Crítica Shazam!

 

por Enoe Lopes Pontes

 

Um adolescente de catorze anos tem a possibilidade de gritar “Shazam!” e virar um super-herói cheio de poderes incríveis e surpreendentes. Esse parece o sonho de qualquer criança viva que esse planeta já conheceu e também é a premissa da história sobre Billy Batson (Asher Angel). O garoto é órfão e procura sua mãe, até que ele recebe dons mágicos de um mago misterioso e sua vida acaba mudando completamente. Mas, vamos parar por aí na questão do enredo, senão vai chover spoiler.

Com uma dinâmica que mostra o passado e o presente do mocinho e do vilão, a narrativa se vale de um trauma de infância e da ausência de uma família para retratar os conflitos internos destas personagens. Talvez, a semelhança entre os problemas de Billy e Thaddeus (Mark Strong) e a decisões diferentes que eles tomam a partir deles seja uma espécie de fio condutor da trama. Isto é um ganho porque a questão passa quase suave diante do espectador.

 

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As trajetórias dos dois vão se desenhando durante a projeção e mostra-se o interesse que cada um tem sobre a vida e quando a escolha entre salvar o mundo ou se vingar dele faz com que o traço principal da personalidade de cada um seja definida. Tudo isto é feito com um clima constante de piadas de efeito. Apesar desta comicidade em alto grau cortar o clima de ação em alguns momentos, principalmente na luta final, este fator não compromete a totalidade do filme, justamente porque o herói é um adolescente e estas gracinhas que ele faz lembra sempre o público disto.

Mesmo quando Billy é o Shazam (Zachary Levi), a lembrança de que o um menino está ali fica vivida na exibição. Este também é um mérito de Levi que construiu o super-herói com trejeitos adolescentes, colocando os traços em seu corpo, seus olhares e nas intenções do texto. Contudo, Angel e Levi não parecem construir um papel único. Algumas vezes, faltam traços de atuação semelhantes entre os dois atores, o que deixa as versões destoantes.

 

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Outro ponto que incomoda na projeção são os diálogos expositivos. Ainda que não aconteçam o tempo inteiro, quando ocorrem dão a sensação de que o roteirista (Henry Gayden) subestimou a plateia e coloca textos dos mais ingênuos possíveis na bocas dos intérpretes. Sabe quando aparecem aquelas falas assim “Pai, você sabe que eu sempre odiei cenouras”. Este é um artifício um pouco preguiçoso que quem escreve faz para que quem assiste saiba de elementos anteriores. Porém, quando o roteiro é mais bem trabalhado, ele dá um jeito de contar as coisas de formas mais sutil.

Shazam! possui algumas falhas, mas chega para mudar um pouco o tom das adaptações das HQs da DC Comics, entregando um clima mais leve e menos sombrio, sem deixar os momentos de aventura e ação de lado. No geral, tem um resultado digno, trazendo a comicidade e o espírito do protagonista e deixando a possibilidade de um DCEU (Universo Extendido DC) com cada história dos heróis sendo contada com desenvolvimento e a personalidade que cada um deles merece.