cantor de música country- interpretava também o pai dessa personagem, que possuía a mesma carreira na ficção.

O sucesso de Hannah Montana alavancou a carreira musical de Miley Cyrus, que iniciou os trabalhos da série ainda com 14 anos. Sua trajetória familiar já trazia o ambiente da música, não só por seu pai, mas também por sua madrinha, uma das maiores cantoras do country estadunidense: Dolly Parton. No entanto, foi após a exposição que alcançou na série da Disney que a cantora lançou seu primeiro CD solo, Meet Miley Cyrus, em 2007. Desde então, desenvolveu sólida carreira musical perpassando vários gêneros de música.

“The Climb”, uma das canções mais famosas da carreira de Cyrus, foi lançada como single e utilizada no momento de ápice do filme Hannah Montana:

 

Artistas teens dos anos 2010

Após o sucesso da série anterior, a Disney investiu ainda mais em uma variedade de programas para o público adolescente, incluindo também filmes. Alguns exemplos são High School Musical, construído em uma trilogia, e Camp Rock, sequência de duas obras, todos sendo filmes musicais.

Este último título, lançado em 2008, destacou a performance musical dos artistas Demi Lovato e Jonas Brothers. Após o filme, eles saíram em turnê musical juntos, já desvinculados de seus papeis ficcionais. Demi continuou a fazer seriados no Disney Channel, enquanto tocava sua carreira musical. Já os Jonas Brothers, trio de irmãos cantores, alcançaram uma base de fãs tão expressiva que a emissora lançou Jonas L.A, uma série com formato de reality show, que acompanhava a rotina desses artistas.

Selena Gomez é outra artista contemporânea que possui trajetória similar à de Demi Lovato. Ela já havia atuado em televisão, mas foi protagonizando a série de fantasia do Disney Channel, Os Feiticeiros de Waverly Place, que ganhou mais notoriedade. Um ano depois do lançamento da série, Selena iniciou sua carreira musical com a banda The Scene. Seu primeiro álbum solo, no entanto, só foi lançado em 2013.

Além dos cantores citados aqui, muitos outros artistas tiveram carreiras lançadas pela Disney. Sendo assim, essa empresa trouxe impacto para a indústria fonográfica, também através da grande variedade e vendagem dos CDs de trilha de seus programas.

*Hanna Nolasco é mestre em Comunicação e Cultura Contemporâneas pela Universidade Federal da Bahia e desenvolve pesquisas sobre o uso da música em produtos televisivos

Crítica: montagem é a grande falha de Luis Miguel: A série

por Enoe Lopes Pontes

Produzida pela MGM e a Gato Grande e distribuída pela Netflix, Luis Miguel – a Série alcançou um sucesso tão grande no México, que até uma matéria sobre o entusiasmo de seu público saiu no El País. Contando a trajetória do cantor internacional que dá título para a história, a produção mescla drama familiar, com romance e uma pitada de mistério. Toda a trama se baseia nos sucessos e derrotas de Luis (Diego Boneta), através de idas e vindas em sua vida, entre sua pré-adolescência até o início de sua juventude. Com um início instigante, a lógica da narrativa não se sustenta, porque ela perde sua força quando abusa da questão temporal.

Um dos elementos que acabam faltando por conta disto é a progressão dramática. A vida do cantor parece ter sempre sido marcada pelas opressões de seu pai, o também cantor, Luisito Rey (Óscar Jaenada). Até a sua morte, em 1992, Luis Miguel precisou lidar com os ultrajes de seu progenitor que lhe causaram perdas e ganhos enormes em sua carreira e desastres em sua vida pessoal. Por isso, é possível que a dinâmica seja logo vista, mas a empatia demora a acontecer e algumas reações das personagens não parecem justificáveis, até que se avance nos episódios. A estratégia poderia funcionar, porém as emoções são jogadas aos montes, deixando o tom das cenas à cima por tempo demasiado.

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Outros fatores não tão agradáveis são a montagem e a continuidade. Talvez, esta seja a grande questão da produção. Se uma reorganização das cenas fosse realizada, em cada episódio, a progressão e conexão com a trama conseguiriam crescer. Além disso, os cortes fazem o ritmo da exibição ir caindo e a fluidez da narrativa ir se perdendo. Resta uma ideia de que tudo que está sendo mostrado na tela é redundante e monótono. Por fim, as sequências foram realizadas com tanta falta de zelo que é possível notar erros de prosseguimento tão fortes que a questão até virou piada na internet – principalmente no Twitter, claro.

Contudo, existe uma questão que tem a capacidade de instigar o público a querer continuar sua maratona! O fator motivante para terminar a temporada é o mistério em relação ao sumiço de Marcela, mãe do protagonista. Entre as derrapadas de Luis e seu pai, a grande questão que desperta curiosidade é como vão mostrar a busca da personagem principal por um reencontro com Marcela e a razão pela qual ela sumiu. Inclusive, a atriz que a interpreta, Anna Favella, consegue estabelecer uma boa dinâmica com os dois atores que interpretam o cantor em sua fase de adolescente (Izan Llunas e Luis de La Rosa). As relações de olhar e toque, devido ao medo que os dois têm de Luisito ou alguma conquista maior de Luis, são logo notadas. O gestual de Favella fica mais suave quando sua personagem está ao lado do filho, e o mesmo demonstra segurança e tranquilidade quando acontecem interações entre os dois.

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Luis Miguel: A Série consegue enlaçar o espectador até o final da temporada por possuir uma investigação curiosa, que pode ser considerada o ponto alto do seriado. Contudo, se diluísse mais as idas e vindas da trajetória de Luis e enxugasse os episódios de treze para oito, talvez conseguisse reunir os fatos mais necessários para a trama e ganhasse impulso e brilho que um cantor que despertou tantos fãs mundialmente merecia.

 

TOP 5 – SÉRIES GIRL POWER

por Enoe Lopes Pontes

Representatividade! Ligar a TV, acessar o tablet, abrir o computador e se ver na tela é uma das melhores sensações que a recepção pode ter. Apesar de Hollywood ser uma terra dominada por homens – sobretudo brancos -, as produções têm apresentado uma maior quantidade de personagens de gêneros, etnias e sexualidades distintas. Obviamente, a igualdade não foi alcançada, ela ainda está muito longe. Contudo, vale celebrar e assistir aos seriados que trazem diversidade na equipe e em seus textos.

Pensando nisso, o Série a Sério traz agora uma lista com cinco séries mais Girl Power da televisão estadunidense. No top 5, foram consideradas a popularidade, o grau de representação na tela e o discurso das produções. Lembrando que o tema foi escolhido pelos leitores em nosso instagram! Confiram!

 

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5. Desperate Housewives (2004-2012): Exibida pelo canal ABC e criada por Marc Cherry (Devious Maids), a série é uma dramédia de mistério, na qual quatro donas de casa perdem uma grande amiga que se suicidou. Juntas, elas descobrem que existem motivos obscuros para a morte da tão querida amiga e passam a investigar os segredos que levam Mary Alice a tirar a própria vida. Além da qualidade técnica do seriado, que sabe dosar em cada episódio os momentos cômicos e trágicos, ter uma boa dinâmica no elenco e uma trilha que casa com a ironia que a produção busca passar, Desperate é puro girl power. Em 2004, o público teve contato com quatro mulheres fortes e donas de si que, apesar de em sua primeira camada, demonstrarem ser esterótipos femininos estabelecidos no imaginário da sociedade: a esposa perfeita e cuidadosa (Bree), a divorciada atrapalhada (Susan), a mãezona estressada, cheia de filhos travessos (Lynette) e a fútil (Gabrielle); eram muito mais do que isso. Durante as oito temporadas de Desperate Housewives estes arquétipos vão caído por terra e as moças vão demonstrando camadas profundas em suas personalidades, as dificuldades enfrentadas por serem mulheres, os dribles no machismo e a força guardada em cada uma.

 

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4. How to Get Away with Murder (2014-): Viola Davis é protagonista deste drama criminal, também exibido pela ABC. Davis interpreta a professora Annalise Keating, uma célebre advogada que precisa de cinco estagiários para trabalhar com ela em seu escritório. Obviamente, ela e os alunos escolhidos envolvem-se em crimes e situações tensas que vão se complicando cada vez mais a medida que a narrativa avança. O girl power está presente na produção tanto em Keating quanto nas figuras femininas coadjuvantes. São as mulheres que descobrem ou planejam as ciladas primeiro, que sabem se expressar melhor e movimentam a trama com mais complexidade e desenvolvimento. HTGAWM é um produto da Shondaland – empresa de Shonda Rhimes, criadora de Scandal e Grey’s Anatomy – e traz consigo uma qualidade presente nas obras da produtora: a diversidade étnica e a visibilidade gay. No caso de How to Get Away, a bissexualidade também está em voga, algo mais raro e muitas vezes tratado de maneira equivocada, como um fetiche ou uma confusão.

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3. Buffy – A Caça Vampiros (1996-2003): Poucas produções possuem um grau tão alto de girl power como esta série. A começar pela protagonista, Buffy Summer (Sarah Michelle-Gellar), uma jovem caçadora de criaturas sobrenaturais. A forma como a personagem é independente, firme e corajosa é uma inspiração. Construída paulatinamente com camadas de complexidades adicionadas a cada ano, sua postura de heroína só cresce dentro da história, chegando no ápice na sétima temporada, quando Summers já é uma mulher totalmente consciente e dona de suas ações. Outro destaque é Willow Rosenberg (Alyson Hannigan), que começa como uma menina ingênua e nerd, a jovem torna-se muito poderosa e determinada. Além disso, Willow é uma das primeiras personagens lésbicas assumidas da telvisão estadunidense e toda a sua trajetória até namorar uma mulher acontece com muita naturalidade e faz sentido dentro da trama. Por fim, é bacana falar sobre a presença de Joyce Summers (Kristine Sutherland), mãe de Buffy. Apesar de trazer um pouco do ideal de espírito maternal, aqui Joss Wheadon – showrunner* de Buffy – criou uma persona mais complexa. Joyce cria a filha sozinha e busca o melhor para ela, mas também tem vida própria e uma personalidade forte. Vejam bem, a produção começou em 1996, quando se era muito comum colocar senhoras rabugentas ou passivas nos enredos. Aqui não! Há fibra, garra e até participação direta em conflitos com mais ação. Na trama ainda existem coadjuvantes fortíssimas como Anya (Emma Caulfield) e Cordelia Chase (Charisma Carpenter). Por estes motivos e por ser muito divertida, Buffy – A Caça Vampiros vale muito a pena ser conferida.

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2. The Handmaid’s Tale (2017-): Fotografia, roteiro e atuações; a qualidade dos elementos técnicos da série já é um chamariz para o espectador. Contudo, a discussão que a produção provoca é ainda mais relevante. Baseado na obra homônima de Margaret Atwood, o enredo traz um mundo distópico no qual as mulheres são brutalmente escravizadas, violentadas e assassinadas. Nada é tão diferente do que a sociedade da vida real vive. O que a história faz é colocar uma lente de aumento nos maus tratos, no machismo, na homofobia e no radicalismo para que o público fique tão tocado e provocado que possa conseguir alcançar algumas reflexões, tais quais: qual o lugar que as mulheres ocupam de fato na sociedade? Quantas repressões elas vivem em seus cotidianos? O que lhes é tirado todos os dias? O que está acontecendo com cada uma delas neste momento? O discurso é potente e as ferramentas para contar as trajetórias destas figuras são muito boas. A segunda temporada já começou a ser disponibilizada pelo canal streaming Hulu. Corre!

 

Resultado de imagem para orange is the new black1. Orange is the New Black (2013-): Observando a quantidade de diversidade presente em Orange, já é possível compreender a razão dela ocupar a primeiríssima colocação da lista. O seriado, porém, vai além disto: há qualidade em sua representações. Inicialmente, o espectador é apresentado ao cotidiano de Piper Chapman (Taylor Schilling), uma menina branca de classe média dos Estados Unidos, que é sentenciada a quinze meses de prisão por envolvimento com tráfico de drogas. A sacada da produção de começar com uma jovem que se encaixa mais no padrão dos EUA e ir introduzindo os conflitos de mulheres de outras etnias e classes sociais, atrai o público diverso e segura o mais conservador. No final das contas, olhando para as cinco temporadas de OITNB, é possível encontrar também a sensibilidade para retratar estas figuras femininas encarceradas, seus conflitos, seus sentimentos, suas vidas dentro e fora da cadeia. Se você ainda não viu Orange, corre lá para ver!

 

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Outros títulos girl powers que valem ser conferidos: I Love Lucy, A Feiticeira, Jeannie é um Gênio, As Panteras, Charmed, Sex and the City, Gilmore Girls, Cold Case, The New Adventures of Old Christine, The Closer, Ghost Whisperer, Weeds, Grey’s Anatomy, The Comeback, Being Erica, Drop Dead Diva, The Good Wife, Body of Proof, Rizzoli & Isles, Revenge, 2 Broke Girls, Lost Girl, Veep, Faking it, The Fosters, Scandal, Supergirl, The Fall, Unbreakable Kimmy Schmidt, Jessica Jones, Crazy Ex-girlfriend, Big Little Lies, The Bold Type.

Santa Clarita Diet – O Retorno da Bomba

por Enoe Lopes Pontes

Nem só de cliffhanger vive uma série! Aliás, qualquer narrativa digna precisa de desenvolvimento, lógica e  coerência em todos os elementos que traga. Apesar de possuir bons desfechos em seus episódios, daqueles que deixam o espectador com vontade de terminar a temporada, o segundo ano de Santa Clarita Diet peca em saber manter o foco da trama e aproveitamento do plot .

Diferentemente da primeira parte de Santa Clarita, na qual as piadas e ações dramatúrgicas pareciam forçadas e deslocadas, aqui parece haver um esforço para que os conflitos menores se encaixem com a problemática geral: Sheila (Drew Barrymore), uma mãe do subúrbio dos Estados Unidos virou um zumbi e sua família deseja encontrar uma cura. Ainda assim, os realizadores deixam a sensação de que tem muita coisa ocorrendo ao mesmo tempo e o resultado acaba sendo o mesmo. Ok, todos os acontecimentos do roteiro acabam movendo o plot, contudo, a quantidade de personagens e “quiprocós” introduzidos retardam a resolução que a trama precisa, além de não trazer complexidade para o texto e ações.

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Um exemplo disto é o papel de Ramona (Ramona Young). Há uma inexpressividade desta figura, que parece ser algo demandado pela direção. Porém, ela não é apenas sem viço em sua interpretação, mas em sua própria participação na narrativa. Por que a jovem ganhou tanto espaço de cena se ela está ali apenas para revelar uma informação e sair? E se ela recebeu este foco, deveria ser mais bem explorada ou ter um desfecho menos apressado. Assim, como a moça, as escolhas de Victor Fresco (My Name is Earl) e sua equipe parecem todas apelativas e facilmente descartáveis.

No entanto, há uma qualidade nestes novos episódios que antes fora apenas rascunhado. Drew Barrymore (As Panteras) e Timothy Olyphant (O Maior Amor do Mundo) conseguem estabelecer uma boa dinâmica entre eles. O jogo, que é necessário que atores façam em cena, acontece em equilíbrio. É notável que eles estão conectados, pois a dupla traz no subtexto que há um entendimento forte entre o casal, através de olhares e gestos que dispensam palavras – o que pode ser que salve mesmo, visto que o texto é tão apelão -, além da constante troca entre agitação e tranquilidade das personagens que os dois dosam entre si, deixando que o espectador consiga fruir mais os acontecimentos e respire entre um frenesi e outro.

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Ainda que uma relativa melhora tenha acontecido em Santa Clarita Diet, a série continua pecado em diversos fatos, incluindo ser uma comédia que não tem graça. Agora, resta esperar para ver se o conflito será finalmente resolvido ou a Netflix vai cair em si e cancelar esta produção.

 

TOP 5 – MELHORES SÉRIES ESCONDIDAS NA NETFLIX

por Enoe Lopes Pontes

As séries de TV mais vistas são descobertas pelo público através de divulgação pesada, por material dos grandes veículos de comunicação, pelas redes sociais e por indicação de amigos. Sejam  mais novos ou antigos, os seriados mais conhecidos acabam caindo no gosto do público e são muito maratonados. Há alguns casos, no entanto, de produções bem realizadas, mas que perdem seu destaque ou nunca foram descobertas. Algumas obras foram marcantes apenas em suas épocas,  outras não alcançaram uma alta popularidade mundialmente ou são difíceis de encontrar para comprar ou na internet.

Independentemente da razão para este mistério, o Série a Sério garimpou a Netflix e encontrou algumas pérolas um pouco mais raras, que valem pela qualidade, nostalgia, diversão ou puro entretenimento.  A lista – escolhida através de votação em nosso instagram: @serie_a_serio – buscou juntar gêneros, épocas e gostos diversos! Confiram!

 

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5 – VAN HELSING (2016-) – Com duas temporadas exibidas pelo Canal Syfy (Estados Unidos) e pela Netflix, (Brasil), a série mostra uma sociedade distópica, na qual os vampiros infectaram os humanos e tomaram conta do planeta. Numa de mistura que fica entre The Walking Dead (AMC, 2010-) e Hemlock Grove (Netflix, 2013-2015), o seriado prende a atenção por despertar  curiosidade e atenção para o mistério que cerca a narrativa. As revelações ocorrem lentamente, mas sem perder o fôlego ou o ritmo da história. O seu roteiro tem consistência na medida em que sabe amarrar os conflitos que são desenvolvidos em episódios espaçados, sem se perder na teia de peripécias criadas pelos autores. Entre os flashbacks e o presente, o público vai desvendando quem é a protagonista e a sua importância dentro deste universo. Apesar do pontos bacanas, essa estrutura apenas se mantém completamente no primeiro ano de Van Helsing, deixando um gostinho de frustração e enrolação no ar na sua segunda parte. De toda forma, a produção vale ser conferida! Sejam pelas razões já citadas, por ter uma protagonista mulher bem interpretada (Kelly Overton) ou pelos cliffhangers, Helsing justifica a sede de um seriador por um bom binge watching*!

 

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4 – DROP DEAD DIVA (2009-2014) – Exibida pela Lifetime (EUA), e pela Sony (BR), esta é uma daquelas séries que aquecem o coração! Com seis temporadas na bagagem, o seriado narra a trajetória de Deb (Brooke D’Orsay): uma super modelo que sofre um acidente de carro e morre. Após seu falecimento, já no céu, ela aperta um botão que a manda de volta para a Terra. Contudo, ela retorna diferente: em um corpo de uma advogada cdf, workhaloic e fora dos padrões de beleza impostos pela sociedade. O seriado mescla o estilo “procedural” com o serializado, mostrando ao público os casos jurídicos da personagem principal, junto com as dificuldades dela em se adaptar a um cérebro, um trabalho e a amigos diferentes. Drop Dead vale pelo carisma da atriz central – que ainda performa vários números musicais durante os seis anos de exibição de DDD e tem uma voz linda -, por saber equilibrar a comédia e o drama dentro de cada episódio e explorar as emoções e sensações de Jane (Brooke Elliott), deixando-a complexa e a humanizando, sem deixar a história piegas. Além disso, eles sabem segurar bem a onda em seu hibridismo, com doses jurídicas que instigam, mas não retiram o foco do mais importante para a trama: a trajetória de sua mocinha. Apesar disso, atentem para a paciência com os fillers** e algumas decisões narrativas que pesam a mão no melodrama, destoando da proposta estilística que predomina na obra.

 

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3 – LOVESICK (2014-) – A sitcom britânica Lovesick ocupa a terceira posição, principalmente, pelo seu tom ácido e seu timing. Ok, é um seriado do Reino Unido! Seu humor é muito específico, por ser mais seco e menos explícito, contudo isto não o torna menos engraçado. Quando o espectador foca no plot da série, este argumento faz muito mais sentido!!! Dylan Witter (Johnny Flynn) é diagnosticado com Clamídia e precisa avisar todas as suas parceiras sexuais disso. Cada episódio, conhecemos alguma – ou mais de uma – garota que ele se relacionou. Apesar do protagonista ser aquele típico homem que não sabe dar atenção a menina correta, mas só vive reclamando, aqui este comportamento é mostrado de forma crítica. Através da tolice de Dylan e da perspicácia das mulheres ao seu redor, as situações cômicas são elevadas, juntas com a quantidade de risos. O ponto que desanima é um antigo clichê: o da paixão frustrada entre melhores amigos. Ainda assim, há muito mais para ser aproveitado na série: diálogos afiados e autores que conseguem dizer em poucas palavras o que querem; interpretações equilibradas e conscientes, os atores entendem suas personagens e demonstram suas forças e fragilidades em olhares e gestos, mas tudo com muita sutileza e elegância britânica; a fotografia que consegue mostrar a beleza da Escócia, sem tirar o foco – literalmente – das emoções das figuras dramáticas retratadas na tela. Ah! Ainda tem mais um detalhe que empolga, o binge é rapidinho! São 22 episódios exibidos até agora, cada um com um pouco mais de vinte minutos. Corre, porque em uma noite você fica em dia com Lovesick!

 

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2 – PARTY OF FIVE / O QUINTETO (1994-2000) – Série teen dos anos 1990, Party of Five conta a história de cinco órfãos que precisam  enfrentar os desafios da juventude. Para quem gosta do estilo dos seriados familiares do final do século XX, daqueles com os caminhos possíveis para resoluções de problemas aparentemente grandes e de ver os conflitos adolescentes típicos da época, essa é uma grande chance de ver isto acontecendo na tela e de forma bem feita. Vencedora do Globo de Ouro de Melhor Seriado Dramático, em 1996, a narrativa é simples: os irmãos possuem uma questão para resolver (dinheiro, tempo, amores) e com muita fraternidade e conversa vão conseguindo driblar os desafios. Porém, a forma de contar é o mais importante. Primeiramente, existe uma delicadeza tanto da direção quanto do roteiro em retratar as personagens principais que tão cedo perderam o pai e a mãe. O tom é acertado justamente porque consegue passar a ausência, a perda e a falta de credulidade das pessoas ao quando precisam lidar com o luto, ainda mais quando ele acontece de repente e como as mudanças acontecem na vidas destas pessoas e como elas acontecem. O sofrimento das personagens é equilibrando, suas fraquezas e forças são mostradas, deixando-as menos planas. Além disso, há uma qualidade no roteiro por possuir múltiplas questões em um mesmo episódio, mas que se amarram e passam a mesma lição do dia, no final das contas. É através das angústias de Charlie, Bailey, Julia, Claudia e Owen que os problemas são expostos e as respostas são encontradas.  As atuações não são o forte de POF, mas também não comprometem a qualidade da obra. Há, no entanto, um destaque dentro do elenco: Lacey Chabert (Meninas Malvadas). A atriz consegue passar muitas emoções complexas – como entender que precisa amadurecer mais rápido para ajudar em casa – sem ser expositiva em seu tom de voz ou expressões faciais.

 

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1 – CRAZY EX-GIRLFRIEND (2015-) – Talvez esta seja a melhor série cômica exibida na atualidade! Por que? Crazy Ex-girlfriend é uma comédia musical sobre uma mulher muito bem sucedida que se muda de cidade para ir atrás de um ex-namorado. Acompanhando a contemporaneidade, a série critica todo o machismo, a alienação e os problemas da sociedade do século 21 – como o crescimento das doenças psicológicas, o peso que as pessoas dão aos seus problemas, o egocentrismo e as farsas vividas e propagadas dentro das redes sociais. Tudo isso em números com canções cheias de frases sarcásticas e cruéis. O seriado também ganha muito pontos por não se tão levar a sério, rindo de suas próprias gags, criando plot twists que são desfeitos rapidamente ou com alguma quebra da quarta parede que exponha ainda mais a protagonista. Rebecca Bunch (Rachel Bloom) é uma mulher como outra qualquer, apesar de muito bonita e inteligente, é fora dos padrões de beleza e sanidade. Porém, seu carisma disfarça suas extravagâncias comportamentais e ela consegue conquistar todos ao seu redor. A empatia que a personagem causa foi passada bravamente por Bloom que, inclusive, recebeu o Globo de Ouro de Melhor atriz, em 2017, por sua performance. Por todas estas questões, CEG ocupa o primeiro lugar da lista e é uma excelente ideia para um final de semana de “Netflix and chill”.

 

*binge watching – maratonar

** Fillers – encheção de linguiça em narrativas

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